Os Filhos de Fenrir
18 Jacob- A primeira noite
Após a bênção de Ephraim, as jovens começaram a se despedir umas das outras, e meus olhos permaneceram fixos em Renesmee. Notei que uma única garota se aproximou dela para uma despedida mais íntima, talvez a única amiga que Nessie tenha feito nos últimos tempos. Sabia que, por mais forte que fosse, Renesmee sempre teve dificuldade em criar laços de amizade. Uma parte de mim esperava que, com o tempo e ao meu lado, isso mudasse. Ela merecia uma vida diferente, cercada por pessoas que a amassem e respeitassem.
Decidi dar a elas alguns minutos a sós e me afastei, caminhando em direção aos meus irmãos, que estavam conversando com meus pais, Sarah e Billy. O clima ali era mais leve, as expectativas estavam no ar.
Jeremy estava de mãos dadas com sua escolhida, assim como Solomon, e havia um sorriso orgulhoso no rosto de cada um deles.
— Então, irmão — disse Jeremy, dando uma olhada para sua companheira. — O que acha que as novas integrantes do clã Black vão trazer para a matilha?
Solomon deu uma risada curta antes de responder.
— Com sorte, menos problemas do que nós demos ao nosso pai quando éramos mais novos — ele piscou para Billy, que riu e balançou a cabeça.
— Ah, isso eu duvido muito — disse Billy, com um brilho nos olhos. — Vocês vão aprender rápido que as mulheres na nossa matilha sempre souberam muito bem como nos manter na linha.
Sarah, sempre mais séria, mas com uma doçura evidente, lançou um olhar para mim e para os demais.
— O importante é que vocês as tratem com o respeito que merecem. Elas são nossas parceiras, e o laço que têm com vocês vai fortalecer o clã inteiro.
Enquanto conversávamos, David se aproximou, com um sorriso largo no rosto. Olhei para ele e para a garota ao seu lado, Leah Clearwater.
— Então temos uma Clearwater na família agora? — perguntei, um tom divertido na voz.
David olhou para Leah com um olhar cheio de admiração e respondeu:
— Sim, irmão. Ela é incrível.
Sarah, sempre atenta a todas as dinâmicas familiares, não pôde deixar de intervir.
— Só uma coisa, David — disse ela, com um tom de cautela. — Leah não se dá bem com Nessie.
Houve um breve silêncio. David e eu trocamos olhares. Por um momento, vi a sombra de preocupação nos olhos dele, mas ele logo a substituiu por um sorriso confiante.
— Prometo que Leah não dará problemas — disse ele com convicção, colocando a mão no ombro de Leah.
Eu assenti, mas apertei o ombro de David levemente, sorrindo enquanto falava:
— Eu espero que não, irmão. Porque, se ela der, vai ter problemas com o Alpha.
David riu, balançando a cabeça, e Leah, embora séria, não disse nada. Ela sabia que eu não estava brincando, mas, ao mesmo tempo, não queria iniciar qualquer conflito ali.
Me afastei do grupo e voltei meus olhos para Renesmee, que sorria enquanto a amiga partia. Era um sorriso bonito, mas havia um toque de melancolia ali. Caminhei até ela e, sem dizer nada por um instante, apenas observei.
Quando ela me viu, seu sorriso se iluminou. Eu estendi minha mão, e ela a segurou. O toque de sua pele era familiar, quente, e trouxe uma sensação de pertencimento.
— Vamos para casa — falei, com um sorriso calmo.
Ela assentiu, seus olhos fixos nos meus, e respondeu:
— Vamos.
O retorno para Niflheim foi mais tranquilo do que eu esperava. Renesmee estava sentada à minha frente enquanto cavalgávamos, com a paisagem mística ao redor se desdobrando diante de seus olhos curiosos. Ela nunca havia ido além da floresta de Lysvärn, e eu podia sentir sua admiração a cada lugar que passávamos. O vento fresco acariciava nossos rostos, e, ao ver o sorriso dela crescer, eu me permitia relaxar um pouco. Tudo parecia certo naquele momento, como se as engrenagens do destino finalmente tivessem se encaixado.
Os demais membros da matilha Black seguiam próximos a nós, conversando em tons baixos enquanto a noite se aproximava e a lua começava a surgir no horizonte. O caminho pela floresta até o vilarejo era silencioso, apenas quebrado pelo som dos cascos dos cavalos contra o solo e as risadas contidas de meus irmãos.
De vez em quando, eu encostava meu queixo no ombro dela, sentindo o perfume doce que sempre me entorpecia. Aquela proximidade... eu desejava aquilo mais do que qualquer coisa. Enquanto cavalgávamos, contei a ela algumas das lendas do nosso povo, das montanhas e das florestas. Era um jeito de distrair a mim mesmo também, manter meus pensamentos centrados, mas não podia evitar o quanto estava absorto em Renesmee.
— Está vendo aquela colina ali? — murmurei no ouvido dela, apontando para uma elevação coberta de árvores à nossa direita. — Conta-se que, muito antes dos humanos se estabelecerem por aqui, Fenrir, o Grande Lobo, caçava com seus filhos naquele vale. Numa noite de lua cheia, ele encontrou uma fera que nem mesmo os deuses conheciam. A luta durou horas, e o solo foi encharcado de sangue. No fim, Fenrir venceu e arrastou a fera até o topo daquela colina, onde a enterrou. Dizem que, nas noites mais silenciosas, você pode ouvir o sussurro da criatura, ainda presa no fundo da terra, esperando para se libertar.
Senti o tremor sutil do corpo dela contra o meu, e seu riso suave me fez sorrir.
— Você conta essas histórias como se fossem verdadeiras — ela disse, virando a cabeça um pouco para me encarar, com o olhar brilhando de curiosidade.
