Os Filhos de Fenrir
64 Jacob- Por Fenrir!
Enquanto nos preparávamos para partir, olhei para os meus filhos reunidos ao redor de Nessie. Aquela despedida era sempre o momento mais difícil. O peso da responsabilidade de proteger não só a nossa família, mas toda a tribo, fazia meu peito se apertar.
Nessie abraçou Fay e Kamy, pedindo que cuidassem dos menores, Josh e Rana.
— Cuidem deles, meninas. Tudo bem? — disse ela, com o olhar sério, mas cheio de amor.
Fay nos abraçou, primeiro a mãe, depois eu.
— Cuidado, pai. Não queremos ficar sem vocês — ela murmurou.
Beijei o topo da cabeça dela e depois me abaixei para abraçar Josh, que me envolveu com seus bracinhos.
— Você é o homem da casa agora, entendeu? Cuide bem da sua mãe e das suas irmãs — sussurrei, e ele assentiu com um olhar decidido.
Kamy foi a última a se aproximar. Ela me abraçou forte e disse:
— Eu te amo, pai.
Beijei sua testa, sentindo o aperto em meu peito crescer.
— Também te amo, Kamy. Cuide dos seus irmãos.
Ela assentiu e se afastou. Foi quando meus olhos encontraram Fenrir, que estava afastado. Ele ainda estava amargurado por não participar da guerra. Eu havia dito que ele seria o próximo alpha, que precisava estar em segurança, mas ele não se sentia convencido. Olhar para ele, ver o brilho de frustração em seus olhos, fez meu coração pesar ainda mais.
Observei Nessie se aproximar dele, conversando baixo. Suspirei. Ser pai nesses momentos era o fardo mais pesado que eu já havia carregado.
Finalmente, era hora de partir.
Transformei-me em minha forma lupina, sentindo a energia da terra e o peso da responsabilidade me consumir. A matilha era uma extensão do meu corpo, e eu podia sentir cada movimento ao nosso redor. Mais de cem lobos, divididos entre machos e fêmeas, todos de tribos diferentes, mas unidos pelo mesmo propósito. Corríamos pela floresta, a escuridão da lua nova nos cobria como um manto, e o som dos nossos passos ecoava pela terra como trovões abafados.
A presença de Nessie ao meu lado, em sua forma lupina, era a única coisa que trazia algum conforto. Seus pensamentos tocaram os meus, suaves como o vento.
— Fenrir vai ficar bem, Jake. Ele entende o quanto isso é importante. Só está frustrado por não estar conosco. Mas ele vai aprender. — Sua voz ecoou na minha mente, tentando me tranquilizar.
— Eu sei, Raposa... Mas às vezes é difícil. Ele é tão parecido comigo quando eu era mais jovem... Impulsivo, teimoso.
Senti a risada de Nessie vibrar nos meus pensamentos.
— Sim, exatamente como você. — Ela riu de novo, e eu não pude deixar de sorrir em meio ao cansaço que já começava a me atingir.
Corremos pela floresta densa, o som de galhos quebrando sob nossas patas, o vento frio cortando nossas peles. As árvores eram altas, suas copas criando um teto natural que nos protegia de qualquer luz que pudesse tentar se infiltrar. A paisagem era um borrão à nossa volta, mas cada detalhe estava gravado em mim. O cheiro da terra úmida, o som da vida noturna que se afastava conforme avançávamos.
Nossas pausas eram rápidas e silenciosas. Parávamos apenas o suficiente para descansar os músculos, beber da água fresca dos riachos que cruzávamos, e logo estávamos em movimento novamente. O caminho era longo, e tínhamos três noites de jornada pela frente antes de chegarmos às terras de Vindalheim.
A cada noite, o cansaço se tornava mais evidente, mas a determinação de todos permanecia intacta. Ouvia os pensamentos de cada membro da matilha, a força de suas convicções, o desejo de proteger suas famílias, suas tribos. Nessie sempre ao meu lado, correndo com graça e agilidade. Sua presença me dava forças, e às vezes eu a observava enquanto corríamos, admirando sua determinação e beleza.
