Os Espelhos

2 Memórias


Notas iniciais
Eu queria me desculpar pelo atraso pra postar o capítulo, é que ocorreram alguns imprevistos e eu não pude escrevê-lo a tempo. (E também pelo fato de não ter muita coisa relevante e metade dele ser lembranças do passado do Haruka.) Espero que gostem, boa leitura ;w;

Eu estava sozinho, até você chegar.’’

A possibilidade de ter dormido demais me assustava, até lembrar-me do fato de que era sábado e não haveria aula. Tomei meu banho como de costume, fui até a cozinha e me sentei decidindo se faria o café, ou sairia para comer alguma coisa. Acabei optando pela segunda opção, não que eu não soubesse fazer ali mesmo, afinal Yuu havia me ensinado a cozinhar, mas queria sair um pouco de casa. Aquela casa ficava num silêncio quase total, se não fosse pelo movimento dos carros e o canto dos pássaros, aquilo era torturante. Me levantei e rumei em direção ao quarto, peguei a primeira roupa que vi e sai em direção a café mais próximo.

No caminho me senti tonto e com um pouco de dor de cabeça, achei que era devido ao fato de eu não ter tomado café e continuei andando, ignorando a dor. Chegando lá sentei em uma cadeira rente ao balcão e fiz meu pedido. A tontura e a dor de cabeça se tornaram insuportáveis, não aguentando mais levantei e fui em direção ao banheiro apoiando-me nas paredes.

Levei a mão com água gelada ao rosto esperando que aliviasse um pouco da dor, infelizmente, pareceu ser em vão. Ergui minha cabeça frustrado até conseguir me ver no espelho, mas não era a minha imagem que estava refletida lá. Eu não acreditava no que estava vendo. Aquilo não podia ser real.

— Haruka, não chore. — Eu estava chorando? — Você sabe que se chorar eu choro também. — Passos soam ao fundo, Yuu pareceu ficar nervosa. — Haruka, quando chegar em casa vá a um espelho. Qualquer espelho, apenas vá... — Meu reflexo reapareceu lá.

Limpei meu rosto com água e voltei ao balcão, minha mente estava a mil, a dor havia parado. Aquilo foi verdade? Certamente, aquela voz é inconfundível. Meu pedido ainda não estava lá, na verdade, o atendente parecia não ter se mexido. De repente ele virou de costas e entregou o pedido na cozinha.

Enquanto esperava me veio um pensamento, “Eu definitivamente não sou forte.’’ suspirei, “Eu desabei em lágrimas no dia da sua morte e hoje também. Alguns anos atrás a única pessoa na qual eu iria ficar realmente triste se morresse era a Beka, a senhora que cuidou de mim, mas agora...’’

A propósito, a Beka não podia ter filhos — e o marido dela havia falecido —, então ela cuidou de mim como se eu fosse filho dela, no entanto nunca me acostumei a chama-la de “mãe’’ como ela pediu. Ela me pagava aulas em casa, então não fiz amigos na infância, e as outras crianças pareciam me ignorar ou não gostar de mim, mas eu não fazia questão, sempre vivi sozinho, a única pessoa na qual eu realmente poderia contar era ela.

Um dia a Beka me chamou na cozinha falando que tinha que ter me contado algo há muito tempo, fui rapidamente até ela e assim que me sentei na cadeira a frente dela, ela disse que eu tinha uma herança muito boa deixada pelos meus pais, imediatamente escapou pela minha boca a ideia de sair daquela casa e ir morar sozinho, ela disse que faria de tudo para me ver feliz, nem chegou questionar essa decisão. Ela me disse que compraria uma casa na cidade vizinha e que veria meus estudos por lá.

Eu não tinha como agradecer por tudo que ela havia feito por mim. Senti a necessidade de falar a ela que eu não estava saindo por causa dela, pelo contrário, ela sempre fez tudo pra mim. E aquilo me incomodava, eu sentia que devia minha vida a ela e não queria mais atrapalhá-la. Em menos de uma semana eu já estava com tudo pronto.

