Os Filhos de Fenrir
37 Renesmee- Despedida
Desde que me lembro, a vida no acampamento feminino sempre foi uma batalha. Desde criança, fui rejeitada, olhada com desprezo pelas outras garotas, como se o sangue que corria em minhas veias fosse uma maldição. E talvez fosse. Ser uma Niflheim com sangue de Asgardheim era como carregar uma marca, uma que nunca me deixaria ser completamente aceita. Não havia família para me proteger, nenhum nome poderoso para garantir meu lugar. Eu estava sozinha. Sempre estive.
Quando Jacob me escolheu, quando senti o imprinting, foi como se pela primeira vez eu tivesse sido escolhida por alguém. Como se Fenrir, o grande lobo, tivesse finalmente me dado uma chance de ser feliz. Naquele momento, acreditei que minha vida mudaria para sempre, que eu seria sua Luna e tudo que vivi até então teria valido a pena. Mas a vida tem um jeito cruel de nos trazer de volta à realidade.
Nos últimos meses, perdi meus bebês. Um após o outro, eles se foram antes mesmo de eu poder segurar um em meus braços. E a cada perda, uma parte de mim morria junto. Agora, estou perdendo Jacob também. Ele vai se casar com Kiara, vai construir uma família com ela. O destino que eu pensei ser meu estava sendo arrancado diante dos meus olhos.
Havia uma antiga história que Diziam que Fenrir, o deus lobo, se encontrou na mesma posição que Jacob. Ele teve que escolher sua Luna, mesmo que isso significasse sacrificar o que seu coração realmente desejava. Não sei se sou forte como Fenrir. Não sei se posso suportar ver Jacob nos braços de outra mulher, mesmo sabendo que ele não tem escolha. A ideia de que ele passará noites ao lado de Kiara dói na minha alma de um jeito que palavras não podem descrever.
Jacob tentou se dedicar a mim no último mês. Ele esteve ao meu lado, cada momento. Mas, mesmo assim, sinto essa sombra se aproximando. Não sei se devo sentir felicidade por ele estar aqui, ou tristeza por saber que isso não vai durar. Jacob me disse, várias vezes, que eu sempre seria sua prioridade, que nada mudaria isso. Mas eu me pergunto... será que o imprinting tem tanto poder a ponto de afastá-lo de seus filhos quando eles nascerem?
Enquanto caminhávamos juntos, eu ainda tentava entender o que ele queria me mostrar. Ele parecia calmo, mas havia algo em seus olhos, algo que eu não conseguia decifrar. Meu coração estava acelerado, uma mistura de medo e esperança.
Eu o segui em silêncio, o som de nossos passos na neve sendo o único ruído ao redor. Meu peito estava apertado, e eu me perguntava se conseguiria me despedir, aquela seria nossa ultima noite juntos antes que tudo se comcretizasse.Será que isso mudaria alguma coisa entre nós? Ou seria apenas mais um lembrete de que nossa realidade estava desmoronando?
Finalmente, ele parou diante da nossa pequena cabana, isolada em Björkveld, longe dos olhos curiosos.
Ele abriu a porta e me guiou para dentro. A cabana era simples, mas acolhedora. Havia uma lareira acesa, e o calor preenchia o espaço de uma forma reconfortante. No centro da sala, havia um berço, delicadamente esculpido à mão. Eu congelei, incapaz de acreditar no que estava vendo.
— Jake....eu....— minhas palavras morreram na garganta.
Jacob se aproximou de mim, seus braços envolvendo minha cintura .
— Eu sei que estamos passando por muita coisa, e que as coisas têm sido difíceis. Mas eu não desisti. Eu acredito que ainda vamos ter nosso momento de felicidade. Não importa o que aconteça, você sempre será a minha prioridade.
As lágrimas escorreram pelos meus olhos antes que eu pudesse controlá-las. O peso da dor, da perda, da esperança que eu achava que havia desaparecido... tudo isso me atingiu de uma vez. Eu me virei para Jacob, apertando meu rosto contra o peito dele.
— Eu... eu tenho tanto medo, Jake. Medo de te perder, medo de que nada do que planejamos aconteça. Eu não sei se posso lidar com isso sozinha.
Ele segurou meu rosto com as mãos, me obrigando a olhar para ele.
— Você não está sozinha, Nessie. Nunca esteve. Eu estou aqui, e sempre estarei. Sei que você duvida disso agora, mas vai passar. Nós vamos passar por isso juntos.
As palavras dele eram como um bálsamo para meu coração, mas ainda havia aquela dor, aquela dúvida persistente.
— E Kiara? — perguntei, minha voz baixa, quase um sussurro. — Você vai ser pai dos filhos dela. Como... como eu posso competir com isso?
Ele suspirou, passando os dedos pelo meu cabelo.
— Eu não posso mudar o que o destino exige de mim. Mas posso te prometer uma coisa, Nessie. O meu coração sempre será seu. E nada, nem Kiara, nem o destino, vai mudar isso.