— Você está me olhando de novo, Jake — ouvi sua voz em minha mente, e me dei conta de que havia ficado distraído.
— Como eu não olharia? Minha Raposa... — respondi, com um tom brincalhão.
— Sua Raposa? — ela riu nos meus pensamentos, leve como sempre.
— Para sempre — murmurei em resposta, focando novamente na missão.
Ao fim da terceira noite, o cheiro de Vindalheim chegou até nós. O ar era mais denso, carregado com a promessa de batalha. Estávamos perto.
A matilha de lobos montou o acampamento próximo ao vilarejo de Vindalheim. A brisa fresca da noite misturava-se ao aroma da floresta, e as chamas das fogueiras dançavam como sombras projetadas nas árvores ao nosso redor. Sam e sua matilha haviam saído para fazer uma varredura, e todos nós sabíamos que a tensão no ar se tornava palpável a cada minuto que passava. Precisávamos estar prontos para o ataque que aconteceria nas primeiras horas da manhã.
Estava sentado em um tronco de árvore, observando as sombras se estenderem sob a luz da fogueira, quando Nessie se aproximou com uma caneca nas mãos. Ela tinha um sorriso suave no rosto, aquele que sempre fazia meu coração acelerar.
— O alpha precisa comer e beber alguma coisa — disse ela, estendendo a caneca em minha direção.
Sorri para ela, sentindo uma onda de gratidão. Peguei a caneca e, antes de dar um gole, puxei-a para perto, selando os lábios dela em um beijo suave.
— Obrigado, meu amor — murmurei, me afastando um pouco para olhar nos olhos dela.
Nessie se sentou ao meu lado, e eu a acolhi contra meu peito, envolvendo-a em um abraço caloroso. A sensação dela contra mim era reconfortante, como se tudo ao nosso redor desaparecesse.
— Quando isso terminar, eu quero mais um filho seu — declarei, não conseguindo conter o sorriso nos lábios.
O olhar de Nessie se iluminou, e ela sorriu, respondendo com sinceridade:
— Quantos quiser, meu alpha.
Segurei o queixo dela com delicadeza, sentindo a conexão entre nós fluir como uma corrente elétrica. Nos perdemos um no olhar do outro, e em um impulso, a beijei novamente. Era um beijo carregado de promessas, esperanças e a certeza de que, independentemente do que acontecesse, nós sempre estaríamos juntos.
No entanto, fomos interrompidos por Quill, que se aproximou com um semblante sério.
— Precisamos orientar as Betas sobre onde ficarão seguras — disse ele, sua voz firme e autoritária.
Assenti, ciente de que o momento de paz havia terminado. Olhei para Nessie, que ainda estava com um leve sorriso nos lábios, mas sabia que o peso da batalha estava prestes a cair sobre nós. Com um último olhar significativo, levantei-me e seguimos Quill, prontos para enfrentar o que viesse a seguir. A luta pelo nosso futuro e pela segurança dos nossos filhos estava prestes a começar, e não havia espaço para hesitação.
Sam voltou após a averiguação, sua expressão séria e decidida. O ar estava tenso, e eu sabia que ele tinha informações cruciais para nos passar. Juntei-me a ele, e a matilha se aproximou, prestando atenção em cada palavra.
— Jacob, temos cerca de duzentos soldados inimigos posicionados na entrada de Vindalheim — começou Sam, seu tom grave refletindo a urgência da situação. — Eles têm os escravos armazenados na parte leste do vilarejo, próximos às armerias. As armas que possuem são em grande quantidade, e devemos nos preparar para o pior.
Embry interveio, sua voz carregada de preocupação. — Precisamos tomar cuidado com os arqueiros. As flechas deles são envenenadas com a Elderbloom, uma planta que causa paralisia instantânea e dor intensa.
Assenti, absorvendo cada palavra. — Então precisamos ser rápidos e estratégicos. Você escolheu o lugar para as Betas ficarem seguras?
