Os Filhos de Fenrir

13 Jacob- Obediência


Meus irmãos começaram a sussurrar dentro da minha cabeça assim que perceberam o imprinting. A ligação mental que compartilhávamos era algo inevitável, mas o que me surpreendeu foi que eles não tinham visto o momento em que o Deus Fenrir havia falado comigo. Eliezer foi o primeiro a se manifestar.

— Então foi ela quem Fenrir escolheu? — ele comentou com uma pitada de sarcasmo. — Por que com você as coisas sempre são mais difíceis, Jake?

Revirei os olhos, irritado. Eliezer sempre tinha uma piada pronta, mas dessa vez, com a garota na nossa frente, não era o momento certo. Antes que eu pudesse reagir, David deu um tapa na nuca dele, o que me fez encará-lo com uma irritação crescente.

— Desculpa, eu só fiz uma piada — murmurou Eliezer, percebendo que tinha passado do ponto.

Suspirei, tentando manter a calma enquanto me virava para Renesmee. Ela estava claramente constrangida, encolhida como se quisesse desaparecer. Então, fiz o que precisava fazer: apresentei a matilha, um a um, para que ela se sentisse mais à vontade.

— Esse é Eliezer, que já conheceu sua habilidade de falar demais — comentei, apontando para ele com um leve sorriso, tentando aliviar a tensão. — David, o cérebro do grupo, Solomon... bem, ele gosta de se achar o engraçado. E Jeremy, que consegue rastrear qualquer coisa.

Quando terminei, vi a empolgação deles brilhando em seus olhos, como se fossem lobos ansiosos para impressionar. Renesmee, por outro lado, parecia cada vez mais desconfortável. Suspirei novamente, tentando tranquilizá-la.

— Não ligue para eles — falei baixinho, aproximando-me um pouco mais.

Precisava ganhar a confiança dela, e rapidamente percebi que a garota à minha frente estava muito insegura. A cada segundo que passava com Renesmee, eu sentia uma felicidade avassaladora simplesmente por ela existir. Meu peito se apertava de um jeito que nunca tinha experimentado antes, e sem pensar, me aproximei ainda mais. O desejo de tocá-la era incontrolável. Era como se o imprinting me impulsionasse a estreitar essa conexão, a mostrar para ela que estava segura comigo.

Toquei seu queixo delicadamente, erguendo seu rosto para que ela me olhasse nos olhos. O fato de ela não esboçar nenhuma rejeição me fez perceber o quão poderoso era o imprinting. Tudo fazia sentido agora, exatamente como os escritos antigos diziam: "O lobo será dela, e ela o aceitará."

— Poderia me explicar por que tentou fugir? — perguntei com um sorriso suave, tentando passar tranquilidade.

Antes que ela pudesse responder, Solomon soltou uma nova piada mental, e eu o ignorei, mantendo meus olhos fixos em Renesmee. Notei o leve rubor que subiu ao rosto dela.

— Eu... não quero ir ao acampamento dos lobos — ela disse baixinho, claramente envergonhada.

Surpreso, franzi o cenho. — Por quê? Esse é o momento mais esperado por todas as garotas lobas, ser escolhida por um de nós.

Renesmee mordeu o lábio antes de responder.

— Eu sei, mas... eu não serei escolhida.

Eu ri, mas desta vez, com um tom mais suave, quase tranquilizador.

— Está sofrendo por antecedência. Por que acha que não escolheriam você?

Ela desviou o olhar por um momento, como se não quisesse responder, mas por fim murmurou:

— Porque sou uma mestiça...

Aquelas palavras me atingiram com mais força do que eu esperava. Eu a olhei, e o riso anterior deu lugar a uma seriedade tranquila.

— Isso não faz diferença para os lobos, Nessie. — Usei seu apelido sem pensar, mas a proximidade entre nós tornava isso natural. — É o lobo quem escolhe, não nosso lado humano. Precisamos ir.

Meu coração disparava no peito, e antes que eu pudesse me mover, senti um toque suave no meu braço. Renesmee tinha me segurado, e seus olhos estavam cheios de medo.

— O que vai acontecer comigo? — perguntou, a voz trêmula. — Eu quebrei as regras. Serei punida?

