Os Golpistas
8 O que é bom dura pouco
Notas iniciais
Ea todas as pessoinhas que me mandaram MP, mandando o seu SINTO MUITO pela morte do chorão!! Valeu mesmo gente.
Espero que gostem do Cap...Queria uma recomendação que tal??
Agradacer a querida da CECIA...que recomendou minha Fic. Obrigada querida.
Bom boa leitura gente.
POV Jared Howe
ܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔ
Como aquela menina me tirava do sério, inacreditável a facilidade que ela faz isso. Como se não bastasse à ousadia da mesma, meu irmão tinha que se meter no assunto. Sempre bancando o bonzinho. Também nem sei por que estou esquentando com isso, o esforço vai valer à pena, afinal 20 milhões de dólares é muita coisa.
Já estava no banho, à água escorria em meu corpo, procurei me desligar do que havia acabado de acontecer, ainda podia sentir o cheiro dela impregnado em mim. Afastei o pensamento, era melhor pensar em outra coisa. Hoje mesmo eu teria que ligar para o Ethan, precisava ter o primeiro contato, isso se ele estivesse em casa, mas de certo já deviam ter comunicado do rapto da filha.
Desliguei o chuveiro e peguei uma toalha enrolando-a em minha cintura, logo depois fui para meu quarto, procurei outra roupa qualquer para vestir, uma calça preta de um tecido mais grosso, uma camisa preta regata e para complementar uma jaqueta também preta, eu preferia cores mais escuras.
Passei os dedos entre os cabelos, tentando ajeitá-los, por fim passei um perfume amadeirado, meu preferido. Fui atrás de Liam, precisaria que ele me ajudasse com a ligação, logicamente que eu não usaria meu celular, seria muito perigoso, podiam rastrear meu aparelho. Liam tinha alguns números restritos, naquela situação, era o mais aconselhável, ele já devia ter voltado do centro com Connor, provavelmente estaria em seu quarto.
Bati duas vezes em sua porta, o garoto parecia está escutando música, notava-se pela melodia que eu escutava do interior. Era algum tipo de rock pesado, Liam gostava desse estilo. Não que eu não gostasse, mas preferia algo mais calmo.
—Jared—Sorriu ao abrir a porta—Entra ai—Deu espaço para que eu adentrasse no interior do quarto. O som ficou bem mais alto agora, caminhei para próxima de uma cadeira, me sentando nela. Notei que o notebook estava ligado sobre a cama, Liam estava jogando.
—Tô Atrapalhando?—Me acomodava na cadeira.
—Não, eu termino esse jogo depois—Fechou a porta, depois disso caminhou até o notebook desligando-o—Mais e ai? O que posso te ajudar?—Sentou-se na cama, sua expressão era de curiosidade, como a maioria das vezes.
Eu não conseguia falar, o som estava muito alto, impedia a nossa conversa. Ele reparou, e tratou de abaixar o volume do som.
—Obrigada, bem eu vou ligar para o Ethan hoje, preciso que me ajude.
—Saquei! Você que um número desconhecido é isso?
—Exatamente!—Concordei.
—Muito fácil—Ele se inclinou até sua cômoda, abriu uma gaveta, retirou um aparelho celular—Esse aqui é perfeito para isso, pode usar tranquilo, ninguém vai poder rastrear, eu mesmo modifiquei ele—Estendeu o aparelho em minha direção.
—Ótimo—Tomei o celular nas mãos—Sabia que podia contar com você—Ele sorriu convencido.
—Eu sei. O que seria dessa equipe sem os meus humildes serviços não é mesmo?—Passou as mãos entre os cabelos.
—Larga de ser convencido garoto—Me levantei dando um empurrão de leve em seu ombro, depois sorrimos juntos—Vou nessa, obrigada pelo celular, vou usar ele durante todas as ligações.
—Relaxa! Eu tenho mais dois como esse ai, pode ficar com ele o tempo quiser.
