Os Filhos de Fenrir

11 Jacob- O clã Black


A história da minha família é marcada por sangue, honra e lealdade. Desde os tempos antigos, quando o primeiro de nós, Ephraim Black I, foi criado por Fenrir, o deus-lobo, nossa linhagem foi destinada à grandeza. Abençoado pelo próprio Fenrir, Ephraim tornou-se o primeiro lobo, o mais forte de todos, e assim começou a lenda dos Black.

A história conta que, em uma época de caos e guerra, Fenrir convocou os guerreiros mais ferozes para lutar ao seu lado. Entre eles estava Ephraim Black I, um homem de uma força e coragem incomparáveis. Na batalha decisiva, quando Asgardheim e seus guerreiros tentaram usurpar o poder de Fenrir, Ephraim lutou com uma lealdade inabalável, protegendo seu deus até o último suspiro dos inimigos. Impressionado com sua bravura e fidelidade, Fenrir abençoou Ephraim e toda a sua descendência com o dom de se transformar em lobos, tornando-os os mais fortes e temidos entre todos os guerreiros.

Ephraim Black II, filho do primeiro Ephraim, herdou essa força. Ele liderou nossa tribo com uma mão firme e um coração cheio de sabedoria, consolidando ainda mais a nossa posição como os protetores de Fenrir e seus ensinamentos. Sob sua liderança, a linhagem Black prosperou, tornando-se um símbolo de poder e respeito.

Então veio Ephraim Black III, o Alpha supremo, aquele cujo nome é mencionado com reverência entre todos os lobos. Ele era o líder durante a última grande guerra contra Asgardheim, uma batalha que quase destruiu o equilíbrio do mundo. Ephraim III, com uma presença tão imponente que o próprio ar parecia se curvar a ele, liderou os exércitos de Fenrir à vitória, assegurando que a linhagem dos Black continuasse a ser a mais forte entre todas.

Foi durante essa guerra que meu avô, Jacob Black I, lutou ao lado de seu pai, Ephraim III. Jacob Black I era um guerreiro formidável, um Alpha em todos os sentidos. Ele liderou com bravura, mas, como muitos grandes heróis, encontrou seu fim no campo de batalha, sacrificando-se para garantir a vitória dos lobos sobre Asgardheim. Seu sacrifício ecoou por gerações, lembrando a todos nós do preço da nossa força e poder.

Com a morte de Jacob Black I, a responsabilidade de liderar a linhagem recaiu sobre Billy Black, meu pai. Ele era um homem forte e justo, um Alpha respeitado e amado por todos. Ele não apenas liderou com sabedoria, mas também cuidou dos filhos de seu irmão caído, Benjamin Black, criando Eliezar, Esaú e David como se fossem seus próprios filhos, junto com seus descendentes, eu, Solomon, Jeremy, Rebecca e Rachel.

Eu sabia que um dia chegaria minha vez de carregar o fardo da liderança, mas nunca imaginei como seria até o dia da cerimônia. Billy, meu pai, decidiu que era hora de se aposentar. A responsabilidade de ser o novo Alpha, o líder supremo dos Black, foi colocada sobre meus ombros.

A cerimônia foi realizada no coração da nossa aldeia, onde todos os lobos e suas famílias se reuniram para testemunhar a passagem do manto de liderança. A fogueira central estava acesa, suas chamas dançando sob o céu noturno, enquanto os anciãos entoavam cânticos antigos, invocando a bênção de Fenrir para a nova era.

Meu pai estava de pé ao lado de Ephraim III, seu pai, o Alpha supremo. Ambos me observaram enquanto eu avançava para o centro do círculo. Ao chegar diante deles, meu pai me olhou nos olhos e sorriu, um sorriso cheio de orgulho e tristeza.

— Jacob, meu filho — começou Billy, sua voz forte, mas cheia de emoção. — Hoje, passo para você o manto da liderança, o fardo e o privilégio de ser o Alpha dos Black. Que você lidere com sabedoria, coragem e a honra que essa posição exige.

Ele colocou em minhas mãos o bracelete de ouro que simbolizava a liderança dos Black, o mesmo bracelete que havia sido passado de geração em geração, desde Ephraim Black I. Ao sentir o peso do ouro em meu pulso, percebi o peso da responsabilidade que agora carregava.

— Eu aceito, pai — respondi, minha voz firme, mas carregada de uma nova determinação. — Prometo honrar nossa linhagem, proteger nossa tribo e liderar com toda a força que Fenrir nos concedeu.

Ephraim III se aproximou, seus olhos ancestrais parecendo ver através de mim, como se ele pudesse enxergar minha alma.

— Jacob, como o novo Alpha, que você continue a tradição dos Black com a mesma coragem e honra que seus antecessores demonstraram — disse ele, sua voz profunda ressoando através do círculo de lobos reunidos. — Que Fenrir o guie e o abençoe em cada passo do seu caminho.

Com isso, Ephraim III ergueu sua mão e, com um gesto, encerrou a cerimônia. Os lobos ao redor uivaram em aprovação, um som que reverberou por toda a aldeia, ecoando nas montanhas ao redor. E assim, com o peso da história sobre meus ombros e a responsabilidade de liderar nossa tribo, tornei-me o novo Alpha dos Black.

