Os Golpistas
45 O plano Oculto de Peg e Bernad
Notas iniciais
POV BUSCADORA
—Ótimas informações Hay, devo admiti que se saiu muito bem, trouxe o plano deles completo, incluindo plano B, estou muito satisfeita, deveria trabalhar ao meu lado, sei reconhecer o potencial de um bom agente.
—Acha mesmo Buscadora?—A garota estava em minha sala, eu caminhava pelo ambiente, enquanto ela permanecia sentada a mesa.
—Mais é claro, junte-se a mim, te farei uma grande mulher.
—Não tenho nada a perder mesmo—Deu de ombros—Pelo menos posso garanti minha fidelidade a senhora, diferente de certas pessoas—Sabia que ela estava falando de Peg.
Havia ligado para Peg no dia anterior, porém a mesma apenas me enrolou, sem contar que desligou em minha cara, eu já sabia que havia perdido minha melhor agente, agora precisava acabar com ela, acabar com minha própria criação, garota tola, só podia ser filha de quem era mesmo.
—Não precisa usar indiretas querida, pode falar claramente comigo.
—Sabe que a Peg está te traindo não sabe? Ela é uma deles agora, enquanto eu trago essas informações valiosas, ela simplesmente as esconde.
—Eu cuido dela no momento certo Hay.
—Como quiser Buscadora. Mais o que estava fazendo antes que eu ligasse? Desculpa é que fiquei curiosa.
—Estava voltando pro departamento, um vagabundo desses qualquer estava pela estrada, completamente bêbado, parei o carro para observá-lo melhor—Caminhei até minha mesa, logo depois me sentei—O desgraçado teve coragem de dar em cima de mim, usou palavras baixas, típicas de pessoas da laia dele, eu estava entediada, saquei a arma e atirei na cabeça dele, bem no meio da testa—Lembrava-me dos detalhes enquanto contava para Hay, por um momento sua expressão era de espanto.
—Matou o cara porque estava entediada?
—Também, a noite estava sem graça, além do mais o infeliz achou que tinha alguma chance comigo, quase me fez rir na hora, a melhor parte foi arrastá-lo pela estrada como um saco de batatas.
—Estou vendo que é uma mulher realmente perigosa.
—E sou—Apoiei os cotovelos na mesa cruzando as mãos—Você não imagina o quanto, faço qualquer coisa para tirar ratos do meu caminho, matar pra mim não é nenhum sacrifício, afinal ratos precisam ser exterminados, não concorda?
—Bom... Acho que sim.
—Ainda tem muito que aprender Hay, não existe esse termo ‘achar’ ou é sim... Ou é não, meio termos não funcionam.
—Só acho que não teria coragem de matar, nunca passou pela minha cabeça isso.
—Pois se realmente quer ser uma agente, precisa pensar nisso com mais frequência, afinal é a melhor parte de ser uma agente, é poder exterminar as pragas.
—Fala com tanta naturalidade, chega a me assustar.
—Já vivi muito nessa vida Hay, sei o que preciso ou não fazer, eu não hesito, essa é minha maior qualidade, não hesito em matar.
—Vai matar todos da equipe do Jared?
—Um por um, estou a muitos anos atrás desses golpistas, não sabe a minha sede para pegá-los.
—Vai matar o Jared?
—Creio que não seja tão estúpida assim, porque acha que eu deixaria aquele bandido vivo? Outro item para ser uma agente, não tenha sentimentos, é melhor bani-los de uma vez, isso só irá cegar seus olhos, não fará com que pense direito.
—Entendo.
—Não, você não entende, ainda gosta dele, está até preocupada com o que vou fazer com ele, posso vê na sua cara bonitinha, levou um pontapé, está com raiva, não passa disso.
—Como pode dizer isso?
—Eu enxergo através de você menina, tão exposta, não pode deixar que os outros decifrem o que você sente, ou o que você pensa, você precisa ser como uma rocha, forte e resistente.
—Como à senhora?
—Exatamente, ninguém pode me feri, ninguém pode me machucar, não tenho pontos fracos, ninguém pode contra mim.
—Farei o possível para segui seus conselhos Buscadora.
—Sugiro que sim, é o melhor que você faz. Agora saia, preciso estudar uma forma de acabar com esse plano do Jared, para isso preciso de concentração, voltamos a nos comunicar.
—Está certo—Hay levantou-se saindo da sala.
—Então veremos Jared, quem é o mais esperto, eu ou você—Sorrir entre os dentes.
NO DIA SEGUINTE...