A viagem e tudo estava indo de acordo com os planos, eu havia ido no período que as escolas estão de férias — Basicamente, no começo do ano —, então era suposto que eu não conhecesse ninguém antes das aulas, mas lá pelo final da tarde do quinto dia na nova casa uma menina com cabelos rosas e pontas amarelas decidiu tocar minha campainha alegando que os pais haviam expulsado ela de casa e mandaram-na pra outra cidade sem preparar nada. Eu ainda tinha espaço sobrando na casa, então decidi deixar ela morar comigo. No início ela se espantou por meus pais não se importarem, mas logo expliquei que eu morava sozinho naquela casa.

— Sozinho...? — Ela suspirou — Você não se importa de ficar sozinho nessa casa? — E examinou a casa com cuidado.

— Eu não me importo em estar sozinho, apesar de que nunca fiquei realmente sozinho. Uma senhora me adotou e desde então ela cuida de mim. — Fiz um gesto indicando que ela deveria entrar e tranquei a porta.

— Então, seus pais morreram? — Ela se calou imediatamente — Desculpe, não deveria perguntar essas coisas.

— Ah, tudo bem. Na verdade eu não sei se eles morreram ou simplesmente me abandonaram. Eu era pequeno e minhas memórias desse tempo ficaram confusas. — Sentei-me no sofá.

— Eu... — Ela se interrompeu e escorou na parede com as mãos na cabeça e começou a chorar.

Eu fui até ela rapidamente e perguntei se estava tudo bem (Obviamente não, mas essa pergunta é inevitável). O silêncio se estabeleceu e ela se levantou subitamente.

— Estou bem, esses ataques de dor de cabeça são normais, mas nenhum médico soube dizer a causa. — Ela olhou para os pés e suspirou. — Minha cabeça dói muito e tudo começa a ficar escuro, mas para do nada como se nada tivesse acontecido. Toda vez que vem parece que fico mais fraca.

— Talvez um dia possa descobrir o que é. — Voltei para o sofá.

A partir desse dia nós vivemos juntos, a cada dia que se passava ela parecia ficar mais interessante e a cada dia tinha uma história para contar, e um fato que só eu parecia perceber, os olhos dela — que eram azuis como o azul do céu diurno — pareciam ficar mais escuros e perder o brilho todos os dias, eu nunca disse nada... Talvez por achar que era só a minha imaginação.

Despertei das minhas lembranças com o atendente colocando a comida a minha frente, ele se desculpou pela demora e voltou a seu posto no balcão. Eu olhei para a comida e lembrei das palavras que ouvi do espelho “Quando chegar em casa, vá ao espelho. Qualquer espelho.’’ aquilo poderia ser uma prova de que ela não tinha morrido, a única esperança de que ela estava viva. Sai do café e fui rapidamente em direção a casa, entrei e peguei um espelho qualquer.

— Yuko! — Gritei para o espelho. Meu reflexo continuava lá... Do nada a imagem simplesmente começou a tremer e sumir, dando lugar a Yuu.

— Haruka, eu não sei o que está havendo aqui, esse lugar é totalmente estranho para mim. — A voz dela estava falhando. — Eu estou sozinha aqui, e só consigo falar com você através de espelhos.

— Você sabe se há alguma forma de sair? — Minha voz saiu automaticamente.

— Ainda não sei de nenhuma maneira... e aquele “principezinho’’ não vai querer me falar.

— Vamos pensar juntos. — Passos soaram ao fundo.

— Haruka, nós ainda nos veremos, tenha certeza. — A imagem sumiu tão rápido que não tive tempo de me despedir, mas agora sei que ela está viva.

Notas finais
OK, FEELS E TAL, MAS ISSO ERA ÓBVIO. (é, mas eu tinha que colocar q) Obs.: o nome da senhora que cuidou do Haruka é Rebecca, mas ele a chama de Beka q Me avisem se tiver algo errado aí, etc.,etc. Até a próxima. o/