Notas iniciais
Primeiramente, desculpa pela demora. A culpa é de Game of Thrones, que não me deixou escrever. Ou comer, ou dormir, ou fazer qualquer outra coisa :v Esse capítulo ficou grande demais também, então me desculpem novamente ;-;

— Então – disse Jasper – está feito.

Assim que Jasper entrou na sala, ele soube que falava com um dos mais poderosos membros da Ordem, a sala era completamente mobiliada com móveis tão luxuosos quanto um escritório poderia estar, e nas paredes – mesmo com a pouca luz do local – ainda era possível ver os quadros dos mais diversos e importantes membros que a Ordem já teve.

E em pé em frente à janela se encontrava um homem com seus cinquenta anos de idade, cabelos grisalhos mas ainda volumosos, o rosto angular e que não podia ser visto completamente devido à sombra que a cortina da grande janela projetava em seu rosto. O homem vestia o mais bonito terno de algodão que Jasper viu na vida. “Era um burocrata, e não um lutador” havia pensado ele.

— Onde está? – disse o homem, e Jasper percebeu uma leve preocupação em sua voz.

Jasper lançou um pequeno pedaço de papel dobrado em direção ao homem, que acabou parando na mesa. O homem, porém, não se movimentou.

— E a garota, você fez? – Continuou.

Jasper tirou um maço de cigarros do bolso, e levou um deles aos lábios, acendendo com um pequeno isqueiro.

— Sim, eu apaguei as memórias dela, como havia pedido.

— Tem certeza que ela não se lembrará de nada?

— Que ela não se lembrará de mim nem do sonho, sim, isso eu posso garantir, agora se ela voltará a ter sonhos como esse, isso obviamente não é comigo. – Jasper deu uma longa tragada, e soltando a fumaça continuou – Porque a ordem iria apagar as memórias de um sonho de uma menina qualquer? Qual é mesmo o nome dela? Amora?

— Aurora.

— Isso, Aurora.

— Ela não é uma menina qualquer, é descendente direta de um dos fundadores da Ordem. Isso não acontece todo dia, você sabe. E aliás, conhecendo você, sei que obviamente olhou o desenho dela, você sabe porque isso deveria ser feito.

Jasper ainda não entendia muito bem, apesar que o desenho era sim um pouco perturbador, mas se tratava apenas de um sonho, nada demais na opinião dele, mas resolveu deixar isso de lado.

— Que seja, fiz o que me pediu para fazer, agora, com sua licença – disse, se retirando da sala.

[...]

Assim que Halle acordou naquela manhã, parecia que um enorme peso havia saído de seus ombros, ela havia esperado que a Ordem fosse algo muito mais rígido e sério, esperou ainda que o primeiro dia fosse uma espécie de “seleção”, mas não foi isso o que aconteceu. Ela se surpreendeu com a enorme festa que havia sido a noite passada, e por isso já não se sentia insegura mais.

Afastou os lençóis da cama, e olhou de relance para o relógio, que marcava 07:40 da manhã, colocou os pés no chão frio do quarto, e olhou ao redor, percebendo que ela deveria realmente começar a decorar e mobiliar o cômodo. Foi em direção ao pequeno banheiro que ficava no quarto e tomou um banho rápido em água quente aproveitando para escovar os dentes enquanto a água do chuveiro caía. Terminou seu banho e voltou para o quarto, envolta em uma toalha. Foi em direção ao armário e o abriu, vendo as suas roupas de sempre e alguns uniformes da Ordem, acabou escolhendo por uma calça jeans na cor preta, onde ela mesma havia feito um rasgo no joelho direito, e uma blusa de manga longa também na cor preta com um pequeno decote e algumas caveirinhas brancas espalhadas sobre o tecido. Vestiu-se e saiu do quarto.

Cômodo esse que se encontrava no segundo andar daquela enorme instalação, e por isso, ela conseguia ver perfeitamente o andar de baixo. Diferentemente da noite passada, o local estava com toda certeza mais calmo, e só era possível ver algumas pessoas tomando café da manhã nas mesas – alguns parecendo de ressaca.

