Caminhando em direção ao acampamento de Lysvärn, senti o peso suave de Renesmee adormecida em minhas costas. O calor de seu corpo e sua respiração tranquila me alertavam para o estado de exaustão que ela estava. Reduzi meu passo, movendo-me cuidadosamente para que ela não caísse. Era uma sensação estranha, mas ao mesmo tempo reconfortante, tê-la ali tão próxima. A responsabilidade de protegê-la parecia maior a cada segundo.

— Ela não parece uma loba — a voz de Solomon invadiu minha mente.

Eu sabia que ele não falava com malícia, apenas observava o óbvio. Nessie não tinha o aspecto selvagem ou a força bruta de uma de nós.

— Parece apenas uma de Asgardheim — Jeremy completou, sempre atento aos detalhes.

Eu podia sentir a curiosidade deles aumentando, mas antes que alguém pudesse continuar, David, sempre o mais firme e sensato entre nós, interveio.

— Isso não faz a menor diferença. Ela em breve será a Beta de Jacob, e se essa é a vontade de Fenrir, nossa missão é protegê-la.

As palavras de David ecoaram em mim com força, mais do que eu esperava. Eu sabia que ele estava certo, mas as implicações daquilo pesavam sobre mim de uma maneira diferente. O silêncio que se seguiu foi espesso, carregado de pensamentos que cada um de nós processava individualmente.

Conforme nos aproximávamos do portão principal de Lysvärn, avistei minha mãe, Sarah, parada ao lado de Marta e Alisson. O olhar de preocupação dela era inconfundível, e eu sabia que ela percebia algo diferente no ar, algo além do simples resgate de uma garota perdida. Marta e Alisson compartilhavam da mesma expressão, mas sabiam seu papel naquele momento.

Abaixei-me lentamente, facilitando para que elas retirassem Renesmee de minhas costas com cuidado. Voltei à minha forma humana, vestindo-me rapidamente, e caminhei até elas.

— Ela está bem, só exausta — disse, tentando tranquilizá-las.

Sarah assentiu, mas seus olhos mantinham aquela preocupação silenciosa. Marta e Alisson, em sincronia, pegaram a garota adormecida e começaram a levá-la para a tenda, sussurrando entre si, quase como se estivessem receosas de que o menor ruído pudesse acordá-la.

Quando elas desapareceram na tenda, meus irmãos da matilha rodearam minha mãe, e Sarah sorriu de maneira afetuosa, acariciando a cabeça de cada um deles. Era um gesto familiar, um sinal de carinho e respeito, que mostrava a proximidade que ela tinha com todos nós, não apenas como mãe, mas como a matriarca que todos reverenciavam.

Depois que os outros se afastaram, sumindo na escuridão da floresta, Sarah se virou para mim, com aquele olhar penetrante que só ela tinha, capaz de ver através de qualquer fachada que eu tentasse manter.

— Eu conheço você como a palma da minha mão, Jacob — disse ela, sua voz suave, mas firme. — E sei que não está me olhando dessa forma porque espera um agradecimento.

Eu não consegui evitar sorrir. Minha mãe sempre soubera ler até os pensamentos que eu não expressava. Segurei suas mãos com firmeza, deixando que o sorriso em meu rosto transmitisse a felicidade que eu sentia, ainda que as palavras parecessem travadas em minha garganta.

Eu tentei falar, meus lábios se movendo para expressar o que estava dentro de mim, mas ela me interrompeu antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.

— Eu sei, meu querido. Esse brilho nos seus olhos... é ela, não é? — Sua voz era gentil, porém assertiva, como se ela já soubesse a resposta antes mesmo de fazer a pergunta. — Ela é seu imprinting?

Eu a encarei por um momento, o peso de suas palavras afundando ainda mais no meu peito. Como sempre, minha mãe tinha razão. Meu coração já não pertencia mais a mim, e o que quer que estivesse se formando entre Renesmee e eu, era algo maior, algo destinado.

— Sim — sussurrei, finalmente admitindo para mim mesmo e para ela. — É ela.

Minha mãe me olhou com uma intensidade renovada, os olhos repletos de um misto de preocupação e admiração. Ela deu um passo à frente, mantendo as mãos firmes nas minhas, e sua voz saiu mais baixa, quase como se temesse a resposta:

— Você está pronto para isso, Jacob? Para toda a complexidade que essa garota carrega? — A voz dela estava carregada de sabedoria, conhecendo o peso que o imprinting traria para a minha vida.

Eu respirei fundo, sentindo o peso de suas palavras, mas também o inevitável destino que se apresentava diante de mim.

— Sim, mãe, estou. E mesmo que não estivesse... — pausei por um instante, olhando nos olhos dela. — Eu jamais me oporia a um pedido de Fenrir.

Os olhos de Sarah se arregalaram instantaneamente, um brilho diferente atravessando seu olhar. Ela parecia emocionada, quase incrédula.

— Você o viu... — disse, sua voz trêmula de reverência. — Viu aquele que protege a todos nós.

Assenti com a cabeça, confirmando silenciosamente. Não havia muito o que dizer além disso. A experiência de ver e ouvir Fenrir, sentir sua presença e o peso de suas palavras, ainda ressoava dentro de mim como uma verdade absoluta.

Sarah ergueu a mão e acariciou meu rosto com ternura, seus olhos marejados de emoção.

— Sempre soube que você era especial desde o seu nascimento. Nenhum Black teve a oportunidade de falar com o Deus Fenrir desde seu avô Ephraim. Nem mesmo seu pai, Billy, teve essa honra. — Sua voz era um sussurro cheio de orgulho, e ao mesmo tempo, de humildade.

Senti o peso de sua admiração, e embora fosse tentador deixar o orgulho me consumir, havia algo maior em jogo. Minha conexão com Fenrir era mais do que um simples privilégio; era um chamado, uma responsabilidade que eu não podia ignorar.

— Talvez Fenrir queira manter a descendência dos Black mais forte — comentei, tentando aliviar a seriedade do momento, mas sabendo que havia mais verdade em minhas palavras do que eu queria admitir.

Ela assentiu, seus olhos ainda fixos nos meus, como se visse algo em mim que eu mesmo ainda não tinha compreendido completamente.

— Vá, então. Conte a Ephraim — ela disse, sua voz voltando a ser firme, decidida. — Eu prepararei Renesmee para ser sua Beta.

Eu assenti em silêncio. Embora meu coração desejasse ficar ao lado de Renesmee, velar seu sono e garantir sua segurança, sabia que não podia quebrar as regras. Ainda havia um tempo a ser respeitado, um processo que precisava ser seguido. Era a tradição, e mesmo que o imprinting me puxasse para ela como uma força irresistível, eu esperaria. Eu respeitaria as leis da matilha e o tempo que Fenrir nos havia concedido.

— Dois dias — murmurei para mim mesmo. — Eu esperarei dois dias, então finalmente ela será minha.

Minha mãe sorriu suavemente, percebendo meu conflito interno, mas confiando que eu tomaria as decisões certas. Sem mais palavras, nos separamos, e eu segui para falar com meu avô, enquanto Sarah caminhava na direção da tenda de Renesmee, pronta para começar a preparar a garota que, agora, era destinada a ser minha companheira.