— Talvez sejam — brinquei, pousando meus lábios brevemente em sua têmpora, só para sentir o toque dela por mais um instante.
Quando finalmente chegamos ao vilarejo Black, a sensação de pertencimento tomou conta de mim. Era bom estar em casa, em meio àqueles que dividiam não só o sangue, mas também o destino de nossa matilha. Cada lobo se despediu, voltando para suas respectivas casas, e Renesmee e eu seguimos em direção à minha... nossa casa. A noite caía suavemente sobre o vilarejo, e a luz suave da lua iluminava o caminho.
Ao chegarmos, abri a porta e a deixei entrar primeiro. Havia cuidado de cada detalhe daquele lugar no dia anterior à sua chegada, esperando que ela se sentisse confortável. Cada canto da casa havia sido arrumado para recebê-la, e agora, ver Renesmee ali, finalmente em nosso lar, me fazia sentir que tudo estava onde deveria estar.
Subimos as escadas de madeira em silêncio, com o ranger suave dos degraus ecoando pelo corredor. Eu podia sentir a tensão no ar entre nós, não uma tensão ruim, mas aquela expectativa que parecia crescer a cada segundo. Ela olhava ao redor, seus olhos percorrendo cada detalhe, e seu sorriso tímido me fez entender que ela gostou do que viu.
Quando chegamos ao quarto, o ambiente parecia mais íntimo do que nunca. Ela estava claramente nervosa, e eu também, embora quisesse mais do que qualquer coisa tranquilizá-la. Aproximei-me devagar, sem pressa, sem querer apressar nada, olhando diretamente em seus olhos. Eles eram como um oceano profundo, e me perdi ali mais uma vez.
— Nessie — murmurei, minha voz baixa, quase um sussurro. — Quero que você saiba que nada acontecerá aqui que você não queira. Quero que se sinta confortável, segura... E que saiba que eu respeitarei cada uma das suas vontades.
O silêncio tomou conta do ambiente por alguns segundos. Não era desconfortável, mas cheio de significado. Eu não queria que ela se entregasse a mim por qualquer tipo de obrigação. Não. Eu queria que ela retribuísse meus sentimentos, que se sentisse tão conectada a mim quanto eu me sentia a ela.
Ela levantou os olhos, me encarando, e finalmente respondeu, sua voz suave, mas decidida:
— Você é meu Alpha, Jacob. Não há nada que você faça que eu não queira ou aceite.
Um sorriso se formou nos meus lábios. Ela havia me dado sua autorização, e eu senti que o tempo finalmente havia chegado. Dei alguns passos até ela, e, sem hesitar, a beijei. O toque de seus lábios contra os meus fez cada célula do meu corpo vibrar. Puxei-a suavemente para os meus braços, segurando-a com o cuidado que ela merecia, mas com a paixão que vinha crescendo em mim desde o momento em que a vi pela primeira vez.
Parei o beijo com alguns selinhos, incapaz de resistir ao toque suave de seus lábios, mas eu sabia que precisava me conter. Acariciei sua bochecha com ternura, meus dedos deslizando levemente pela pele macia enquanto eu a encarava. O desejo de tê-la para mim naquele momento era forte, quase insuportável, mas as regras eram claras. A primeira noite não era para a consumação. Era uma tradição antiga, e eu respeitava isso. A escolha era dela.
O imprinting não era uma obrigação, embora nunca houvesse uma rejeição de uma parceira. O vínculo era forte, profundo, e difícil de ignorar. Mesmo assim, ela precisava ter a liberdade de decidir por si mesma.
Segurei suas mãos com delicadeza e sussurrei:
— Estarei de volta pela manhã.
Ela assentiu levemente, seus olhos brilhando com uma mistura de nervosismo e confiança. Inclinei-me e depositei um beijo suave em sua testa, sentindo o calor de sua pele. Era difícil sair, deixá-la ali, mas eu sabia que era o certo.
Com um último olhar, saí do quarto, descendo as escadas em silêncio, enquanto um sorriso involuntário surgia em meu rosto. Cada passo me lembrava da responsabilidade que eu carregava, mas também da felicidade de saber que ela estava comigo, que agora era minha.
Assim que abri a porta e saí para a noite fresca, fui surpreendido por meus irmãos, que estavam à minha espera com sorrisos maliciosos.
— Então, uma despedida de solteiro durante a noite? — provocou Esaú, os braços cruzados enquanto ele me olhava com expectativa.
Ri baixo, começando a abrir os botões da minha camisa, sentindo o ar fresco contra minha pele.
— Que tal uma caça aos cervos das montanhas? — sugeri, levantando a sobrancelha, provocando-os.
Jeremy deu um sorriso largo, cheio de confiança.
— Eu já venci essa, irmão.
O desafio estava lançado, e antes que qualquer um pudesse responder, os lobos começaram a se transformar, um a um. Suas formas imponentes e peludas se erguendo na noite, enquanto a energia da matilha fluía entre nós.
Antes de me transformar, olhei para cima, na direção da janela do quarto, onde Renesmee estava. Ela me observava em silêncio, sua silhueta iluminada pela luz suave do quarto. Eu sorri para ela, e, para minha surpresa, ela retribuiu o sorriso, acenando levemente.
Aquele simples gesto fez meu coração disparar. Com o peito cheio de determinação e carinho, me transformei no grande lobo, sentindo o poder e a liberdade tomarem conta de mim. A terra sob minhas patas, o cheiro fresco da noite, tudo parecia mais vivo, mais intenso. Unir-me à matilha naquela noite era a celebração de algo muito maior do que uma simples caça.
Eu estava pronto.
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