Os Filhos Proibidos

9 Capítulo 9 - Nice


Notas iniciais
Espero que gostem do capítulo! Obrigada por terem lido e comentado no capítulo anterior. Embora tenha recebido apenas um review, fico feliz pelo número de leitores ter aumentado.

20 leitores e apenas 1 comentário? Acho que a história deve estar horrível para vocês não estarem comentando :(

Deixem reviews para que eu saiba o que estão achando. O autor cria a história, mas ele precisa dos leitores para motivarem sempre, ok?
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A BATALHA DO LABIRINTO (PARTE 09)

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BOA LEITURA!!!

Os planos de Nice estavam indo como o planejado. O mais difícil, seria de fato, convencer os amigos. Mas felizmente, ela conseguiu. Logo, os amigos estavam seguindo-a por um túnel, usando as chamas na mão direita da garota, como iluminação.

Eles caminhavam em silêncio. Nice pensou que os amigos fossem perguntar sobre os objetos que a garota entregara para eles, mas isso não aconteceu. Nice acabou se irritando com o silêncio dos amigos.

– Vão continuar tão quietos assim ou vão falar alguma coisa de uma vez? — perguntou a garota, prestando atenção ao caminho que seguiam.

– Por que nos deu um anel e uma pulseira? — perguntou Ana, desconfiada.

– Pensei que vocês jamais fossem perguntar isso. — Nice mal conseguiu esconder sua animação. Aquele tinha sido um grande projeto para ela. Maior que suas criações no porão de casa. — São as armas de vocês.

– Muito bom, Nice. — disse Josh, com puro desdém. — Vamos chegar em um monstro e "Tome seu monstro ridículo! Morra! Essa é a minha melhor arma! Uma pulseira!".

Ana riu e Nice se limitou a revirar os olhos.

– Claro que não, "sr.Inteligente". — disse Nice, lançando um olhar de deboche para o amigo. — Esses são objetos de disfarce, como minha chave de fenda.

– Ah, mas sua chave de fenda é mortífera dependendo do lugar que você acerta. — comentou Ana, dando uma risada.

– Prestem atenção. — disse Nice, dando um suspiro. — A pulseira e o anel se transformam na arma que você pensar. Podem se transformar em uma espada, um martelo, uma faca, um escudo, qualquer coisa do gênero. Entenderam?

– Legal. — disse Josh tirando sua pulseira.

– É. Foi o seu primeiro projeto? — perguntou Ana, virando o anel nos dedos.

– Não. — respondeu Nice, balançando a cabeça. — Foi o meu projeto mais incrível, digamos assim.

– Ahh. Obrigada Nice.

– É. Valeu. — concordou Josh.

Nice assentiu e continuou caminhando. Eles não poderiam saber a verdade sobre seus projetos, afinal, estes não deveriam ser mencionados. O porão de sua casa, era onde ficavam as maiores experiências que Nice já fizera. E não eram armas de qualquer valor. Era algo que sua mãe jamais aceitou, mas que acabou gostando quando soube do talento raro da filha. Foi uma das formas mais secretas que Nice arrumou, de tentar chamar a atenção da mãe para ela. Infelizmente, isso funcionou por pouco tempo.

O túnel era redondo como um esgoto, construído de tijolos vermelhos com vãos com barras de ferro de três metros. Ele se abria em infinita escuridão.

Nice deu o seu melhor, para pensar em uma estratégia. Afinal, eles estavam perdidos.

– Se mantivermos uma mão na parede da esquerda e segui-la – disse ela, – devemos ser capazes de encontrar o nosso caminho de volta invertendo o curso.

Infelizmente, logo que Nice disse isso, a parede da esquerda desapareceu.

– Esse labirinto está claramente te trollando. — disse Josh, se largando no chão, contra a parede.

– Hum, por qual caminho viemos? – perguntou Ana.

– Apenas dê meia volta – Nice disse, confiando que daria certo.

Mas ao se virarem, as duas se depararam com túneis diferentes. Aquilo foi ridículo. Incrivelmente ridículo.

Os oito túneis que se abriram para eles, eram idênticos. Nice varreu os túneis com as chamas que haviam em sua mão direita.

– E agora? — perguntou Josh, se juntando às garotas.

Nice olhou cada túnel. Aquilo não estaria perdido. Não mesmo. Era como um difícil problema de matemática. Tinha que pensar milhares e milhares de vezes antes de dar a resposta certa. Naquele caso, Nice ficou em silêncio, feliz, pelos amigos também ficarem quietos.

– Por ali. — disse a garota, por fim, indicando um dos túneis.

– Como você sabe? — perguntou Ana, desconfiada.

– Apenas...Instinto de uma filha de Hefesto. — respondeu Nice.

– Então você está adivinhando? — perguntou Josh.

– Apenas me sigam. — disse Nice, fugindo da pergunta e começando a caminhar. Sem opção, os amigos a seguiram.

(...)

O túnel que Nice escolhera se estreitou rapidamente. As paredes transformaram-se em cimento cinza, e o teto ficou tão baixo que logo, eles tiveram que arquear as costas.

