Os Filhos Proibidos
10 Capítulo 10 - Ana
Notas iniciais
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A BATALHA DO LABIRINTO (PARTE 10)
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BOA LEITURA!!!
Ana confessava, que seus planos não eram, de fato, entrar em um labirinto e ainda por cima ficar perdida dentro deste. As chances do trio sair vivo dali, eram bem amenas. Mas afinal, eles poderiam ter uma chance. Certo?
Ana não sabia dizer. O que sabia, era que a criatura que estava à sua frente, não era nada bonita. E muito menos simpática.
O que Ana viu primeiro, foram seus rostos. Dois rostos por sinal. Eles saiam de ambos os lados da cabeça, olhando sobre seus ombros, de forma que a cabeça dele era muito mais ampla do que deveria ser, como uma espécie de tubarão-martelo. Olhando diretamente para ele, tudo que Ana via eram duas orelhas sobrepostas e imagens-espelho de costeletas.
Ele estava vestido como um porteiro de Nova York: um longo sobretudo preto, sapatos brilhantes, e um chapéu preto alto que conseguiu de alguma forma ficar sobre sua cabeça dupla.
- Tudo bem, Nicolle? — perguntou a face da direita. — Depressa! Por aqui!
- Não dê ouvidos à ele. — disse a face da esquerda. — Ele é terrivelmente rude. Venha por aqui, senhorita.
Pela primeira vez, Ana via Nice desnorteada.
- Ah... eu não...
- Cara, esse dai é horrível com duas caras. — comentou Josh, rindo.
- Sabe, o "dai" com duas caras tem ouvidos, sabe. — a face da direita resmungou. — Agora venha senhorita. Por aqui!
- Não, não – a face da direita disse. – Nesta direção, senhorita. Fale comigo, por favor.
Atrás dele estavam duas saídas, bloqueadas por portas de madeira com enormes cadeados de ferro. Eles não estiveram lá na nossa primeira vez na sala. O porteiro de duas caras segurava uma chave prata, que ele continuava passando de sua mão esquerda para a sua mão direita. Ana imaginou se este era um lugar completamente diferente, mas o mural dos deuses parecia exatamente o mesmo.
Atrás deles, a porta pela qual entraram desapareceu, substituída por mais mosaicos. Não poderiam voltar pelo caminho que vieram.
– As saídas estão fechadas – Ana disse, em tom de voz baixo.
– Dã! – a face esquerda do homem disse.
– Aonde elas levam? – Nice perguntou.
– Uma provavelmente leva ao lugar que você deseja ir – disse o rosto da direita animadoramente. – A outra leva a uma morte certa.
– Eu sei quem você é – disse Nice.
– Ah, você é uma sabidinha! – O rosto da esquerda zombou. – Parece até com a outra garota que passou por aqui. Mas você sabe que caminho escolher? Eu não tenho o dia todo.
– Por que vocês estão tentando me confundir? – Nice perguntou.
A face da direita sorriu.
– Você está no comando agora, minha querida. Todas as decisões estão em seus ombros. Isso é o que você queria, não é?
Nice ficou em silêncio.
– Nós conhecemos você, Nicolle – a face da esquerda disse. – Sabemos com o que você luta todos os dias, ou melhor, com quem. Sabemos das suas indecisões, dos seus segredos, das suas tentativas de chamar a atenção. Você terá que fazer sua escolha mais cedo ou mais tarde. E a escolha pode matar você ou destruir tudo.
Nice ficou pensativa. Ana e Josh, se entreolharam. Quais eram os segredos de Nice? Do que o homem de duas caras estava falando?
- Não! Você está errado! — gritou Nice, mas era evidente que ela queria parecer forte.
- Deixem-na em paz. — disse Josh, irritado. — Quem são vocês afinal?
- Eu sou seu melhor amigo. — disse a face da direita.
- E eu seu pior inimigo. — disse a face da esquerda.
- Sou Jano! — disseram as faces, em coro. — Deus das portas. Começos. Finais. Escolhas.
Ana se lembrava desse nome, de algum lugar. Teria visto em algum livro, ou fora Nice quem comentara? Ana não soube dizer, mas sabia que o nome lhe era familiar.
- Isso é tão divertido! — exclamou o rosto da direita.
- Cale a boca! – O rosto da esquerda disse. – Isso é sério. Uma má escolha pode arruinar toda a sua vida. Pode matar você e todos os seus amigos. Mas sem pressão, Nicolle. Escolha!
