Um ano se passou desde o acontecido, a amizade entre Arley, Camila, Amanda e Giovanni se concretizou. Amanda abandonou o grupo das populares e suas antigas amigas Joicy e Nathalia, Giovanni havia chegado há um ano e já tinha se encaixado muito bem na nova escola, e ainda assumiu sua homossexualidade, Arley arrumou um estagio em uma firma de marketing e isso o deixava fora de casa e ele não tinha que enfrentar seu pai e Camila emagreceu e começou a namorar Nelson.

Faltava um dia para o inicio das aulas, os quatro amigos se preparavam para o ultimo ano do ensino médio e depois a vida.

Giovanni e Camila estavam sentados em uma lanchonete que todos os jovens da cidade que querem ser alguém ou que são alguém frequentam o lugar mais descolado da cidade o TeenCoffee. Eles colocavam o papo em dia, depois das longas férias que passaram, Giovanni passou as férias em um sitio com sua família e Camila apesar de sua família viajar ele ficou em casa curtindo o namorado.

– Minha mãe está tão maravilhosa comigo, pensei que depois que eu me assumisse tudo seria uma catástrofe, mas foi muito bem, a minha família toda me aceitou. Giovanni.

– Isso é ótimo Giih. Camila.

– Mas e o namoro? Giovanni.

– Melhor impossível, o Nelson é tão atencioso comigo, sabe quando tenho aquelas recaídas e quero comer horrores de coisas? Ele se senta do meu lado coloca o seu braço envolta de mim e começa a comer junto comigo e não me julga e isso me faz querer parar, é lindo! Camila.

– Porque não quer ficar gorda de novo?

– Não, porque não quero o meu gato gordo.

Um carro para em frente aos dois, Camila abre um sorriso imenso, de dentro do carro desce Nelson, alto, cabelo arrepiado e loiro, sorriso também imenso ao ver Camila, mas ele estava visivelmente abatido, algo havia acontecido. Ele vai em direção à garota e eles se beijam em um longo beijo, que deixa Giovanni constrangido com a cena, que comenta:

– Vocês não acham melhor irem para um quarto?

Eles param.

– Oi Nelson tudo bem? Você não morre tão cedo. Giovanni.

– Falavam de mim? Bem ou Mal? Nelson.

– Sempre bem né meu amor. Camila.

– Eae Giovanni? Como foi de férias? Nelson.

– Muito bem e já fiquei sabendo o seu também foi bom, mas agora não parece que você está tão bem assim. Está tudo bem? Giovanni.

– Não tanto quanto eu gostaria. Nelson.

– O que ouve meu amor? Camila.

– É que fez um ano que o meu pai desapareceu e estou quase perdendo as esperanças, desde quando ele sumiu sinto tanto a sua falta, queria ter noticias pequenas, feliz, dolorosa, mas queria. Nelson.

Camila e Giovanni ficaram nervosos e se sentiram culpados, principalmente Camila, Nelson era filho do Xerife Murs, o homem que eles acabaram assassinando um ano atrás, Camila colocou a mão sobre o ombro de Nelson e disse.

– Calma amor isso tudo vai passar.

Ela sabia que não iria passar a não ser que eles dissessem onde está o corpo do xerife, mas isso não estava nos planos. Giovanni incomodado com o assunto comentou:

– Milla e Nelson me desculpem, mas eu tenho um compromisso agora atarde. Milla nós encontramos hoje anoite lá na casa da Amanda?

– Sim Giih, as sete. Camila.

– Tudo bem, até Milla e eu sinto muito Nelson, espero que você tenha noticias do senhor Murs ou seu pai.

Giovanni foi embora. Camila e Nelson ficaram na lanchonete por mais 30 minutos e depois foram embora.

Mais tarde todos estavam na casa da Amanda. Giovanni havia levado presente para todos que comprou durante a viagem de férias que fez com sua família e entregou para cada um.

– Arley eu comprei um globo de ouro de Hogwarts, sei que você gosta muito de Harry Potter. Giovanni. – Camila eu comprei esse colar que eu vi e achei a sua cara.

