Os Golpistas
35 Mudança//Confrontando
Notas iniciais

POV PEG
—Esse lugar é bem grande mesmo—Olhava o grande pátio que o edifício tinha, era mais uma espécie de recepção. Tinha passado a manhã toda ajudando Jared e os outros, eles estavam se mudando para o novo lugar.
Eu ajudava como podia, tentava me distrair, ainda mais depois do dia anterior, primeiro a conversa com a Buscadora, depois a cena do beijo entre Ian e Mel, estava muito mexida, eu não queria ter visto, mas não pude evitar, sentia meu coração ferido.
—É bem espaçoso—Liam se aproximou me entregando uma latinha de coca-cola.
—Obrigada—Sorri para o garoto, com tantas coisas acontecendo mal tinha reparado nele, Liam aparentava ser uma pessoa boa, sempre com seus fones pendurados no pescoço, mantinha um sorriso no rosto, uma expressão harmoniosa.
—Animada com o novo Lar?—Nos sentamos em duas cadeiras, abri a latinha de coca-cola tomando um generoso gole.
—Ainda não sei se Jared vai me aceitar. O que você acha Liam?
—Olha... —Tomou um pouco da bebida—Fale com ele, diga que gostaria de entrar na equipe.
—Mesmo?
—Claro, Jared é uma pessoa justa, ele vai saber reconhecer seu esforço, mais porque quer entrar pra equipe?
—Não quero mais ficar sozinha, por isso procuro algo fixo—Coloquei a latinha no chão—Preciso criar raízes em algum lugar, com pessoas que eu goste e me sinta bem.
—Sei como é, eu também pensava assim quando entrei aqui, hoje eu agradeço ao Jared, se não fosse por ele, não sei o que seria de mim.
—Sério?—Estava surpresa.
—Sim, olha, sei que não vivemos da maneira mais correta, somos golpistas, vivemos disso, mas o Jared sempre ajudou a cada um da equipe, ele tem aquele jeitão dele, porém o coração é bom, não tenho nada a reclamar sobre ele—Tomou mais um pouco da bebida.
—Vou falar mais tarde com ele, depois que terminarmos com a mudança, não custa tentar.
—Faça isso, se precisar de uma forçinha pode contar comigo, agora beba sua coca-cola, temos muito que fazer.
—Certo—Sorrimos juntos.
[...]
—Jared?—Bati na porta do quarto. Ele virou imediatamente quando escutou minha voz.
—Ah é você Peg, pode entrar—Entrei um pouco sem graça, ele estava sem camisa, o corpo estava suado—Deseja falar alguma coisa?
—Ah, claro, se não estiver muito ocupado.
—Tudo bem, eu tenho um tempo livre, pode falar.
—É a respeito do seu grupo—Ele sentou na cama, apontou uma cadeira atrás de mim, sentei enquanto proseguia—Gostaria de saber se posso fazer parte, tipo oficialmente mesmo.
—Peg—Ele começou—Não acho que seja uma boa idéia, já tenho um grupo formado.
—Qual o problema de mais uma?
—Não vamos viver de golpes para sempre, não vai demorar muito e todos vamos segui rumos diferentes—Ele devia se referir ao dinheiro que pensava que iria receber de Ethan Stryder.
—Como assim?—Fingi que não sabia de nada, se ele soubesse que eu era uma espiã, eu com certeza estaria encrencada.
—É complicado—Balaçou a cabeça—Não é algo que possa sair contando.
—Entendo, mas então me deixe passar esse resto de tempo com vocês? Por favor, Jared, poderia ser útil, sei que posso ajudar.
—Peg...
—Pense nisso Jared—O interrompi—Posso ser uma aliada fiel, deixe que eu mostre, não vai se arrepender, só não quero ficar sozinha de novo, você não sabe como é ruim.
—Na verdade eu sei—Por um momento Jared parecia perdido em lembranças.
—Então pode imaginar.
—Claro que posso.
—Pois bem, deixe-me ficar, eu te peço.
—Vou pensar no assunto.
—Promete?—Ele levantou-se da cama—Prometa Jared.
—Prometo Peg, logo te darei uma resposta, só preciso falar com os outros, sou o líder deles, mas não tomo nenhuma decisão importante sem eles.
—Como quiser, vou ficar esperando—Abri um sorriso gentil para ele, uma esperança nasceu dentro de mim.
[...]
