Os Filhos de Fenrir
68 Renesmee- Campo de recuperação
Jacob lançou um olhar para Fenrir, e eu pude ver o desconforto do meu filho. Ele não estava satisfeito com a ideia de ficar para trás, longe da batalha. Como mãe, eu entendia seus sentimentos. Fenrir sempre fora especial, com uma força e um potencial que o diferenciavam, mas Jacob tinha seus motivos para deixá-lo fora dessa guerra. Ele recrutou os lobos mais experientes para essa missão, aqueles que estavam prontos para encarar o pior, e eu sabia que, apesar de tudo, Jacob queria proteger nossos filhos.
Quando Jacob se afastou, nossos olhares se encontraram, e eu assenti, indicando que iria falar com Fenrir. Caminhei até ele, que me esperava com uma expressão fechada.
— Sei que está chateado — comecei, tentando quebrar o gelo.
— Mãe, não é justo — Fenrir rebateu, com o tom impaciente típico de um adolescente. — Eu sou mais forte que a maioria dos alphas. Por que não posso lutar? Eu sei que posso ajudar.
Suspirei, entendendo sua frustração. Eu também via sua força, sua capacidade. Mas havia algo além disso.
— Não é só sobre força, Fenrir — disse, me aproximando dele e pousando uma mão em seu ombro. — Eu sei que você é forte, sei do que é capaz. Mas há outras batalhas na vida além da guerra. Às vezes, o maior ato de coragem é esperar. Seu pai quer garantir que você tenha um futuro... e isso significa não arriscar sua vida agora.
Ele ficou em silêncio por um momento, mordendo o lábio, mas ainda com os olhos carregados de frustração.
— Você acha que ele confia em mim? — perguntou, a voz mais baixa, quase insegura.
— Ele confia, sim. E eu também. Mas o amor de um pai às vezes é difícil de entender — sorri, inclinando-me para beijar sua testa. — Seu tempo vai chegar. Até lá, mostre que sabe ser paciente.
Fenrir suspirou, relaxando um pouco com minhas palavras. — Ok... eu vou tentar.
— Isso é tudo o que pedimos — respondi, sorrindo antes de me afastar para me unir às outras betas.
Logo depois, o exército de Niflheim partiu. Todos os alphas assumiram suas formas lupinas, incluindo Jacob, e as betas e os demais soldados os seguiram, carregando armas e mantimentos. Eu também me transformei, meus pelos assumindo o tom peculiar do vermelho-raposa, algo que Jacob adorou.
Enquanto corríamos pela floresta, senti a mente de Jacob se conectar à minha. Era uma sensação familiar e confortante, saber que, mesmo à distância, nossos pensamentos estavam em sintonia.
— Fenrir vai ficar bem, Jake — eu disse, tentando acalmar seu coração. — Ele entende o quanto isso é importante, só está frustrado por não estar conosco. Mas ele vai aprender.
Senti sua resposta antes mesmo de ouvir sua voz em minha mente.
— Eu sei, raposa — ele respondeu, usando o apelido carinhoso que me deu por causa dos meus pelos. — Mas às vezes é difícil. Ele é tão parecido comigo quando eu era mais jovem... impulsivo, teimoso.
Ri baixinho, lembrando de tantas histórias que Jacob já me contara sobre sua juventude. — Sim, exatamente como você.
A sensação de correr com a matilha era libertadora. Meus sentidos lupinos se intensificavam conforme cruzávamos a floresta densa, sentindo o cheiro da terra molhada e ouvindo o som de cada folha e galho sob nossas patas. O vento frio cortava nossa pele, e os uivos dos lobos ecoavam pelas árvores altas. À nossa volta, a natureza pulsava com vida, mas em nossas mentes, só havia uma coisa: o combate que se aproximava.
Por três dias, viajamos sem descanso, correndo lado a lado, caçando pelo caminho quando necessário. As árvores da floresta de Niflheim se erguiam imponentes à nossa volta, como gigantes silenciosos, observando nosso progresso. Eu olhava para as outras lobas ao meu redor, suas formas graciosas movendo-se com precisão e força. Cada uma delas sabia da gravidade da situação, e o silêncio mental era quase palpável, apesar da conexão entre nós.
Chegamos perto de Vindalheim ao fim do terceiro dia, e o cansaço começava a se espalhar pela matilha. Paramos em uma clareira para descansar e nos preparar. As horas de calmaria antes da batalha eram preciosas, e eu sabia que precisávamos delas.
Enquanto me deitava ao lado de Jacob, ele me puxou para seu peitone beijou meus cabelos, então eu olhei para o céu escuro. As estrelas brilhavam de forma opaca por entre as nuvens, e uma sensação de ansiedade misturada com coragem enchia meu peito. Ao lado dele, eu sabia que estava pronta para enfrentar o que viesse. Por Niflheim, por nossa família, eu lutaria até o fim.
Acordei com o som da voz de Jacob em meu ouvido, suave, mas firme, como sempre.
— Está na hora de partirmos, raposa — ele sussurrou, acariciando meu rosto com o dorso da mão.
Assenti com a cabeça, sentindo o peso do momento sobre nós dois. Ele se inclinou e me beijou de forma carinhosa, seus lábios aquecendo meu coração mesmo em meio à incerteza. Aquele beijo parecia um refúgio antes da tempestade.
— Cuide-se, Jacob — murmurei contra seus lábios quando ele se afastou. — Não se machuque, por favor.
Ele me olhou com seus olhos cheios de promessas e respondeu suavemente:
— Eu prometo que vou fazer o possível, mas você precisa ficar segura.
Assenti, segurando aquele momento com tudo o que tinha, antes de nos separarmos para cumprir nossos deveres.