Ela desceu as escadas e foi logo em direção ao local que Andrew havia comentando com ela ontem enquanto dançavam, uma sala a direita do longo salão, como ele havia dito, a sala não foi difícil de se achar, devido ao barulho de vozes alteradas que vinham de dentro, assim que Halle empurrou um pouco a porta já foi possível ouvir a discussão que se seguia:

— Dá pra você apagar isso? – disse uma voz que Halle não identificou.

Assim que Halle abriu completamente a porta, viu uma menina baixa, porém graciosa, que discutia com alguém muito mais alto que ela, e que parecia não se importar com o que a menor dizia. A jovem, que parecia ser apenas um pouco mais velha que Halle tinha a pele clara e os cabelos ruivos parecidos com os de Elizabeth, com a diferença de que parecia mais graciosa e delicada, como uma peça de porcelana, traço esse que ficava evidente quando se olhava para o rosto fino e belo da jovem, com seus lábios pequenos e carnudos e o nariz arrebitado, que transmitiam uma sensação de prepotência, fora os olhos acinzentados, que não revelavam nada de sua personalidade.

— E porque eu deveria? – disse o homem, que Halle acabara de perceber que estava fumando.

Assim que Halle havia olhado para ele, percebeu que era o típico badboy. Era alto, cerca de 1,80 – deduziu mentalmente Halle – era forte e musculoso, e a camiseta preta se destacava na pele branca, tal qual seus músculos. Os cabelos eram castanhos muito claros, quase chegando ao loiro, sem um penteado definido e um pouco bagunçado – o que reforçava ainda mais a impressão de badboy que Halle teve inicialmente. – Seus olhos azuis eram elétricos e ele possuía uma barba rala, que dava a impressão de masculinidade, e fazia com que parecesse mais velho.

— Porque aqui é um lugar fechado e tem muita gente, seu Débile – estúpido – e ninguém tem que aturar o cheiro dessa merde – merda. – Apesar do que disse, a jovem ainda demonstrava uma perfeita calma.

— Eu paguei 4 euros nesse maço de cigarros – disse, colocando-o em uma mesa próxima – e é claro que vou fumar em lugares fechados, afinal, qual a graça de pagar tão caro por um cigarro e só eu ter câncer?

A discussão entre os dois continuou, e Halle entrou de vez na sala, parando ao lado de Andrew sem perceber. Diferente da maioria, Andrew parecia cansado e com sono, com certeza não tinha a animação dos outros dois.

— Ah, Halle – disse bocejando – bom dia.

— Bom dia. Eles sempre foram assim? – perguntou, apontando para os dois que discutiam.

— Na verdade, não sei dizer, eles chegaram ontem de madrugada. Parece que algo aconteceu com o transporte deles, ou algo assim, não prestei muita atenção.

— Então eles são novatos também?

— São, sim.

— O que estamos esperando para começar?

— O novato de ontem, Aislen, se não me engano. Aliás, estava indo procurar por ele agora, quer vir?

Vendo a barulheira que aqueles dois causavam e a cara de sono de Andrew, Halle assentiu e ambos saíram da sala, voltando em direção as escadas, porém antes que começassem a subir, um homem chamou por Andrew.

— Ah, droga, Alexander – disse Andrew, suspirando. – Vou ver o que ele quer, pode ir na frente, se não me engano, o quarto dele fica no segundo andar, a quarta porta a esquerda.

— Okay.

Halle começou a subir as escadas até o segundo andar, onde localizou a porta e bateu algumas vezes, uma voz sonolenta respondeu:

— Já vai.

Halle esperou alguns minutos, mas nada do dono da voz se pronunciar de novo, ela suspirou e abrindo a porta, disse:

— Ei, se você puder agilizar, nós já estamos atrasa-

Ela porém não conseguiu completar a frase devido a cena, ele – Aislen – estava em pé ao lado da cama, vestindo apenas uma calça negra da Ordem, estava descalço e segurava uma camisa de manga curta também na cor preta, Halle conseguiu ver todos os músculos saltados e a pele repleta de tatuagens, que começavam no pulso e se espalhavam pela pele branca, mas a que mais chamou a atenção de Halle foi a tatuagem que se encontrava no abdômen, era um corvo, que parecia encarar quem olhasse para ele. Halle não pode deixar de pensar que aquele corvo combinava com a ideia que ela teve desde ontem na festa, o mistério e a indiferença – o que por algum motivo o deixava ainda mais atraente –, aquele corvo transmitia exatamente isso.

