Os Filhos de Fenrir

12 Jacob- Imprinting


A floresta de Niflheim estava envolta em uma névoa densa, quase impenetrável para olhos menos treinados, mas para nós, lobos da linhagem Black, aquela escuridão era um aliado, não um obstáculo. Movíamo-nos silenciosamente, nossas patas tocando o solo macio coberto de folhas, enquanto o luar mal conseguia atravessar o dossel espesso de árvores antigas.

Eu liderava a matilha, meus irmãos seguindo de perto, cada um atento ao menor sinal de movimento ou cheiro incomum. As palavras de nossa mãe, Sarah, ecoavam na minha mente: uma garota mestiça havia fugido do acampamento de Lysvärn, e era nossa responsabilidade trazê-la de volta. Uma tarefa simples à primeira vista, mas eu sabia que havia mais em jogo do que apenas a segurança de uma jovem loba.

— Já ouviram falar dessa garota antes? — perguntei, quebrando o silêncio que nos envolvia.

— Sim — respondeu David, sua voz calma enquanto corríamos. — Ouvi histórias sobre ela. Dizem que é muito excluída no acampamento, por ser diferente, por carregar o sangue de Asgardheim.

— Sangue de Asgardheim? — Solomon repetiu, sua voz cheia de curiosidade. — Por que alguém do nosso povo iria querer esconder uma garota como ela de Asgardheim?

— Asgardheim é um lugar perigoso, habitado por lunáticos obcecados pelo poder — expliquei, mantendo o ritmo da corrida. — Se a garota tem algo de especial, algo que não entendemos ainda, é melhor que a mantenhamos por perto. Assim, podemos impedir que eles a corrompam ou usem seu poder para seus próprios fins.

Os lobos ao meu redor assentiram, entendendo a gravidade da situação. Não sabíamos o que a garota significava, mas uma coisa era clara: ela não podia cair nas mãos erradas.

Enquanto avançávamos pela floresta, Jeremy, que corria à minha esquerda, ergueu o focinho e farejou o ar.

— Ela passou por aqui — ele disse, a voz carregada de certeza.

Acelerei o passo, sentindo o cheiro dela também. O rastro era fresco, indicando que ela não estava muito longe. A matilha seguiu, focada na missão. O cheiro de Renesmee se intensificava, tornando-se mais forte a cada salto que dávamos.

— Ela está ali — Eliazar murmurou, seus olhos fixos em uma área densa de vegetação à nossa frente.

Solomon soltou uma risada baixa.

— Vamos brincar um pouco. Que tal a enganarmos, fazendo-a pensar que desistimos?

Um coro de risos abafados percorreu a matilha. A ideia de Solomon era ousada, e eu gostava disso. Poderíamos testar a coragem da garota e, ao mesmo tempo, nos aproximar dela sem que percebesse.

— Façam isso — ordenei, recuando levemente para que a estratégia fosse posta em prática.

A matilha se dispersou, afastando-se ligeiramente, como se estivéssemos nos retirando. Esperei oculto em meio às árvores, meus olhos fixos na direção onde o cheiro dela estava mais forte. Eu sabia que ela surgiria, e quando isso acontecesse, eu estaria pronto.

Segundos depois, vi um leve movimento entre as folhas. Meus olhos captaram a figura delicada de Renesmee surgindo, cautelosa, olhando ao redor para verificar se o perigo havia realmente passado. Eu podia sentir sua tensão, seu medo.

E então, no momento exato em que ela se convenceu de que estava sozinha, levantei-me de meu esconderijo. Meu corpo emergiu das sombras como uma entidade da própria floresta, forte e dominante, meus olhos fixos nos dela.

Nesse instante, o mundo pareceu parar. Nossos olhares se encontraram, e algo indescritível aconteceu. Sentimentos que eu não conseguia controlar começaram a tomar conta de mim. Era como se todo o universo tivesse se alinhado naquele momento para me dizer que ela era minha, que eu tinha que protegê-la com minha vida. E foi quando ouvi a voz, a mesma voz de antes, ecoando em minha mente:

Jacob....filho de Billy. Neto de Ephraim...

Aquele instante, em que o tempo pareceu desacelerar, tornou-se ainda mais estranho. Meus sentidos estavam em alerta, cada fibra do meu corpo tensa, enquanto observava Renesmee. Havia algo diferente nela, algo que eu não conseguia compreender por completo, mas que me atraía de uma maneira inexplicável. E então, tudo mudou.

Uma voz ecoou novamente em minha mente, uma voz que não era minha, nem de nenhum dos meus irmãos.

Jacob, meu descendente amado.

Fiquei paralisado, meus olhos arregalados enquanto tentava entender o que estava acontecendo. Renesmee estava imóvel, como se o tempo tivesse realmente congelado ao nosso redor. Diante de mim, um grande lobo de pelos escuros e olhos ferozes surgiu, majestoso e imponente. Era Fenrir, o deus dos lobos, o criador da nossa linhagem.

Fenrir... — minha mente sussurrou, sem acreditar no que estava vendo.

Sim, Jacob, sou eu. — A voz dele era profunda e ressoava em cada parte de mim. — Você é meu descendente amado, o líder escolhido por mim para carregar o legado dos Black. Hoje, coloco sobre seus ombros uma responsabilidade maior do que qualquer outra que você já tenha enfrentado.

Eu fiquei ali, mudo, enquanto Fenrir continuava.

Esta jovem, Renesmee, tem um sangue especial, um poder que os mortais de Asgardheim jamais devem alcançar. — Fenrir aproximou-se, sua presença esmagadora. — Ela carrega dentro de si um poder inimaginável, e é por isso que eu a escolhi para você, Jacob. Porque confio em você para protegê-la, para mantê-la segura, para guiá-la.

Eu senti uma onda de emoções me atingir, um turbilhão de sentimentos que eu nunca havia experimentado antes. Imprinting. Era isso. Era essa a sensação que tomava conta de mim.

Proteja-a, Jacob — Fenrir ordenou, sua voz assumindo um tom solene. — Ela agora pertence a você, e você a ela. Nada poderá separá-los, e será sua missão garantir que ela esteja sempre segura, não importa o que aconteça.

Antes que eu pudesse responder, Fenrir desapareceu tão rápido quanto havia surgido. O mundo ao nosso redor voltou ao normal, o tempo retomando seu curso natural. Renesmee ainda estava parada à minha frente, seus olhos arregalados e o medo estampado em sua expressão.

Eu precisava agir. Recuei para a floresta, transformando-me de volta à minha forma humana. As roupas que eu carregava como lobo agora cobriam meu corpo. Quando voltei ao local onde Renesmee estava, caminhei devagar, mantendo minhas mãos à mostra para que ela soubesse que eu não representava perigo.

— Você está bem? — perguntei, minha voz mais suave do que eu imaginava que poderia ser.

Ela olhou para mim, confusa, mas ainda assustada. — Quem é você?

— Meu nome é Jacob. Eu sou o Alpha dessa matilha — respondi, tentando transmitir a ela a segurança que Fenrir havia me ordenado.

Renesmee me olhou por um longo momento, como se estivesse tentando entender o que estava acontecendo. E eu, por mais que quisesse oferecer-lhe respostas, sabia que não podia explicar tudo naquele momento. O imprinting que eu sentira, a missão dada por Fenrir, tudo isso era maior do que nós dois. Mas havia uma coisa que eu tinha certeza, algo que havia sido gravado na minha alma naquele instante de conexão.

Ela era minha, e eu seria o escudo dela, o lobo ao seu lado, até o fim dos meus dias.