Os Filhos de Fenrir
44 Renesmee- Fenrir e Fay Black
Os dias na aldeia estavam cada vez mais pesados. A tensão era palpável no ar, como se todos esperassem que algo terrível acontecesse a qualquer momento. O nome Asgardheim pairava em conversas sussurradas, e a menção aos Volturi fazia os mais velhos apertarem os olhos com desconfiança e medo. Eu sabia que algo estava para acontecer, algo que poderia mudar tudo.
Edward caminhava pelo salão principal, tentando acalmar o povo, mas a verdade é que nem ele acreditava nas palavras que dizia. Quando estávamos sozinhos, ele era honesto comigo.
— Asgardheim está à beira do colapso, Renesmee — ele disse certa vez, enquanto ajustava sua capa diante da lareira. — Eles estão desesperados, e os Volturi estão se aproveitando disso. Alec Volturi quer um exército de lobos... e o que ele descobriu sobre a nossa linhagem fez disso uma obsessão para ele.
Meus olhos se fixaram no fogo, o calor não sendo suficiente para aquecer a angústia crescente em meu peito. Sabia que ele estava falando sobre mim e meus filhos. Fenrir e Fay eram especiais. Mesmo sem saberem disso, eles carregavam em suas veias a força de duas linhagens poderosas, e isso os tornava alvos.
— O que ele quer comigo? — perguntei, minha voz mais baixa do que o normal.
Edward suspirou, cruzando os braços enquanto me observava.
— Alec deseja o que todos os Volturi sempre desejaram: poder absoluto. E agora ele sabe que lobos como Jacob podem gerar descendentes ainda mais fortes. Você é a prova disso.
A menção de Jacob fez meu coração apertar. Pensar nele, agora, era um golpe no estômago. Fazia tanto tempo... mais de cinco anos desde que eu o havia deixado para trás, acreditando que estava fazendo o certo. Eu não sabia mais o que encontraria se voltasse a Niflheim. A possibilidade de que ele já tivesse seguido em frente, possivelmente com Kiara, me deixava dividida entre medo e tristeza.
— Você precisa voltar para Niflheim — Edward disse de repente, como se lesse meus pensamentos. — Jacob te protegeria. Ele é o único com força suficiente para enfrentar o que está por vir.
Me virei para ele, sentindo a onda de dúvida me atingir novamente.
— E se ele não quiser me proteger? — minha voz saiu mais fraca do que eu queria. — Eu o abandonei. E se ele já deve filhos com Kiara. E se ele... tiver rejeitado o imprinting?
As palavras saíram antes que eu pudesse pará-las, e o peso daquelas questões que me assombravam há anos finalmente se manifestou. Eu tinha medo. Medo de que Jacob não fosse mais meu, de que eu não tivesse mais lugar ao lado dele.
Edward se aproximou, seus olhos compadecidos, mas com aquela firmeza típica de um líder.
— Não subestime o imprinting, filha. Jacob esperara por você durante toda a vida. Ele sabe o que significa essa ligação. E, mesmo que tenha se envolvido com outra pessoa, isso não muda o fato de que ele é o único que pode proteger você e os seus filhos.
Fiquei em silêncio, processando o que ele havia dito. A verdade era que meu coração estava dividido. Parte de mim sabia que Jacob ainda estava lá, esperando. Mas outra parte, a mais ferida, me lembrava de que cinco anos é muito tempo. E se ele tivesse mudado? E se o amor dele por mim tivesse se transformado em algo irreconhecível?
— Niflheim é sua casa, Nessie. Sempre será. Não importa quanto tempo tenha passado — Edward continuou, sua voz baixa e séria. — Sei que está com medo, mas você precisa fazer isso. Não por você, mas por Fenrir e Fay. Eles merecem ter um futuro seguro.
Olhei para meus filhos, que dormiam tranquilos no berço improvisado perto da lareira. Eles eram a razão pela qual eu ainda estava de pé, a razão pela qual eu não havia desmoronado completamente. Fenrir, com sua força e determinação, era a imagem viva de Jacob. Fay, com sua delicadeza e curiosidade, me lembrava tanto de mim mesma. Eu não poderia deixá-los vulneráveis.
Mas a ideia de enfrentar Jacob, de ver o que restava de nossa conexão... era assustadora demais.
— Vou pensar — murmurei, meu olhar preso nas chamas. — Preciso de um tempo para processar tudo.
Edward assentiu, sabendo que não poderia forçar minha decisão.
— Tome o tempo que precisar. Mas lembre-se de que o perigo está cada vez mais próximo.
Ele saiu do quarto, me deixando sozinha com meus pensamentos. Lá fora, as pessoas ainda festejavam, tentando encontrar algum consolo na incerteza que nos cercava. Eu, porém, só conseguia pensar em Jacob. Será que ele estava esperando por mim, assim como eu ainda esperava por ele?