Ele se abaixou e beijou minha testa, me segurando firme. No fundo, eu queria acreditar que isso era o suficiente. Que o amor que sentíamos um pelo outro poderia nos proteger de tudo. Mas, no fundo, ainda havia um medo que eu não conseguia ignorar. Mesmo assim, por um momento, eu me permiti acreditar que, talvez, Jacob estivesse certo. Talvez, só talvez, o imprinting realmente pudesse nos salvar.
Os lábios de encontraram os meus iniciando um beijo e lentamente ele me puxou para seus braços, quando nossas bocas se afastaram eu estava deitada em nossa cama com o corpo dele sobre o meu.
— Eu te amo minha Ness...ele sussurrou beijando meu pescoço enquanto lentamente nos desfaziamos de nossas roupas, minutos depois éramos um só corpo.
Minhas unhas cravaram em suas costas enquanto o sentia se mover dentro de mim, nossas bocas buscavam uma pela outra em meio a loucura, eu era dele e sempre seria, eu o senti entrar e sair rapidamente — Ahh Ness...ele gemeu jogando a cabeça para trás me preenchendo com seu líquido quente.
Durante toda a noite ele me fez dele.
Acordei envolta nos braços de Jacob, com a luz suave do amanhecer entrando pela pequena janela da cabana. A lareira já não estava acesa, mas o calor que sentia em meu peito era suficiente para me manter aquecida. O cheiro familiar dele me envolvia, e por um momento, permiti-me esquecer de tudo o que estava acontecendo ao nosso redor.
Eu queria que aquela sensação durasse para sempre, mas sabia que não duraria. Jacob estava se movendo ao meu lado, despertando lentamente. Sua mão acariciava minha pele com suavidade, enquanto ele abria os olhos, me fitando com um sorriso calmo.
— Bom dia — ele sussurrou, sua voz rouca de sono.
— Bom dia — respondi, tentando ignorar o aperto no peito. Sabia que ele teria que ir, mas não queria pensar nisso agora.
Ficamos assim, em silêncio, apenas aproveitando o momento, como se o mundo lá fora não existisse. Mas logo Jacob suspirou, e o peso da realidade voltou a pairar sobre nós.
— Nessie... — ele começou, a voz pesada com a gravidade do que estava por vir.
— Não diga nada ainda — interrompi, virando meu rosto para ele, segurando sua mão com firmeza. — Só mais alguns minutos, por favor.
Ele assentiu, e assim ficamos. Mais alguns minutos de paz, de fingir que o que nos aguardava não existia. Mas o tempo não pararia por nós, e logo Jacob se levantou, começando a se vestir.
Sentei-me na cama, puxando o lençol contra meu corpo, observando enquanto ele calçava as botas, o semblante sério, mas tranquilo.
— Você tem que ir, não é? — perguntei, minha voz falhando um pouco.
Ele se virou para mim, caminhando até a beira da cama, e sentou-se ao meu lado.
— Eu preciso ir. Mas eu volto, Nessie. Sempre volto para você — disse ele, com uma firmeza que parecia inabalável, mas que eu sabia ser tão frágil quanto o destino que nos separava.
Eu engoli em seco, tentando manter as lágrimas à distância.
— E se... e se dessa vez você não voltar? E se... tudo mudar?
Jacob segurou meu rosto entre suas mãos grandes e quentes, me obrigando a olhar em seus olhos, aqueles olhos que sempre me trouxeram conforto, mas que agora me causavam dor.
— Eu vou voltar. Nada pode me afastar de você, Nessie. Sei que as coisas estão complicadas, que o futuro é incerto. Mas nunca se esqueça de que o meu lugar é ao seu lado.
Ele se inclinou e me beijou com ternura, suas mãos segurando meu rosto como se ele pudesse me proteger de tudo que estava por vir. E naquele momento, eu quis acreditar nele. Quis acreditar que esse não seria nosso último beijo, nossa última manhã juntos.
Mas, quando ele se afastou, a realidade se instalou novamente. Ele se levantou, pegando sua camisa, e eu apenas o observei, tentando memorizar cada detalhe daquele instante, como se já soubesse que seria o último.
— Eu te amo, Jacob — sussurrei, minha voz finalmente quebrando.
Ele se virou para mim uma última vez, com os olhos marejados, mas sorrindo suavemente.
— Eu também te amo, Nessie. Nunca se esqueça disso.
E então ele saiu. A porta da cabana se fechou suavemente atrás dele, mas o som foi ensurdecedor. Fiquei ali, na cama, sozinha, olhando para o espaço vazio onde ele estivera momentos antes.
A primeira lágrima caiu, quente e pesada, seguida por muitas outras. Me encolhi sobre os lençóis, sentindo como se meu coração estivesse sendo arrancado do peito. Sabia que Jacob voltaria, ou pelo menos, queria acreditar nisso. Mas algo dentro de mim, algo profundo e sombrio, me dizia que aquele havia sido nosso último momento juntos.
Eu o havia perdido.
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