Os Filhos de Fenrir
19 Jacob- Visitantes
A brisa fresca da noite batia contra meu pelo enquanto corríamos pela floresta, nossos corpos enormes e ágeis saltando sobre as pedras e raízes. A lua Nova iluminava os limites entre Niflheim e Asgardheim, uma zona de fronteira perigosa, mas era exatamente isso que nos dava a adrenalina de que precisávamos. Além disso, naquela noite, nossa matilha estava de vigia, garantindo que nenhum estrangeiro ousasse cruzar para nosso território.
Eliazar estava à minha direita, seus passos firmes e constantes, enquanto Jeremy e Esaú riam atrás de nós, provocando-se mutuamente. David e Solomon completavam o grupo, todos em suas formas lupinas, compartilhando pensamentos e piadas através de nossos laços telepáticos.
— Aposto que derrubo o primeiro cervo — desafiou Jeremy, seu tom repleto de confiança juvenil.
— Isso se você não tropeçar em alguma pedra, como da última vez — riu Esaú, sua risada ecoando em minha mente.
Eu sorri internamente, enquanto corríamos em direção ao limite da floresta. Era bom estar com eles, sentir a energia da matilha fluindo como uma correnteza entre nós. Mas, como sempre, David encontrou um jeito de desviar o assunto para sua companheira.
— Então, Jacob, já dei o aviso à Leah — disse ele, acelerando um pouco para se aproximar mais de mim. — Avisei que, se ela incomodar Renesmee, vai ter que lidar com o Alpha.
Revirei os olhos, mas não pude deixar de rir.
— Eu espero que tenha sido convincente, David, ou ela vai ter problemas mesmo.
— Ah, você conhece a Leah — respondeu ele, com um toque de sarcasmo. — Não se assusta fácil, mas eu garanti que ela entendesse que não há espaço para conflitos. Ela prometeu se comportar... pelo menos por enquanto.
Esaú interrompeu:
— Bem, espero que Leah cumpra a palavra. Renesmee já vai ter bastante trabalho lidando com você, Jacob. Não precisa de mais ninguém pegando no pé dela.
— Muito engraçado, Esaú — retruquei, acelerando um pouco mais, deixando-os para trás por alguns segundos, antes de eles me alcançarem novamente.
A noite estava em seu ápice quando avistamos um grupo de cervos entre as árvores, seus olhos brilhando ao refletirem a luz da lua. Todos paramos por um instante, trocando olhares, e então, ao mesmo tempo, nos lançamos na perseguição. Os cervos dispararam pela mata, rápidos e ágeis, mas não o suficiente para nos despistar. Era quase uma corrida amigável entre os lobos para ver quem abateria o primeiro.
Mas antes que pudéssemos nos aproximar o suficiente, o som metálico de uma espada rasgando o ar e abatendo um cervo ecoou pela floresta. Nossos instintos entraram em alerta, e todos paramos imediatamente, as orelhas em pé e os focinhos farejando o ar.
Cercamos a área em silêncio, movendo-nos em formação, nossos olhos fixos no homem que estava ao lado do cervo morto. Ele empunhava uma espada, seu olhar calmo enquanto nos observava.
Não estava sozinho. Logo, mais homens apareceram das sombras, seus trajes e o tom de pele denunciando sua origem. Asgardheim. Havíamos cruzado o caminho deles.
— Isso não está parecendo mais uma simples despedida de solteiro — murmurou Jeremy através do nosso elo mental, mantendo os olhos fixos nos estrangeiros.
— Fiquem atentos — adverti, avançando lentamente para perto do homem com a espada. Ele parecia despreocupado, mas sabia que não era um erro subestimá-lo. — Eles não deviam estar aqui.
Corri para a floresta, sentindo o peso da responsabilidade em cada passo, e voltei à minha forma humana assim que estive fora de vista. As árvores ao meu redor pareciam sussurrar, como se soubessem do confronto que estava prestes a acontecer. Ajustei rapidamente minhas roupas e me aproximei do grupo de homens que estavam diante de nós. O som de suas espadas rangendo ao serem embainhadas era o único barulho além do vento.
Um dos homens, o que parecia ser o líder, deu um passo à frente, guardando sua espada. Seus olhos eram calmos, mas eu não me deixaria enganar.
