Os Filhos de Fenrir
41 Renesmee- A partida
Notas iniciais
Naquela manhã, o silêncio na cabana parecia mais pesado do que nunca. O volume da minha barriga havia aumentado de forma que não havia mais como esconder. A realidade me atingia como um soco no estômago a cada dia que passava. O bebê dentro de mim era a única coisa que me mantinha de pé, mas a notícia de Kiara… aquilo me destruiu.
Ela estava grávida.
A sensação de abandono que eu vinha tentando sufocar dentro de mim se tornou esmagadora. Jacob havia prometido estar ao meu lado, me proteger, me amar, mas agora tudo parecia uma grande mentira. Kiara ocupava o espaço que, por direito, era meu. E agora, com um filho dela a caminho, tudo parecia ainda mais distante.
Passei semanas evitando Leah, sabendo que logo teria que contar a verdade. Eu havia marcado com ela para nos encontrarmos em três dias, e seria o momento em que contaria tudo, sobre a gravidez e sobre o que eu planejava fazer a seguir. Mas havia uma coisa que me atormentava ainda mais: o medo de que Kiara pudesse ter feito algo contra meus bebês. Não havia como garantir que eu e meu filho estávamos seguros. Jacob, por sua vez, não parecia ser mais uma opção para confiar. Ele não havia cumprido nenhuma de suas promessas. Talvez Emmett estivesse certo. Talvez não houvesse mais lugar para mim na vida de Jacob.
As lágrimas caíram sem controle. Chorei por horas, sozinha, sentindo a dor me consumir. Mas, entre soluços, fiz uma promessa a mim mesma. Aquela seria a última vez que choraria por Jacob. Ele havia feito sua escolha, e agora eu precisava fazer a minha.
Peguei papel e caneta, com mãos trêmulas, e escrevi uma carta. Era curta, mas dizia tudo que eu não conseguia expressar em palavras faladas. Eu a deixei sobre a mesa, onde ele a encontraria, caso um dia voltasse para me procurar. Arrumei minhas coisas em uma trouxa feita com o lençol, o peso da decisão me oprimindo, mas também me trazendo uma estranha sensação de liberdade.
Com a bagagem pronta, deixei a cabana sem olhar para trás.
Eu sabia onde encontrar Emmett. Ele havia me dito que estaria na cachoeira, se preparando para partir com a tribo. E foi para lá que eu fui, sem hesitação.
Ao chegar, o som da água caindo me trouxe um momento de paz, mesmo que breve. Emmett estava lá, sentado, como sempre. Quando me viu, sorriu, seus olhos expressando uma calma que eu tanto precisava.
— Veio se despedir? — ele perguntou, se levantando e me encarando com curiosidade.
Balancei a cabeça, me aproximando dele.
— Não — respondi, minha voz baixa, mas firme. — Vim perguntar se realmente há um lugar para mim em Vindalheim.
O sorriso de Emmett se alargou, e ele assentiu com entusiasmo.
— Claro que sim. Sempre haverá. — Ele olhou para mim, percebendo o quanto eu estava decidida. — Você realmente vai partir, não é?
Suspirei, sentindo o peso da minha decisão.
— Sim, vou com você. Preciso recomeçar minha vida longe de Niflheim. — Minha voz vacilou, mas a determinação permanecia. — Preciso proteger meu filho. Não posso mais ficar aqui.
Emmett sorriu de volta, agora com um ar de satisfação que quase me reconfortou.
— Fico feliz que tenha tomado essa decisão, Renesmee. Você merece mais do que o que eles te ofereceram aqui. — Ele hesitou por um momento, depois perguntou com cuidado. — E Jacob?
Fechei os olhos por um segundo, respirando fundo antes de responder.
— Eu amo Jacob, Emmett. — Abri os olhos, sentindo as lágrimas ameaçarem novamente. — E é por isso que preciso partir. Não posso mais viver à sombra das promessas quebradas dele. Preciso viver por mim... e pelo meu bebê.
Ele assentiu, sem fazer mais perguntas, compreendendo tudo sem precisar de mais palavras.
— Partiremos amanhã ao amanhecer. Temos que ir para o acampamento, tudo bem pra você?— Emmett colocou uma mão firme no meu ombro, oferecendo um conforto silencioso.
Eu agradeci com um aceno de cabeça e me afastei, sentindo que estava finalmente começando a encontrar um novo caminho.
Emmett pegou minha bagagem e seguimos pela floresta, o chão coberto de folhas e a brisa fresca nos envolvendo.
— Se eu for na minha forma de lobo, chegaremos antes do anoitecer — ele disse, olhando para mim com um sorriso confiante.
— Eu não consigo me transformar — respondi, a voz um pouco trêmula.
Ele pareceu entender, como se já tivesse esperado essa resposta.
— Eu imaginava isso. Espere um momento.
Ele se afastou um pouco, e minutos depois, retornou em sua forma lupina. Era um lobo enorme, com pelagem escura e olhos intensos. Meu coração acelerou ao ver como ele era majestoso.
— Suba — ele disse através de um gesto abaixando-se para que eu pudesse montar.
Com um pouco de hesitação, subi em suas costas. Assim que me estabilizei, Emmett disparou pela floresta, e o vento gélido me envolveu. A sensação era de liberdade pura, e por um momento, me esqueci de todas as dores que carregava.
A lua começou a surgir quando chegamos a um acampamento. Havia homens lá, mas não eram lobos. Meu coração disparou, e uma onda de medo me dominou.
— Emmett, quem são eles? — perguntei, apertando um pouco mais os ombros dele.
Ele voltou à forma humana e me acalmou, colocando a mão em meu braço.
— Você está segura, Renesmee. Eles não são de Asgardheim. São de Vindalheim.
Ainda um pouco receosa, o segui enquanto ele me guiava através do acampamento. Percebi que todos os olhares estavam voltados para mim, sussurros e murmúrios acompanhando nossa passagem.
— Eu não contei toda a verdade a você — Emmett começou, sua voz baixa, mas firme. — E agora você precisa saber.
O medo tomou conta de mim.
— Que verdade? — perguntei, sentindo meu coração disparar.
Ele hesitou por um momento e depois apontou para uma pequena cabana.
— Entre. É melhor que você ouça isso de perto.
Fui até a cabana e, assim que entrei, um homem se virou para mim. Seus olhos se encheram de emoção ao me ver.
— Você tem os olhos de sua mãe — ele disse, sua voz trêmula.
Fiquei paralisada, um frio na barriga me atingindo.
— Quem é você? De onde conhece minha mãe?— perguntei, assustada.
Ele se aproximou, a emoção transparecendo em seu olhar.
— Me chamo Edward....filha...eu sou seu pai...
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