Os Garotos Feitos de Aço e Poesia
3 Capítulo 3 — Amor em Aprendizado
O dia já tinha sido longo demais quando Leo fechou o notebook com mais força do que o necessário.
O cliente tinha sido insuportável. Pediu mudanças de última hora, exigiu coisas absurdas, mandou mensagens atravessadas. Leo sentia aquela irritação crescendo no peito, a mesma que costumava pedir nicotina como resposta rápida, automática.
Ele foi até a gaveta.
Nada.
Abriu outra. Revirou a mochila. Olhou no bolso da jaqueta.
Nada.
Leo passou a língua pelos dentes, respirando fundo. Não precisava pensar muito para saber onde o maço de cigarros estava. Ou melhor, com quem.
Foi até a sala, onde Eduardo estava sentado no sofá, concentrado em alguns papéis da Castilho Agronegócios espalhados pela mesa de centro. Ele ergueu os olhos quando Leo parou à sua frente.
— Você pegou meu cigarro — Leo disse, sem rodeios.
Eduardo fechou a pasta devagar.
— Peguei.
O silêncio se esticou.
— Me devolve — Leo falou, já tenso. — Hoje não foi um dia bom pra mim.
— Não.
Leo piscou, incrédulo.
— Eduardo, eu tô falando pra me devolver. Vou fumar um. Só um.
— E eu tô dizendo que não — Eduardo respondeu, firme. — Isso não vai te ajudar em nada, Leo.
— Você não sabe o que vai me ajudar ou não — Leo rebateu, a irritação voltando com força. — Eu tive um dia de merda, um cliente insuportável, e você resolveu dificultar as coisas?
Eduardo se levantou.
— Eu não vou facilitar algo que te faz mal.
— Então, tá. — Leo levantou os braços em rendição. — Eu vou descer e comprar.
Ele deu dois passos em direção à porta.
Eduardo se colocou na frente dele no mesmo instante.
— Não vai.
— Sai da frente.
— Leo, para.
— Para, você! — Leo disse, o peito subindo e descendo rápido. — Me deixa sair.
— Leo — Eduardo falou, agora visivelmente irritado. — Você só tá nervoso por causa de um cliente. Não é o cigarro que vai resolver isso.
— Resolve o suficiente.
— Não resolve! — Eduardo elevou a voz, algo raro. — Você tá se destruindo aos poucos e eu não posso fingir que tá tudo bem.
Leo riu, curto, amargo.
— Me destruindo? Por um cigarro?
— Não é só um — Eduardo respondeu, duro. — Nunca é, e você sabe disso.
O silêncio caiu pesado entre os dois. Leo suspirou e falou:
— Cara, eu passei o dia inteiro sendo pressionado, tendo que ouvir coisas que eu não queria ouvir e engolindo sapo.
— E você acha que eu não sei o que é isso? Que eu não sei o que é pressão? — Eduardo respondeu, agora mais firme. — Eu vivo isso todos os dias.
O clima ficou pesado.
— Eu só quero fumar um — Leo disse, a voz falhando de leve, traindo o cansaço. — Só um.
Eduardo hesitou por um segundo. Um segundo longo demais.
— Não — respondeu.
— Você tá passando dos limites — Leo disse, mais baixo, mas cada palavra carregada. — Eu não sou seu funcionário, nem seu filho pra você ficar mandando em mim. Eu sou seu namorado.
— Justamente por você ser meu namorado que eu tô fazendo isso. — Eduardo retrucou. — Porque eu te amo.
Leo fechou os olhos por um segundo, como se aquilo doesse mais do que ajudasse.
— Amar não te dá o direito de me controlar. Você não pode me tratar assim.
Eduardo passou a mão pelo cabelo, frustrado.
— Não é controle. Eu me importo com você. Sério mesmo.
Os dois ficaram parados, frente a frente, nenhum disposto a ceder.
Despois de um tempo, Leo passou a mão pelo rosto e começou a andar pela sala, inquieto, resmungando coisas quase inaudíveis. Palavras soltas, reclamações atravessadas, a frustração vazando em cada gesto brusco. Chutou de leve o tapete fora do lugar, apoiou as mãos no encosto do sofá, respirando fundo, tentando se controlar.