Olhei para sua mão em meu braço, e um sorriso involuntário surgiu no meu rosto. Ela estava preocupada, vulnerável. Soltei uma risada baixa, balançando a cabeça, e depois a tranquilizei com o olhar.

— Não se preocupe. Ninguém vai te machucar, eu prometo.

Ela parecia aliviada, embora o medo ainda estivesse presente em seus olhos. E naquele momento, eu soube que faria tudo o que estivesse ao meu alcance para mantê-la segura, não apenas porque era minha responsabilidade, mas porque agora ela era a dona do meu coração.

O que eu não esperava era a sensação de proteção e pertencimento que veio junto com essa promessa.

Renesmee aceitou retornar ao acampamento de Lysvärn, embora a tensão em seu rosto denunciasse que não estava completamente à vontade. Seguimos pela floresta de Niflheim em um ritmo mais lento do que o normal. Eu não conseguia tirar os olhos dela. Diferente das outras garotas lobas, Renesmee era mais baixa, uma característica comum dos Asgardheins. Sua pele era tão clara que parecia nunca ter sentido a luz do sol, e seus cabelos, de um vermelho vibrante, me faziam lembrar Frigga. Ela era linda, de uma forma etérea, quase sobrenatural.

David, que caminhava à frente, parou abruptamente e me lançou um olhar direto.

— Se continuarmos assim, vamos chegar só depois de alguns dias — disse ele, com um tom prático. — Temos que nos transformar, assim chegaremos em poucas horas.

Jeremy, sempre pronto para um comentário provocativo, sorriu divertido e olhou em minha direção.

— Mesmo que ela se transforme, não conseguirá nos acompanhar.

Assenti, sabendo que ele estava certo. Precisávamos acelerar, mas Renesmee provavelmente não estava no mesmo nível que nós.

— Transformem-se. Nós os alcançaremos — dei meu comando alfa com firmeza. O tom era de ordem, e eles obedeceram sem hesitação.

Em segundos, as formas humanas dos meus irmãos desapareceram, dando lugar aos enormes lobos que rapidamente se fundiram à escuridão da floresta, correndo com agilidade entre as árvores. E então, Renesmee e eu estávamos sozinhos novamente.

Dei um passo em sua direção, tentando suavizar minha postura. Eu sabia que ela estava nervosa, então meu olhar era encorajador, ou pelo menos eu esperava que fosse.

— Transforme-se — ordenei, a voz firme, mas sem dureza. — Eu diminuirei minha velocidade e estarei ao seu lado.

Para deixá-la mais à vontade, virei as costas, dando a ela privacidade. Mas ao invés de ouvir o som característico da transformação, tudo o que ouvi foi o silêncio. O ar entre nós ficou pesado, tenso. Virei-me lentamente e vi Renesmee parada, imóvel, como se estivesse congelada.

— Algum problema, Nessie? — perguntei, com uma leve preocupação na voz.

Ela baixou a cabeça, seus ombros curvados como se estivesse carregando um peso invisível.

— Me perdoe... — ela sussurrou, a voz quase inaudível. — Eu não consigo me transformar. Foi por isso que fugi.

Suspirei, a frustração e o entendimento se misturando dentro de mim. Claro que tinha que ser mais complicado. A garota que Fenrir havia escolhido para mim era uma loba que não conseguia assumir sua forma de loba. Mas, ao invés de ficar irritado, eu senti um estranho senso de responsabilidade, como se fosse meu dever ajudá-la, não importava quão difícil fosse.

Sussurrei para mim mesmo, quase com um humor ácido:

— Fenrir, você me paga.

Olhei novamente para Renesmee, que continuava ali, parada, vulnerável. A cada segundo que passava, o vínculo entre nós parecia se fortalecer. O que antes era um desejo de protegê-la se transformava em algo mais profundo, algo que eu não podia mais ignorar.

— Está tudo bem — disse, suavizando minha voz. — — Talvez seja melhor assim. Quero que monte sobre mim e se segure o mais firme que conseguir.

Ela me olhou, surpresa, como se não esperasse aquela resposta. Eu sorri, tentando transmitir segurança. E embora eu soubesse que o caminho à nossa frente seria longo e cheio de obstáculos, uma coisa era certa: não importava o que acontecesse, eu estaria lá.