Os Filhos de Fenrir
45 Renesmee- A invasão
As palavras de Fenrir ecoavam na minha mente. Ele sempre fora paciente, mas agora, com 16 anos e todo o peso de suas origens, as perguntas sobre o pai começaram a se intensificar. Eu sempre falara de Jacob com carinho, nunca o culpei. Meus filhos cresceram ouvindo histórias incríveis dele, um líder forte, descendente dos antigos que se comunicava com o próprio Deus Fenrir. Mas agora... agora era diferente. Eu sabia que estava perto do momento em que teria que encarar o passado e, principalmente, Jacob.
Eu estava sentada com Renée e Tanya, ajudando a organizar algumas ervas quando soltei um suspiro pesado.
— Fen está cada vez mais insistente — comecei, sem olhar diretamente para nenhuma das duas. — Ele quer saber sobre Jacob... quer saber por que ainda não o conheceu. Eu conto as histórias, falo da importância de suas raízes, mas... — pausei, sentindo o peso das palavras. — Eu sei que não posso mais adiar isso.
Renée, que me conhecia tão bem, sorriu gentilmente e segurou minha mão.
— Nessie, você sempre foi corajosa. Criou Fenrir e Fay sozinha, lidou com seus próprios medos e os deles também. Mas a verdade é que não dá mais para fugir disso. Você sabe que tem que voltar a Niflheim. Tem que encarar Jacob.
Tanya, sempre pragmática, balançou a cabeça em concordância.
— Ela tem razão. Você mesma falou que um dia iria cobrar o seu lugar de direito. E Kiara... bem, depois do que ela fez, não há dúvida de que é você quem deve estar ao lado de Jacob. Ele precisa de você, e os seus filhos precisam do pai. Você amadureceu, Nessie. Não é mais aquela garota assustada e inexperiente. Você pode enfrentar isso.
Eu sabia que elas estavam certas. Sempre soube. Por mais que minha mente me dissesse para continuar em Vindalheim, segura, meu coração sabia que eu tinha que voltar.
— É, eu preciso fazer isso — admiti, levantando-me da cadeira. — Mas é o medo... o medo de encarar tudo. O que eu vou encontrar em Niflheim? E se Jacob já seguiu em frente?
— Ele não seguiu — Tanya respondeu, com firmeza. — Você e ele têm um laço, Nessie. Kiara pode ter tentado se colocar entre vocês, mas o imprinting é mais forte. E, pelo que sabemos, Jacob nunca aceitou ninguém em seu lugar. Se ele realmente tivesse seguido em frente, Fenrir sentiria isso.
Renée sorriu novamente, dessa vez com mais intensidade.
— Querida, você sempre foi destinada a grandes coisas. E agora, com seus filhos ao seu lado, você não está sozinha. Enfrente isso. É hora.
Antes que eu pudesse responder, gritos do lado de fora interromperam nossa conversa. A porta foi escancarada e Rana entrou correndo, o rosto pálido de medo.
— Mãe! O vilarejo está sendo atacado! Os Asgardheim nos encontraram!
Meu coração disparou. Em um segundo, toda a serenidade que tinha evaporou. Levantei-me apressada, junto com Tanya e Renée, e corremos para fora da tenda. O caos estava instaurado. Pessoas corriam em todas as direções, tentando se proteger.
Fay veio correndo em minha direção, os olhos arregalados.
— Mãe, o Fen está com o tio Emmett, ajudando a proteger a aldeia! — ela gritou por cima do barulho.
Tanya se aproximou rapidamente, falando com urgência.
— Fay, proteja Rana. Leve-a para longe daqui, para o penhasco!
— Eu quero ajudar! — Fay insistiu, a determinação evidente em sua voz.
Segurei-a pelos ombros, olhando diretamente em seus olhos.
— Você vai ajudar protegendo Rana. Corra para a floresta e espere com ela. Preciso buscar seu irmão, mas vocês duas precisam estar seguras.
Fay hesitou, mas logo se transformou na bela loba de pelo castanho-avermelhado. Rana subiu nas costas da irmã, e elas partiram em disparada em direção à floresta. Assim que elas desapareceram, um soldado inimigo se aproximou, sua espada brilhando à luz do dia. Senti um sorriso se formar em meu rosto, um sorriso selvagem e cheio de antecipação.
— Sua desgraça foi me encontrar hoje — murmurei, antes de sentir o familiar rasgar de minha pele.
Minha forma humana se despedaçou, dando lugar à grande loba de pelos vermelhos. Assim que toquei o chão com minhas patas, os pensamentos de Fenrir e Emmett inundaram minha mente.
Mãe! Precisamos de você! Estamos cercados ao norte!
Eu sei, Fenrir. Estou a caminho.