—Ta certo, vou indo.
Liam se levantou abrindo a porta do quarto, eu já tinha um celular adequado para ligação, só precisava do número do Ethan agora, e sabia exatamente com quem arranjaria.
[...]
—Aqui está!—Ian me entregou o aparelho. Eu estava na porta de entrada do galpão, até que ele havia sido rápido.
—Ela deu sem protestar?—Eu estava surpreso, pensei que seria mais difícil arrancar o número dela.
—Digamos que eu conversei com ela, não fui grosso—Eu havia entendido o porquê daquele comentário—No começo ela não quis anotar o número, mas a convenci.
—A convenceu foi?—Ergui as duas sobrancelhas, estava imaginando o método que o bom moço havia usado.
—Sim, eu disse que seria melhor para ela, que quanto antes comunicasse ao pai dela, mais rápido ela sairia daqui.
—Hum! Bom argumento.
—Quando vai ligar para ele?
—Agora mesmo, mas vou fazer isso sozinho, suba e cuide da garota.
—Já estou fazendo isso irmãzinho—Sua voz era de satisfação.
—Que seja!—Ian deu um sorriso de canto, e eu francamente não entendi, mas acabei ignorando-o, o mesmo voltou para dentro me deixando sozinho.
—Me sentei nos degraus da escada da porta, olhei para o visor do aparelho, o número estava anotado lá. Havia chegado a hora, a hora de ter o primeiro contato com Ethan Stryder.
Coloquei o número para chamar, após algum tempo de espera, escutei uma voz rouca e grave do outro lado da linha.
—Alô?
—Senhor Stryder?—Perguntei.
—Ele mesmo. Quem está falando?
—Não importa, mas importa o que tenho para conversar com você.
—Como assim?
—Jura que não desconfia do que seja?—Sua respiração começou a ficar alterada.
—É sobre a minha filha não é?
—Meus parabéns! Acertou em cheio senhor Stryder.
—A onde está a minha filha seu desgraçado?
—Não precisa falar desse jeito comigo, mantenha a calma.
—Desembuche logo.
—Tudo bem, estou com sua filha Melanie, belo nome a propósito.
—Exijo que a traga de volta ela agora, isso é uma ordem.
—Não recebo ordens, muito menos de um cara como você, faço as coisas exatamente do meu jeito, quando quero. Mas eu posso devolver sua filha sim, isso depende de você.
—Nem precisa terminar seu desgraçado, sei muito bem o final dessa conversa, vai querer me chantagear.
—Eu ia usar o termo Negociar, mas se você prefere chamar assim.
—Seu insolente, se algo acontecer com a minha filha eu...
—Nada vai acontecer com a garota, isso se você colaborar.
—Quando você quer? Diga logo—Estava extremamente irritado.
—Não é muito não, sei que você tem muito mais do que isso.
—Diga.
—20 Milhões de dólares—Falei cada palavra pausadamente.
—O que?—Deu um grito do outro lado da linha—Ficou maluco? Não vou lhe dar esse dinheiro todo.
—Pensei que a vida da sua filha valesse mais que isso.
—Minha filha é tudo, mas não vou encher seu bolso com essa quantidade toda, não vai nadar no meu dinheiro.
—Acho melhor pensar melhor, a vida da sua filha está nas minhas mãos, ou reembolsa o dinheiro, ou ela sofrerá sérias consequências.
—Seu chantageador de quinta categoria, como ousa me falar isso? Saiba que não vou entregar esse dinheiro todo assim, irei contratar a melhor equipe de investigação de Nova York, você será caçado até o fim do mundo se preciso.
—Eu realmente queria que as coisas fossem fáceis entre nós dois, mas pelo visto você não né? Prefere o método mais complicado, isso realmente é uma pena, pois eu só entregarei a sua filha com o dinheiro em mãos, ao contrário nunca mais a verá—Antes que ele pudesse devolver a resposta ,desliguei o celular—Vamos ver Ethan se você não vai colaborar—Falei comigo mesmo.
