Os Filhos de Fenrir

10 Nessie- A bênção de Ephraim


Notas iniciais
Capítulo dedicado a Cherry Bomb Obrigada pela recomendação.

Depois que todos os lobos fizeram suas escolhas, nos posicionamos diante de Ephraim, o Alpha mais respeitado, um dos Filhos mais antigos do Deus Fenrir. Sua presença emanava uma sabedoria profunda e antiga, que fazia com que até o mais corajoso dos guerreiros se curvasse em respeito. Ephraim caminhava lentamente, amparado por Sarah e Marta, sua figura imponente apesar da idade avançada.

Ele parou diante do primeiro lobo e sua parceira, um jovem beta chamado Lucas e sua escolhida, uma garota de cabelos dourados chamada Elara. Ephraim os observou por um momento, seus olhos brilhando com uma compreensão silenciosa.

— Vocês foram escolhidos pela força e pela lealdade — disse Ephraim em uma voz grave, que reverberava pelo espaço. — Lembrem-se de que o vínculo entre vocês é sagrado. Honrem a linhagem de Fenrir e protejam um ao outro.

Lucas inclinou a cabeça em reverência, e Elara fez o mesmo, enquanto Ephraim murmurava algumas palavras no idioma dos antigos guerreiros, abençoando a união deles.

Ephraim continuou seu caminho, parando diante de cada lobo e sua parceira, pronunciando palavras de sabedoria e bênçãos. Cada frase que ele proferia era repleta de significado, conectando-nos a uma tradição que existia muito antes de nós, e que continuaria a existir muito depois.

Quando ele finalmente parou diante de mim e de Jacob, senti uma onda de nervosismo e emoção. Ele me olhou com intensidade, seus olhos percorrendo meu rosto como se estivesse procurando algo. Então, com uma suavidade inesperada, ele ergueu uma das mãos e tocou meu rosto.

— A última vez que te vi, você era apenas um bebê nos meus braços — disse ele, e sua voz soou quase paternal. — Sua mãe estaria orgulhosa de você, Renesmee.

Suas palavras aqueceram meu coração, como se tivessem acendido uma chama que eu nem sabia que estava lá. Um sorriso tímido surgiu nos meus lábios, e senti os olhos se encherem de lágrimas. O reconhecimento de Ephraim era algo que eu nunca imaginara, e significava mais para mim do que eu poderia expressar.

Ephraim murmurou as palavras no idioma antigo, e embora eu não compreendesse o que ele dizia, senti a força e a proteção que emanavam delas. Quando ele terminou, ele se afastou, erguendo a voz para todos que estavam reunidos.

— Agora, voltem para suas aldeias — disse ele, sua voz ressoando pelo espaço. — Ensinem aos seus descendentes os ensinamentos de Fenrir. Que o legado dos lobos continue a prosperar através de vocês.

Jacob me olhou, e eu pude sentir meu coração disparar novamente. Desde o momento em que ele me escolheu, ele não havia soltado minha mão, e o toque dele me transmitia uma segurança inesperada. Claire se aproximou de mim naquele momento, e Jacob, percebendo, disse:

— Vou dar alguns minutos para vocês.

Assenti, sentindo uma mistura de gratidão e nervosismo, enquanto ele se afastava para conversar com Billy. Claire, radiante de felicidade, me abraçou imediatamente.

— Parabéns, Nessie — disse ela, com um sorriso caloroso. — Agora somos betas juntas.

— Estou feliz por você também, Claire. — Eu realmente estava. Mas a felicidade vinha misturada com uma leve ansiedade que não conseguia afastar. — Jacob é o Alpha mais forte de todos. E se eu não for uma boa Beta?

Claire segurou meus ombros, me olhando nos olhos com seriedade.

— Você precisa confiar mais em si mesma, Nessie. Se Jacob te escolheu, é porque ele acredita que você é a pessoa certa para estar ao lado dele. E eu acredito nisso também.