— Sua mãe não te ensinou a bater na porta não? – disse Aislen.

— E pelo visto, a sua não te ensinou a cumprir horário também. E aliás, eu bati sim.

— O que você está olhando afinal? – só então Halle percebeu que continuava a encarar aquela tatuagem.

Halle porém não precisou responder, porque com tudo aquilo, ela não percebeu a chegada de Andrew.

— Ei garanhão, coloca uma blusa vai, você está me deixando apaixonado – falou Andrew de forma irônica somente com a cabeça dentro do quarto, enquanto se apoiava na porta.

— Você talvez não, mas ela eu tenho certeza – disse piscando para Halle, com um sorriso malicioso no rosto.

Halle poderia até ter corado se não tivesse feito um som de exasperação e se retirado do quarto, enquanto levantava o dedo médio da mão direita e mostrava para Aislen. Começou a andar sozinha de volta para a sala onde estavam os outros, deixando-os ali.

Voltando a sala Halle percebeu que a discussão havia parado entre os dois novatos, e notou também que não eram somente dois, e sim três novatos na sala, um estava mais afastado dos outros dois, e permanecia em uma espécie de silêncio contemplativo, observando a sala ao redor, meio sem jeito – provavelmente incomodado com o ambiente. O jovem parecia ser apenas um pouco mais velho que a própria Halle, tinha os cabelos loiros quase beirando o marrom, a pele alva e o corpo malhado na medida certa, era uns poucos centímetros menor que Aislen, e possuía um rosto gentil e com traços leves. Seus olhos estavam cobertos por um óculos escuro, que Halle estranhou, afinal, estavam numa sala dentro de um castelo, usar óculos escuros em uma situação dessa não era muito normal. Só então Halle foi perceber a bengala de madeira que o jovem levava nas mãos cobertas por luvas.

Ele era cego.

Imediatamente Halle se questionou, e provavelmente todos naquela sala estavam fazendo a mesma pergunta mentalmente: “como a ordem aceitou um homem cego?”.

Entretanto, a resposta para essa pergunta veio assim que Andrew e Aislen retornaram para a sala, assim que eles chegaram, Andrew apresentou devidamente os outros três novatos. Halle soube então que aqueles dois que discutiam se chamavam Cecília e Jasper.

A atenção de todos, porém, estava obviamente no jovem cego, e antes que Andrew pudesse apresenta-lo devidamente, foi interrompido por Aislen.

— Então, como a Ordem chamou alguém cego para fazer parte disso tudo? – perguntou Aislen em voz alta, depois de tirar a mesma conclusão óbvia que todos ali.

Halle achou a pergunta muito inconveniente, mas então se lembrou que ele era Aislen afinal. Com ele não existia meio termo, e ele nunca media as palavras. Doa em quem doer.

Apesar disso, seu tom de voz sugeria mais uma espécie de curiosidade do que de soberba. E apesar do modo como foi feita a pergunta, todos na sala começaram a questionar em voz alta, e começaram a questionar também essa decisão.

Andrew porém apenas abriu caminho pelas pessoas na sala, e sem aviso prévio flexionou os joelhos e tentou acertar uma joelhada no rosto do jovem cego. O movimento dele foi tão feroz e rápido que todos prenderam a respiração na sala. Para Halle, aquele movimento passou em câmera lenta, e mentalmente pareceu possível até mesmo ver o rosto impassível de Andrew em atacar uma pessoa cega. Todos esperavam que o jovem caísse desacordado depois daquele golpe.

E continuaram esperando, o joelho direito de Andrew passou direto ao lado direito da cabeça do jovem. Ele havia feito um desvio perfeito, que provavelmente seria difícil de se fazer até para alguém que enxergasse.