POV Melanie Stryder
ܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔ
Ian havia me trago roupas limpas, eram de Brooke, mas ele disse que ela não ligou em emprestá-las. Depois de tomar um banho, vesti uma calça jeans justa, uma blusa marrom e uma sapatilha preta, confesso que sentia o corpo bem melhor, o banho com certeza havia recuperado minhas forças.
Eu não penteei os cabelos, como eles eram lisos não precisei. Ian tinha saído do quarto, disse que iria me deixar tomar banho sossegada, depois de um tempo ele retornou. Trazia um aparelho celular nas mãos, fiquei um pouco curiosa de início, mas ele logo me explicou o motivo.
—Não vou dar—Fechei a cara—Ele vai querer arrancar dinheiro do meu pai—Virei às costas.
—Melanie—Senti sua mão em meu ombro, me assustei no começo, mas logo procurei relaxar, o toque dele era agradável—Essa é a única chance de sair daqui, por favor? Coloque o número no celular.
—Eu sei disso, só não quero ajudar o Jared, queria atrapalhá-lo de qualquer forma—Trinquei os dentes ao lembrar-me de Jared. Só estava aqui por culpa dele.
—Deve está com raiva, mas o quanto antes sair daqui melhor, não acho certo o que estão fazendo com você, mas infelizmente essa é a única forma que você tem de sair daqui, então coopere.
—Rum!—Virei o corpo olhando-o de frente—Ian tinha uma expressão calma no rosto, suave, tranquila, doce. Dei um sorriso vencida, e peguei o celular de suas mãos—Tudo bem, eu coloco o número—Digitei oito dígitos, logo depois entreguei o aparelho para Ian—Pronto!
—Obrigado!—Mostrou os dentes em um sorriso agradecido—Preciso entregar para o Jared—Ian já estava alcançando a porta, porém antes que ele saísse o chamei.
—Ian? Isso o fez parar com a mão na maçaneta.
—Sim?—Virou me olhando.
—É que... —Cruzei os dedos das mãos sem jeito—Estou entediada de ficar aqui dentro, será que poderia me levar lá para baixo? Queria da uma volta—Olhei com uma carinha de coitadinha, ele soltou uma risada abaixando o rosto, como se ponderasse o pedido.
—Hum... Você está sobre a minha responsabilidade não está?
—Sim estou.
—Então declaro o seu pedido aceito—Como fiquei feliz em escutar aquilo, Ian estava se mostrando uma pessoa muito legal, generosa e amiga, bem diferente daquele grosso do Jared. Droga! Tinha que parar de colocar ele no meio dos meus pensamentos.
—Nossa! Obrigada.
—Não precisa agradecer, também não gosto de ficar sozinho, imagino como deve se sentir. Depois do almoço te levo para dar uma volta lá em baixo, tudo bem?
—Vou esperar ansiosamente—Ele sorriu novamente, e dessa vez abriu a porta saindo.
[...]
O almoço estava sendo um tanto sem vontade, eu não estava com tanta fome assim, havia comido muito no café da manhã, acho que por isso a falta de apetite. Dessa vez não havia sido Ian que trouxera minha refeição, era o garoto que eu vi na van, ele estava sentado na única cadeira do quarto, não parava de me olhar, isso me deixou um pouco sem graça.
—Está sem fome?—Ele quebrou o silêncio, me limitei a balançar a cabeça concordando—A comida está ruim?—Voltou a perguntar, eu iria negar com a cabeça, mas resolvi dialogar um pouco, ele parecia ser simpático.
—Está com uma aparência ótima, só estou sem fome mesmo.
—Se quiser posso mandar preparar outra coisa.
—Não precisa se incomodar, é sério, estou sem fome.
—Tudo bem!
—Qual é seu nome mesmo?—Realmente eu não sabia do nome dele.
—Liam Collins—Abriu um sorriso amarelo.
