Os Homens Merecem Morrer
28 Mistério, caça e o condenado fugitivo
Notas iniciais
CAPÍTULO VINTE E SETE
Mistério, caça e o condenado fugitivo
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Comeram um lanche improvisado que consistia em hambúrguer e refrigerante que uma das garotas no galpão comprou, e logo Rose e Alice observavam a picape ter a placa modificada pelas duas criminosas de plantão.
— Isso é uma grande maluquice — Alice tomava sua Coca—Cola de canudinho, propositalmente fazendo o barulho de sucção que Rose detestava.
A ruiva lhe fitou por um segundo, suspirando em seguida.
— Loucura é sermos presas apenas por sabermos nos expressar — bufou com os braços cruzados.
— Falando nisso... — Lilá surgiu cantarolando, e Alice bufou.
— Ai meu Deus! Lá vem ela!
Lilá a ignorou.
— Pansy está sendo bem paga por alguma vadia que quer nossas cabeças. Marlene conseguiu imagens das câmeras de segurança do hospital que mostravam uma loira vaca entrando no quarto da Pansy com um pacote de papel. Para mim não é lanche do McDonald’s.
E mostrou as três fotos para Rose e Alice, onde uma figura feminina de gorro vermelho e sobretudo preto caminhava pelo corredor do hospital. Era impossível reconhecer seu rosto, mas a última foto mostrou o exato instante que a mulher segurava a maçaneta da porta do quarto de Pansy, e uma tatuagem de âncora era visível em seu pulso.
— Consegui hoje à tarde — disse Marlene, respirando fundo. — Foi difícil entrar e principalmente invadir a sala de segurança, mas consegui. Ela parece ser espera. Pegou caminhos sem sinal das câmeras. Apenas nesse corredor consegui alguma imagem dela.
— Quase uma fantasma — Rose observava atentamente a última foto, onde a tatuagem de âncora era visível. Tentava reconhecer ou lembrar de onde tinha visto, mas parecia vago demais e ela logo descartou. Lançou as fotos contra Lilá violentamente. — É bom você não estar armando contra mim!
— Estamos no mesmo barco, tolinha — Lilá resmungou. — Deveria me agradecer pelo que fiz...
Rose riu ironicamente, dando um passo à frente.
— Não espere por isso.
— Certo, certo! Você tem alguma inimiga de longa data? Alguém que queira sua cabeça em uma bandeja com molho de grosélia para os urubus? — questionou Marlene, apartando a discussão que se formaria em instantes.
— Apenas Dominique. Mas ela é burra demais para isso — Rose revirou os olhos.
— E pela data, Dominique ainda estava presa — observou Alice com as fotos das câmeras em mãos.
Kristen e Tina caminharam até o grupo.
— Aí, que cor você quer a sua picape? — Kristen girava uma chave inglesa em sua mão, mascando chiclete. Tinha cabelos tão azuis que chegava a doer os olhos, assim as excessivas tatuagens em seus ombros.
Rose pensou por um instante.
— Coloca vermelho.
— Tá. E vai querer armamento? — Tina, a garota de cabelos arroxeados, perguntou naturalmente.
Alice quase desmaiou, mas Rose ficou satisfeita.
— Pode colocar tudo que tiver!
(...)
Scorpius parou em um posto de gasolina próximo a entrada para a Bandeirantes. Entrou na loja de conveniência ofegante.
— Você viu uma picape prata com essa placa por aqui? — o loiro perguntou à garota no balcão, depositando um pedaço de papel com o número da placa de Rose à frente dela. A jovem negou com um menear de cabeça e voltou a atenção para seu celular.
Scorpius estava prestes a ir embora quando um homem corpulento saiu de trás de uma das prateleiras da loja.
— Mas você é uma mentirosa — Ele a repreendeu pegando o papel como o número da placa nas mãos de Scorpius. — Sim, eu vi essa picape com esse número de placa parado aqui há umas duas horas atrás. Duas garotas estavam nele, uma ruiva e uma morena...
— Bob! — repreendeu a garota do balcão, mascando continuamente seu chiclete, mas demonstrando fúria com o homem.
Ele revirou os olhos. Scorpius, ansioso, não permitiu que Bob perdesse a linha de seu pensamento:
— Elas comentaram alguma coisa sobre para onde iriam?
Bob pensou por um segundo.
— Ouvi a mais tagarela falar sobre galpão e se a chefe delas estaria mesmo lá. A ruiva ficou mandando ela calar a boca. Então foram embora depois de pagarem pelo combustível.
— Obrigado — agradeceu Scorpius e saiu depressa sem olhar para trás ou esperar resposta.
(...)
Rose observava a picape tão sorridente que sentia suas bochechas doloridas. Vermelho era uma cor maravilhosa e até o trágico amassado na carroceria da picape foi disfarçado com um martelinho de ouro e a nova cor.
— Essa é uma Glock .380 — Kristen a entregou para Rose, que a pegou. — É bem precisa. Use em último caso se você não souber atirar ou se você nunca tiver matado alguém.
— Esse é o armamento? Sério? — questionou Rose, um tanto decepcionada, avaliando a Glock em suas mãos.
Tina deu uma risada.
— Esperava o quê? Uma bazuca?
— Finalmente alguém com juízo por aqui! — Alice parecia rezar juntando suas mãos e olhando para o teto. Rose revirou os olhos.
Lilá apareceu sorridente com a Agente Heart.
— Aqui está! — Ela entregou para Rose uma pasta cheia de papéis, fotos e cheques. — São todas as cópias dos documentos de Roger Maxon. Dormi com ele algumas noites e em uma dessas fiz essas cópias e peguei o número da conta dele e todos os dados que precisamos. Fiz apenas por emergência. Ele era bom no que fazia e não era justo traí—lo dessa maneira — Lilá suspirou pesarosamente.
Alice arqueou as sobrancelhas para a chefa.
— Pera lá! Agora mudamos de jornalistas mal faladas para ladras de caras para quem você deu? O que vai ser daqui a pouco? Atrizes de filme pornô?
— Até que não é má ideia — brincou Rose, dando risada da cara da amiga.
A Agente Heart soprou um apito, e as garotas se sobressaltaram ficando em silêncio.
— Certo! Está na hora da divisão! Preciso que três de vocês se espalhem. Peguem a estrada ou se escondam na cidade. Rose e Alice vão ficar conosco agora. O resto de vocês está dispensada.
Houveram murmúrios de indignação por parte das garotas, mas logo foi cessado quando Marlene soprou novamente o apito.
— Silêncio! Sigam essas instruções e serão felizes para sempre — ela entregou mapas para as garotas. — Não sigam e sofrerão as consequências! Boa sorte! A última apaga a luz!
E deu as costas pulando na carroceria da picape de Rose, que soltou uma exclamação indignada antes de adentrar sua “bebê” e girar a chave na ignição. Lilá entrou no banco de trás da picape, enquanto Alice pulava para o banco do passageiro.
— Avante e além! — exclamou a morena, e recebeu um olhar enviesado da amiga, antes dela acelerar e cair fora daquele galpão cheio de falsianes invejosas.
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