Os Filhos de Fenrir
6 Renesmee- A matilha misteriosa
Os lobos desapareceram na floresta, deixando-me sozinha com Jacob. Meu coração ainda martelava no peito, e o medo do que poderia vir a seguir fazia minhas pernas tremerem. O silêncio ao nosso redor era denso, quase palpável, mas logo foi quebrado pelo som de vozes surgindo entre as árvores. Jovens rapazes emergiram da vegetação, suas expressões curiosas e divertidas.
Um deles, sorrindo de forma atrevida, se aproximou de Jacob e comentou:
— Então foi ela quem Fenrir escolheu? Por que com você as coisas sempre são mais difíceis, Jake?
Os outros riram, e um deles deu um tapa na nuca do rapaz que havia falado, como se o estivesse repreendendo. Eu, por outro lado, baixei a cabeça e suspirei. Estava acostumada a ser alvo de piadas e chacotas. Sempre fora assim em Lysvärn, e agora parecia que não seria diferente aqui.
Jacob, no entanto, não pareceu gostar do comentário. Lançou um olhar de fúria para o jovem, que recuou imediatamente, murmurando:
— Desculpa, eu só fiz uma piada.
Jacob ignorou a desculpa e, com um tom mais sério, fez as apresentações:
— Esse é Eliezar — apontou para o rapaz atrevido. — Aquele é David, e esses são Esaú, Jeremy e Solomon.
Os outros assentiram com a cabeça, me cumprimentando de forma breve. Eu, envergonhada, mal conseguia encará-los enquanto gaguejava:
— M-Muito prazer... Nessie, ou melhor, Renesmee.
Solomon, o último dos rapazes, sorriu gentilmente e disse:
— Sabemos quem é você. Na verdade, toda Niflheim sabe. A loba dos cabelos de Frigga.
Fiquei completamente confusa. Minha vida inteira fui chamada de muitas coisas: sangue ruim, mestiça, aberração. Mas ser comparada a uma deusa? Isso nunca havia acontecido. Antes que eu pudesse pensar em uma resposta, Jacob, percebendo meu desconforto, falou novamente com gentileza:
— Não ligue para eles.
Seu tom e sua proximidade fizeram meu rosto corar. Jacob segurou meu queixo com delicadeza, e meu coração disparou ao sentir a suavidade de seu toque. Ele olhou fundo nos meus olhos e perguntou, com uma voz mais grave:
— Poderia me explicar por que tentou fugir?
Os outros rapazes começaram a murmurar, reclamando de ter que esperar mais adiante. Solomon completou:
— Jake, espere pela bênção de Ephraim ou será expulso.
Eu, mais uma vez, não entendi o que estava acontecendo, mas fixei meu olhar em Jacob e respondi com sinceridade:
— Eu não quero ir ao acampamento dos lobos.
Jacob pareceu surpreso com minha resposta, e uma expressão séria tomou conta de seu rosto. Ele inclinou a cabeça e perguntou, intrigado:
— Por quê? Esse é o momento mais esperado por todas as garotas lobas, ser escolhida por um de nós.
Eu sabia que ele estava certo. Cresci ouvindo histórias sobre como era uma honra ser escolhida por um dos lobos. Mas, mesmo assim, encarei Jacob e disse, com a voz trêmula:
— Eu sei, mas... não serei escolhida.
Jacob riu, uma risada baixa e calorosa, e apertou meu nariz de leve, como se estivesse brincando.
— Está sofrendo por antecedência. Por que acha que não escolheriam você?
Hesitei por um momento, tentando encontrar as palavras certas para expressar minha insegurança.
— Porque sou uma mestiça? — respondi, a dúvida e o medo escancarados em minha voz.
Jacob riu novamente, mas desta vez, com um tom mais suave, quase tranquilizador.
— Isso não faz diferença para os lobos, Nessie. É o lobo quem escolhe, não nosso lado humano. Precisamos ir.
Meu coração estava disparado, e antes que pudesse me conter, segurei impulsivamente o braço de Jacob.
— O que vai acontecer comigo? — perguntei, minha voz repleta de desespero. — Eu quebrei as regras. Serei punida?
Jacob olhou para a minha mão em seu braço e, para minha surpresa, sorriu largamente. Ao perceber o que tinha feito, soltei o braço dele, sentindo a vergonha queimando meu rosto. Mas ele apenas balançou a cabeça, ainda sorrindo, e respondeu:
— Não se preocupe. Ninguém vai te machucar, eu prometo.
