Os Filhos de Fenrir
53 Renesmee- Imprinting
Os últimos três dias foram longos. Cada passo parecia pesar mais, não apenas por causa do cansaço físico, mas pela carga emocional que todos nós carregávamos. Rana, especialmente, sentia o peso da separação. Ela chorava baixinho, com a cabeça encostada no meu ombro, e eu podia sentir sua dor ressoar em mim. Eu sabia exatamente o que era perder a família. Sabia o que era deixar para trás aqueles que você ama e caminhar em direção ao desconhecido.
— Vai ficar tudo bem, Rana — murmurei, passando a mão pelos seus cabelos. — Nós vamos achar um novo lar.
Ela soluçou, mas não disse nada. A adolescente finalmente adormeceu, exausta de tanto chorar. Ficamos em silêncio por um tempo, observando o fogo crepitar, a luz bruxuleante dançando no rosto de todos nós.
Emmett e Fenrir voltaram da floresta trazendo frutas e um cervo, e logo a carne estava assando na fogueira. O cheiro da carne fez meu estômago roncar, mas meu coração ainda estava inquieto. A incerteza sobre o que encontraria em Niflheim não me deixava em paz, especialmente agora que sabia que o encontro com Jacob estava cada vez mais próximo.
— Como será Niflheim? — ouvi Fay perguntar enquanto cortava um pedaço de fruta.
— Deve ser gelado, como dizem nas histórias — respondeu Rana, com a voz ainda fraca, mas curiosa. — Papai sempre falava que era uma terra de lobos e reis.
Fay sorriu, empolgada com a ideia.
— Talvez tenha montanhas de gelo e rios congelados! E quem sabe lobos maiores que nós?
Sorri para mim mesma ao ouvir a conversa das duas. A inocência delas ainda era um conforto em meio a tanta incerteza. Era bom ver que, apesar de tudo, ainda havia espaço para sonhos e expectativas.
Na manhã seguinte, partimos novamente. O ritmo das nossas caminhadas era mais lento agora que estávamos mais perto do destino, como se uma parte de nós hesitasse em chegar, em descobrir o que nos esperava. Mas, ao final de um longo dia, reconheci as montanhas que cercavam Niflheim.
— Estamos aqui — murmurei, sentindo o coração bater mais rápido no peito.
Olhei para meus filhos e para Emmett, e todos nós assumimos nossas formas lupinas. O vento trouxe consigo o cheiro familiar da matilha. E então, no meio dos cheiros misturados de terra e natureza, senti um aroma que conhecia bem. Jacob.
Ele estava perto.
A adrenalina correu pelo meu corpo, cada músculo do meu corpo lupino preparado para o encontro que eu sabia que estava por vir.
O grupo de lobos surgiu à nossa frente, suas silhuetas escuras se destacando contra o crepúsculo. Os filhos e irmãos ao meu lado ficaram tensos, alertas, mas meu foco estava em outra coisa. Meus olhos se cruzaram com os de Jacob. Ele estava ali, diante de mim, em sua forma de lobo alfa, imponente e cheio de poder. Algo dentro de mim se agitou.
E então, o mundo ao meu redor parou.
Tudo se congelou — os lobos, meus filhos, Emmett, as árvores balançando com o vento. Tudo virou estátua, como se o tempo tivesse decidido segurar a respiração. O único som que eu ouvia era o bater do meu coração, cada pulsar ecoando como um tambor no vazio. E então, diante de mim, um lobo gigantesco, maior do que qualquer lobo que já tinha visto, surgiu. Seus olhos eram de um azul profundo, como o céu antes da tempestade, e seu pêlo era da cor do crepúsculo, uma mistura de sombras e luz.
Eu recuei um passo, surpresa. O que era aquilo? Não era Jacob, não era nenhum lobo que eu reconhecia.
— Não tenha medo, Renesmee — a voz dele retumbou na minha mente, grave e calma. — Estou feliz que você tenha retornado.
Tentei falar, mas estava paralisada, não pela força, mas pela presença imponente dele. Sua voz continuava ecoando dentro de mim, preenchendo cada canto da minha mente.
— Você sempre confiou em mim, e sua obediência será recompensada.
Meu coração acelerou. Eu sabia de quem se tratava. Era ele, o lobo do qual as lendas falavam. O espírito de Fenrir. A divindade dos lobos, o deus dos nossos ancestrais.
— Jacob se perdeu — ele continuou, a voz firme, mas com um toque de pesar. — Meu favorito... ele precisa de você, Renesmee. Precisa assumir seu controle novamente para enfrentar a guerra que está por vir. Você é a única capaz de guiá-lo de volta ao seu destino.
As palavras dele me atingiram como um relâmpago. Jacob... perdido? Como? Eu sabia que havia algo errado com ele, mas não compreendia a profundidade do que Fenrir estava me dizendo.
— Por isso, eu a enlaço para sempre a ele — a voz de Fenrir reverberou com poder. — Jacob é o seu imprinting, assim como você é o dele. Vocês estão ligados, não por uma escolha, mas por um destino. Ele é sua salvação, e você é a dele.
Meu corpo tremia, não de medo, mas de uma força avassaladora que se instalava em cada fibra do meu ser. Era uma verdade inegável, que eu não podia mais ignorar. Jacob não era apenas o homem que eu amava, não era apenas o alfa da matilha. Ele era meu, de uma forma que ia além do entendimento. E agora, tudo fazia sentido. Meu lugar sempre foi ao lado dele.
— O laço está feito — Fenrir disse, sua voz finalizando o ritual. — Lembre-se, Renesmee, o amor que vocês compartilham é maior que qualquer obstáculo. Ele será sua força, assim como você será a dele.
Antes que eu pudesse reagir, o enorme lobo desapareceu, como se nunca tivesse estado ali. O mundo ao redor voltou a se mover. Os lobos se mexeram, meus filhos respiraram novamente, e tudo estava como antes. Tudo, exceto o que eu sentia.
Eu olhei para Jacob, e a verdade que Fenrir havia revelado cravou-se profundamente em mim. O amor que sentia por ele era agora mais intenso, mais poderoso. Era como se uma chama tivesse sido acesa em meu peito, e eu soubesse, sem sombra de dúvida, que ele era meu. E que ele me pertencia.
Jacob me olhou de volta, confuso e talvez tão abalado quanto eu. Ele não sabia o que havia acontecido, mas eu sabia. Eu era sua salvação. E ele, meu imprinting.
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