—Há! Prazer Liam, deve lembrar do meu nome.
—Claro que lembro, se chama Melanie. É um nome diferente, mas bonito.
—Obrigada—Remexia o garfo no prato de comida.
—Faz o que da vida Melanie? Além de ser filha do cara mais rico de Nova York—Ele continuava sorrindo, mas logo que viu minha expressão séria, despachou o riso do rosto.
—Faço Psicologia.
—Sério? Legal.
—E você? Gosta de fazer o que?
—Eu sou vidrado em tecnologia, curto muito esses brinquedinhos virtuais—Ele puxou um Smartphone do bolso traseiro da calça.
—Legal!
—Você também gosta?
—Gosto, mas não sou vidrada como você. O que realmente sinto falta é do meu Ipod, adoro escutar música.
—Também gosto muito, se quiser posso te arranjar um, assim você se distrai aqui dentro.
—Sério?—Pela primeira vez naquela conversa, eu estava animada—Seria ótimo, música me ajuda a relaxar.
—Mais antes preciso falar com o Jared—Minha animação foi se desmanchando do rosto.
—Esquece! Não precisa—Torci o canto da boca.
—O que houve? Porque mudou de idéia?—Sua expressão era de desapontamento.
—Não quero dar trabalho, realmente não precisa.
—Tem certeza?
—Sim, tenho certeza.
—Ta, tudo bem! Se mudar de idéia é só falar.
—Não vou mudar—Acabei com a conversa.
[...]
Liam foi embora meia hora depois, ele viu que eu não terminaria aquela refeição, acabou fazendo o favor de levar a bandeja com o almoço. Ele me pareceu ser uma pessoa muito legal. Gostei de conversar com ele, ainda mais quando disse que poderia me arrumar um Ipod. Mas quando disse que teria que pedir ao Jared, isso me desanimou, tinha pra mim que o mesmo não aceitaria, por isso encerrei a conversa.
Fiquei novamente sozinha, mas estava animada, Ian havia me dito que me levaria para andar um pouco, eu estava contando com isso, esperava que ele não desse para trás. Contudo eu sabia que Ian não faria isso, desde que eu chegara ali, ele tem sido uma pessoa muito atenciosa comigo, realmente não teve nada haver com o meu sequestro. Como pude julgá-lo no início? Também eu estava confusa, era natural que eu desconfiasse dele. Mais agora não mais.
Acho que há essas horas, Jared já devia ter ligado para meu pai. Ficava imaginando a reação dele, com certeza de muita raiva, meu pai tinha o pavio curto, principalmente quando tentavam extorqui-lo. Meu medo é que ele se negasse a pagar o resgate, ele era capaz de recusar. Meu pai sempre colocava seu dinheiro a frente de tudo. Mais agora era por um bom motivo, era a minha vida que estava em negociação.
Eu não suportaria ficar muito tempo naquele lugar, e olha que esse estava sendo apenas meu primeiro dia. Um primeiro dia muito difícil, mas com episódios bons também. Os cuidados de Ian comigo, o banho gostoso, a conversa com Liam. Essas tinham sido algumas das coisas boas de hoje.
Eu estava sentada na minha cama, já considerava ela minha. Afinal não sabia quantas noites teria que dormir sobre ela. Ian abriu a porta, deslizou para dentro do quarto, ficou encostado nela me olhando, eu me levantei da cama, acho que ele havia vindo me buscar, caminhei para próximo dele.
—Então? Pode me levar agora?—Torcia para que ele me respondesse um sim.
—Sabe o que é?—Ele colocou uma expressão de desanimo no rosto, aquilo me fez ficar entristecida, abaixei a cabeça fitando meus pés—Acho que não vou te levar para o pátio lá de baixo—Levantei a cabeça risonha—Que tal a quadra de basquete? Ela fica lá nos fundos do galpão—Ele tirou aquela expressão de desanimo, substituindo por uma de entusiasmo.