— Sim, escolhemos um abrigo próximo ao rio. As esposas estarão seguras lá — respondeu Sam, segurando meu ombro com firmeza. — Eu não tenho uma Luna, Jacob, mas amo minha esposa e, assim como você, quero protegê-la.
A reunião terminou, e a matilha começou a descansar, todos cientes de que a batalha estava próxima. Encontrei um lugar calmo e deitei-me com Nessie em meu peito, olhando para o céu estrelado. A brisa suave da noite acariciava nossos rostos, trazendo um pouco de tranquilidade em meio à tensão.
— Sabe, Ness, mesmo com tudo isso acontecendo, é você que me traz paz — disse eu, acariciando seu cabelo. — Prometi a mim mesmo que te protegeria a qualquer custo, mas você me dá a força que eu não sabia que precisava.
Ela sorriu, olhando para as estrelas. — E eu prometo sempre estar ao seu lado, Jacob. Nossa conexão é mais forte do que qualquer coisa que possamos enfrentar.
— Então vamos fazer novos votos, mesmo sem uma cerimônia. Eu prometo te amar por toda a eternidade, não importa o que aconteça — declarei, olhando nos olhos dela.
Nessie se inclinou para mais perto, seu olhar ardente. — E eu prometo te amar e te apoiar, sempre. Você é meu coração, e nada nos separará.
As estrelas brilhavam acima de nós, testemunhas silenciosas do nosso amor e das promessas feitas. Em meio à incerteza, sentia que, juntos, éramos indestrutíveis.
Nessa manhã tranquila, adormecemos juntos, perdidos um nos braços do outro. O sol ainda estava nascendo, e os primeiros raios de luz iluminavam o acampamento, revelando o rosto sereno de minha amada. Quando finalmente acordamos, os sons da matilha se preparando nos cercavam.
As Betas se despediram de seus Alphas, suas expressões misturando determinação e preocupação. Quando chegou a vez de Nessie, ela se aproximou, seus olhos brilhando com uma intensidade que me fez sorrir.
— Cuide-se, Jacob. Por favor, não se machuque — disse ela, segurando meu rosto com delicadeza.
— Eu prometo que vou fazer o possível — respondi, olhando nos olhos dela. — Você precisa ficar segura.
Ela me beijou suavemente antes de se afastar, seguindo para o local que escolhemos para as Betas aguardarem pelos feridos. Eu a observei ir, um misto de orgulho e apreensão me envolvendo. Suspirei, esperando que a ajuda delas não fosse necessária.
Concentrando-me na guerra que se aproximava, os guerreiros da matilha começaram a tomar suas formas de lobos, carregando armas e suprimentos. O som dos uivos e das patas batendo no chão reverberava no ar. Cada um de nós sabia que o que estava em jogo era muito mais do que uma batalha — era a segurança de nossas famílias e de nossos futuros.
Quando chegamos perto do vilarejo de Vindalheim, a tensão aumentou. Eu me mantive firme, sentindo a conexão com cada membro da matilha, suas mentes e corações alinhados aos meus. A responsabilidade de liderá-los pesava sobre meus ombros, mas também me fortalecia.
— Por Fenrir! — uivei alto, minha voz ecoando pela floresta. O som chamou a atenção de todos, e vi os olhos de cada lobo se acenderem com determinação.
— Atacar! — ordenei, e, como um só corpo, o exército de Niflheim avançou em direção a Vindalheim. As árvores ao redor pareciam vibrar com nossa energia enquanto invadíamos o vilarejo, cada passo um lembrete do que lutávamos para proteger.
Os sons de combate logo começaram a ecoar ao nosso redor, misturando-se ao rugido da matilha e ao estrondo das armas. Eu estava preparado para tudo, e enquanto corria ao lado de meus irmãos e irmãs, minha mente estava focada no que realmente importava: garantir a segurança de Nessie, dos nossos filhos, e de todos que amamos. A batalha estava apenas começando.
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