– Uma baleinha?

– Bom era a sua cara ano passado. Giovanni (risos).

– Seu besta. Camila.

– E para a Amanda eu compre esse livro, me disseram que é bom e também achei a sua cara.

– Cinquenta tons de cinza? Amanda.

– Seu passado te condena amiga. Giovanni (risos).

– Esse meu passado foi apagado, agora eu sou uma pessoa que não leva a vida tanto assim na curtição e apesar de seu presente Giih eu ganhei um cachorrinho lindo nas férias. Amanda.

– Adoro cachorrinhos, quero vê-lo depois. Camila.

– Depois eu trago ele Ca, é uma poodle branquinha, tão fofinha. Amanda.

– Ai que lindinha. Camila.

– Ai gente eu nem acredito que estamos aqui juntos novamente. Ultimo ano no colégio e logo depois faculdade. Arley.

– É nosso ultimo ano, o mais chato é ver que nossa amizade só começou no ano passado, mas vale muito a pena, estar sempre com vocês. Amanda.

– E esse ano vai valer ainda mais. Arley.

Parece cena de cinema, mas naquele mesmo momento segundos antes de Arley terminar a sua frase, o telefone dos quatro tocou, eram mensagens, eles se olharam, pois acharam aquilo meio estranho, porém bizarro, Camila leu em voz alta.

“Não há segredos que o tempo não revele. Um ano de preferencia. – X”. (Jean Racine).

Todos ficaram muito nervosos, haviam recebido a mesma mensagem em seus celulares e logo ligaram a mensagem ao que aconteceu há ano atrás.

– Isso é algum tipo de brincadeira? Amanda.

– Quem foi? Arley.

– Giovanni para de ficar brincando isso é serio! Camila.

– Gente, não fui eu, eu juro, eu nunca brincaria com isso, sei que isso é serio é algo que devemos esquecer. Giovanni.

– Então, quem foi? Arley.

Todos olhavam para Giovanni, como se ele tivesse escrito a mensagem por brincadeira, brincadeira de muito mau gosto. Ele insistia:

– Gente não fui eu... O que... Vocês acham que eu teria coragem de brincar isso? Eu também recebi como eu mandaria essa mensagem para mim mesmo?

– Giih pelo amor do bom Senhor me diz que foi você e que isso só nós sabemos.

– Eu queria poder dizer isso, mas não fui eu. Giovanni.

– Isso que dizer que alguém mais sabe, precisamos descobrir quem é. Camila.

– Mas como assim gente, “alguém sabe?” como essa pessoa descobriu? Alguém contou? Amanda.

– Eu mantive o segredo sempre. Camila.

– Eu não contei, não tinha para quem contar, mal confio em mim mesmo. Giovanni.

– Também não contei, levamos para o tumulo lembra? Arley.

– Só se... não eu acho que isso não é possível. Giovanni.

– Fala Giih, você contou para alguém? Camila.

– Não, eu ia dizer que isso só seria possível se o Xerife estiver vivo. Giovanni.

– Vivo? É possível? Amanda.

– Ai meu Deus ele vai nós matar. Arley.

– Não gente, vamos parar... matamos o xerife a um ano, não é ele, eu tenho certeza disso. Camila.

– Como tem tanta certeza? Arley.

– Porque foi que quem deu cinco tiros nele no ano passado, cinco tiros no pai do meu namorado. Camila meio assustada.

– Tudo bem, vamos para casa gente está muito tarde e amanhã temos aula. É o primeiro dia, vamos manter a calma e não chamar muito a atenção tem que mostrar que isso não nós abalou nem um pouco. Giovanni.

– Vamos embora, o meu padrasto vai vir me buscar, eu peço para eles levar o Giih e o Arley. Camila.

– A pessoa que mandou essa mensagem é tão cretina a ponto de assinar com X de xerife. Arley.