Minutos depois, já estava junto com as betas, organizando os mantimentos e as ervas de cura. O clima era tenso. Todas sabíamos o que estava em jogo, e a responsabilidade que carregávamos pesava nos ombros de cada uma de nós. Quill Alteara se aproximou, seus olhos sérios ao explicar onde deveríamos ficar durante a batalha.
— Fiquem longe da zona de combate — ele disse, apontando para um ponto mais elevado da colina, de onde poderíamos observar a batalha e, ao mesmo tempo, atender os feridos sem correr riscos desnecessários. — Não podemos perder nenhuma de vocês.
Assenti novamente, transmitindo suas instruções para as outras betas. Estávamos prontas, cada uma de nós ciente de seu papel, mas isso não tornava as despedidas mais fáceis. Observei as outras betas se despedirem de seus alphas, e logo foi minha vez de me aproximar de Jacob. Ele me puxou para seus braços com firmeza, seus lábios encontrando os meus em um beijo doce, mas com o peso de tudo o que estava por vir.
— Cuide-se, Jacob, por favor — repeti, sentindo meu coração apertar ainda mais.
— Vou fazer o possível, eu prometo. — Ele segurou meu rosto entre as mãos e olhou fundo em meus olhos. — Mas você também precisa ficar segura, raposa. Lembre-se disso.
Nosso olhar se manteve por um momento, e eu sabia que, naquele instante, não havia mais nada a ser dito. Nossos destinos estavam traçados, e tudo que restava era seguir em frente.
Enquanto ele se afastava, mantive minha mão entrelaçada na dele até que o toque se perdeu, e então ele desapareceu entre os demais alphas, preparando-se para o ataque.
Endireitei minha postura, sentindo o peso da responsabilidade em meus ombros. Voltei-me para as betas, todas nos observando, esperando por minha liderança. Inspirei fundo, reunindo a coragem que ainda me restava, e ergui a voz em um tom firme:
— Hora de ir. Nossos alphas precisam de nós.
Elas assentiram em uníssono, cada uma ciente de seu papel. E assim partimos, sabendo que nossa força, mesmo longe da batalha, seria essencial para a vitória.
O campo de recuperação estava em plena atividade. As betas haviam transformado o local em um refúgio para os feridos, um santuário improvisado em meio ao caos da guerra. Lobos feridos chegavam a cada minuto, alguns mais machucados que outros, e cada um deles era um lembrete doloroso do que estava acontecendo no campo de batalha. A tensão era palpável, e eu sentia o peso de cada vida que passava por nossas mãos.
Claire era uma bênção nesse cenário. Ela sabia tanto sobre ervas quanto qualquer curandeira experiente, e seu conhecimento estava salvando vidas a cada instante. Eu não poderia estar mais grata por tê-la ao meu lado, especialmente quando a incerteza pairava no ar. Mas, a cada lobo que entrava gravemente ferido, uma sombra crescia em meu coração, me lembrando que Jacob também estava lá fora, lutando. A qualquer momento, ele poderia ser o próximo a ser trazido até nós.
— Precisamos de mais água limpa para os curativos — disse Claire, a voz firme enquanto enfaixava um dos lobos feridos.
Emily, que ajudava a distribuir as ervas, olhou para mim e depois para Claire.
— Eu cuido das ervas, mas alguém precisa ir buscar a água.
— Eu vou — respondi prontamente, tentando manter a mente ocupada com a tarefa em vez de me perder em preocupações. — Há um rio próximo. Posso ir e voltar rapidamente.
Claire assentiu, concentrada no trabalho.
Peguei o balde e caminhei em direção ao rio, sentindo o ar frio e úmido da floresta ao meu redor. A natureza parecia indiferente à guerra que acontecia tão perto. Ao chegar à beira do rio, ajoelhei-me e comecei a encher o balde, deixando meus pensamentos vagarem. Era difícil manter o foco quando minha mente insistia em me lembrar de Jacob e de todos os que estavam em perigo.
Foi então que ouvi uma voz. Uma voz que eu conhecia, mas que não esperava ouvir ali.
— Então, finalmente nos encontramos.
Virei-me rapidamente, o coração disparando, e lá estava ela. Kiara, com seu sorriso provocador e olhar afiado, parada à margem do rio.
— Kiara? O que está fazendo aqui? — Perguntei, a surpresa tomando conta de mim. Ela não deveria estar ali, não agora.
Kiara deu um passo à frente, seus olhos brilhando com algo que parecia malícia.
— Você achou que a guerra ficaria entre os lobos e Asgardheim? — Ela riu suavemente. — Não, Nessie. Essa guerra também é nossa. E a hora do nosso acerto de contas finalmente chegou.
Meu coração apertou no peito. Eu sabia que havia algo mal resolvido entre nós, algo que Kiara claramente não havia esquecido. Ela sempre fora uma ameaça à espreita, e agora, com tudo desmoronando ao nosso redor, parecia que ela havia escolhido o momento perfeito para agir.
— Isso é loucura, Kiara — respondi, tentando manter a calma, apesar do medo crescente em meu peito. — Temos uma guerra acontecendo. Não há tempo para isso.
— Sempre há tempo para acertos de contas — ela disse, sorrindo friamente. — Especialmente entre nós.
Me endireitei, sentindo o peso da situação. Eu não estava ali para lutar com ela, mas não podia permitir que suas ameaças me abalassem.
— Se você está aqui para lutar, então vamos resolver isso de uma vez. — Minhas palavras saíram mais firmes do que eu esperava, apesar de minha apreensão.
Kiara riu mais uma vez, aproximando-se lentamente.
— Você sempre foi muito confiante, Nessie. Vamos ver quanto tempo isso dura.
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