— Isso é ridículo… — murmurou. — Absolutamente ridículo.
Eduardo o observava em silêncio, o maxilar tenso, mas os olhos atentos. Esperou o momento certo, então falou, mais baixo, tentando diminuir o impacto.
— Leo. O que você quer? — Eduardo perguntou, com calma forçada. — Me diz. O que você precisa agora?
Leo soltou uma risada curta, sem humor.
— Você sabe muito bem o que eu quero.
— Não isso — Eduardo respondeu, firme. — Qualquer outra coisa.
Leo se virou devagar, os olhos faiscando.
— Qualquer coisa?
— Qualquer coisa — Eduardo confirmou. — Eu faço tudo. Menos cigarro.
O silêncio que se seguiu foi denso.
Leo ficou parado por alguns segundos, como se estivesse ponderando. Depois passou a mão pelos cabelos, a raiva dando lugar a algo mais cansado.
— Eu só queria parar de sentir isso — disse, finalmente, a voz mais baixa. — Essa pressão na cabeça. Essa irritação.
Eduardo deu um passo à frente.
— Então deixa eu ficar aqui com você — disse. — Deixa eu te ajudar.
Leo desviou o olhar, os ombros caindo um pouco.
— Você é insuportável — murmurou.
Eduardo soltou um meio sorriso cansado.
— Eu sei.
Eles não se resolveram ali. A tensão ainda estava no ar, espessa demais para desaparecer tão fácil. Mas, naquele momento, Leo percebeu que Eduardo não tinha más intenções.
◄☼►
Alguns dias se passam.
Certa tarde, Eduardo chegou em seu apartamento mais cedo do que o previsto.
As reuniões tinham sido canceladas uma a uma e ele voltou para casa com a sensação estranha de ter o dia devolvido sem aviso. Pensou em surpreender Leo, talvez almoçarem juntos ou fazerem algo diferente.
Ele entrou no apartamento ainda com a cabeça no trabalho, largando a chave sobre o aparador e caminhou em direção à sala. O lugar estava quieto demais.
Então sentiu.
O cheiro veio antes de qualquer som.
Eduardo parou no meio do caminho, o maxilar travando de imediato. Não precisou pensar muito para saber de onde vinha. Seguiu pelo corredor até a varanda.
Leo estava ali.
Encostado no parapeito, o corpo levemente inclinado para frente, o cigarro entre os dedos. O vento fraco espalhava a fumaça pelo ar, e ele parecia distante, o olhar perdido em algum ponto da cidade abaixo.
Por um segundo, um único segundo, Eduardo quase não disse nada. Só observou. A luz do fim da tarde desenhava o perfil de Leo, o jeito relaxado, o gesto automático de levar o cigarro à boca.
Mas o incômodo foi mais forte.
— Leo? — Eduardo disse, quebrando o silêncio.
Leo virou o rosto devagar, sem surpresa. Como se já esperasse.
— Você voltou cedo.
Eduardo cruzou os braços, apoiando-se na porta da varanda.
— E você tá fumando.
Leo deu uma tragada curta, depois apagou o cigarro no cinzeiro improvisado.
— É só um.
A frase saiu fácil, automática.
Eduardo respirou fundo, tentando manter a voz firme.
— A gente já conversou sobre isso.
— Conversou — Leo concordou. — E eu diminui. Não parei, mas diminui. Você sabe disso.
Eduardo passou a mão pelo cabelo, visivelmente irritado.
— Não é esse o ponto.
— Então qual é? — Leo retrucou, virando-se de vez para ele. — Porque no começo você não reclamava que eu fumasse.
Aquilo atingiu Eduardo de cheio.
— No começo era diferente.
Leo estreitou os olhos.
— Diferente como?
Eduardo demorou um segundo a responder.
— Agora a gente tá junto. — Ele disse, enfim. — A gente tá namorando.
O silêncio que se seguiu foi pesado.
Leo soltou uma risada curta, incrédula.