Todos se olharam, o nervosismo era evidente naquela sala, alguém sabia da morte do xerife e sabia que eles eram os culpados e os amigos não sabia qual a intenção da tal pessoa e quem era essa pessoa? A pergunta que mais os intriga.

No dia seguinte, o primeiro dia de aula do ultimo ano no colégio Rosemont, como de costume os quatro se encontraram no pátio perto do palco do colégio deles. O grupo era meio exclusivo, era só eles e até o final do ano seria eles.

– Fui só eu que não consegui dormir ontem anoite? Arley.

– Não, também fiquei pensando o tempo todo. Giovanni.

– Quem será que foi hein gente? Amanda.

– Deve ter sido uma brincadeira de alguém, essa pessoa não vai fazer nada e tudo vai ficar normal, relaxa. Camila.

– Quando descobrir me avisa que eu farei questão de dar uma surra nessa pessoa, agora vamos pra sala, temos um novo professor esse ano. Giovanni.

Os amigos estudavam na mesma sala que fica no do térreo do colégio, as salas onde ficam mais longe da saída. Assim que entraram encontraram os colegas de sala do ano passado, agora todos com um pensamento na faculdade. Logo ali no canto da sala o novo professor arrumando seus cadernos e livros, alto, moreno, olhos verdes claros, a tatuagem de um dragão do braço esquerdo e os lábios que qualquer garota queria beijar.

– Bom dia alunos meu nome é Marcelo, sou o novo professor de português de vocês.

Amanda ficou espantada, o novo professor a deixou com uma sensação excitante, ela havia ficado impressionada com a tamanha beleza do novo professor.

– Nossa como ele é lindo. Amanda.

– O novo professor? Camila não muito impressionada. Sim! Ele é muito bonito.

– Como só bonito, ele é lindo, um tesão. Amanda.

– Amanda amiga, menos, bem menos, por favor. Camila.

Ambas se sentaram para assistir a aula, Amanda estava fissurada no novo professor, Camila trocava mensagens com Nelson que era de outra sala, Giovanni não entendia muito de português então preferiu ler um livro e Arley ficava quieto em seu lugar prestando atenção na aula.

Assim que se sentaram, os celulares mais uma vez tocaram, novas mensagens, o mesmo numero de ontem, os amigos ficaram congelados e não queriam ler as mensagens, mas tomaram coragem e leram para si mesmos.

“Talvez a morte tenha mais segredos para nos revelar que a vida. Bom primeiro dia de aula – X”. (Gustave Flaubert).

Amanda se irritou e resolveu responder a mensagem:

“Quem é você seu cretino?”.

“Não tenha pressa, em algum momento você e seus amigos descobriram – X”.

“Quero saber agora.”

“Siga as regras, junte as pistas, assim você chegará a mim – X”.

“Idiota essa é uma brincadeira de muito mau gosto.”

“Você acha que estou brincando sua vadia suja? – X”.

“Prove que não está.”

O perseguidor não respondeu mais, Amanda olhou para seus amigos com um ar de tudo resolvido, como de quem tinha salvado o dia.

Mais tarde durante o intervalo, os amigos saíram juntos de sua sala de aula, quando Karol, uma garota que conhecia o grupo correu até Amanda e disse:

– Amanda eu não sei quem foi ou o que aconteceu, mas você precisa ver.

Todos ficaram assustados e não sabia o que aconteceu, mas foram rapidamente atrás de Maria, correndo pela escola toda, chegaram até o armário de Amanda e ele estava todo revirado, sem sinal de arrombamento, alguém simplesmente abriu e rasgou todos os livros, revirou todas as suas coisas e deixou espalhadas no chão e na porta do armário estava escrito as palavras VADIA SUJA escrito com sangue. Amanda estava bastante assustada, ela foi em direção ao armário e abriu, lá estava seu cachorrinho que Amanda tinha ganhado, ele estava morto. Amanda começou a chorar e naquele momento os quatro receberam uma mensagem escrita:

Agora sabem que estou falando a verdade, sigam as regras ou arquem com as consequências. – X”.