Os Filhos de Fenrir

15 Jacob- Comemoração


Depois da conversa com minha mãe, me transformei novamente em lobo. Mal havia retornado à minha forma lupina e os pensamentos de meus irmãos inundaram minha mente. Cada um tinha algo diferente em mente, mas todos compartilhavam o mesmo desejo: comemorar o imprinting do Alpha. Suspirei internamente, tentando afastar aquela ideia. Meus pensamentos agora estavam focados em Nessie, na responsabilidade que Fenrir havia me confiado, mas Jeremy não estava disposto a aceitar um "não".

— Não vai escapar dessa, Jake — ouvi a voz dele em minha mente. — Esse é um momento raro, temos que comemorar!

— Pode deixar a conversa com Ephraim para amanhã — Solomon completou, tentando ajudar a convencer. — A essa hora, o ancião já está dormindo. Não tem pressa.

Eu ainda estava relutante, mas a insistência deles acabou me vencendo. Sabia que não desistiriam tão fácil. Acabei cedendo, embora meu desejo de comemoração fosse inexistente. Assim que nos aproximamos da aldeia de Niflheim, retornamos às nossas formas humanas, caminhando entre os poucos habitantes que ainda estavam acordados.

Solomon, sempre o mais atrevido, sugeriu:

— Vamos à casa das mulheres não escolhidas, o que acham?

Balancei a cabeça, já antecipando o que aquilo significaria.

— É melhor não — murmurei.

— Qual é, Jake — Jeremy retrucou, já impaciente. — Você não estaria traindo ninguém. Ainda não recebeu a bênção de Ephraim.

Embora suas palavras fizessem algum sentido, não era isso que me preocupava. Mesmo sem a bênção, eu não tinha o menor interesse em estar com outra mulher. Meu corpo e minha mente estavam completamente tomados pela presença de Renesmee, aquela que havia ficado em Lysvärn. Ela era a única que meu coração e meu corpo desejavam agora.

Mesmo assim, meus irmãos, insistentes como sempre, me puxaram na direção da grande casa, onde uma música animada tocava. Ao entrar, senti os olhares das mulheres se voltarem imediatamente para nós, e em questão de segundos, estávamos rodeados. As mulheres sorriam, flertavam, como se nossa chegada fosse a melhor parte da noite delas.

Uma das jovens, com cabelos escuros e olhos vibrantes, se aproximou de Jeremy e disse, com um sorriso malicioso:

— Que prazer ter meu lobinho de volta.

Jeremy, sempre o galanteador, a abraçou de forma calorosa, rindo.

— Traga a melhor bebida, hoje temos um motivo especial para comemorar!

Eu ignorei a confusão ao redor e me sentei em uma das mesas, balançando a cabeça negativamente. Essa não era a comemoração que eu queria, muito menos o ambiente que desejava estar. Meus pensamentos voltavam incessantemente para Nessie, e por mais que tentasse me distrair, nada parecia funcionar.

Uma jovem loira se aproximou e sentou ao meu lado. Seu perfume doce preencheu o ar ao meu redor, mas isso também não trouxe o conforto que ela provavelmente esperava.

— Que bom ver você, Jacob — disse ela, com um sorriso que parecia sincero.

Olhei para ela por um momento, reconhecendo-a.

— É bom ver você também, Jéssica — respondi timidamente, sem saber muito bem o que mais dizer.

Ela parecia esperar algo mais, mas meu coração e minha mente estavam em outro lugar. Eu queria voltar para Lysvärn. Queria estar com Renesmee.

A casa estava cheia de risos e vozes animadas, as mulheres circulando entre nós, esbanjando sorrisos e olhares cheios de promessas. Meus irmãos, claro, não perderam tempo. David, Solomon e Jeremy rapidamente escolheram as suas favoritas da noite e subiram as escadas com elas, deixando apenas Eliazar, Esaú e eu na mesa, terminando nossas bebidas. O barulho ao nosso redor continuava, mas dentro de mim havia um estranho silêncio, como se nada disso realmente me alcançasse. Jéssica ainda estava ao meu lado, e embora já tivéssemos passado muitas noites juntos antes, hoje parecia diferente. Tudo parecia diferente.

Eliazar e Esaú, percebendo a situação, trocaram olhares e me deram um breve aceno antes de se levantarem, deixando-me a sós com Jéssica. Ela sorriu de forma provocante, como sempre fazia, e sem hesitar, sentou-se no meu colo, como se aquele fosse o lugar onde sempre pertencia.

— Sinto que está diferente hoje, Jake. — Sua voz era sedutora, mas havia uma curiosidade sincera nela. — Poderia me dizer onde estão seus pensamentos?

Eu sorri, mas foi um sorriso pequeno, quase ausente. Meus pensamentos não estavam ali. Estavam em outra pessoa, em outra presença que tomava conta de cada fibra do meu ser.

— Com a dona dos meus pensamentos — respondi, e naquele instante, só uma imagem vinha à minha mente: Renesmee.

Jéssica me encarou com surpresa, e eu pude ver a mudança em seu semblante.

— Aconteceu isso com você? — Ela quase cuspiu as palavras. — Aquela porcaria de imprinting?

Assenti, sem me preocupar em esconder o que sentia. Não havia motivo para mentir ou negar o que já estava gravado em mim.

Ela se levantou do meu colo num movimento brusco, irritada, claramente aborrecida com a revelação.

— O imprinting é a pior coisa que poderia existir! — protestou, suas palavras carregadas de desdém.

Eu respirei fundo, peguei o copo que estava na mesa e bebi o restante de uma vez só, sentindo o líquido descer quente pela minha garganta. Depois, a encarei diretamente, sem rodeios.

— Você tem duas opções e uma escolha, Jéss. — Minha voz saiu firme. — Pode aproveitar minha última noite aqui com você, sem reclamações, ou pode me ver levantar e ir embora. A escolha é sua.

Ela ficou em silêncio por um momento, respirando pesadamente. Seus olhos avaliavam minha postura, e eu sabia que, no fundo, ela compreendia a verdade no que eu havia dito. Suspirei, esperando sua decisão. Por mais que tudo aquilo estivesse errado em tantos níveis, eu não era o tipo de lobo que fugia de confrontos, nem mesmo emocionais.

Jéssica finalmente suspirou, resignada. Ela segurou minha mão com uma certa frustração e disse, com um tom ligeiramente desafiador:

— Mesmo que isso tenha acontecido com você, tenho certeza que essa garotinha não é mulher o suficiente para te dar o que você gosta na cama,Jake.

Eu sorri. Não porque concordava, mas porque sabia que ela nunca entenderia o que o imprinting realmente significava. Não era apenas desejo ou necessidade física. Era algo muito mais profundo, algo que ela, ou qualquer outra mulher ali, jamais poderia compreender. Mas naquela noite, eu não queria mais explicações.

Me deixei ser levado por ela. Subimos as escadas, e Jéssica parecia satisfeita, acreditando que havia vencido uma batalha invisível. Mas, para mim, o que acontecia ali era apenas uma forma de tentar silenciar algo que eu sabia ser impossível. Mal sabia ela que, por mais que meu corpo cedesse, meus pensamentos já pertenciam a outra. O que eu sentia por Renesmee era algo que transcendia o mero desejo.

Deixei meu lado selvagem falar mais alto naquela noite, mas, no fundo, sabia que isso não mudaria o que estava por vir.