Os Golpistas

39 Perseguida


Notas iniciais
TENSO DEMAIS.... Um novo personagem, terá a passagem curta, mas será de arrepiar... uhasuhas O/

POV PEG

—Ganhei mais uma vez—Bati as palmas das mãos, estava bem alegre com o jogo, eu havia aprendido jogar cartas no orfanato, era mais um passatempo, um jeito de se livrar do tédio que o lugar causava nas crianças—Ian?—O chamei—Ganhei mais uma vez.

Olhei para trás, o antigo lugar que ele estivera sentado durante a noite toda, estava vazio, olhei ao redor do ambiente, mas não o encontrei, fiquei um pouco confusa, minha mente esta atordoada, havia tomado alguns coquetéis, segundo Bernad não continha álcool algum, porém achava o contrario agora.

—Viram meu amigo Ian?—Um careca alto apontou para a porta, logo entendi o gesto, ele havia ido embora, cansou de me esperar e partiu sozinho mesmo, droga isso não era bom, Jared não iria gostar, ele havia sido bem especifico quando determinou as tarefas, nunca deixar o companheiro para trás.

Ian também tinha culpa, ele tinha ido embora sem mim, não podia ter feito aquilo, ou talvez a paciência dele não fosse uma das melhores. De qualquer forma a culpa tinha sido minha, devia tê-lo escutado, agora ele estava longe, e eu sozinha ali, ainda mais naquele horário.

—O jogo está ótimo, mas preciso alcançar meu amigo impaciente.

—Mais já?—Bernad havia perguntado, ele era um dos velhos que jogava comigo.

—Quem sabe em outra oportunidade Bernad.

—Ganhou amigos aqui Peg, saiba que pode contar conosco pro que precisar.

—Como assim?—Não estava entendendo.

—Nunca se sabe, apenas chame se precisar, sou o líder da turma, então quando precisar de algum favor, sabe onde nos encontrar.

—Bom, agradeço então pela generosidade, agora preciso mesmo ir.

—Max pode acompanhá-la—Ele olhou para o careca forte e alto.

—Não precisa Bernad, meu amigo não deve está longe, ele anda como uma tartaruga—O velho sorriu—Obrigada, até mais.

Levantei-me da cadeira, estava um pouco zonza, mas logo recuperei o equilíbrio, peguei a grana que estava em cima da mesa, afinal ela era minha agora, a coloquei no bolso traseiro da calça jeans.

—Uma dose de whisck para todos por minha conta—coloquei três notas em cima da mesa, todos gritaram animados—Até mais Bernad—Ele acenou e os outros fizeram o mesmo, caminhei até a saída, na esperança de encontrar Ian por perto ainda.

[...]

—Droga!—Xinguei baixinho, Ian já devia está longe demais, com certeza eu levaria uma advertência de Jared, não podia ter vacilado daquela forma, logo agora que tinha conseguido a confiança dele e do grupo.

Meus pés estavam mortos, nem sabia de onde ainda tinha forças para caminhar, a bota de couro apertava meus dedos. A rua estava molhada e fazia muito frio. Nunca pensei que voltar para o edifício seria tão difícil.

Para minha surpresa fui surpreendida por um misterioso carro, estava escuro, mas notei que os vidros estavam fechados, não conseguia vê absolutamente nada, parei por alguns minutos o observando.

—Aceita uma carona moça?—O vidro fora abaixado apenas um pouco, não o suficiente para que eu enxergasse o suposto motorista.

Teria aceitado mais cedo, mas tinha receio agora, Ian tinha razão, pegar carona não podia ser a melhor saída.

—Obrigada, mas estou bem assim—Voltei a caminhar, devido ao frio passei os braços em volta do meu corpo.

—Eu insisto, seria um prazer—A voz voltou a me acompanhar.

—Eu já disse que não quero, por favor, entenda.

—Porque não aceita Peg?—Meu coração saltou, eu agora reconhecia aquela voz, era o cara do mercado, aquele mesmo que havia esvaziado os pneus do carro de Ian.

Minha primeira reação foi sair correndo, mas minhas pernas travaram, nem caminhar eu conseguia, lembrei que carregava um canivete em minha bota, gostaria de estar com minha arma, mas não podia usá-la, não enquanto fingia ser da equipe de Jared.

—Pelo que vejo está sozinha, cadê seu namorado?—O carro parou de andar, a porta fora aberta, um par de bostas surradas parou em cima da calçada—Por acaso ele a deixou sozinha? Isso não se faz.

—Está me seguindo por acaso?—Ignorei sua pergunta. Não podia negar que estava com medo daquele homem, mas não deixaria que ele percebesse isso, bom, eu tentaria não deixar, ele era muito intimidador.

—Você está andando pelo meu território, então eu quem deveria perguntar isso princesa—Soltou uma risada fria, uma fumaça branca saiu de sua boca, a noite estava realmente bem fria, ainda mais depois da chuva.

—Não sabia que as ruas tinham donos agora—Arrisquei um sorriso—Então devo me retirar o quanto antes, me desculpe pela intromissão.

