Os Filhos de Fenrir

9 Nessie- A escolhida.


A viagem pela estrada sinuosa que atravessava a floresta de Niflheim foi mágica e envolta em mistério. A lua nova pairava no céu, um manto negro pontuado por estrelas distantes, sua ausência de luz criando uma sensação de expectativa em cada uma de nós. Enquanto olhava pela janela da carruagem, as árvores altas e densas pareciam sussurrar segredos antigos, seus galhos se movendo suavemente com o vento.

Dentro da carruagem, Claire, Emily e Rachel estavam tão nervosas quanto eu. Podíamos sentir a energia no ar, uma tensão que era ao mesmo tempo emocionante e aterrorizante. Quando finalmente passamos por um largo portão de ferro forjado, uma visão inesperada surgiu diante de nós: uma cidade.

O vilarejo de Niflheim era algo saído de um sonho. Pequenas casas de pedra e madeira se alinhavam em ruas estreitas, e as luzes das lanternas penduradas nas portas dançavam suavemente ao vento, lançando um brilho dourado nas janelas. Flores noturnas de cores vibrantes adornavam os jardins, e as pessoas, com sorrisos calorosos, acenavam e saudavam nossas carruagens com gritos de boas-vindas e alegria. Nunca imaginávamos que existia uma cidade como aquela. Lysvärn havia sido nosso mundo durante tanto tempo, que a existência de um lugar assim era quase inconcebível.

— Eu não sabia que havia algo além de Lysvärn — sussurrei, ainda tentando processar a cena diante de mim.

— Nem eu — respondeu Claire, os olhos arregalados enquanto observava o vilarejo. — Isso é... incrível.

As carruagens continuaram sua jornada, deixando a cidade para trás e adentrando uma nova floresta. Mas essa era diferente. Era como entrar em um santuário sagrado, cheio de montanhas imponentes e pedras preciosas incrustadas nas encostas. As pedras refletiam a luz das estrelas e criavam um espetáculo de cores que tomava nosso fôlego.

— Nunca vi nada parecido — disse Rachel, maravilhada.

Finalmente, as carruagens pararam, e nós saímos uma a uma, nos posicionando em nossos lugares com a mesma ansiedade que crescera durante a viagem. Diante de nós, erguia-se uma grande gruta, sua entrada imponente quase intimidante. Alisson, uma das guias, pediu que a seguíssemos, e todas obedecemos sem hesitar.

A gruta era iluminada por pedras de diferentes cores que pareciam ter vida própria, emitindo um brilho suave que nos guiava através dos corredores. Cada passo que dávamos, o som de nossas respirações ofegantes ecoava pelas paredes, aumentando a sensação de que estávamos prestes a testemunhar algo extraordinário.

Ao chegarmos a um espaço aberto dentro da montanha, nossos olhos se arregalaram com a visão. Lá, sentados em semicírculo, havia muitos rapazes, provavelmente os lobos. Eles nos observavam em silêncio, suas expressões sérias e atentas. Mas, antes que pudéssemos processar o que estava acontecendo, os mais velhos se aproximaram.

O primeiro homem era muito alto e imponente. Sarah, que estava ao meu lado, sorriu para ele, e ele a beijou suavemente. Todas nós trocamos olhares surpresos, cientes de que havia algo mais profundo naquela interação.

— Este é Billy Black — apresentou Sarah, com uma reverência respeitosa na voz.

Meu coração disparou. Billy Black era uma lenda entre nós, conhecido como um dos alfas lendários, e agora ele estava ali, diante de nós. Quando ele se aproximou de mim, senti o calor subir ao meu rosto. Ele me observou por um momento, então olhou para Sarah.

— Então é ela? — perguntou ele, a voz profunda ressoando na gruta.

— Sim — respondeu Sarah, com um sorriso satisfeito.

Billy sorriu para mim, um sorriso que era ao mesmo tempo acolhedor e cheio de significado, e depois se afastou, dando espaço para outro homem mais velho.

— Bem-vindas, jovens — disse o novo homem, com uma voz que parecia carregar o peso de séculos. — Sou Ephraim.

Um murmúrio de reconhecimento passou pelo grupo. "Oh," sussurraram todas juntas, quase reverentes.

Ephraim ergueu as mãos e começou a falar, sua voz forte e clara.

— Esta noite, vocês serão testemunhas e participantes de uma antiga tradição. Os lobos escolherão suas parceiras, aquelas que darão continuidade à linhagem dos filhos de Fenrir. Cada uma de vocês foi preparada, ensinada e moldada para este momento. Vocês são as escolhidas do destino, destinadas a se unir a eles em um vínculo sagrado que transcende o tempo e o espaço. Que a bênção de Ephraim e dos ancestrais esteja sobre vocês enquanto fazem essa jornada juntos.

