Os Filhos de Fenrir

16 Jacob - O favorito de Fenrir


Ao sair da casa de mulheres, o sol começava a despontar no horizonte, iluminando as ruas silenciosas do vilarejo. Meus irmãos estavam comigo, e ríamos enquanto voltávamos ao nosso ritmo normal, embora minha mente ainda estivesse em outro lugar. Nossos passos ressoavam pelas pedras enquanto seguíamos em direção ao vilarejo dos Black, onde a vida já começava a se movimentar. Ao passar pelos portões, fomos imediatamente recebidos por Byron, o marido da minha irmã Rebeca. Ele lançou um olhar curioso e preocupado para nós.

— Onde passaram a noite, hein? — Byron perguntou, cruzando os braços e nos encarando com aquela expressão que só um cunhado preocupado sabe fazer.

Antes que eu pudesse abrir a boca, Jeremy, como sempre, tomou a frente.

— Estávamos fazendo algumas averiguações — disse, com aquele sorriso despreocupado que ele sempre usava para sair de situações complicadas.

Byron soltou uma risada alta, descrente.

— Averiguações? Nas camas das mulheres da vila de Niflheim?

Eliazar, sempre com uma resposta pronta, rebateu:

— Quem disse isso?

Todos riram, e o som ecoou pelo vilarejo. Aproveitei aquele momento de distração para me afastar do grupo. Embora a noite com Jéssica tivesse saciado meu lado homem, meu lado lobo estava inquieto, irritado. Meus pensamentos estavam longe, em Lysvärn, onde deixei Renesmee adormecida e vulnerável. Não conseguia me concentrar em outra coisa.

Caminhei por algumas trilhas estreitas entre as casas dos Black. O vilarejo tinha uma aparência rústica, com cabanas construídas de madeira robusta e pedras escuras que contrastavam com a vegetação verdejante ao redor. Ao fundo, as montanhas se erguiam, imponentes, com suas encostas cobertas por florestas densas e misteriosas. O ar ali era mais frio, quase cortante, e a tranquilidade do lugar sempre me trazia um certo alívio.

Continuei caminhando até chegar à casa de Ephraim, um pouco mais afastada das demais, mais próxima das montanhas. A cabana do Alpha ancião era simples, mas poderosa em sua presença. A madeira escura e as pedras cinzentas que formavam as paredes davam ao lugar um ar de solidez, como se a própria montanha tivesse gerado aquele espaço. Uma pequena fumaça subia do topo da chaminé, e o som da natureza ao redor preenchia o ambiente.

Mal me aproximei da porta, e ouvi a voz grave e imponente de Ephraim ecoar de dentro.

— Entre.

A porta estava entreaberta, e a empurrei lentamente, entrando na cabana. Lá dentro, Ephraim estava de pé diante de uma grande mesa de madeira, com vários manuscritos à sua frente, alguns bem antigos. Sua presença, mesmo com a idade avançada, ainda era intimidante. Ele não precisou olhar para mim para sentir minha presença.

— Então... se divertiu na casa daquelas mulheres? — A voz de Ephraim ressoou pela cabana.

Baixei a cabeça, sentindo o peso da vergonha. Sabia que não havia nada que pudesse ocultar dele. Ephraim era o lobo mais próximo de Fenrir, e sua sabedoria e força faziam qualquer um se sentir pequeno.

— Sim, avô... — murmurei, envergonhado.

Ephraim se aproximou da mesa, seus olhos sérios e penetrantes se voltando para mim.

— Você é o Alpha, Jacob. — Sua voz era firme, mas não severa. — Não há espaço para incertezas quando carrega essa responsabilidade. Fenrir o escolheu. Mas, antes de tudo, você deve se escolher.

Ele sabia. Sempre sabia.

Fiquei em silêncio, ainda tentando processar tudo. Minhas escolhas, meus sentimentos por Renesmee, e o peso do que estava por vir.

Eu sabia que não deveria ter cedido, mas os acontecimentos da noite anterior ainda ecoavam em minha mente. Antes que eu pudesse explicar qualquer coisa, Ephraim já sabia. Seu olhar astuto e a sabedoria de eras me faziam sentir como se estivesse diante de um espelho, incapaz de esconder qualquer pensamento ou emoção.

— Sei que não deveria ter cedido — admiti, olhando para o chão da cabana.

Ephraim me observou por um longo momento antes de responder, sua voz mais suave do que eu esperava.

— Jacob, sua bondade e seu coração são o que o tornam o favorito de Fenrir. Ele não o julgará por se deitar com outras mulheres, e muito menos eu. O que importa é o que você sente. E passar a noite conversando com uma mulher sobre outra, meu caro, não é uma traição.

Levantei as sobrancelhas, surpreso pela precisão de suas palavras. Realmente, não havia nada que meu avô não soubesse. Sorri, meio constrangido.

— Lamento o momento de fraqueza, avô. — Cocei a nuca, um gesto automático sempre que me sentia exposto. — Mas, na hora... eu só via ela. Renesmee. Acho que foi por isso que a Jess me expulsou do quarto.

Ephraim soltou uma gargalhada profunda, o som ecoando pelas paredes da cabana. Não pude deixar de rir junto com ele.

— Ah, os Black sempre foram os preferidos das mulheres. — Ele sorriu com malícia, seus olhos brilhando com memórias antigas. — Eu e seu pai, Billy, frequentamos muito aquela casa. Elas entendem o que são... que nunca se transformarão em lobas. E, por isso, existem para nos ajudar a transformar meninos em homens.

Sorri timidamente. A conversa com Ephraim sempre me trazia conforto, como se ele enxergasse as partes de mim que eu ainda não havia aceitado completamente. Ele não me julgava; ao contrário, ele compreendia. Sempre compreendeu.

— Fenrir me chamou — disse, mais sério dessa vez. A lembrança daquele momento ainda era viva em minha mente.

Ephraim assentiu, sem qualquer surpresa.

— Já esperava por isso. — Sua voz era firme, mas havia uma suavidade ali que indicava algo mais profundo. — Parece que, finalmente, meu sucessor chegou. Agora poderei jogar xadrez com Fenrir depois de 300 anos de liderança e batalhas.

— Proíbo você de morrer antes de conhecer seus bisnetos, avô — brinquei, tentando afastar qualquer pensamento de sua partida.

Ele sorriu, aquele sorriso sábio e sereno, como se entendesse muito mais do que eu jamais poderia.

— Posso esperar um pouco mais, mas bem pouco, Jacob. Então, se apresse.

Rimos juntos, o momento carregado de familiaridade e amor. Mas a alegria logo se dissipou quando Ephraim mudou de tom, sua expressão ficando mais grave.

— Uma nova guerra se aproxima, Jacob. — Ele colocou a mão sobre meu ombro, seu toque carregado de autoridade. — Você precisa estar preparado. E, acima de tudo, proteja sua impressão. Há Asgardians que sabem da existência dela.

O peso de suas palavras caiu sobre mim como uma avalanche. Eu sabia que Renesmee estava em perigo, mas ouvir isso de Ephraim tornava a situação ainda mais real. A guerra estava vindo, e eu precisava me preparar para o que quer que estivesse por vir.