Corri em direção ao caos, sabendo que o tempo estava contra nós. Sabendo que nossos números não eram o suficiente. Apenas quatro lobos contra um exército de Asgardheim...
Os pés dos Asgardheimers ecoavam pesadamente pela floresta, mas eu estava mais rápida, mais forte, e com a raiva de uma mãe pronta para proteger sua família. Enquanto corria, os pensamentos de Fenrir e Emmett invadiam minha mente.
"Mãe, estamos no lado norte! Eles estão cercando a vila!" Fenrir gritava em pensamento, a urgência nítida.
"Eu já estou chegando, filho, segurem firme!"respondi mentalmente, sentindo meu coração acelerar ainda mais.
Logo avistei meu irmão, Emmett, na forma de lobo ao lado de Fenrir, ambos lutando ferozmente contra os invasores. Saltei sobre um soldado que se aproximava pelas costas de Emmett, arrancando-o com minhas presas e lançando-o para longe.
"Achei que você não fosse aparecer, Ness!" Emmett brincou, em meio ao caos.
"Nem em um milhão de anos eu deixaria você sozinho numa luta, irmão." resmunguei, mordendo mais um inimigo.
Fenrir atacava com uma força impressionante, mas logo pude sentir o cansaço nos pensamentos dele. Ele estava se esforçando ao máximo, mas os números eram esmagadores. Em meio à batalha, a voz de Fay ecoou em nossas mentes.
"Mãe! Eu estou esperando no penhasco com Rana, por favor, voltem rápido!"
"Aguente firme, Fay. Estamos terminando aqui e vamos para você."
Mas antes que pudéssemos reagir, vi uma figura familiar surgindo por entre as árvores. Edward. Ele estava com Tanya ao seu lado, e seu rosto estava sombrio. Ele correu até nós, evitando os corpos caídos ao seu redor.
— Nessie, Emmett, vocês precisam fugir agora! — Edward ordenou, os olhos fixos em mim.
— Não posso abandonar você, pai! — Emmett rosnou, voltando à forma humana em um lampejo. Ele segurou o ombro de Edward, o olhar desesperado.
— Ouça, filho — Edward falou calmamente, embora seus olhos estivessem cheios de dor. — Se vocês não forem para Niflheim, se não sobreviverem... a morte de Bella terá sido em vão.
As palavras dele bateram como um soco. A imagem de minha mãe, de tudo o que ela sacrificou por nós, invadiu minha mente. Edward estava certo. Não podíamos morrer aqui. Não assim.
Emmett fechou os olhos por um segundo, apertando os lábios, antes de envolver nosso pai em um abraço apertado.
— Eu não vou te esquecer, pai — ele murmurou, a voz rouca.
Edward retribuiu o abraço, com um brilho melancólico no olhar.
— Eu te amo, filho. E amo vocês, Nessie, cuide de sua irmã, a proteja. — Ele se aproximou de mim e, mesmo em minha forma de loba, abaixei a cabeça. Ele passou a mão carinhosamente pelo meu focinho, acariciando meus pelos vermelhos. — Vão. Corram para casa. Protejam-se.
Emmett voltou à sua forma de lobo, e eu troquei um último olhar com Edward, antes de me virar e disparar na direção da floresta com Emmett e Fenrir ao meu lado.
"Fay, estamos a caminho. Mantenha-se segura."
"Estamos aqui, mãe! Rana está comigo."
Avançamos pela densa floresta até chegarmos ao penhasco onde Fay e Rana nos esperavam. Fay estava em sua forma de lobo, e Rana, com os olhos arregalados, pulou das costas da sobrinha e correu para nos abraçar.
— Para onde vamos agora, mãe? — Fay perguntou, voltando à sua forma humana, a respiração pesada.
Eu olhei para meus filhos, e senti a determinação crescendo dentro de mim. Não havia mais como adiar o inevitável. Vindalheim não era seguro, e não podíamos continuar fugindo para sempre. Nossos corações pertenciam a Niflheim. E Jacob... Jacob ainda estava lá.
— Vamos voltar para casa — declarei, firme, olhando para o horizonte. — Vamos voltar para Niflheim.
Fenrir, Fay, e até mesmo Emmett me olharam com surpresa e, ao mesmo tempo, uma aceitação silenciosa. Eles sabiam que essa decisão já estava sendo adiada há muito tempo.
— Niflheim... — murmurou Fay, com um brilho no olhar. — Finalmente vamos conhecer o lugar que sempre ouvimos nas histórias.
— Sim, querida — sorri para ela, e depois para Fenrir, cujos olhos faiscavam de excitação e curiosidade. — E, com sorte, vocês também conhecerão seu pai.
Eles acenaram com a cabeça, e, juntos, partimos. Deixando para trás os gritos da batalha e o vilarejo destruído, mas com nossos corações apontados para o futuro. Para casa. Para Niflheim.
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