As noites em Niflheim eram longas e escuras, com a luz da lua raramente penetrando a densa copa das árvores. Era nessas noites que eu, junto com meus irmãos Solomon, Jeremy, David, Eliezar e Esaú, vagávamos pela floresta, cumprindo nosso dever de proteger o território sagrado dos Black. Desde a minha nomeação como Alpha, a responsabilidade pesava em meus ombros, mas a presença deles ao meu lado tornava tudo mais suportável.

Apesar da seriedade da nossa missão, ainda éramos jovens. A camaradagem entre nós era forte, e as patrulhas noturnas frequentemente se alternavam entre momentos de silêncio vigilante e de descontração. Em nossas formas lupinas, movíamo-nos como sombras na floresta, nossos sentidos aguçados captando cada som e movimento ao nosso redor.

Enquanto caminhávamos, Solomon, sempre o mais brincalhão, rompeu o silêncio com um comentário.

— Sabe, Jake — disse ele, a voz mental reverberando entre nós. — Se continuarmos assim, vamos acabar mapeando cada centímetro dessa floresta. Podíamos até dar nomes para algumas dessas árvores, o que acha?

Eu sorri internamente, reconhecendo a tentativa de aliviar o peso da noite.

— Só se uma delas for chamada de "Árvore do Sono", Sol — retruquei. — Porque é isso que você parece estar precisando.

— Melhor do que "Árvore do Ronco", que seria sua árvore, Jake — provocou Jeremy, sempre rápido com uma resposta.

Eliezar soltou um grunhido baixo, que facilmente poderia ser confundido com uma risada em sua forma lupina.

— Vamos, parem de implicar com o nosso Alpha — disse ele. — Eu prefiro que a gente encontre algo mais interessante do que árvores pra nomear. Quem sabe um grupo de intrusos de Asgardheim? Isso sim seria uma patrulha divertida.

David, sempre o mais sério de nós, rosnou em concordância.

— Precisamos estar alertas. Não podemos esquecer que nossa principal responsabilidade é manter os humanos longe de Niflheim. Qualquer distração pode custar caro.

Concordei silenciosamente. Embora a conversa entre nós fosse leve, nunca perdíamos de vista o que estava em jogo. Nossos ancestrais lutaram e morreram para proteger este lugar, e eu faria o mesmo.

Estávamos nos aproximando da entrada do vilarejo quando todos nós, simultaneamente, sentimos a presença de alguém à nossa frente. Em um instante, paramos e nossas cabeças se ergueram, reconhecendo o cheiro familiar que se aproximava. Era nossa mãe, Sarah, a loba matriarca.

Todos nós baixamos as patas dianteiras em sinal de respeito, inclinando nossas cabeças. Sarah era respeitada não apenas como nossa mãe, mas como a guardiã da sabedoria e da tradição dos Black. Mas essa noite, havia algo diferente em sua postura, uma preocupação que raramente víamos.

Ela parou diante de nós, sua figura imponente mesmo em forma humana. Seus olhos, normalmente calorosos, estavam sombrios com uma preocupação que não conseguiu esconder.

— Filhos, preciso de sua atenção — disse Sarah, sua voz grave. — Uma das garotas do acampamento de Lysvärn fugiu.

Fugir de Lysvärn? Isso era praticamente impossível. Lysvärn era um dos lugares mais bem guardados de Niflheim. Solomon, ainda em sua forma lupina, expressou a surpresa que todos sentíamos.

— Fugiu? Quem seria louca o suficiente para fazer isso?

Sarah hesitou por um momento, o que nos deixou ainda mais tensos.

— Renesmee — ela finalmente disse. — O nome dela é Renesmee.

O nome causou uma reação imediata entre nós. Renesmee... A garota que todos consideravam uma lenda.

— Ela não é aquela de sangue de Asgardheim? — perguntou Eliezar, sua voz cheia de incredulidade.

Jeremy, sempre mais cético, rosnou.

— Isso é problemático. Se os humanos descobrirem sobre ela...

Sarah assentiu, interrompendo as especulações.

— Ela não pode sair de Niflheim, e vocês sabem disso. Se ela cruzar a fronteira, o equilíbrio será quebrado. Vocês precisam encontrá-la e trazê-la de volta. Rápido.

Eu a observei, sentindo a urgência em sua voz. Sabia o quanto essa missão era importante, não apenas para proteger Niflheim, mas também porque Renesmee, por algum motivo que eu ainda não compreendia totalmente, parecia ser fundamental para o futuro de todos nós.

— Entendido, mãe — disse, assentindo com a cabeça. — Vamos encontrá-la e trazê-la de volta em segurança.

Voltei-me para meus irmãos, que estavam prontos para partir a qualquer momento.

— Vamos — ordenei. — Temos uma missão.

Eles assentiram, e todos nos lançamos de volta à floresta, com um único objetivo em mente: encontrar a garota que até então era uma lenda para nós