Peguei meu celular, passei uma mensagem de texto para a Buscadora, dizia para ela que logo teria novidades, a mesma respondeu que aguardava ansiosamente. Caminhava pelo corredor do prédio, encontrei uma porta entreaberta, curiosa resolvi entrar.
Não tinha quase nada no cômodo, uma cama de solteiro, um guarda roupa bem velho, havia uma bolsa em cima da cama, aquelas de viagem, voltei a olhar o quarto, paredes velhas em um tom amarronzado, uma cortina na janela, uma poltrona cor de musgo, e um criado mudo, depois da rápida observação já estava me retirando do quarto, porém fui surpreendida por Ian.
Ele estava na porta, tinha acabado de sair do banho, a toalha enrolada em sua cintura, os cabelos úmidos pingavam gotículas de água, um cheiro agradável inundou o quarto.
—O que faz no meu aqui? Pode sair? Preciso me trocar—Seus olhos não demonstravam nenhum tipo de sentimento, frios e firmes, eu não podia negar que me machucava quando ele falava daquele jeito, eu me sentia rejeitada.
—Não sabia que esse era seu quarto, perdão—Fiquei envergonhada de vê-lo daquele jeito, apenas de toalha.
—Agora sabe, então saia, por favor.
—Já sei quem é a pessoa que você ama—Talvez eu não devesse tocar naquele assunto, porém agora era tarde, já havia falado. Ian me olhou por um tempo calado.
—Do que está falando?
—Melanie, eu sei que é dela que você gosta.
—Isso não é da sua conta, saia, por favor.
—Eu vi o beijo de vocês dois—As palavras saíram de uma vez só.
—Virou uma espiã agora?—Minha espinha congelou quando escutei a palavra espiã.
—Eu estava voltando, não pude evitar, vi vocês dois ali fora, primeiro estavam conversando, em seguida veio o beijo.
—Não queira se meter nisso também.
—Eu não vou me meter, mesmo porque nem preciso, Melanie não gosta de você Ian, ela mesma me falou que ama ao Jared, você prefere sofrer por alguém que não o ama?
Devia ter o irritado com minhas palavras, Ian se aproximou agarrando meu braço, eu senti a pressão dos seus dedos em volta da minha pele, seus olhos verdes devoravam os meus, estávamos tão perto, sua respiração ofegante me deixava desconcertada.
—O que sabe sobre o amor? Por acaso já amou alguém?—Fiquei muda, um grande nó sufocava minha garganta, era impossível falar.
—Me solta Ian—Olhei para meu braço, com certeza iria ficar uma boa marca vermelha—Está me machucando—Não queria continuar aquela conversa, sabia que alguém sairia machucado, com certeza seria eu.
—Porque deveria soltá-la? A pergunta a incomodou?
—Não sei do que está falando.
—Não seja mentirosa Peg, responda-me.
—Não Ian, eu nunca amei ninguém, está satisfeito agora—Minha voz estava trêmula.
—Então não venha falar sobre o que sinto pela Melanie, nunca mais—Soltou meu braço bruscamente—Quando amar alguém de verdade, entenderá o que passo, o que sinto e o que sofro.
—Eu só acho que...
—Não tem que achar nada Peg, não pedi seus conselhos, fique longe de mim, só quero distancia de você.
—Como é grosso, não precisa falar desse jeito, eu só queria ajudar você.
—Estou dispensando seus serviços de ajuda.
—Tenho pena de você—Olhei em seu rosto, ainda estávamos bem perto—Pobre coitado, quer se iludi? Tudo bem vá em frente, quebre a cara. Posso não entender sobre o amor, mas de uma coisa eu sei, o amor não faz mal, não consome nossas energias, não nos deixa cego, o verdadeiro amor acolhe, alegra o coração, nos conforta, e sinceramente, esse amor que sente pela Melanie está acabando com você, está te enfraquecendo.
Ian me olhava pasmado, nem eu mesma acreditava que aquelas coisas tivessem saído de minha boca. ‘Que se dane’ Pensei, ele precisava escutar umas boas verdades, quem sabe assim acordaria para a realidade.
—Fique tranquilo que não vou mais me meter nesse assunto, só tome cuidado para não se machucar ainda mais Ian—Ditas essas palavras, eu me afastei, parei na soleira da porta, olhei para trás o observando, ainda estava parado de costas para mim, fui forte o bastante para não recuar, atravessei a porta e fui embora.
CONTINUA...
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