Seu tom era tão convincente, tão cheio de segurança, que pela primeira vez desde que saí do acampamento, senti uma pequena centelha de esperança. Mesmo assim, o medo do que estava por vir ainda assombrava meu coração.
Caminhamos pela floresta por horas, ou ao menos foi o que pareceu. A vegetação densa e o silêncio quase sobrenatural de Niflheim começavam a pesar sobre meus sentidos, e o cansaço fazia minhas pernas tremerem a cada passo. Os rapazes, apesar de também estarem visivelmente exaustos, mantinham um ritmo constante, enquanto eu lutava para acompanhar.
David, que caminhava logo à frente, parou abruptamente e olhou para Jacob.
— Se continuarmos assim, vamos chegar só depois de alguns dias. Temos que nos transformar, assim chegaremos em poucas horas.
Jeremy lançou um olhar divertido na minha direção e sorriu.
— Mesmo que ela se transforme, não conseguirá nos acompanhar.
Jacob, que até então estava calado, virou-se para me encarar. Senti o peso de seu olhar me analisando, e meu coração acelerou. Ele parecia estar medindo minhas forças, ou talvez tentando entender minhas limitações. Depois de alguns instantes de silêncio, ele finalmente falou:
— Transformem-se. Nós os alcançaremos.
Os rapazes obedeceram imediatamente, sem questionar. Em questão de segundos, suas formas humanas deram lugar a enormes lobos, que se fundiram à escuridão da floresta, desaparecendo entre as árvores. Fiquei sozinha com Jacob mais uma vez, sentindo o peso da sua presença e das expectativas que ele colocava em mim.
Jacob deu um passo em minha direção, seu olhar agora mais suave, quase encorajador.
— Transforme-se — disse ele, com firmeza, mas sem dureza. — Eu diminuirei minha velocidade e estarei ao seu lado.
Senti meu corpo tremer, e não era por causa do frio. Meu coração disparou de novo, e o pânico começou a me dominar. Jacob deu as costas para mim, claramente esperando que eu obedecesse. Ele era o alpha ali, e eu sabia que o respeito e a obediência eram esperados. Mas, mesmo assim, eu fiquei parada, incapaz de me mover, como se estivesse congelada no lugar.
Jacob se virou, confuso, ao perceber que eu não havia me transformado.
— Algum problema, Nessie?
Baixei a cabeça, sentindo a vergonha queimar meu rosto. Como eu poderia explicar para ele? Tomei um fôlego profundo antes de responder, a voz embargada pelo constrangimento.
— Me perdoe... eu não consigo me transformar. Foi por isso que fugi.
O silêncio que se seguiu foi quase insuportável. Tive medo de olhar para ele, medo de ver a decepção em seus olhos. Mas então, senti o toque delicado de seu dedo sob meu queixo, erguendo meu rosto para que eu o encarasse. Seus olhos estavam cheios de uma compreensão que eu não esperava, e ele suspirou, murmurando algo que me pegou de surpresa:
— Fenrir, você me paga.
Eu o olhei, confusa, sem entender a quem ele se referia. Jacob, percebendo minha confusão, sorriu novamente, aquele sorriso caloroso que começava a me tranquilizar.
— Não tem problema — disse ele, sua voz tão suave que quase parecia um sussurro. — Talvez seja melhor assim. Quero que monte sobre mim e se segure o mais firme que conseguir.
Eu assenti, tentando ignorar o nervosismo crescente em meu peito. Jacob deu um passo para trás, fechando os olhos por um breve momento. Então, diante dos meus olhos, sua forma humana começou a se transformar. A grande fera emergiu de dentro dele, o lobo imenso e poderoso que antes parecia ter desaparecido na escuridão.
O lobo de Jacob se curvou diante de mim, oferecendo suas costas. Tremendo, aproximei-me e, com um pouco de hesitação, montei em suas costas, segurando-me firmemente em seu pelo espesso. Meu corpo se encaixou na curva de suas costas, e pude sentir a força de seus músculos sob minha mão.
Jacob disparou pela floresta com uma velocidade impressionante, e o vento cortava meu rosto enquanto a vegetação passava rapidamente ao nosso redor. A cada salto e curva que ele fazia, meu medo começava a se dissipar, sendo substituído por uma estranha sensação de segurança. Por mais estranho que fosse, eu sabia que estava segura com ele. E, pela primeira vez, uma pequena chama de esperança começou a aquecer meu coração.
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