— E desde quando isso virou passe livre pra você querer controlar o que eu faço?
— Eu não tô tentando te controlar, já disse. — Eduardo respondeu rápido demais.
— Tá sim. — Leo apontou. — Tá tentando decidir o que eu faço com meu corpo. Isso é controle.
Eduardo deu um passo à frente, a paciência escorrendo pelos dedos.
— Eu tô tentando cuidar de você.
— Não precisa cuidar de mim! — Leo rebateu, a voz subindo. — Eu não pedi pra você esconder cigarro, pra ficar fiscalizando, pra transformar isso num problema toda vez.
— Mas é um problema! — Eduardo explodiu.
O eco da própria voz pareceu surpreendê-lo.
Leo cruzou os braços, defensivo.
— Pra você.
— E pra você principalmente — Eduardo disse, respirando fundo, tentando se recompor. — Eu não suporto a ideia de ver alguém que eu amo fazendo mal a si mesmo.
Leo desviou o olhar por um instante, o impacto evidente, mas logo voltou a encará-lo.
— Eu não aguento mais discutir por causa disso, Eduardo.
A frase veio cansada. Não raivosa. Exausta. Ele continuou:
— Toda vez é a mesma coisa. Eu fumo, você se irrita, a gente briga. Eu tô cansado.
Eduardo ficou em silêncio.
O vento da varanda levou o cheiro da fumaça embora, mas o peso da discussão ficou ali, entre eles.
Leo não disse mais nada.
Virou as costas e voltou para dentro do apartamento, deixando a porta da varanda bater levemente atrás de si. Caminhou até a sala e se sentou no sofá e ligou a TV. Eduardo o seguiu e se sentou ao lado dele.
Fingiu continuar assistindo, mas o olhar escapava toda hora para o canto do sofá onde Leo estava agora. O silêncio entre eles era espesso, desconfortável.
Depois de alguns minutos, Eduardo suspirou e se inclinou na direção dele.
— Ei…
Leo não virou o rosto.
Mesmo assim, Eduardo se aproximou mais um pouco e encostou os lábios nos dele num selinho rápido, quase automático. Um gesto pequeno, cotidiano. Quando se afastou, falou num tom que pretendia ser leve, mas saiu errado.
— E esse cheiro…
Antes que Leo pudesse responder, Eduardo abriu uma gaveta da escrivaninha da sala e pegou uma caixinha.
— Eu comprei isso aqui — disse, oferecendo. — Chiclete de nicotina. Pode ajudar quando precisar.
O gesto foi pequeno. A intenção, boa.
O efeito, devastador.
Leo ficou olhando para a caixa por um segundo longo demais. Depois levantou o olhar devagar, o rosto fechado, os olhos duros.
— Você tá falando sério?
Eduardo franziu a testa.
— Leo, eu só—
— Você parece sentir nojo de mim — Leo disse, a voz baixa, mas carregada de algo perigoso.
— Claro que não. Não é isso — Eduardo respondeu rápido.
Leo se levantou de uma vez, o movimento brusco.
— É exatamente isso que parece. Você não tá aguentando meu cheiro, é isso?
— Leo, para—
Leo foi em direção ao quarto sem deixar Eduardo terminar de falar e sem olhar para trás. Eduardo se levantou logo depois.
— Leo, o que você tá fazendo?
No quarto, Leo abriu a gaveta e começou a puxar roupas, jogando-as sobre a cama. Pegou a mochila do canto, abriu o zíper com força.
Eduardo apareceu na porta, confuso.
— Ei, ei… pra quê isso tudo?
Leo continuou arrumando as coisas, os movimentos rápidos demais, desorganizados.
— Leo?
Silêncio.
— Leo — Eduardo entrou no quarto, a voz já mais alta. — Não precisa disso.
Ele deu dois passos à frente e segurou o braço de Leo, que continuava a tentar arrumar sua mochila desajeitadamente.
— Para um segundo.
Leo tentou se soltar.
— Me solta.
Eduardo puxou-o de volta com cuidado, envolvendo-o por trás antes que ele conseguisse se afastar. O abraço veio firme, urgente, quase desesperado. O corpo de Eduardo colado ao dele, impedindo qualquer fuga.