Mas Andrew não parou por aí, ainda no ar ele conseguiu girar o corpo e tentou acertar o jovem com a parte do calcanhar da perna esquerda, mais rápido ainda foi o movimento do outro, que levantou a bengala no momento exato, aparando completamente o golpe de Andrew, que depois disso conseguiu aterrissar com um pouco de dificuldade. O silêncio que se formou na sala depois daquilo era simplesmente indescritível para Halle, todos estavam praticamente chocados demais para pronunciar qualquer coisa que fosse. O silêncio foi quebrado por Andrew, dizendo:

— A Ordem não comete erros. Vocês perguntam porque um cego entrou na Ordem? Eis sua resposta.

Ninguém nem ao menos se atreveu a questionar ou se pronunciar depois disso. Andrew porém, estendeu a mão para o homem com um sorriso e prosseguiu:

— Andrew, muito prazer.

— Maximiliano Hinkel – disse, pela primeira vez, o jovem e apertou a mão de Andrew.

[...]

— Então, com a chegada atrasada desses três parece que obviamente eu vou ter que explicar as coisas novamente – disse Alexander, exasperado – a cerimônia de iniciação funciona da seguinte maneira: Uma luta de exibição é sempre realizada por dois veteranos, um deles será Andrew, e o seu adversário será decidido na base do sorteio. Depois dessa luta, outras duas lutas serão realizadas, dessa vez com novatos. Quais serão os novatos que irão lutar e seus adversários também são definidos na base do sorteio. Cada luta tem um limite de cinco minutos cada, e termina assim que um dos adversários estiverem incapacitados e não puderem continuar, ou caso um dos dois desista. Lembrando que se tratam de lutas de exibição, que tem somente o intuito de mostrar as capacidades de vocês aos outros Exorcistas. Nenhuma luta é obrigatória, e caso não queiram participar, é só falar comigo. Lembrando também que por questão de costume, mulheres não participam. Alguma pergunta?

— Mas que ridículo, isso é totalmente sexiste! – Disse Cecília.

— Perdão, o que você disse?

— Machista! Isso é totalmente machista!

— Devo assumir então que a senhorita gostaria de participar? – falou Alexander, em tom de desafio.

Oui. Merci. – Sim, obrigado.

— Ótimo, que seja, então vou quebrar um pouco as regras e a sua luta estará garantida, minha cara. – completou Alexander.

[...]

Hazel estava em pé no segundo andar da sede, de frente para um pequeno telão desligado que estava acima de um palco improvisado que havia sido feito com a junção de algumas mesas do salão, e esse por sua vez estava completamente limpo e sem móveis, para acomodar uma pequena multidão de Exorcistas bêbados e entusiasmados, esse tipo de evento sempre acontecia quando a Ordem recebia novos membros. Ao lado direito dela estava Aurora e ao esquerdo o jovem que ela havia conhecido no dia anterior, Aislen, que Hazel percebeu, ainda mantinha a mesma expressão de desinteresse no rosto.

O telão foi ligado, e após alguns segundos, uma animação com dois dados girando começou a ser exibida e depois disso, dois nomes apareceram na tela.

Andrew x Jhon

Ambos subiram no palco improvisado, e do segundo andar era fácil para Hazel reconhecer os cabelos de fogo de Andrew, mas diferentemente dele, o seu oponente era um homem com seus quase trinta anos, os cabelos longos e castanhos, e pelo pouco que Hazel conseguia ver, era um homem alto, talvez uns cinco centímetros mais alto que Andrew, e muito mais musculoso.

Quando ambos subiam no pequeno palco, a gritaria entre os exorcistas foi tremenda. E grande parte torcia por Andrew, percebeu Hazel.

— Pra que essa barulheira toda? É só uma luta de exibição, não é nada absurdo. – disse Halle.

— Na verdade – começou Alexander, que Halle só percebeu que estava atrás dela agora – lutas entre Exorcistas são proibidas, por isso que esse tipo de evento é tão aguardado.

— Mesmo assim, é barulhento demais. E porque todos torcem tanto pelo Andrew?

— Você vai ver – terminou Alexander com um sorriso.

E Hazel, assim como Halle, realmente viram o porquê de tanta agitação. Assim que o sinal foi dado, o homem que lutava com Andrew foi em sua direção, e tentou acertar tantos golpes que seria difícil até mesmo de contar. Andrew porém, desviava de todos, de forma tão fácil, que parecia até brincadeira, basicamente Andrew não lutava.

Ele dançava.

