Os Filhos de Fenrir

61 Jacob- Reunião Pré-Guerra


A sala estava repleta de tensão. O Conselho se reunira para discutir os últimos detalhes da invasão a Vindalheim, e o peso da responsabilidade caía sobre todos nós, especialmente em mim. Os alphas de cada tribo estavam ali, sentados ao redor da mesa, com rostos sérios e focados. Além de Sam Uley, Quill Alteara e Harry Clearwater II, os alphas Mathison, do clã Call, e Thorne Vahriel, do clã Manentara, também estavam presentes.

Meu pai, Billy Black, e Ephraim estavam ao meu lado, silenciosos, observando enquanto discutíamos os detalhes.

Sam foi o primeiro a falar:

— Precisamos nos organizar para um ataque coordenado. Os soldados de Asgardheim estão espalhados em Vindalheim, mas a maior concentração deles é no acampamento principal. Se fizermos um ataque surpresa, eles não terão tempo de reagir.

— Concordo — disse Quill, assentindo. — Mas precisamos de cobertura. Temos que garantir que nossos guerreiros não sejam surpreendidos. Não podemos cometer erros.

— É aí que as betas entram — continuou Sam, lançando um olhar a mim. — Elas estarão lá para dar suporte, principalmente na cura dos feridos.

Eu imediatamente me endireitei, sentindo o sangue ferver nas veias. A ideia de Nessie participar disso era insuportável.

— Nessie não vai participar — falei, cruzando os braços com firmeza.

Sam olhou para mim, mas foi Ephraim quem respondeu primeiro, com um tom firme e sério.

— Jacob, você sabe que é o dever das betas estarem lá para ajudar. Não são apenas soldados de Asgardheim que vão se ferir. Precisamos delas. Sem elas, os feridos ficarão sem cuidados adequados e nossa missão estará comprometida.

Suspirei, sabendo que ele tinha razão, mas ainda assim a ideia de Nessie em um campo de batalha me deixava inquieto.

— Não estou confortável com isso — murmurei, olhando para Ephraim, que mantinha seu semblante impassível.

— Eu entendo, filho — disse Billy, suavemente. — Mas as betas têm um papel importante a desempenhar. Elas são essenciais. Nessie é forte. Você tem que confiar nela.

Fechei os olhos por um momento, tentando conter a frustração. Sabia que minha preocupação vinha do lugar certo, mas também sabia que, como líder, eu não poderia deixar minhas emoções tomarem conta.

— Tudo bem — disse por fim, olhando para Sam. — Concordo. Mas elas precisarão de proteção.

Quill foi o primeiro a se manifestar, sua voz cheia de autoridade.

— A Beta Black vai comandar todas as betas. Ela precisa conhecer bem o campo de batalha, e elas montarão um plano de proteção. Precisamos garantir que estejam seguras, mas ainda assim, próximas o suficiente para ajudar.

Sam assentiu.

— Exato. Jacob, você é o líder de todas as tribos. Precisamos do seu foco total para que essa operação seja bem-sucedida.

— Eu sei — respondi, ainda com a voz tensa. — Vou falar com Nessie. Ela precisa estar ciente do que está em jogo.

Após longas horas de planejamento, o esquema de ataque estava montado. Cada tribo teria seu papel, e as betas, sob o comando de Nessie, seriam responsáveis pela cura e pelo suporte logístico. A invasão seria rápida e letal, com o mínimo de baixas possível.

Quando finalmente nos despedimos, Sam colocou uma mão em meu ombro e disse:

— Vou treinar os lobos amanhã. Você pode tirar o dia para descansar, Jacob. Vai precisar estar no seu melhor.

Assenti, grato pelo gesto. Mas, enquanto saía da sala, sabia que minha maior batalha seria a conversa com Nessie.

Era tarde quando caminhei de volta para casa. O vilarejo estava quieto, com apenas algumas luzes acesas aqui e ali. A reunião havia sido intensa, e as próximas semanas seriam decisivas. Assim que entrei em casa, encontrei Nessie ainda acordada. Ela estava sentada na sala, folheando um livro, mas seus olhos se voltaram para mim quando entrei.

— Isso são horas do alpha chegar à sua casa? — ela brincou, um leve sorriso nos lábios.

Sorri de volta, aliviado com o tom leve da voz dela. Caminhei pela sala, fingindo desdém, mas com uma ponta de diversão na voz.

— Perdão, Beta — disse, pousando as mãos nos quadris. — Encontrei alguns amigos no bar.

Ela riu suavemente, mas logo seu semblante mudou, ficando mais sério.

— Como foi a reunião pré-guerra? Está com fome? — perguntou, levantando-se.

Eu me aproximei, mas me mantive a uma distância respeitosa. Desde que voltamos a viver juntos, tinha decidido não invadir o espaço dela. Sabia que Nessie precisava do tempo dela, e eu respeitaria isso, mesmo que a proximidade entre nós me consumisse. A dor de sua mágoa ainda pairava sobre nós, e eu não a pressionaria.

— Está pronta para a guerra? — perguntei, quebrando o silêncio.

Ela arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços, claramente surpresa com a pergunta.

— Pensei que as lobas não fossem para a guerra.

Suspirei e olhei para o chão por um momento antes de encontrar seu olhar novamente.

— Foi uma decisão do Conselho — expliquei. — As betas vão participar. Os guerreiros vão precisar de cuidados médicos, e não há ninguém melhor para isso do que as betas.

Nessie me observou por um longo momento, como se estivesse processando a ideia. Finalmente, ela suspirou.

— Se for essa a minha missão, então irei. — Sua voz estava firme, mas havia uma vulnerabilidade escondida ali que me fez querer protegê-la ainda mais.

Eu tentei convencê-la de outro modo, me aproximando um pouco mais, mas sem cruzar aquela linha invisível entre nós.

— Nessie... você não precisa fazer isso. Não há vergonha em ficar aqui, segura. Confie em mim, eu cuidarei de tudo.

Ela balançou a cabeça, um sorriso melancólico surgindo em seus lábios.

— Jake, eu já confio em você. Mas essa é a minha missão também. Não posso ficar parada enquanto você e nossos irmãos de tribo lutam.

Antes que eu pudesse responder, ela se afastou, pegando a bandeja com a refeição que havia deixado para mim.

— Deixei o jantar para você. Boa noite, Jake. — Ela começou a subir as escadas, parando apenas por um segundo no topo, sem olhar para trás. — Cuide-se.

Suspirei, sentindo o peso da distância entre nós, e subi as escadas logo em seguida. Eu poderia tentar dormir, mas sabia que a noite seria longa.

Entrei no quarto do nosso filho, Fenrir, e o vi acordado, os olhos sonolentos me observando.

— Oi, pai — murmurou ele, com a voz baixa e suave.

Sentei-me ao lado da cama, puxando o lençol e o travesseiro, e deitei no chão ao lado de Fenrir, tentando encontrar algum conforto no cansaço.

— Vamos dormir, filho. Foi um longo dia.

Ele logo se ajeitou na cama e adormeceu, enquanto eu permanecia ali, meus pensamentos fixos em Nessie, no quarto ao lado. Pensei no quanto a queria comigo, no quanto eu ainda a amava. Desejava que, um dia, ela pudesse me perdoar por todas as dores que causei. E, com esse pensamento pesado no peito, deixei o cansaço me vencer, torcendo para que, de alguma forma, o tempo curasse as feridas entre nós.