Os Filhos de Fenrir
43 Renesmee- Pequenos guerreiros
Os meses passaram como um borrão, mal consigo me lembrar de todos os detalhes. Tudo o que sei é que a cada dia, minha barriga pesava mais, e eu tinha absoluta certeza de que estava carregando dois bebês. Renee me cuidou com devoção durante toda a gestação, com suas ervas que me deixavam mais forte a cada semana. A tranquilidade daquele lugar, o carinho de minha família — algo que eu nunca havia conhecido de verdade —, era fundamental para que eu chegasse até aqui, prestes a dar à luz. Mas, mesmo com toda essa paz, sentia que uma parte de mim havia ficado para trás.
Hoje, a aldeia estava em festa. Meu pai, Edward, havia decidido se casar com Tanya. Eu e Emmett fomos a favor desde o início, pois sabíamos que ele precisava de alguém para estar ao seu lado nos anos que restavam. Perdeu tanto durante a última guerra… Mesmo assim, era claro para mim que o coração dele sempre seria de Isabella Swan, minha mãe.
Eu estava sentada em uma das mesas, observando a comemoração. As pessoas dançavam, riam e bebiam em grande quantidade. Emmett, meu irmão, era um verdadeiro espetáculo por si só. Ele estava no centro da pista, dançando com uma jovem aldeã que não tirava os olhos dele. Ri sozinha, sabendo que aquela moça certamente terminaria a noite na cama dele. Emmett era um galinha assumido, e isso me fazia rir, apesar de tudo.
Minha avó, Renee, se aproximou, trazendo uma bebida nas mãos. Ela sempre me olhava com tanto carinho que me aquecia o coração. Mesmo sendo avó, era mais jovem do que eu esperava, e com uma energia contagiante.
— Está tudo bem, querida? — perguntou, me entregando a bebida.
— Sim — sorri, aceitando a caneca. — Só estou cansada.
Ela assentiu, compreendendo. Estava visivelmente feliz com o casamento, mas seu sorriso se apagou quando ouviu Charlie chamá-la para dançar.
— Aproveite a festa — disse ela, com um último carinho em meu ombro, antes de ir se juntar a ele.
Fiquei ali, observando os dois dançarem juntos, sentindo a música preencher o ar e as risadas ecoarem pela aldeia. Tudo estava perfeito para eles. Todos estavam felizes, mas uma parte de mim, bem lá no fundo, se lembrava das festas no vilarejo de Niflheim. Aquelas noites geladas em que dançava com Jake, sentindo o calor dos corpos, as mãos firmes dele me guiando pela pista. Uma nostalgia dolorosa tomou conta de mim. Eu o amava tanto... mas esse amor já não me pertencia.
Acariciei a minha barriga, como fazia sempre que pensava em Jake. Mas, desta vez, algo estava diferente. Uma dor aguda atravessou meu ventre, me fazendo ofegar. Coloquei a mão sobre a mesa para me apoiar, o pânico começando a subir por minha espinha.
— Não... — murmurei para mim mesma, sentindo o suor frio escorrer por minha testa.
A festa continuava ao meu redor, alheia à dor crescente dentro de mim.
A dor aguda aumentava, e eu mal conseguia pensar direito. Meu corpo parecia pulsar com cada contração, e, antes que eu pudesse chamar por ajuda, vi Emmett, que estava dançando, parar de repente ao me notar. Ele veio correndo em minha direção, empurrando algumas pessoas no caminho. Quando chegou até mim, já estava ofegante, mas com o olhar cheio de preocupação.
— Nessie, o que foi? — perguntou, abaixando-se ao meu lado e colocando uma das mãos no meu ombro.
— Ainda falta um mês para nascerem... — murmurei, ofegante. A dor era intensa, mas não tanto quanto o medo de que algo estivesse errado. — Não era para ser agora, Emmett...
Antes que ele pudesse responder, Renee e Tanya apareceram ao nosso lado, atraídas pela minha expressão de dor.
— Ela está com contrações? — perguntou Renee, com os olhos arregalados. Tanya, ao seu lado, parecia igualmente alarmada.
— Sim, ainda falta um mês! — exclamei, apertando o braço de Emmett com força, tentando me agarrar a qualquer sensação que não fosse aquela dor lancinante.
Renee olhou para Tanya, parecendo pensativa. — Talvez eu tenha errado os cálculos. Às vezes, os bebês vêm antes do previsto.
Tanya assentiu e se abaixou ao meu lado. — Precisamos levá-la para casa, rápido. Vai ser aqui.
Antes que eu pudesse protestar, Emmett me levantou no colo com facilidade, como se eu fosse leve como uma pena. Minha cabeça caiu contra seu peito enquanto ele me carregava pela festa, e eu tentei controlar minha respiração, mas as contrações ficavam cada vez mais próximas.
Chegamos à casa rapidamente. Renee e Tanya já estavam preparadas, pegando tudo o que precisariam para me ajudar no parto. As contrações se intensificavam, e eu senti um misto de dor e alegria. Estava na hora. Apesar da agonia, eu sabia que meus filhos estavam finalmente chegando ao mundo.