— Leo… — murmurou contra sua nuca.
Leo ficou tenso, o peito subindo rápido demais.
Eduardo beijou a pele ali, logo abaixo da orelha. Um beijo lento, carregado. Depois outro.
— Me desculpa — disse, a voz baixa, sincera. — Eu não quis fazer você se sentir mal. Eu juro.
Leo fechou os olhos por um instante, ainda resistindo.
— Eu só quero o seu bem — Eduardo continuou. — Não sei fazer isso direito às vezes, mas eu tô tentando. Porque eu te amo.
O silêncio se espalhou pelo quarto.
Eduardo apertou o abraço de leve.
— Fica aqui comigo — pediu. — Por favor.
Leo respirou fundo, o corpo cedendo aos poucos, como se estivesse cansado demais para continuar brigando. Não respondeu de imediato. Mas também não se afastou.
E aquilo, por enquanto, foi o máximo de paz que os dois conseguiram alcançar.
◄☼►
Aquela noite foi diferente.
Não houve mais discussões, nem tentativas de convencimento. Eduardo não tocou mais no assunto do cigarro. Apenas ficou ali, com Leo, como se sua presença fosse o único argumento possível.
Na hora de dormir, Leo se deitou de lado, de costas para Eduardo, ainda carregando resquícios da mágoa. Eduardo se aproximou devagar, como quem pede permissão sem usar palavras. Envolveu-o por trás, o braço firme ao redor da cintura, o rosto encostado entre o ombro e o pescoço.
Não havia pressa.
Eduardo beijou sua nuca com cuidado, depois a linha do ombro, demorando-se ali como se quisesse desfazer cada tensão acumulada. A mão subiu lentamente pelas costas de Leo, num carinho contínuo, constante, quase hipnótico.
Leo respirou fundo. O corpo começou a ceder, pouco a pouco. Encostou-se mais nele, permitindo-se ser envolvido.
Eduardo virou Leo de frente com delicadeza, segurando seu rosto entre as mãos. Não havia desejo apressado naquele gesto, havia intenção. Ele encostou a testa na de Leo, os olhos fechados, como se precisasse daquele contato para se ancorar.
— Me desculpa — disse de novo. — Eu errei no jeito que falei e agi, mas eu juro que não foi por mal.
Leo abriu os olhos.
— Eu sei — respondeu, a voz baixa, cansada.
Eduardo o olhou por um tempo e então o beijou. Um beijo lento, profundo, sem urgência. Um beijo que não exigia nada, apenas oferecia. Leo correspondeu aos poucos, até que o beijo deixou de ser cuidado e virou necessidade.
O resto aconteceu no ritmo deles.
Sem palavras desnecessárias. Sem disputas. Apenas corpos que se reconheciam, mãos que sabiam onde tocar, silêncios cheios de significado. Eduardo cuidou de Leo naquela noite como quem pede perdão sem discursos, com presença, atenção e entrega.
Depois, ficaram apenas deitados juntos, Leo com a cabeça apoiada no peito de Eduardo, ouvindo o coração dele desacelerar.
Eduardo beijou seus cabelos, repetidas vezes.
— Não vai embora — pediu de novo, quase um sussurro.
Leo fechou os olhos.
E ficou.
Não porque a briga tivesse desaparecido, mas porque, naquela noite, Eduardo não tentou mudá-lo. Apenas o amou.
◄☼►
Leo demorou a dormir naquela noite.
Mesmo depois que Eduardo adormeceu ao seu lado, com a respiração pesada e tranquila, ele ficou encarando o teto no escuro, ouvindo os sons distantes da cidade. A cabeça ainda girava, repassando a briga, as palavras atravessadas, o jeito como tudo tinha escalado rápido demais.
Não era simples admitir, mas aos poucos a raiva foi dando lugar a outra coisa.
Compreensão.
Ele suspirou baixo e se virou de lado, observando Eduardo dormir. O rosto relaxado, uma expressão quase vulnerável que ele raramente deixava escapar acordado. Leo sabia reconhecer aquilo. Não havia maldade ali. Não havia nojo, nem desprezo. Havia medo. Cuidado mal colocado.