—Sério? Seria ótimo—Voltei com a animação.
—Sim, estou falando sério, que bom que gostou. Vamos então?
—Claro—Ele abriu a porta atrás de si. Eu mal acreditava que iria sair daquele quarto, saímos os dois, o corredor era bem longo. Depois que o atravessamos, descemos por uma escada circular, ela dava em um pátio, eu estava começando a reconhecer o lugar. Na noite em que cheguei, estava tão atordoada que mal prestei atenção, mas agora eu me lembrava.
O pátio era bem espaçoso, havia um tipo de refeitório no final dele. Ian me guiou por todo o caminho, até que entramos em um corredor menor, no final dele podia-se ver uma claridade. Havia uma porta, quando passamos por ela enxerguei uma quadra de basquete. O bom é que era a céu aberto, exceto pelas grades que a rodeava, mas só de sentir o ar puro, eu já me sentia feliz.
—Gostou?—Ian caminhou para perto de um banco.
—Muito, como é bom sentir o ar fresco—O sol não estava tão forte, muito pelo contrário, acho que no final do dia iria chover, era possível ver algumas nuvens escuras—Obrigada.
—Se me agradecer de novo, eu te levo para o quarto—Sorriu se sentando no banco.
—Tudo bem, não agradeço mais, eu prometo—Levei os dois indicadores aos lábios, cruzando-os em forma de X.
—Acho bom—Sorriu.
—A onde estão os outros?—Eu não havia visto mais a loira, nem o cara alto negro, apenas Liam e Jared.
—Bom, a Brooke teve que sair com o Connor, eles foram fazer um serviçinho—Eu estreitei os olhos, que tipo de serviçinho ele estava falando?
—Que serviçinho?—Parou de sorrir me olhando sem graça. Não foi preciso de muito para eu entender—Eles foram roubar?
—Vivemos disso, além do mais é uma coisa pequena, apenas para nos mantermos essa semana.
—Como conseguem viver assim?—Me aproximei do banco, não me sentei, apenas fiquei mais perto dele.
—Vivendo Melanie, no começo era bem estranho sabe? Sair tirando o que não era nosso, mas com um tempo eu me acostumei. Era isso ou morrer de fome.
—Há tantas outras formas de se viver Ian, por que optou logo por essa?
—Quem me dera tivesse tido opções Melanie, o Jared sempre escolheu por mim, sempre foi assim, não pude evitar, e agora estou aqui, no mesmo barco que todos.
—Esse Jared é horrível—Cruzei os braços emburrada—Ele acha que é o dono do mundo.
—É difícil entendê-lo, pois o mesmo se feche, ele criou um ser próprio, um ser indecifrável. Eu talvez já tenha desistido de entender o jeito dele. Mas meu irmão sofreu muito, principalmente quando a nossa mãe morreu—Eu fiquei um pouco chocada quando escutei aquilo.
—Sinto muito—Eu queria perguntar sobre a morte da mãe dele, mas achei o momento um pouco inoportuno, ele não parecia confortável com aquele assunto.
—Obrigado. Com isso o Jared teve que se virar, foi assim que entrou na vida fácil, na vida de roubos. Com o tempo foi conhecendo o resto do grupo, e depois me forçou a entrar também.
—Minha vez de falar que sinto muito—Ele deu um sorrisinho.
—Sabe, eu só queria ter tido uma opção, uma única que fosse, não planejei essa vida, não queria isso pro meu futuro, mas fui privado das escolhas, fui obrigado a aceitar uma coisa que eu odeio fazer. É por isso que sinto tanta mágoa do Jared, ele podia ter me deixado fora disso, mas não, teve que me levar junto, quis se mostrar autoritário, e aqui estou eu.
—Não fica assim, repousei minha mão sobre seu ombro esquerdo—A vida tem dessas coisas. Um dia tudo de ajeita entre vocês dois.
