Os Filhos de Fenrir

54 Renesmee- Luna contra Beta


Notas iniciais
Bom amores eu tô evitando repetir diálogos mesmo que de outrk ponto de vista pois fica cansativo e repetitivo.

Deitada na cama, senti o peso de tudo que havia acontecido me esmagando. O sono me abandonou como um velho amigo que já não reconheço. Revirei-me várias vezes, tentando encontrar algum conforto, mas meu coração estava inquieto, dividido. A conversa com Jacob martelava na minha mente. Não foi fácil, não mesmo. Ele conheceu nossos filhos, mas a realidade crua ainda estava lá: outras mulheres, outras vidas. Eu sabia que o imprinting que agora sentia por ele iria me forçar a perdoá-lo, mas isso não significava que eu estava disposta a aceitar sua vida complicada e suas escolhas, especialmente Kiara. Não depois de tudo o que ela fez.

Levantei-me da cama, tentando não fazer barulho. Fay e Rana dormiam ao meu lado, as pequenas respirações delas eram como um bálsamo temporário para minha alma cansada. Sorri ao observá-las por um momento, a inocência estampada em seus rostos, e um senso de proteção renovado inundou meu peito. Eu era mãe agora, e Rana precisava de mim mais do que nunca. Seu choro naquela noite me partiu o coração, e mesmo que eu também sentisse a dor de perder minha família mais uma vez, sabia que tinha que ser forte para ela.

Caminhei pela sala onde Emmett e Fenrir dormiam, seus corpos imensos quase cobriam o chão, mas seus roncos tranquilos me trouxeram algum conforto. Não queria acordá-los. A lua estava alta e brilhante no céu, me chamando para fora, para a quietude da noite.

Sentei na pequena escada de entrada da casa. O ar fresco da noite me envolveu, e eu suspirei, sentindo o peso dos meus pensamentos aumentar. O imprinting era uma bênção e uma maldição. Ele ampliava tudo que eu já sentia por Jacob, mas também trazia à tona uma dor profunda. Como eu podia continuar sabendo que ele tinha outras mulheres? Kiara, especialmente, era um espinho cravado no meu coração. Como eu poderia encarar isso, sabendo que ela estava presente na vida dele de uma maneira que eu não conseguia aceitar?

Olhei para a lua e fiz minha prece a Fenrir, esperando que ele me ouvisse.

— Eu não irei desobedecer, Fenrir, mas me dê forças — sussurrei, a voz embargada pelo peso da minha súplica. — Me ajude a suportar essa dor. Não posso falhar agora.

As lágrimas que eu tentava segurar caíram silenciosamente. Sabia que estava presa a Jacob para sempre. Isso não mudaria, mas eu ainda podia escolher como viver essa nova realidade. O imprinting me ligava a ele, mas não podia me forçar a aceitar o inaceitável.

— Fenrir, me mostre o caminho — continuei, olhando para as estrelas que salpicavam o céu. — Eu preciso de clareza, preciso saber o que fazer. Preciso ser forte, não só por mim, mas pelos meus filhos.

Senti um vento suave acariciar meu rosto, e por um breve momento, foi como se Fenrir estivesse ali, me dando um sinal, me dizendo que eu não estava sozinha. Mas, no fundo, eu sabia que a batalha que estava por vir era minha. E que Jacob, por mais que fosse meu imprinting, teria que tomar suas próprias decisões.

E eu... eu teria que lidar com as consequências delas.

Esperei o sol surgir no horizonte, iluminando o vilarejo ao longe, antes de me levantar da escada e tomar uma decisão. Não disse uma palavra a ninguém, nem mesmo a Fay e Rana, enquanto cruzava a floresta de Björkveld. As árvores altas se erguiam ao meu redor, suas sombras oferecendo uma proteção silenciosa enquanto eu caminhava com passos firmes. Sabia exatamente para onde estava indo e o que precisava fazer. O olhar dos aldeões, a surpresa e a curiosidade quando entrei no vilarejo não me afetaram. Já havia passado por essa atenção antes, e hoje, isso não importava. Minha mente estava em outro lugar.

Segui diretamente para a tenda, e conforme me aproximava, meu coração acelerou ao avistar uma figura familiar. Leah. Um sorriso involuntário surgiu no meu rosto. Ao me ver, ela largou o que estava fazendo e correu na minha direção, me envolvendo em um abraço apertado.

— Finalmente, a Luna está de volta! — ela disse com a voz cheia de entusiasmo. — Agora eu vou ter meu emprego de novo!

Ri suavemente, afastando-me um pouco para olhá-la nos olhos.

— A Luna sempre será Luna, Leah — disse, sorrindo. — Mas agora eu serei Beta.

Leah abriu um sorriso largo, os olhos brilhando de admiração e cumplicidade.

— Está certa — ela respondeu. — Se alguém pode ser Beta e Luna ao mesmo tempo, esse alguém é você.

Antes que pudéssemos continuar, algumas mulheres do vilarejo começaram a se aproximar. Entre elas, estava Rachel, que abriu caminho entre as outras e me puxou para um abraço.

— Seja bem-vinda, cunhada! — disse Rachel, com um sorriso no rosto, que me trouxe um calor momentâneo de conforto.

— Obrigada — respondi, retribuindo o abraço com força.

Eu sabia que nem todos estariam felizes com o meu retorno. E essa certeza ficou evidente quando entrei na tenda. Lá estava Kiara, ao lado de uma outra mulher que não reconheci imediatamente. O olhar de Kiara era afiado, e antes que eu pudesse sequer dizer uma palavra, ela avançou.