Os passos dele eram tão leves que pareciam não tocar o chão, ele girava em todas as direções para desviar, e a cada golpe que Jhon executava passava a centímetros do corpo de Andrew, e ele por sua vez, não revidava.

— Ele é um gênio – deixou escapar Hazel.

— Não seja idiota, olhe direito – disse Aislen.

— Tem razão, olhe melhor Hazzie – falou Aurora apontando para Andrew.

E depois da surpresa inicial, Hazel pode ver claramente as brechas que Andrew deixava a cada movimento de desvia, depois de olhar por um tempo Hazel completou:

— Realmente, lutando desse jeito ele parece mais um retardado.

— E isso não está totalmente errado – começou Alexander. – Na verdade, ele pode ser considerado 50% gênio, e 50% retardado. Ele é muito mais fraco fisicamente do que o oponente, mas olhe como ele desvia. Eu diria que ele se diverte com a luta, e por isso ele deixa tantas brechas. Na verdade, ele é meio suicida até.

Alexander parou de falar no momento em que Hazel se virava para a luta, e nesse mesmo momento, o oponente de Andrew parecia extremamente cansado de tantas investidas, e por isso arfava consideravelmente. Percebendo isso, Andrew desviou de um último soco do homem com a mão esquerda e colocou toda sua força em um único soco com a mão direita que acertou o homem bem no maxilar, fazendo ele tombar na mesma hora. Um único soco na luta inteira, foi isso que Andrew usou.

Assim que o homem caiu, a plateia de Exorcistas começou a gritar e soltar assovios enquanto Andrew descia da plataforma.

Pouco tempo depois, o telão voltou a se ligar e novos nomes apareceram.

Marina x Cecília

Dessa vez o burburinho na plateia era muito menor do que o da luta anterior, normalmente mulheres não participavam dessas lutas de exibição. Por mais que Hazel não quisesse lutar, ela ainda achou realmente machista esse costume.

Depois de algum tempo, ambas subiram na plataforma, e novamente era fácil reconhecer Cecília, por mais que Hazel tivesse conhecido a mesma a pouco tempo, os cabelos ruivos e a pele alva se destacavam no meio de todo aquele preto. Sua oponente, por outro lado, parecia ter talvez uns vinte e cinco anos, e era muito mais alta que Cecília, tinha os cabelos pretos cobertos de cachos, e sua pele também era negra.

— Eu não vou pegar leve com você, novata! – Gritou ela.

Excusez-moi – com licença – eu não falo a língua dos stupides – idiotas. – Respondeu Cecília.

Com essa provocação, a plateia começou a se interessar mais pela luta, e pelo o que parecia a Hazel, pessoas espalhadas começavam a gritar e animar os outros, obviamente os mais bêbados.

Dessa vez, Marina segurava uma espécie de bastão de madeira, mas Cecília estava desarmada. E assim que o sinal para a luta começar soou, Hazel se virou para Alexander e perguntou:

— Isso é permitido?

— Sim. Na verdade, praticamente qualquer arma sem fio pode ser usada. Bastões, espadas de madeira e etecetera. – Respondeu ele.

Hazel voltou seu olhar para a luta, bem a tempo de ver Cecília esquivando de um golpe mais forte da sua oponente, depois disso ela atacou mais duas os três vezes, sem deixar uma brecha para que Cecília atacasse. E essa, por sua vez, já parecia impaciente.

Cecília se afastou um pouco da adversária, parando a alguns metros dela, e chamou-a de novo para o combate, ela pareceu se inflamar e foi mais uma vez em direção a Cecília, mas assim que tentou golpeá-la com o bastão, Cecília agarrou, para a surpresa de Hazel, o objeto, que começou a apodrecer no mesmo segundo, e rapidamente Cecília forçou a mão ao redor do bastão, quebrando o mesmo em dois. Percebendo que o bastão começava a apodrecer por completo, ela largou o bastão tomada de surpresa, e esse momento foi perfeito para Cecília, que acertou várias partes do corpo da mulher com suas palmas abertas, fazendo-a cair já desacordada a alguns metros. Cecília ajeitou os cabelos com um som de exasperação saindo pela boca, e começou a descer as escadas, com toda a plateia de Exorcistas em silêncio, ninguém esperava que Cecília fosse realmente capaz de ganhar de uma veterana. Se Andrew lutava como um guepardo que aguardava o momento certo para atacar, Cecília era duplamente isso. Mas para Hazel ela não parecia com nenhum animal desse tipo, ela era uma víbora. Oportunista e traiçoeira.