Suas palavras me confortaram, e eu a abracei, sentindo uma onda de saudade já começando a se formar.

— Vou sentir sua falta — sussurrei.

— Nossas aldeias são vizinhas, lembra? Sempre vamos nos encontrar. — Claire piscou para mim, tentando aliviar a tensão.

Jacob retornou naquele momento, interrompendo nosso abraço.

— Está na hora de você conhecer seu novo lar — disse ele, a voz baixa e firme.

Assenti, e ele segurou minha mão novamente, guiando-me para fora da gruta junto aos outros lobos e suas parceiras. Quando chegamos à saída, Jacob montou em um dos cavalos, um animal imponente de pelagem negra. Ele me puxou suavemente para cima, me sentando na frente dele.

O calor do corpo de Jacob era reconfortante, e eu podia sentir sua respiração próxima ao meu pescoço, o que fez minha pele arrepiar e meu coração acelerar. Estávamos tão próximos que a sensação era quase avassaladora, mas ao mesmo tempo, estranhamente segura.

Seguimos pela estrada, cercados pela floresta que, agora sob a luz da lua nova, parecia mais misteriosa e encantadora do que nunca. Cada passo do cavalo nos levava para mais perto do desconhecido, mas eu sabia que, enquanto estivesse ao lado de Jacob, estava pronta para enfrentar qualquer desafio que nosso destino nos reservasse.

Enquanto cavalgávamos pela floresta, eu olhava ao redor, tentando absorver cada detalhe da paisagem desconhecida. As árvores altas e robustas, cujas copas densas bloqueavam a luz da lua, pareciam sussurrar segredos antigos. O ar era fresco, impregnado com o cheiro de terra úmida e pinho. Cada passo do cavalo ecoava pela trilha de pedra, e o silêncio era interrompido apenas pelo som das folhas farfalhando ao vento.

Jacob, logo atrás de mim, começou a descrever os lugares pelos quais passávamos. Sua voz, baixa e firme, trazia uma sensação de conforto.

— Essas montanhas — disse ele, apontando com a cabeça para o lado direito — são conhecidas como as Montanhas de Fenrir. Dizem que foi aqui que o próprio Fenrir ensinou aos primeiros lobos suas habilidades e sabedorias.

Observei as montanhas imponentes, cujas encostas eram cobertas por pedras brilhantes, refletindo a luz fraca da lua, e fiquei maravilhada. Era difícil acreditar que existia um lugar tão magnífico e, até agora, desconhecido para mim.

Continuamos a cavalgada por mais algum tempo, até que a floresta começou a clarear. Aos poucos, o verde das árvores foi dando lugar a uma pequena clareira que se abria para um vilarejo. Casas feitas de madeira escura e pedra estavam dispostas em círculos concêntricos, como se protegessem um centro invisível. Pequenos caminhos de terra conectavam as casas, e em frente a cada uma delas, tochas estavam acesas, iluminando o ambiente com uma luz quente e acolhedora.

— Bem-vinda ao vilarejo dos Black — disse Jacob com um sorriso, enquanto entrávamos no vilarejo. — Aqui é onde nós, os Black, vivemos e protegemos nossos lares. Esta é sua nova casa, Nessie.

O vilarejo tinha uma beleza rústica e natural. Jardins bem cuidados, cheios de flores silvestres, estavam espalhados ao redor das casas. No centro, havia uma grande fogueira, onde alguns lobos e suas parceiras estavam reunidos, conversando e rindo. A atmosfera era de camaradagem e pertencimento, algo que eu não havia sentido antes em Lysvärn.

O cavalo parou diante de uma das maiores casas do vilarejo, feita de madeira escura e com detalhes esculpidos nas portas e janelas. Era uma casa robusta, mas de uma elegância simples, com flores plantadas em vasos ao redor da entrada.

Jacob desceu do cavalo com agilidade e se aproximou para me ajudar a descer. Quando meus pés tocaram o chão, senti uma mistura de nervosismo e empolgação.