— O que você está fazendo aqui? — sua voz estava repleta de desprezo.

Cruzei os braços, mantendo minha calma, e respondi com firmeza.

— Eu vim visitar a tenda, afinal de contas, em breve voltarei a ser Beta.

Os olhos de Kiara faiscaram de raiva.

— Só por cima do meu cadáver.

Antes que a situação piorasse, Karin, que estava ao lado de Kiara, interveio, a voz calma, mas cheia de nervosismo.

— Kiara, por favor, não enfrente Nessie. Você sabe que Jacob não vai gostar disso.

Kiara lançou um olhar venenoso para Karin, não perdendo a oportunidade de provocar.

— Ah, não me faça rir. Nessie, você conhece essa esposa boazinha do alpha? — ela perguntou, com um sorriso cruel. — Ela é a que deu a ele um filho homem. O queridinho do Jacob.

Karin baixou a cabeça, visivelmente constrangida, e murmurou:

— Desculpe, Nessie.

Olhei para Karin com ternura. Nos olhos dela, não havia maldade, apenas bondade e uma culpa que não era sua.

— Karin, você não tem pelo que se desculpar — disse, tentando tranquilizá-la. — Mas acho melhor você levar o menino.

Meus olhos encontraram os de Josh, que parecia assustado. Karin assentiu rapidamente, pegando a mão do filho, pronta para sair.

— Que lindo — Kiara comentou, com sua voz cheia de ironia. — A esposa e a segunda esposa sendo amigas. Que cena emocionante.

Encarei Kiara diretamente, sem medo, sentindo o peso das palavras que eu estava prestes a dizer.

— Eu entendo seu desespero, Kiara — falei calmamente. — Ainda há esperança para Karin, mas para você… não resta mais nada.

Os olhos dela se estreitaram, mas eu continuei, mantendo o controle da situação.

— Amanhã mesmo, irei até o conselho reivindicar o que é meu por direito. Mas antes disso, você vai pagar pelos meus bebês.

Um silêncio mortal caiu sobre a tenda, e Kiara, pela primeira vez, pareceu não ter resposta imediata. O ar entre nós estava pesado, carregado de ameaças não ditas, mas claras como o dia.

E eu estava pronta para cobrar o que me era devido.

Kiara me encarou com um olhar cheio de ódio, um sorriso torto se formando em seus lábios.

— Sabe, é uma pena que você tenha ido embora, Nessie — ela disse, a voz gotejando veneno. — Eu teria dado fim àqueles seus gêmeos. Não teria nem precisado de muito esforço.

Foi como se uma chama ardente subisse pelo meu corpo. O sangue ferveu em minhas veias, e, sem hesitar, avancei sobre Kiara, minhas mãos agarrando seus cabelos com força. O grito de surpresa que ela soltou foi abafado pelo som do meu coração batendo acelerado. A dor de ouvir suas palavras sobre meus filhos me cegava.

— Você não ousaria… — grunhi entre dentes, aproximando meu rosto do dela.

Kiara não demorou a reagir. Em um instante, seu corpo explodiu, e diante de mim estava sua forma de loba, a pelagem escura eriçada e os dentes à mostra. Ela rosnava com fúria, as garras já prontas para atacar.

Mas eu sorri. Não com medo, mas com uma confiança que ela não esperava. Deixei minha loba emergir de dentro de mim, e em segundos eu também estava em minha forma lupina, muito maior e mais imponente que a dela. A surpresa estampou os olhos de Kiara por um breve segundo, e foi o tempo que precisei para avançar sobre ela.

O combate foi brutal. Minhas garras acertaram seu flanco, rasgando a pele, enquanto Kiara tentava revidar com mordidas que, apesar de rápidas, não eram suficientes para me parar. O som dos rosnados e o choque de nossos corpos se chocando ecoava pela tenda e pela vila ao redor. Ela tentava se afastar, mas eu não deixava. Cada investida dela era respondida com ainda mais força da minha parte. O chão ao nosso redor era marcado com pegadas profundas e terra revirada.

Ela conseguiu me morder no ombro, mas eu simplesmente ignorei a dor, usando o peso do meu corpo para jogá-la no chão com força. Kiara tentou se levantar, mas eu estava sobre ela, meus dentes a milímetros de sua garganta.

Eu poderia acabar com isso. Ali, naquele momento.

Foi então que senti uma força em minha mente, um comando que atravessou os rosnados e a adrenalina. A voz firme, inconfundível, ecoou em minha mente.

— Parem! — O comando do Alpha ressoou, interrompendo a batalha. Era Jacob.

Por um segundo, tudo ficou quieto. Nossos corpos ainda estavam tensos, os músculos prontos para o próximo ataque, mas o comando era claro. A voz dele trouxe ordem à confusão e, pouco a pouco, me afastei de Kiara, recuando, os olhos ainda fixos nos dela, que me encarava com ódio e humilhação.

Ela se levantou devagar, ainda em sua forma lupina, rosnando baixinho, enquanto eu permanecia em pé, imponente.

O silêncio voltou à vila, e, por um breve momento, tudo pareceu se acalmar. Eu sabia que aquilo estava longe de acabar, mas por enquanto, a ordem do Alpha havia sido suficiente para conter o caos.

Ainda assim, uma coisa era certa: eu não a deixaria tocar nos meus filhos. Nunca.

Notas finais
Estou amando as interações, se der mas tarde posto mais.