Joshua x Maximiliano

Até mesmo Hazel achou difícil descrever a luta de Max.

Enquanto Max subia ao palco improvisado, o coro de gargalhadas feito pelos Exorcistas foi extremamente incômodo para Hazel. Não podia culpa-los, lógicos, todos eles acharam que foi uma brincadeira do novato, usando seus óculos escuros e sua bengala, mas assim que Max terminou de subir no palco e continuou com a feição séria e com esses acessórios, o coro foi diminuindo e acabou sendo trocado pelos cochichos, e no final, todos acabaram em silêncio quando por todo o salão a notícia foi espalhada e eles de fato descobriam que Max era realmente cego.

Era até mesmo possível sentir o incômodo do oponente de Max, Joshua era um rapaz jovem, assim como a oponente de Cecília, com os cabelos negros escorrendo pelos lados da cabeça e a face imponente, se não fosse pela expressão de incômodo.

Assim que o sinal tocou, nenhum dos dois se mexeu por algum tempo, provavelmente Joshua estava esperando algum movimento de Max – enquanto isso a plateia permanecia em silêncio –, o silêncio foi quebrado apenas por Max, que deu leves toques com a bengala no palco, e milésimos de segundos após isso, ele se moveu tão rápido quanto Andrew desviava, acertando em cheio a barriga de Joshua com a bengala, fazendo o mesmo arquear o corpo e se ajoelhar, Max voltou então a posição inicial e esperou novamente.

Dessa vez, seu oponente – talvez tomado pela raiva – levantou do chão ainda com um pouco de falta de ar, e partiu pra cima de Max, e começou a ataca-lo com ambas as mãos, e Max apenas desviava os golpes com a bengala.

— Ah, entendi! – exclamou Aurora, e agora Hazel podia ouvir claramente a voz dela através do silêncio.

— O quê?

— Como o Max consegue lutar.

— E como seria? – Nesse momento todos olhavam para Aurora, com curiosidade.

— Ele usa os sons para se movimentar. Vocês viram no início não viram? Ele deu alguns toques no palco. Foi para reconhecer o terreno e saber a posição do oponente dele.

— Ainda não entendi muito bem – disse Halle.

— Pelo o que eu entendi, é uma espécie de radar, não é mesmo? – falou Hazel.

— Isso, basicamente.

Com essa explicação, ninguém viu o desenrolar da luta, todos se assustaram com o súbito romper de aplausos, assovios e gritos dos Exorcistas, quando olharam, viram o corpo já desacordado de Joshua, e um Max descendo as escadas sem se importar com os cabelos um pouco bagunçados.

Quando Max chegou, todos olharam abismados para ele, um cego que lutava como ele é uma coisa que você encontra em filmes, e não na vida real.

— Então – começou Jasper – parece que nosso ceguinho de estimação sabe fazer algumas coisas.

Antes que qualquer pessoa pudesse falar alguma coisa a mais, Andrew apareceu dizendo:

— Vejo que estão todos aqui, ótimo. Tenho uma notícia para dar.

— E qual seria? – perguntou Hazel.

— Nós temos uma missão.

— Nós? Todos nós? – perguntou Aislen.

— Sim, todos nós – respondeu – somos agora uma equipe, gostando ou não.

— E qual seria essa missão? – perguntou Hazel.

— Uma caçada aos vampiros – terminou, dando o maior sorriso que alguém havia dado no dia.

Notas finais
Bem, espero que tenham gostado. Esse capítulo foi mais uma introdução a maneira de lutar de alguns personagens e tals. Na minha opinião, a história DE VERDADE vai começar no próximo capítulo(eu sei, eu enrolo muito, dsclp ;-;) Eu tinha imaginado outra coisa pra cerimônia, mas acabou que a ideia deixaria o capítulo MUITO grande, por isso eu mudei, mas ainda assim está grande ;-; Se gostaram, comentem õ/ E se não, comentem também -q