As palavras de Ephraim pairaram no ar como uma promessa solene. Ele se afastou, e os rapazes começaram a se aproximar de nós, um por um. Meu coração parecia querer saltar do peito quando vi Jacob entre eles. Seus olhos encontraram os meus, e senti uma conexão que era impossível de ignorar.

Tentei manter a calma, mas a proximidade de Jacob fez meu coração disparar ainda mais. Ele parecia tão seguro, tão forte, como se soubesse exatamente o que estava fazendo ali, enquanto eu sentia cada pedaço de incerteza correr pelas minhas veias.

O silêncio na gruta era quase palpável quando Alisson deu o próximo passo no ritual, explicando com uma calma estudada o que aconteceria a seguir.

— Agora, os lobos escolherão suas parceiras — disse ela, a voz suave ecoando pelas paredes de pedra. — Não se intimidem com os olhares deles. É natural que estejam ansiosas, mas lembrem-se de que este é o destino de vocês, e a escolha é sagrada. Aqueles com o bracelete no braço esquerdo são os alphas. Há três Alphas entre nós esta noite.

Meu coração deu um salto quando ela disse isso. Um dos Alphas era Jacob. Por um momento, o mundo pareceu girar em câmera lenta, e tudo o que eu conseguia ouvir era o som do meu próprio coração batendo no peito. As palavras de Alisson, o som das garotas ao meu redor, tudo parecia distante e abafado.

Os lobos começaram a se mover, seus passos ressoando no chão de pedra. Um deles, um Alpha, seguiu em nossa direção. Senti meu corpo enrijecer enquanto ele se aproximava de Claire e de mim. Ele parou diante de Claire, seu olhar fixo e decidido, e estendeu a mão para ela. Claire, que estava ao meu lado, soltou um suspiro de alívio e felicidade. Ela sorriu, seus olhos brilhando enquanto segurava a mão dele. Eu sorri também, contente por ela. Era evidente que ela estava destinada a ser a parceira daquele Alpha.

Mais lobos fizeram suas escolhas. Eu assisti enquanto David escolheu Leah, e ela segurou a mão dele com um sorriso que parecia carregar tanto vitória quanto satisfação. Leah, sempre provocativa, estava em êxtase, e por um momento, seu olhar encontrou o meu, quase como se dissesse que estava provando um ponto. Mas o que realmente chamou minha atenção foi a presença imponente de Jacob. Ele ainda não havia se movido.

Nossos olhares se cruzaram, e senti uma corrente elétrica percorrer meu corpo. Ele não tirava os olhos de mim, como se estivesse deliberando sobre algo. Senti o calor subir ao meu rosto, e meu coração bateu mais rápido quando percebi que todos os olhos estavam sobre nós. Havia uma expectativa crescente no ar.

Então, Jacob finalmente se levantou. Os murmúrios aumentaram ao redor, todos comentando sobre sua beleza e presença. Ele caminhou lentamente em minha direção, cada passo dele reverberando dentro de mim como se estivesse ecoando no fundo da minha alma. Quando parou diante de mim, a distância entre nós parecia diminuir em um instante. Ele estendeu a mão para mim, e por um momento, tudo parou.

Eu estava paralisada. Jacob me escolhera. O Alpha, aquele cuja presença sempre me deixara inquieta e ansiosa, havia me escolhido. Olhei ao redor, vendo os olhares curiosos e ansiosos das outras garotas, e de repente, me senti sob uma imensa pressão. Meu coração estava disparado, batendo com tanta força que eu temia que todos pudessem ouvi-lo.

Mas então, algo dentro de mim mudou. Como se uma coragem silenciosa tivesse se instalado. Estendi a mão, lentamente, e segurei a dele. O toque de sua pele era quente, firme, e ao mesmo tempo, trazia um conforto inexplicável. Aquele simples gesto, de segurar a mão dele, parecia selar algo muito maior do que eu poderia compreender naquele momento.

Enquanto nossos dedos se entrelaçavam, percebi que a escolha dele tinha um peso que eu ainda estava para entender completamente. Todos ao nosso redor pareciam prender a respiração, como se aguardassem o que viria a seguir. E então, senti que, seja qual fosse o destino que nos aguardava, eu enfrentaria ao lado dele, de cabeça erguida e com o coração firme.

Porque, naquele momento, eu sabia: Jacob era meu Alpha, e eu seria sua parceira.