Os Filhos De Hades
7 FRANÇOISE, Karina
Notas iniciais
Meu nome é Karina. Apesar do meu sobrenome francês, Françoise, nasci no Japão no ano de 1846. Quando completei 17 anos, tive que escolher entre honrar meu pai, Hipnos, e poder amar o homem (talvez jovem) da minha vida. Morri dando aos dois o necessário para uma vida sem dor. Mas eu sofri, senti dor. Apesar de o Lorde Hades ter sido atencioso comigo, não entendi a minha permanência no Mundo Inferior. Quero acreditar que um dia serei feliz. Que serei amada sem sentir dor. Sem dor.
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Não queria ter passado por aqueles pesadelos, não entendi o significado daquilo. Por que Lorde Hades planejara todas aquelas torturas, com seus próprios filhos? Dessa vez não foi Perséfone, foi ele mesmo. Mas aquele grupo de jovens me sentir viva, me fez sentir o que há décadas não sentia... Continuando, a minha missão para eu poder viver de novo era levar aquele grupo de garotos até o Rio Aqueronte, e lá uma batalha estrondosa iria acontecer. Queria falar para eles tudo, mas se fizesse, desculpe o termo, mas estar fodida é pouco.
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– Gomen nasai, minna-san, mas Lorde Hades ordenou que isso acontecesse, por mais que eu não quisesse, desculpe mesmo – Karina estava corada de vergonha, suas desculpas eram sinceras, mas meu pai está por trás dessa missão. Está planejando tudo.
E, novamente, paramos para um breve descanso. Providenciei vestimentas novas para Rose e Annabeth, os meninos foram “machões”, porque era muito perceptível o estado esfarrapado de suas roupas. Estalei meus dedos. Annie apareceu primeiro, usava jeans escuros, blusa de manga comprida creme com algumas rendas, a coloquei com um mínimo de maquiagem e para finalizar a ofereci um anel de ouro com o rosto da Medusa; já em Rose, coloquei nela jeans claros rasgados, blusa de um quase tricô cinza e vinho e contra sua vontade, passei nela um delineador e um rímel. Apesar da casualidade, estavam deslumbrantes. Os garotos também devem ter achado isso. Aproveitei e me troquei também; troquei meus shorts por uma legging florida, T-shirt branca com um casaco de lã creme. As garotas estavam exuberantes, os meninos pareciam zumbis, zumbis que flertavam constantemente, até nos piores lugares. Flertar, era o que Akihito costumava fazer comigo... Deixe para lá, ~nyah~...
Andamos até o fim daquele lugar horripilante, tínhamos ficado bastante cansados, é fato, mas todos concordaram em continuar. Estávamos na reta final. Faltava uns 100 metros para chegarmos até o Rio Aqueronte, aquele lugar era deserto, havia apenas pequenas pedras e pequeninos arbustos pretos. Era o lugar mais silencioso do Hades, nem eu havia passado por ali. Alguns zumbidos começaram a ser escutados. Nico disse para nós fazermos uma formação em círculo e ficar bem alerta. Os zumbidos passaram a ser rugidos, cada vez mais fortes. E de repente, um tigre fantasma brilhante apareceu. Ele não parecia querer nos atacar, mas parecia estar muito irritado.
–Vamos tirar esse tigre maldito do nosso caminho! – As palavras de Rose machucaram o animal, porque ele recuou. Ele era brilhante, tinha traços orientais e olhava para mim de forma carinhosa.
Não resisti aos seus encantos, fui me aproximando e toquei seu focinho. O tigre, nem tão feroz assim, ronronou. Senti uma emoção vinda dos meus chacras, era amor. Era Akihito. O que meu amor fazia ali?
– Parem! Ele é amigo, ele é meu amigo... – Olhei para Akihito e chorei – Ele é meu amor!
Todos me olharam como se possuíssem um enorme ponto de interrogação em suas cabeças. Enquanto acariciava seus pelos fofinhos expliquei-os a minha história. Chorei sem parar por cerca de 10 minutos. Andava e chorava. Esse ciclo foi assim até a beira do Rio.
Todos prestavam atenção em qualquer movimento, eu tentava, mas uma dor, vinda do fundo do meu peito, não me deixava. Akihito rosnou e se tornou agressivo. Não entendi a situação. Cai de joelhos e desmaiei. Sonhei, mas não do tipo de pesadelos que meus amigos tiveram, eu realmente voltei ao passado. Eu estava sentada na raiz de uma árvore, na nossa árvore. Meu amor também estava lá.
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– Ei, Karina, Senhor Zeus, me perdoou. Achou que meus anos de tigre bastam. Ele nos deixou voltar e viver na nossa era.
– Verdade? Será a melhor coisa do mundo! – Apoiei minha cabeça em seus ombros.
– Sim! Poderemos nos amar eternamente, até nossos corpos não aguentarem mais...
– Eu mal posso esperar!
– Vamos?
– E meus amigos? Preciso me despedir...
– Se você quiser voltar, não vai mais me ver, aliás, ninguém poderá nos ver... – Sua cabeça abaixou – Será só você e eu!
–Não! Eu gosto de pessoas, eu gosto dos meus amigos – Chorei -, saiba que eu te amei muito, Akihito, muito. Aishiteru...
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Depois disso, não estava mais tão fofa, nem tão animada. Apenas segui minha vida, e segui com a minha missão.
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