Ana começava a pensar que Nice fosse ter um colapso nervoso ou algo do gênero, mas a garota apenas respirou fundo, remexendo em algo no seu bolso (provavelmente, sua chave de fenda).
- Não faça isso. — disse Josh, antes que Ana o fizesse.
- Eu receio que ela tenha de fazer – o rosto da direita disse alegremente.
- Eu escolho. — disse Nice, decidida.
Antes que ela pudesse apontar para uma porta, uma brilhante luz inundou a sala. Jano levantou suas mãos para cada lado de sua cabeça para cobrir os olhos. Quando a luz sumiu, uma mulher estava em pé na fonte. Ela era alta e elegante com longos cabelos da cor de chocolate, trançados com fitas de ouro. Ela usava um vestido branco simples, mas quando ela se movia, o tecido tremulava com cores como óleo sobre a água.
– Jano – disse ela, – estamos causando problemas de novo? Já não chega os que você causou minutos atrás?
– N-não, minha senhora! – a face de Jano da direita gaguejou.
– Sim! – O rosto da esquerda disse.
– Cale a boca! – O rosto da direita disse.
– Com licença? – a mulher pediu.
– Não você, minha senhora! Eu estava falando comigo mesmo.
– Entendo – disse a dama. – Você sabe muito bem que sua visita é prematura. A hora da garota ainda não chegou. Então eu darei a você uma escolha: deixar estes heróis comigo ou irei transformar você em uma porta e te quebrar.
– Que tipo de porta? – a face da esquerda perguntou.
– Cale a boca! – o rosto da direita disse.
– Porque portas francesas são legais – a face da esquerda devaneou. – Cheias de luz natural.
– Cale a boca! – A face da direita se lamuriou. – Não você, minha senhora! Claro que eu vou sair. Eu só estava me divertindo um pouco. Fazendo o meu trabalho. Oferecendo opções.
– Causando indecisão – a mulher corrigiu. – Agora vá!
O rosto da esquerda murmurou:
– A autoridade da festa – então ele levantou a sua chave prateada, inseriu no ar, e desapareceu.
A mulher se virou para os três. Nice e Josh a encaravam boquiabertos. Ana não conseguiu entender o porque.
- Vocês devem estar com fome – disse ela. – Sentem comigo e falem.
Ela acenou sua mão, e a antiga fonte romana começou a funcionar. Jatos de água clara pulverizaram o ar. Uma mesa de mármore apareceu, carregada de bandejas com sanduíches e jarros de limonada.
- Quem... quem é você? – perguntou Ana.
- Está é Hera. — disse Nice, com desprezo.
- A Rainha dos Céus. — completou Josh, no mesmo tom que a amiga.
Definitivamente, Ana entendia o porque dos amigos estarem daquele jeito. Ou talvez, soubesse na teoria.
Hera tinha desprezado o filho Hefesto e o expulsado do Olimpo. Nice era filha do deus dos ferreiros.
Se a teoria de Ana estivesse certa, Josh poderia ser um filho proibido, de um dos Três Grandes. Mas a garota não entendeu o porque Josh parecia irritado com Hera.
- Não estou com fome. — disse Nice, quando Hera começou a servir sanduíches à Ana.
Ana encarou Nice e ficou imaginando se a garota estava com febre. Nice nunca recusava um lanche grátis.
Josh parecia não querer comer nada, como Nice. Ambos permaneram de pé, com os braços cruzados e com expressões irritadas.
Hera suspirou.
- Não é muito inteligente recusar um lanche em uma missão como essa. Sei que estão com fome. Não precisam ter medo, a comida não está envenenada. — disse Hera.
- Eu não tenho medo de você. — disse Nice, com os dentes cerrados.
Hera sorriu.
- Será mesmo? — desafiou a deusa.
- Do que vocês estão falando? — perguntou Ana, sem conseguir se segurar.
- Nada importante. — disse Josh, se sentando, sob o olhar de Hera.
- Nicolle... — Hera indicou a cadeira vazia.
Nice encarou os amigos e viu o olhar de Ana. A garota praticamente gritava com o olhar "Não arrume confusão!". Nice finalmente se sentou.
- Ótimo. — disse Hera, sorrindo para os três. — Hora de resolvermos assuntos pendentes.
Ela encarou Nice. Josh e Ana se entreolharam e pelo jeito, confusão estaria prevista. Nice não parecia muito calma e do jeito que as coisas iam, uma explosão estava à caminho.
Notas finais
Muito obrigada a quem leu e deixem comentários para que eu continue postando ;)
Beijos da autora, Livia Dias.
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