POV PEG
—Aqui moça?—Olhei da janela do táxi para o bar em que estivera alguns dias atrás.
—Aqui mesmo—Passei duas notas para o taxista e sai do carro, logo que ele desapareceu na estrada caminhei em direção a entrada do Bar. Era de dia, mas o bar estava do mesmo jeito, alguns homens bebendo pelo balcão, outros jogando cartas nas mesas, vasculhei o local com os olhos a procura de uma pessoa, não foi muito difícil achá-la, estava tomando o que parecia ser uma dose de whisck.
—Bernad?—Chamei quando me aproximei de suas costas.
—O que é?—Ele usou um tom de voz alta, mas quando viu que era eu abriu logo um sorriso—Peg querida—Levantou-se me puxando para seus braços, o cheiro forte de bebida me deixou tonta, também havia um forte cheiro de perfume masculino.
—Como vai?—Perguntei depois que ele me soltou.
—Eu vou bem, mas acredito que você esteja bem melhor, afinal já está caminhando e tudo.
—Estou melhorando, vim agradecer pessoalmente o que você e seus homens fizeram por mim.
—Que isso menina, não precisa agradecer nada, aquele desgraçado teve o que merecia, aprendeu que não se mexe com garotas indefesas.
—De qualquer maneira eu agradeço, se não tivesse chegado a tempo, sabe-se lá o que aquele doente teria feito.
—Vamos esquecer isso tudo bem?
—Está certo—Bernad ficou calado por algum tempo, sua barba estava grande, notei que havia olheiras, sem contar que no fundo de seus olhos encontrava-se um rastro de tristeza—Está tudo bem Bernad?
—Um dos nossos homens foi morto ontem à noite—A noticia me fez colocar a mão na boca.
—O Max?—Olhei pelo bar e não o avistei, por isso imaginei que tivesse sido ele.
—Não, não foi o Max, foi o Thompson—Forcei a memória tentando me lembrar dele, com muito esforço tinha conseguido—Como isso aconteceu Bernad?
— Thompson era um bom homem, trabalhava comigo há muitos anos, mas tinha um problema.
—Qual problema?
—Conseguia se meter nas piores confusões—Bernad soltou uma risada sem muito humor—Os boatos são que ele se meteu com uma branquela loira ontem à noite, parece que deu em cima dela na estrada.
—Uma mulher matou seu amigo?
—Não qualquer mulher Peg, essa era da pesada, já conhecia o histórico dela.
—Há é?
—Ela caça bandidos como eu, como minha equipe, como várias outras gangues espalhadas por Nova York—Eu já podia suspeitar de quem Bernad se referia—Um demônio, minha equipe já havia cruzado com ela umas duas vezes, tivemos sorte, alguns homens sempre morriam ou eram capturados, a desgraçada deu um tiro bem no meio da testa do Thompson, depois arrastou o corpo dele pela estrada, um dos meus homens o encontrou hoje cedo na estrada, sua situação era deplorável, não sobrou muito.
—Nossa!—Meu estômago se revirou, como ela podia ser tão cruel.
—Fizemos um enterro para ele algumas horas atrás, eu não podia deixar seu corpo na estrada servindo de comida para os abutres.
—Sinto muito Bernad, A buscadora sabe mesmo ser perversa.
—Como sabe?—Bernad me olhou curioso.
—Creio que gostaria de uma vingança não?
—Seria ótimo, poderia vingar todos os meus amigos que ela já matou, inclusive o Thompson, mas porque está perguntando isso Peg?
—Preciso de sua ajuda Bernad, por isso vim aqui, disse que eu poderia contar com você.
—Sempre que precisasse.
—Tenho uma coisa para lhe contar, algo sobre mim, preciso que me ajude, em troca poderá ter sua vingança.
—Então será algo lucrativo para ambos os lados?
—Exatamente.
—Estou ouvindo.
[...]
—Caramba Peg, se você não me contasse isso, juro que nunca desconfiaria dessa sua carinha de anjo.
—Não me orgulho disso Bernad, não sou como ela.
—Eu sei minha querida, mas devo confessar que está em maus lençóis com essa mentirada toda.
—Eu sei disso, sei que no final das contas eles irão descobrir quem realmente eu sou, mas quero ajudar a acabar com a Buscadora, acho que vou me sentir melhor.
—Entendo Peg—Bernad esticou sua mão direita—Pode contar comigo, estaremos lá.
—Obrigada Bernad, de verdade obrigada!—Segurei em sua mão, nosso plano oculto estava traçado.

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