— Não vim para lutar — disse ele, com uma voz grave, porém contida. — Precisamos conversar.
Atrás de mim, eu sabia que os lobos estavam prontos para atacar a qualquer momento, seus olhos atentos e suas mentes conectadas às minhas. Eu olhei diretamente para o homem à minha frente, buscando alguma pista sobre quem ele era e o que realmente queria.
Havia algo familiar nele, mas eu não conseguia identificar de imediato. Até que ele falou novamente:
— Meu nome é Edward. Esses são meus irmãos, Emmett e Jasper. — Ele fez um gesto para os outros dois homens que agora estavam ao seu lado. — Estamos procurando alguém.
Senti o sangue correr mais rápido em minhas veias, mas mantive o rosto neutro.
— E quem exatamente vocês acham que vão encontrar por aqui? — perguntei, minha voz firme, mas com uma ponta de curiosidade misturada ao meu instinto defensivo.
— Uma loba. Seu nome é Bells. Nós nos perdemos na última batalha. Mas acredito que ela ainda esteja viva, que tenha sido acolhida por seu povo — ele respondeu, e então hesitou, como se estivesse escolhendo suas próximas palavras com cuidado. — E sua filha também.
O choque percorreu meu corpo, mas tentei disfarçar. Bells... Ele estava falando de Bella, a loba traidora. E sua filha... Isso só podia significar uma coisa.
— Bells? — soltei uma risada amarga, esbravejando antes de conseguir me conter. — A loba traidora morreu em combate, assim como sua cria. Vocês estão perdendo tempo aqui.
Edward deu um passo à frente, os olhos cheios de esperança.
— Eu procurei por anos, passei pelos vilarejos de Niflheim, buscando alguma pista. Sei que minha esposa e filha estão vivas. Só preciso saber se foram poupadas.
O nome que ele usou... **Esposa**. O homem que agora estava na minha frente era o pai de Renesmee. O pai da garota pela qual eu havia me impresso, o homem sobre o qual ouvi tantas histórias na minha infância.
Eu podia sentir o medo e a confusão se formando dentro de mim. Mas não podia mostrar fraqueza agora. Se esse era realmente o pai de Nessie, então ele também era uma ameaça. Respirei fundo, tentando manter minha compostura.
— Eu já disse, a loba e a filha morreram. — Meus olhos se estreitaram enquanto eu dava um passo à frente, deixando claro que não havia espaço para negociação. — E mesmo que tivessem sobrevivido, vocês estão muito longe dos vilarejos de Niflheim. Não se atrevam a colocar os pés em nossas terras novamente, Asgardheins, ou não seremos tão generosos da próxima vez.
Edward ficou em silêncio, seus olhos presos nos meus, como se buscasse alguma confirmação ou esperança. Mas não havia nada para ele ali. Fiz um gesto com a cabeça, indicando que ele e seus irmãos deveriam partir.
Sem mais uma palavra, ele acenou para Emmett e Jasper, e os três começaram a recuar lentamente.
Eu me virei, correndo de volta para a floresta, sentindo a transformação começar a dominar meu corpo novamente. Em segundos, eu estava de volta à minha forma lupina, minhas patas tocando o chão macio enquanto me conectava à minha matilha.
— Jacob... — Esaú disse em nossas mentes. — Esse é o pai dela, não é?
Eu podia sentir a inquietação em suas vozes.
— Sim, respondi, tentando processar tudo que acabara de acontecer. — É ele.
— O que faremos? — Jeremy perguntou, sua mente cheia de perguntas.
— Esaú, Jeremy, sigam-nos. Certifiquem-se de que eles realmente vão embora. — Olhei uma última vez na direção em que Edward e seus irmãos desapareceram. — Eu preciso falar com Ephraim.
Corri pela floresta, o som de minhas patas contra o solo úmido ecoando na escuridão. A lua nova mal iluminava o caminho, mas meus sentidos aguçados me guiavam sem falhas. Meu coração batia acelerado, e meus pensamentos estavam tão turbulentos quanto o vento que passava por mim.
Edward... vivo.
Ele era o pai de Renesmee, o homem das histórias, aquele que eu achava que tinha morrido muito antes de qualquer um de nós sequer ter entendido o que estava em jogo. As palavras dele ecoavam na minha mente. Como ele poderia estar vivo depois de tanto tempo? E, pior, como Ephraim sabia disso? Ele devia me dar respostas, e eu as cobraria.