– Não aguento mais isso. — resmungou Josh, que claramente, não estava gostando nada da aventura.

– Pare de reclamar. Nem parece que é homem. — disse Nice, iluminando o túnel estreito.

Josh resmungou mais um pouco, mas Nice resolveu não lhe dar atenção. Afinal, poderia acabar estrangulando-o e isso não seria muito bom para a missão.

Quando o túnel se tornou incrivelmente estreito, uma sala se abriu para eles. Nice iluminou o lugar e não pode deixar de soltar uma curta exclamação.

– Uau.

O cômodo todo era coberto de azulejos de mosaico. As figuras estavam encardidas e desbotadas, mas Nice ainda podia ver as cores vermelho, azul, verde, dourado. O mural mostrava os deuses olimpianos em um banquete. Lá estava o deus dos mares e oceanos, Poseidon, com o seu tridente, segurando uvas para Dioniso transformar em vinho. Zeus estava festejando com sátiros, e Hermes estava voando através do ar com suas sandálias aladas. As imagens eram lindas, mas não eram muito precisas.

– Que lugar é este? – murmurou Josh.

– Romano – Ana disse e os dois amigos, a encararam. – Esses mosaicos são de dois mil anos atrás.

– Mas como eles podem ser romanos? — perguntou Josh.

– O labirinto é uma miscelânia – Nice falou, pensativa. Ela havia estudado aquilo, nos dias que planejava entrar em missão com os amigos. Livros de Mitologia Grega, sempre ajudavam – Está sempre em expansão, adicionando peças. É o único trabalho de arquitetura que cresce por si mesmo.

– Você faz soar como se estivesse vivo. — comentou Josh, analisando tudo.

Um barulho como um gemido ecoou do túnel em frente aos três.

– Não vamos falar sobre isso estar vivo – disse Ana, respirando fundo. – Isso não é legal de se lembrar. Vamos.

– A arquitetura está ficando mais velha. Isso é um bom sinal. A oficina de Dédalo será na parte mais antiga. — comentou Nice.

– Como você sabe disso? — perguntou Josh, estranhando.

– Livros ajudam, sabia? — disse Nice, continuando a caminhada.

(...)

O labirinto parecia querer brincar com eles. Andaram quinze metros e o túnel virou cimento de novo, com canos de bronze correndo pelos lados. As paredes foram grafitadas com spray. Lia-se em um letreiro de neon MOZ MANDA.

– Eu tenho quase certeza que isso não é romano – comentou Josh.

Nice respirou profundamente, então seguiu em frente. Aquilo não estava se tornando uma missão onde poderia dizer "Perfeito!", mas Nice não poderia deixar de negar que aquele labirinto era incrível. O mecanismo de tudo aquilo, as armadilhas, as brincadeiras...Tudo. Aquele labirinto tinha vida. Um projeto incrível que pode causar a destruição, ou a diversão! O que mais Nice ia querer?

A cada passo os túneis espiralavam e se transformavam e se ramificavam. O piso abaixo deles foi de cimento para lama para tijolos e tudo de novo. Não havia qualquer sentido em nenhum deles. Eles tropeçaram em uma adega estreita com várias garrafas empoeiradas em prateleiras de madeira como se estivessem atravessando o porão de alguém, só que não havia saída alguma acima deles, só mais túneis.

Enquanto Nice caminhava, refletia no que fazer a cada vez que passavam por um túnel e tinham que escolher outro. Teoricamente, Nice não deveria estar guiando os amigos. Na prática, Nice estava sendo a líder daquela missão suícida.

Nice sempre gostou de mandar nas pessoas, mas nunca pensou em comandar algo, onde a sua e a vida dos amigos, poderia correr perigo.

Então, Ana soltou uma exclamação e Nice entendeu o porque da amiga ter feito aquilo. Eles tinham encontrado o primeiro esqueleto, naquele labirinto.

– Isso não é muito legal. — comentou Josh, balançando a cabeça.

O esqueleto estava vestido com roupas brancas, como uma espécie de uniforme. Um engradado de madeira com garrafas de vidro estava próximo a ele.

– Um leiteiro. — disse Ana, encarando os amigos.

– Mas o que...Isso está fazendo ai? — perguntou Josh.

– Algumas pessoas se perdem por engano – disse Nice. – Algumas vêm explorar de propósito e nunca saem. Há muito tempo atrás, os cretenses enviavam pessoas aqui como sacrifícios humanos.

– Maneiro. — ironizou Josh.

– É legal. Dependendo do seu ponto de vista. — disse Nice. — Vamos.

– Temos que ir mais fundo no labirinto – disse Ana. – Tem de haver um caminho para o centro.

Nice concordou e começou a guiar os amigos para várias direções. Até que, finalmente, seguindo pelo caminho da esquerda, voltaram ao cômodo dos azulejos romanos.

Entretanto, dessa vez, eles não estavam sozinhos.

Notas finais
Espero que tenham gostado e agradeço a quem ler e comentar ;)

Beijos da autora, Livia Dias.