—Acho meio difícil—Ele olhou para minha mão sobre seu ombro—Ele tem um gênio muito forte, eu também não sou fácil com ele. Vivemos mais de brigas, a convivência não é lá muito boa.
—Puxa, queria poder te ajudar, está sendo muito gentil comigo. Mas realmente não sei o que dizer.
—Não precisa, você está passando por uma barra agora, não vou te azucrinar com os meus problemas pessoais, aliais eu te trouxe para tomar um ar fresco, não para falar dos meus problemas.
Balancei a cabeça concordando, retirei minha mão do seu ombro, e acabei me sentando ao lado dele no banco, era agradável aquele lugar, uma brisa gostosa passava pela quadra, o ventinho fazia meus cabelos esvoaçarem, por diversas vezes, eu tinha que tirar algumas mechas dos olhos, elas insistiam em cair sobre eles.
Conversamos sobre muitas coisas, acabei contando quase tudo sobre a minha vida para Ian, sobre minha faculdade, sobre a minha avó, sobre tudo que eu gostava de fazer. Evitei conversar sobre as coisas não tão boas, como a morte da minha mãe, e nem sobre o péssimo convívio com meu pai.
Ele também me contou muitas outras coisas ao seu respeito, disse que gostava de jogar basquete, que levava jeito para concertar carros, também disse que gostaria de abrir uma oficina algum dia se possível, era um desejo que ele nunca havia falado para ninguém. Estava feliz por ele dividir aquilo comigo.
Mais já escutaram aquele ditado “Tudo que é bom dura pouco”? Pois então, foi exatamente o que aconteceu. A última pessoa que eu desejava ver apareceu, e pelo visto não parecia ter gostado nada de me ver ali fora.
—Mais o que está acontecendo aqui?—Nos olhou seriamente—Ian eu pedi para cuidar da garota, não para trazê-la aqui para baixo.
—Melanie estava entediada no quarto, resolvi deixá-la sair, qual o problema Jared?—Ian perguntou tranquilamente.
—O problema é que eu não deixei, esse é o problema—Nossa que desculpa mais egocêntrica a dele—Venha, vamos voltar para o quarto—Ele já me puxava pelo braço.
—Vai com calma Jared, não precisa agir assim—Ian se levantou, ficou de frente ao irmão.
—Não me ensine com devo agir, sei exatamente o que devo fazer, ela vai voltar comigo para o quarto, e não quero que ela volte a sair.
—Qual o seu problema Jared?—Ian parecia nada satisfeito com as palavras de Jared.
—Não vamos discuti agora Ian, vou levá-la comigo, e não faça mais isso—Eu estava muda, apenas assistia ao bate boca dos dois. A mão se Jared ainda segurava meu braço, mais ele logo o puxou de uma vez, me fazendo levantar do banco—Vamos logo garota—Por que ele não chamava pelo meu nome? Eu tinha um nome, não custava nada.
Ian estava ficando para trás, virei meu rosto o olhando, seu semblante estava abatido, fiquei com dó de vê-lo daquele jeito. Jared foi me levando de volta para dentro, fiz o mesmo trajeto que fiz com Ian. Logo que chegamos ao meu quarto, ele me empurrou para dentro dele.
—Cuidado!—O chamei atenção, passei a mão meu braço, exatamente no local apertado por ele.
—Não quero que saia mais daqui, escutou bem?
—O Ian está cuidado de mim agora—Falei alto.
—Ele cuida de você até quando eu quiser—Devolveu a resposta em bom som também—Não faça mais isso.
—Você não manda em mim, pode mandar no seu irmão, pobre dele, mas em mim não—Eu estava disposta a enfrentá-lo.
—O que você disse?—Jared fechou a porta do quarto, fui recuando para trás, até que meu corpo tombou sobre a cama.
—Ian me contou que você escolhe por ele, mais não vai decidir nada por mim—Ele se aproximou da cama, por um momento meu coração saltou. Estava furioso, notava-se pela vermelhidão em seu rosto.