O amanhecer começava a despontar quando finalmente cheguei ao vilarejo dos Black. A casa de Ephraim, simples e sólida, estava à minha frente. Como de costume, a porta estava entreaberta, sinal de que ele esperava alguém ou sabia que alguém viria. Entrei sem hesitação.
Lá estava ele, sentado à mesa de madeira, seu olhar cansado mas ainda forte como o de um verdadeiro Alpha. Ele não parecia surpreso com minha chegada, como se já soubesse o que me trouxera até ali.
— O que o traz aqui tão cedo, meu neto? — Sua voz era grave, mas serena, os olhos cravados em mim, como se já adivinhasse a razão da minha visita.
Eu o encarei de volta, minhas emoções à flor da pele.
— Você sabia — disparei, sem rodeios. — Sabia que o pai de Nessie está vivo?
Ele permaneceu em silêncio por um momento, seus olhos não desviaram dos meus. Então, como se fosse um fardo que ele já esperava carregar, ele suspirou.
— Edward encontrou o caminho para o vilarejo?
Fiquei atônito com sua resposta. O tom despreocupado e o fato de ele não negar me fizeram perceber o quanto ele sabia. Dei um passo à frente, frustrado.
— Você sabia! — repeti, agora com mais força. — E não disse nada?
Ephraim fez um gesto para que eu me sentasse, um pedido mais do que uma ordem. Com o coração acelerado, aceitei o convite, sentando-me à sua frente, sem tirar os olhos dele.
— Ouça, Jacob. Há muito tempo, algumas verdades foram enterradas. — Ele passou as mãos pelos cabelos grisalhos, pensativo. — O que você viu esta noite era inevitável. E está na hora de você saber tudo.
Fiquei em silêncio, esperando que ele continuasse. Sabia que não poderia interrompê-lo agora, mas minha paciência estava por um fio.
— Edward e Bella eram nossos aliados antes de a guerra nos separar. Bella... a loba que chamamos de traidora, era uma de nós. Ela e Edward lutaram ao nosso lado. Mas quando a batalha ficou insustentável, Bella fugiu para proteger Renesmee, sua filha. Foi um golpe duro para todos, e muitos acreditaram que ela havia traído nossa aliança. A verdade é que ela escolheu a filha, assim como qualquer mãe faria.
Eu me inclinei para frente, absorvendo suas palavras.
— E por que não me contou isso antes? — perguntei, a voz tensa. — Por que me deixou acreditar que ambos estavam mortos?
Ephraim me olhou com intensidade.
— Porque proteger você e Renesmee era mais importante do que qualquer outra coisa. Se Edward soubesse onde ela estava... as coisas teriam sido muito diferentes. Ele não a abandonou, Jacob. Ele a procurou por todos esses anos, mas não encontrou o caminho até nós até agora.
Minha mente girava com tudo o que ele dizia. Não era apenas sobre o passado de Edward e Bella, mas também sobre a vida de Renesmee, a verdade que me foi escondida durante todo esse tempo.
— E agora? — perguntei, ainda incrédulo. — O que vai acontecer?
Ephraim suspirou.
— Agora, você precisa selar o destino de vocês e o pedido de Fenrir, a torne sua esposa hoje mesmo, consuma a uniao eu os libero de seguir as nossas tradições, Asgardheim não pode unir o sangue deles ao nosso, não podem ter lobos sobre ssu comando ou todos nos estaremos perdidos. Assim que isso acontecer nenhum outro homem à tocará pois ela pertencerá a você. Vá e faça isso o quanto antes, Edward está próximo e não vai descansar até encontra-la.
Eu olhei para o chão, sentindo o peso da responsabilidade cair sobre meus ombros.
— Ele não vai tocá-la, Ephraim. Eu prometi protegê-la e vou cumprir essa promessa.
Ephraim assentiu, mas seus olhos continham uma sabedoria que eu não conseguia decifrar completamente.
— Apenas lembre-se, Jacob, que o passado nem sempre pode ser mudado... mas o futuro ainda está nas suas mãos.
As palavras dele ficaram ecoando em minha mente enquanto me levantava, ainda tentando processar tudo que havia descoberto.
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