—Eu desculpo se entrar no carro, eu posso levá-la para onde estava indo.

—Já disse que não quero sua carona, alias qual seu nome?—Estava realmente curiosa.

—Sou Ronald Rixon ao ser dispor—Caminhou alguns passos para frente, enquanto eu recuava para trás.

—Pois bem Ronald, eu agradeço novamente sua generosidade, mas meu namorado está me esperando, creio que ele não irá gostar disso, então se me der licença.

—Não minta, ele nem era seu namorado, devia ser apenas um amigo, como eu disse, um namorado não deixa uma moça tão bonita andando sozinha a noite, ainda mais por aqui, um lugar com pessoas perigosas—Ele caminhou mais um pouco, parou sobre a luz fraca de um poste, os dentes amarelados estavam esboçando um sorriso ameaçador.

—Preciso ir, Adeus—Dei as costas para ele, apressei os passos, torcendo para que ele não me seguisse mais, contudo eu estava redondamente enganada, meu coração disparou quando escutei o som de duas botas atrás de mim, me atrevi a olhar para trás por um instante, lá estava ele, caminhando ao meu encontro.

Disparei os pés com toda a velocidade que encontrei, não podia parar de correr, aquele maluco estava mesmo atrás de confusão, eu era uma pressa fácil para ele, sozinha e indefesa, bom não tão indefesa, sabia golpes de karatê e judô, afinal as aulas que a buscadora pagara para mim poderiam servir de alguma coisa agora, mas sem a minha arma eu não me sentia totalmente segura.

[...]

Beco sem saída, ‘maravilha’ eu pensei sentindo todo a minha esperança de fuga escapar pela culatra, estava cansada, havia corrido cinco quarteirões pelo menos, aquele homem ainda estava atrás de mim, não podia negar que tinha um preparo físico melhor que o meu, pousei os braços nos joelhos, tomando um pouco de fôlego.

Depois corri para o final do beco, havia um murro, não muito alto, poderia arrastar alguma coisa até ele, algo em que pudesse subir, quem sabe assim eu conseguisse saltar ele, meu tempo tinha se esgotado, quando terminei de arrastar uma enorme lata de lixo até o muro, escutei a voz fria e medonha de Ronald, uma neblina passava por ali, mas mesmo assim eu o enxergava.

—Sai daqui—Gritei subindo em cima da lata de lixo.

—Acha mesmo que poderá escapar de mim princesa? Não vai consegui.

Ronald começou a correr até onde eu estava, no desespero me lancei contra o muro, consegui segurar em seu topo com os braços, porém precisava de um pouco mais de força para atravessá-lo, minhas pernas foram seguradas para baixo.

—Droga—Ele havia puxado elas para baixo, não aguentei segurar por muito tempo o muro, soltei os braços e cai por cima de Ronald, com agilidade me levantei primeiro que ele, quando já estava de pé me posicionei em força de ataque, fechei os dois punhos, o acertei bem no rosto com um golpe, usei um dos pés para acertar seu queixo.

—Gosta de brincar não é?—Levantou-se zangado e acertou minha barriga com um soco, senti todo meu estomago se revirar, porém me mantive firme, rodei no ar passando uma das pernas por de trás dele, a rasteira serviu para derrubá-lo novamente.

Ele resmungou algo muito baixo, enquanto voltava a se levantar, veio com toda ira para cima de mim, desviei acertando suas costelas com o cotovelo, seu corpo se chocou contra um monte de pilhas de caixa de papelões. Aproveitei a vantagem para sair correndo, quando já estava alcançando a saída do beco senti uma forte dor na nuca.

—Volte aqui—Segurava meus cabelos com força, gritei por alguns segundos, enquanto me debatia no ar para me soltar.

Empurrei seu corpo contra a parede do beco, seus braços apertaram minha cintura, usei a perna esquerda para acertar sua parte íntima, acertei em cheio o meio de duas pernas, o desgraçado caiu no chão na mesma hora, mas uma vez me levou junto com ele, enquanto gemia de dor, comecei a rastejar para longe dele.

Era incrível que ele sempre conseguia me alcançar, segurara meu pé com força, depois já estava me acorrentando em seus braços outra vez. Lembrei-me do canivete que sempre costumava carregar em minha bota, como podia ter esquecido ele? Mas não era momento para indagações, puxei o instrumento com rapidez e sem pensar duas vezes acertei sua coxa.

O canivete entrara todo em sua pele, puxei a pequena faca enquanto escutava seus gritos, levantei-me de uma só vez, queria sair dali o quanto antes, voltei a correr como louca, não tive coragem de olhar para trás, tinha medo de vê-lo outra vez atrás de mim, então apenas mantive os olhos atentos para frente, tinha que encontrar um bom esconderijo, ou melhor, eu precisava encontrar Ian, se isso ainda fosse possível, eu não havia acabado com Ronald, apenas o parei por alguns minutos, sabia que ele não desistiria, ele viria outra vez atrás de mim.

Notas finais
Xiiiiiii....Tadinha da nossa Peg... Se correr o bicho pega...e se ficar o Ronald come.