—Não se meta nesse assunto, você é apenas uma estranha.
—Tem razão, sou apenas uma estranha mesmo, mas tenho sentimentos, ao contrário de você.
—Acho melhor calar essa sua boca, não me faça tomar medidas drásticas.
—Eu não tenho medo de você—Na verdade eu estava com medo sim—Pode fazer o que quiser comigo, mas a minha opinião eu não mudo—Ele ameaçou avançar para cima de mim, fechei os olhos apreensiva, mais depois de alguns segundos, os abri. Ele estava afastado de mim, encostado na porta, apoiado com uma das suas mãos, a cabeça estava abaixada, parecia mais calmo, ou eu achava que ele estava.
—Tudo bem com você?—Arrisquei-me a perguntar.
—Liguei para seu pai hoje—Aquilo havia me deixado nervosa, eu sabia que ele ligaria, mas mesmo assim temia por dentro.
—O que aconteceu?—Fui me sentando na cama.
—Acho que você não é importante para ele—Aquelas palavras fizeram meus olhos marejarem—Ele não aceitou a minha quantia.
—Quanto você pediu?
—20 Milhões de dólares—Meu queixo caiu quando escutei o valor, ele só podia está brincando com a minha cara, era uma quantia muito alta.
—É muito dinheiro para se levantar de uma vez só—Ele continuava na mesma posição.
—Seu pai é milionário, pode levantar essa grana em horas se quiser, mas acho que ele não se importa com você, acho realmente que você não faz a mínima diferença para ele—Jared só podia está falando aquilo para me magoar, aquelas palavras eram afiadas, machucavam-me profundamente—Qualquer pai levantaria o mundo para ter o filho de volta, mas ele pareceu dar preferência ao dinheiro do que a você.
—Não acredito, está falando isso para me machucar, meu pai me ama, ele fará de tudo para me tirar daqui—As lágrimas teimavam em cair.
—Eu não vou ceder, ele vai ter que me dar esse dinheiro, ou a filha dele vai sofrer muito—Dessa vez ele levantou o rosto me olhando, não estava mais vermelho, mas seus olhos estavam carregados de desprezo—Não vai jantar essa noite, esse será o seu castigo por querer sair. Que sirva de lição, e se continuar a me afrontar—Deu uma pausa, mas logo prosseguiu—Vai morrer de fome, pois não farei a mínima questão de te alimentar.
—Se eu morrer de fome, não vai receber seu dinheiro—Meu rosto já estava molhado.
—Verdade! Mais você também nunca mais terá sua vidinha de antes. Posso até não pegar o dinheiro, mas você também não voltará pra casa—Eu tentei falar alguma coisa, mas as lágrimas me impediam. Simplesmente as palavras me fugiam, ele tinha razão, se o meu pai não pagasse o resgate, eu nunca regressaria de volta. Só de pensar naquilo meu coração se apertava, um nó de formava em minha garganta.
Há essa altura eu já me derramava em lágrimas, como ele podia ter sido tão duro? Ouvi aquilo dele realmente me doeu por dentro. Passava as mãos pelo rosto, tentando amenizar a cachoeira de água que escorria dos olhos. Jared ainda estava me olhando, parecia nem se importar com o meu estado. Ficou parado alguns minutos me vendo sofrer, e como se não tivesse nenhum remoço, abriu a porta do quarto saindo.
Meu corpo voltou a cair sobre o colchão, eu chorava como uma criança desconsolada. Estava muito mal, sentia uma sensação estranha por dentro, sabia que meu pai era muito mesquinho, mais seria possível que ele me deixaria ali? Que não se importasse comigo nem um pouco? Eu já não tinha um bom relacionamento com ele, e escutar as palavras duras de Jared, só me fez sentir pior. Fiquei com aquilo na cabeça, as palavras iam e vinham na toda hora, chorei tanto que por fim acabei pegando no sono.
Notas finais
Espero que sim....
Até mais gente :)
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