A dor era cada vez mais intensa, e meu corpo parecia prestes a se partir ao meio. Cada contração vinha como uma onda que me arrastava para um turbilhão, e tudo o que eu podia fazer era agarrar as mãos de Tanya e Renee, que me cercavam com seus olhares atentos e compreensivos. Emmett permanecia ao meu lado, sua presença forte e reconfortante, mas os segundos se estendiam como horas. Ainda faltava um mês, e o medo de algo estar errado martelava na minha mente.
— Respire, Nessie — murmurou Tanya, sua mão apertando a minha enquanto Renee organizava os panos e ervas que usaria para ajudar no parto. — Está quase lá.
As contrações vinham em ondas, e eu me esforçava para me concentrar nas palavras de Tanya. Meu corpo inteiro estava envolto em dor, mas junto dela vinha a certeza de que o momento havia chegado. Estava finalmente na hora de conhecer meus filhos.
— Eu... eu consigo — consegui murmurar entre os gritos abafados.
— Claro que consegue — respondeu Emmett, os olhos marejados enquanto acariciava minha testa. — Você é mais forte do que pensa.
Depois de horas que pareceram uma eternidade, finalmente senti o alívio de uma última e intensa contração. Um segundo depois, o som mais lindo que eu já tinha ouvido preencheu o quarto — o choro do meu primeiro filho. O alívio me atingiu como uma onda, e lágrimas caíram dos meus olhos enquanto Renee, sorrindo, erguia o bebê em seus braços.
— É um menino — anunciou ela, seus olhos brilhando de emoção.
Renee o envolveu em um cobertor macio e o trouxe até mim. Quando o colocou em meus braços, minha respiração parou por um instante. Fenrir. Ele era a imagem do pai. Seus pequenos traços lembravam Jacob de maneira avassaladora: a pele morena, o cabelo negro e espesso, que já despontava em suaves mechas na cabeça dele. Seus olhos, ainda cerrados, eram molduras perfeitas do que eu sabia que seriam grandes olhos escuros, exatamente como os de Jake. Meu coração se encheu de amor incondicional, e eu sussurrei:
— Fenrir... — Acariciei sua bochecha com o polegar. Ele era perfeito, tão pequeno, tão frágil, mas ao mesmo tempo tão forte. — Meu pequeno guerreiro.
Mas ainda não havia acabado. As contrações recomeçaram, e, com elas, a dor voltou, intensa, embora desta vez eu soubesse que o fim estava próximo. Tanya e Renee trocaram olhares, e eu sabia que minha menina estava prestes a nascer.
Mais alguns minutos de dor que pareciam intermináveis, e então, finalmente, outro choro preencheu o quarto. Dessa vez, mais suave, mas igualmente emocionante. Renee sorriu, desta vez com os olhos marejados, enquanto trazia minha filha para mim.
— E agora... uma menina — anunciou ela com um sorriso, colocando-a em meus braços ao lado de Fenrir.
Eu olhei para Fay, e meu coração se encheu novamente com uma onda de emoção indescritível. Fay era a versão feminina perfeita de Jacob. Seus pequenos lábios, as bochechas rechonchudas, o mesmo cabelo negro e espesso que Fenrir e, quando abriu os olhos brevemente, vislumbrei o mesmo olhar profundo que me lembrava de Jake em cada detalhe. Ela era tão delicada quanto o irmão, mas algo em sua expressão, mesmo sendo tão pequena, já mostrava uma força interna.
— Fay... — sussurrei, meu coração transbordando de amor por aquela pequena versão feminina de Jacob.
Enquanto os segurava, um em cada braço, meus olhos se encheram de lágrimas de felicidade. Eu mal conseguia acreditar que finalmente estava com eles nos braços. Todos os meses de incerteza, medo e dor desapareceram naquele instante. Meu coração estava completo de uma forma que eu nunca havia imaginado.
Tanya e Renee me ajudaram a deitar melhor, acomodando os bebês junto a mim, e Emmett observava tudo com um sorriso emocionado. As lágrimas caíam dos meus olhos, mas eram lágrimas de pura felicidade. Eu nunca tinha me sentido tão conectada a alguém quanto naquele momento.
— Eles são perfeitos — disse Emmett, acariciando a cabeça de Fenrir e, em seguida, a de Fay. — Jacob ficaria tão orgulhoso.
Eu respirei fundo, sentindo o peso das palavras de Emmett. Meu coração apertou um pouco. Jacob... Ele não estava ali. Eu sabia que ele teria dado tudo para estar ao meu lado agora, para segurar nossos filhos nos braços. O pensamento me encheu de uma saudade dolorosa, mas ao mesmo tempo, havia uma promessa que eu sabia que precisava cumprir.
Olhei para meus filhos, ainda incrédula com a perfeição deles. Eles eram parte de mim, parte de Jacob, e um dia — eu sabia — ele os conheceria. Acariciei suas cabecinhas e, com a voz baixa, fiz uma promessa silenciosa:
— Um dia... vocês vão conhecer o pai de vocês. Eu juro. E, quando isso acontecer, ele vai ver o quanto vocês são fortes e lindos. Vocês são tudo o que há de mais precioso para mim... e ele vai saber disso.
Enquanto olhava para o céu lá fora, a neve fina caindo suavemente, meu coração transbordava de amor e saudade. Mas agora, mais do que nunca, eu tinha esperança.
Eu amava Jake. E, no fundo do meu coração, sabia que, um dia, ele teria que conhecer nossos filhos.
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