Ele também sabia reconhecer outra coisa: ele mesmo não queria mais fumar.
Não como antes.
O problema é que a vontade ainda vinha. Às vezes forte, às vezes traiçoeira, aparecendo nos piores momentos: depois de um dia difícil, de uma cobrança injusta, de uma sensação de não dar conta. O cigarro não era mais prazer. Era hábito. Era um refúgio torto.
Leo passou a mão pelo rosto, cansado.
No dia seguinte, enquanto Eduardo estava no banho, Leo abriu a mochila para pegar o notebook e a carteira. A caixinha de chiclete estava na cômoda ao lado da cama, chamando sua atenção.
Ele a pegou na mão.
Por um instante, lembrou da sensação de humilhação que sentiu. Pensou em largá-la ali mesmo onde estava.
Mas então, ele respirou fundo e, quase contrariado, abriu o zíper de um bolso menor da mochila e colocou a caixinha ali dentro. Não com entusiasmo. Não como promessa solene. Mas como quem aceita uma possibilidade.
— Só pra quando precisar — murmurou para si mesmo.
Era estranho admitir, mas aquilo também era um gesto de cuidado. Não só de Eduardo com ele, mas dele consigo mesmo.
Quando Eduardo saiu do banheiro, ainda secando o cabelo com a toalha, encontrou Leo sentado na cama.
— Tá tudo bem? — perguntou, cauteloso, como quem ainda anda em terreno instável.
Leo levantou os olhos e assentiu.
— Tá.
Não era uma conversa resolvida. Não era um final perfeito. Mas havia ali um entendimento silencioso: eles não estavam em lados opostos. Estavam aprendendo a atravessar a mesma coisa juntos.
◄☼►
Alguns dias depois, Leo sentiu que precisava voltar para a fazenda.
Era uma daquelas decisões silenciosas, quase instintivas. Ele sentia falta da família, do ritmo mais lento, de estar num lugar onde o mundo parecia menos corrido. Não era fuga. Era pausa.
Mesmo assim, Eduardo ficou inquieto desde o momento em que Leo começou a separar as coisas na mochila.
Ele tentou disfarçar, ajudando a dobrar uma camiseta aqui, entregando um carregador ali. Mas o incômodo estava evidente demais para passar despercebido.
— Você não tá bravo comigo, né? — Eduardo perguntou pela primeira vez, fingindo casualidade demais.
Leo fechou o zíper da mochila e ergueu os olhos.
— Não tô.
Eduardo assentiu, mas continuou ali, parado.
Alguns minutos depois, enquanto Leo calçava o tênis, a pergunta veio de novo.
— Mas… sério. Não tá mesmo bravo comigo?
Leo respirou fundo.
— Não, Eduardo.
Eduardo mordeu o lábio, inseguro.
Já na porta, com a mochila no ombro, Eduardo segurou o braço de Leo, impedindo-o de sair.
— Você jura?
Leo franziu a testa.
— Juro o quê?
— Que você não tá indo embora chateado comigo.
Leo o encarou por um segundo. Depois outro. Até que a tensão se quebrou e ele acabou rindo, um riso leve, quase carinhoso.
— Você é impossível — disse, balançando a cabeça.
Eduardo relaxou visivelmente.
— Então não tá bravo?
Leo deu um passo à frente e segurou o rosto dele com as duas mãos.
— Não tô bravo — respondeu, antes de encostar os lábios nos dele.
O beijo foi tranquilo, cheio de promessa. Sem urgência.
Leo se afastou devagar, encostando a testa na de Eduardo por um instante.
— Se cuida — disse, sorrindo.
— Volta logo — Eduardo pediu, a voz baixa.
Leo assentiu.
— Eu sempre volto.
Eles trocaram mais um beijo rápido, e então Leo saiu, levando consigo o cheiro do apartamento, o amor ainda em aprendizado e a certeza de que não estava indo embora de verdade.
Apenas dando um tempo ao mundo para respirar.
Fale com o autor