Os Golpistas
38 Separando-se
Notas iniciais
POV PEG
—Era só o que me faltava—Ian chutou a lataria do carro, segurava as sacolas nas duas mãos.
—O que houve?—Não entendia aquela reação dele.
—Aquele desgraçado furou os pneus do carro, veja só.
—Como assim?—Olhei para os pneus, Ian estava coberto de razão, só podia ter sido aquele cara—Como vamos voltar agora?
—Que tal você me sugeri uma saída? Acho bom pensar em algo logo, o tempo está fechando, logo vai cair uma chuva daquelas.
—Porque não pegamos um Táxi?
—Gastamos todo o dinheiro, não tem como.
—Poxa, então pedimos uma carona.
—Excelente idéia—Era notável a ironia na voz dele.
—Se você tiver outra opção eu estou escutando.
—Vamos logo então, assim temos sorte de encontrar uma boa alma que nos leve.
Sai seguindo Ian pela saída do estacionamento.
[...]
Algumas horas depois...
—Eu te disse que isso não podia dar certo.
—Passou o caminho todo reclamando Ian, seja mais otimista, dois carros pararam.
—Escutou as condições dos caras, eles só levariam você.
—Depois eu mandava alguém vim buscá-lo, agora nem carona temos mais.
—Vem cá você é sempre inocente assim?—Parou de caminhar e me olhou seriamente.
—Do que está falando?
—Eles queriam abusar de você, esse era o motivo da carona deles, uma menina bonita chama atenção.
—Ah, então concorda que sou bonita?—Ian pareceu ficar confuso.
—Olha eu só disse que...
—Que me acha bonita—Completei a frase sorrindo e satisfeita.
—Não distorça minhas palavras Peg, aqueles caras só queriam se aproveitar é da natureza dos homens.
—Então está me dizendo que eles queriam apenas brincar comigo?
—Isso mesmo.
—Você se importa?
—Esse não é o caso.
—Porque não me deixou ir com eles então?
—Então você queria ter ido?
—Responda Ian.
—Não podia deixar, mesmo sabendo que não aturo sua companhia, não deixaria.
—Então se importa—Passei por ele sorrindo.
—Hey, volte aqui, para onde está indo—Senti seus passos atrás dos meus.
—Vamos parar naquele bar ali, já está quase escurecendo, e começou a pingar—Olhei para o céu, estava completamente nublado, as nuvens carregadas e escuras.
—Péssima idéia Peg, vamos continuar.
—Estou cansada, se não quiser vim tudo bem, afinal acho que posso me virar bem sozinha.
—É brincadeira não é? Está querendo me testar só pode ser isso.
—Ache o que quiser, se quiser venha, se não quiser pode ir embora.
—Peg?—O ignorei e caminhei rumo ao bar.
[...]
POV IAN HOWE
—Por qual razão viemos aqui Peg, nem dinheiro temos.
—Queria usar o banheiro, não posso? Além do mais vai cair uma chuva bem forte, não quero me molhar, aqui estamos protegidos.
—Não acho uma boa idéia, está cheio de homens mal encarados aqui, estamos chamando atenção.
—Já volto—Entregou-me suas sacolas, ela estava mesmo ignorando meu aviso.
Procurei um canto menos visível para me sentar, nos fundos do bar havia algumas mesas, sentei-me em uma delas, pelos vidros embaçados do bar podia se vê que já começava a chover, não conseguiríamos ir embora se a chuva começasse a ficar mais forte, e a última coisa que queria era passar a noite naquele lugar, por isso tínhamos que chegar logo ao edifício.
—Voltei—A voz de Peg me trouxe de volta.
—Vamos embora—Já me levantava, porém Peg sentou-se em uma cadeira, não estava entendendo o que ela queria—O que significa isso Peg, vamos embora.
—Estou cansada de caminhar, não conseguimos carona por sua causa, além do mais está chuvendo—Apontou para o vidro, ele já estava molhado—Esperamos a chuva passar e vamos.
—Não acho certo, está ficando tarde.
—Pare de se preocupar.
—Estou me preocupando com razão Peg. Além do mais se fôssemos ficar aqui, teríamos que consumir, não temos dinheiro eu devo lembrá-la.
—Quem disse que preciso de dinheiro? Eu posso usar meu charme.
—Pelo amor de Deus, me diga que não está pensando em... —Tarde demais, lá ia ela... Caminhando em direção ao balcão do bar, aquela garota estava querendo arrumar problemas.
[...]
A chuva tinha tomado intensidade, os trovões ricocheteavam o céu lá fora, enquanto eu ainda permanecia ali naquele lugar, Peg por outro lado parecia se divertir, havia encontrado um velho que estava pagando bebidas para os dois, fiquei observando de longe, péssima hora que Jared nos colocara em uma tarefa juntos, nunca mais faria nada com aquela maluca.
Aproximou-se com um copo de bebida nas mãos, acho que não era alcoólica, parecia ser algum tipo de coquetel.
—Não vai mesmo desmanchar essa sua cara Ian? Já que estamos aqui vamos aproveitar.
—Muito obrigado mais não, não deveria ficar aceitando bebida de velhos, está se mostrando uma menina muito atirada.
—Você se importa?
—Parece que você quer que eu me importe não é?—Peg ignorou minha pergunta e voltou para o balcão, não sabia quanto tempo ainda teria que ficar naquele lugarzinho.
Às horas estenderam-se noite a fora, olhei para um velho relógio empoeirado que estava em uma parede atrás do balcão, quase não conseguira enxergar os ponteiros e números devido a quantidade de pó, mas se eu não me enganara já se passava das dez horas da noite. O meu corpo estava exausto, não só ele, a mente também estava cansada, o sono começava aparecer, mas não podia me dar ao luxo de dormir, dois motivos, não naquele lugar, muito menos tirar os olhos de Peg.
A menina já tinha feito algumas amizades, jogava cartas em uma mesa com mais três homens, parecia ir bem, os sorrisos de contentação dela chegavam aos meus ouvidos, por outro lado a chuva parecia ter dado uma pausa, os vidros do bar estavam embaçados, mas não se ouvia mais o barulho de água lá fora.
Deixei as sacolas na mesa, caminhei até onde Peg estava sentada, ela havia falado que depois que a chuva parasse, iríamos embora.
—Peg?—Ela não atendeu—Peg, vamos embora.
—Agora Ian? Estou ganhando uma grana aqui,
—A chuva parou, precisamos voltar.
—Vai você, depois eu o alcanço—Ela devia está brincando comigo.
—Não posso deixá-la aqui, por favor, vamos embora.
—Você não escutou a garota?—Um cara alto, forte e careca me encarou—A menina quer ficar.
—Não vou deixá-la aqui sozinha—O enfrentei.
—Sozinha?—Ele riu, logo foi acompanhado pelo coral da mesa—Ela não parece está sozinha meu jovem, além do mais, ela é bem grandinha.
—Peg vou falar pela última vez, vamos logo ou eu irei sozinho mesmo—Obtive silencio como resposta, mas foi o necessário para mim—Tudo bem, faça como quiser.
Peguei as sacolas e sair daquele lugar, não olhei para trás, não olhei para Peg.
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