— Essa é a nossa casa — disse ele, segurando minha mão enquanto me guiava até a porta. — Aqui é onde vamos viver a partir de agora, juntos.

Olhei para a casa à minha frente, sentindo o peso das palavras dele. "Nossa casa." O conceito parecia surreal, mas ao mesmo tempo, havia algo reconfortante na ideia de ter um lugar para chamar de lar ao lado de Jacob. Senti o coração disparar de novo, mas dessa vez, havia uma sensação de tranquilidade misturada com a emoção.

Jacob abriu a porta e me convidou a entrar. Eu sabia que, ao cruzar aquela entrada, estaria iniciando uma nova fase da minha vida, cheia de desafios e responsabilidades.

Ao cruzar a entrada da casa, fui recebida por um ambiente caloroso e aconchegante. A sala de estar era espaçosa, com móveis de madeira escura que contrastavam perfeitamente com as paredes de pedra clara. Um tapete macio, com um padrão intricado em tons de azul e dourado, cobria o chão de madeira polida. Havia uma lareira grande ao lado direito, onde o fogo crepitava suavemente, lançando sombras dançantes por todo o ambiente. Prateleiras cheias de livros e pequenos objetos decorativos ocupavam as paredes, dando ao espaço um toque pessoal e acolhedor.

— Fiz o meu melhor para decorar de uma forma que você gostasse — disse Jacob, conduzindo-me pela sala com um leve sorriso no rosto. — Queria que esse lugar fosse um refúgio para você, um lugar onde você sempre se sinta em casa.

Nós passamos para a cozinha, que era tão charmosa quanto o restante da casa. O espaço era iluminado por janelas amplas, com cortinas florais suaves. A bancada de madeira estava impecavelmente organizada, com panelas de cobre penduradas acima e ervas frescas pendendo de cestas ao redor. Eu podia sentir o aroma das especiarias e do chá que provavelmente estava sendo preparado antes de chegarmos.

Subimos uma escada de madeira que rangia suavemente sob nossos pés, e Jacob me mostrou os quartos. Havia um quarto principal, onde tudo parecia ter sido meticulosamente escolhido para proporcionar conforto. A cama era grande, coberta com uma colcha de linho azul e branco. Ao lado, havia uma pequena mesa com um vaso de flores recém-colhidas, que preenchia o ambiente com uma fragrância suave e agradável.

Depois de me mostrar o restante da casa, Jacob parou diante de mim, seus olhos brilhando à luz suave das velas que iluminavam o corredor. Ele parecia mais sério agora, como se estivesse prestes a dizer algo importante.

— Nessie, quero que você saiba que nada acontecerá aqui que você não queira — disse ele, sua voz firme, mas gentil. — Quero que você se sinta confortável, segura... e que saiba que respeitarei cada uma das suas vontades.

Entendi imediatamente o que ele queria dizer. Ele estava me dando a liberdade de decidir o ritmo da nossa convivência, respeitando meus limites, mesmo sendo meu Alpha. Uma onda de alívio e gratidão percorreu meu corpo.

— Você é meu Alpha, Jacob — respondi, encarando-o com determinação. — Não há nada que você faça que eu não queira ou aceite.

Ele sorriu, um sorriso que era ao mesmo tempo de alívio e satisfação. Então, sem dizer mais nada, Jacob deu um passo à frente, diminuindo a distância entre nós. Seu olhar desceu para meus lábios, e eu senti meu coração acelerar. Ele aproximou seu rosto do meu, e eu não hesitei. Quando nossos lábios se encontraram, o beijo foi suave no início, como uma promessa, mas logo se intensificou, transmitindo toda a conexão que estávamos construindo.

Senti meu corpo se derreter ao toque dele, e toda a tensão que eu nem sabia que carregava desapareceu. Naquele momento, tudo ao redor desapareceu, e só existia eu e Jacob, juntos, como deveria ser.