— Eu vou proteger vocês... — sussurrei para Fenrir e Fay, com os olhos marejados. —Não vou deixar que nada de mal aconteça. Não importa o que aconteça, eu prometo.
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Os anos passaram e Vindalheim cresceu. O pequeno vilarejo se tornara uma fortaleza discreta, onde todos trabalhavam com o propósito de proteger suas terras e famílias. Os homens haviam aprimorado suas habilidades, e as forjas estavam sempre acesas, criando armas e armaduras para defender a aldeia. Espadas afiadas, lanças resistentes, escudos robustos. Mas agora, a preocupação era real. O cheiro de Asgardheim se aproximava. Emmett, sempre atento, já havia sentido a presença deles nas últimas rondas. E todos, incluindo meu pai, estavam em alerta constante.
Eu estava na tenda comunitária, ajudando a preparar o almoço dos homens que faziam a segurança. Tanya estava ao meu lado, cortando pedaços de carne para o cozido, enquanto minha irmã mais nova, Rana, organizava os temperos com um sorriso sereno no rosto. Ela tinha 13 anos, uma criança gentil e carinhosa, muito parecida com Tanya. Ver as duas juntas me aquecia o coração, mas ao mesmo tempo me fazia pensar no que poderia ter sido entre Jacob e eu.
— Mãe, você acha que o cozido está com tempero suficiente? — Rana perguntou, inclinando-se para Tanya com uma tigela de ervas nas mãos.
Tanya sorriu para ela com doçura e mexeu a panela, provando um pouco do caldo.
— Perfeito, querida. Você sempre sabe a quantidade certa.
Eu ri, apreciando a dinâmica entre elas. Rana era curiosa e dedicada, e Tanya parecia ter paciência infinita para suas perguntas. Enquanto cortava batatas, não pude evitar comparar Rana com meus próprios filhos. Fenrir e Fay tinham agora 16 anos, e embora ambos fossem jovens, a energia selvagem dos lobos era evidente em cada movimento deles. Jacob se manifestava neles a cada dia que passava, tanto na força de Fenrir quanto na teimosia de Fay.
Rana me olhou curiosa, interrompendo meus pensamentos.
— O que foi, Nessie? Parece preocupada.
Eu suspirei, sorrindo.
— Só pensando nos gêmeos. Eles andam cada vez mais parecidos com... — me interrompi, mas Tanya me lançou um olhar compreensivo, completando a frase em seu pensamento.
Rana sorriu.
— Eles são ótimos. Acho que o Fenrir está ainda mais forte que o pai. Aposto que ele já ganha todas as lutas.
Eu ia responder, mas fomos interrompidas pela entrada repentina de Emmett, Fenrir e Fay. Eles chegaram com as bochechas vermelhas pelo frio do inverno, mas com o sorriso travesso que me lembrava tanto de Jacob.
— Mãe! — Fenrir me chamou com um sorriso largo, aproximando-se para me dar um beijo no rosto. — Senti seu cheiro de longe. Esse cozido vai ser épico.
Eu olhei para ele, admirada. Fenrir era quase uma cópia perfeita de Jacob. Alto, musculoso, com o cabelo castanho bagunçado e olhos intensos. Às vezes, olhá-lo era como ver o passado se manifestar de novo.
— Você só tem 16 anos e está enorme — Renée comentou, entrando na tenda com um sorriso no rosto. — O que você anda comendo, garoto?
Fay, sempre espirituosa, interrompeu antes que o irmão pudesse responder.
— Ele comeu três cervos no caminho pra cá. Por isso está assim.
Fenrir revirou os olhos e deu um leve empurrão no ombro da irmã.
— E você comendo só folhas, Fay? Vai acabar sendo levada pelo vento!
— Fenrir, para! — ela resmungou, cruzando os braços com uma expressão indignada, mas ainda mantendo o olhar desafiador.
Eu suspirei, cansada, mas sorrindo diante da típica implicância entre os dois.
— Calma, vocês dois. Vão tomar banho e se comportem. Vocês sabem que eu sou a Alpha aqui.
Eles trocaram olhares de cachorro sem dono, mas logo obedeceram, saindo da tenda com Emmett rindo da cena.
— Vocês são uns fracos — ele disse, provocando os dois.
Renée balançou a cabeça, rindo.
— Esses dois vão me deixar louca. Fenrir está mais forte a cada dia, e Fay está ficando tão teimosa quanto você, Nessie.
Eu sorri, observando meus filhos saírem, e suspirei mais uma vez. Ambos estavam cada vez mais parecidos com Jacob. Cada gesto, cada palavra. E por mais que isso me trouxesse conforto, também me enchia de saudade.
O dia de conhecerem o pai se aproxima, pensei, enquanto voltava a cortar as batatas. Eles desejam conhecer o pai deles e eu não posso mais fugir disso.
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