Os Envolvidos
5 Arley Parte 3 - Inimigos Próximos
A cidade era muito pacata, todos se conheciam então não havia muitas dessas tragédias, roubos, acidentes e muito menos assassinatos. A notícia do que aconteceu com o cachorrinho de Amanda se alastrou pela cidade toda e foi um choque com a crueldade que tiveram. O clima não estava nada bom no hospital de Rosemont o único da cidade, Arley e sua mãe Rita, ambos eram os únicos sentados na recepção, fazia muito frio e a espera por notícias era interminável. Rita havia deixado Pedro Henrique dormindo na casa de uma vizinha e a cada 10 minutos ela ligava para saber como estava o bebê.
Arley estava bastante cansado, já passava da meia noite e ele resolveu molhar o rosto para ver se ficava um pouco melhor. Já no banheiro que era imenso, ficou se olhando no espelho procurando uma solução para os acontecimentos recentes em sua vida, liga a torneira, se abaixa e molha o rosto como se aquela fosse uma água benta e fosse resolver tudo, ele liga para Jimmy que prefere não atender por causa do acontecido mais cedo, sempre caia na caixa postal. Arley então deixou uma mensagem:
– Jimmy, me atende, desculpa por não falar nada, mas é para o seu bem, por favor, me atende preciso saber se está bem é que...
Arley ouviu um barulho que vinha de algum dos boxes do banheiro.
– Jimmy eu ligo depois.
Deligou o celular e pensou em ir embora, mas a raiva pelo perseguidor era bem maior e o consumia por dentro, ele então resolve olhar por baixo empurrar a porta com oito boxes. Empurrou a primeiro, nada, veio então o segundo Box, empurrou e nada, o terceiro e nada, chegou chegar ao quarto Arley pensou em desistir, pois o que ele iria fazer se encontrasse o perseguidor? Brigar não iria, ele se achava fraco e não teria capacidade de brigar com ninguém, mas coragem tinha de sobra e então empurrou o Box e também não tinha nada, ele então desistiu, pois achava que isso era uma besteira e que não iria achar nada ali mesmo. Mal sabia Arley, mas duas botas descem de cima da privada no quinto Box que ele resolveu não empurrar. Ao sair ele vê uma mensagem na porta do banheiro escrito.
“Estou te observando. – X”.
E cinco fotos dele colada na porta do banheiro: ele no armário da escola, saindo do trabalho, chegando à festa de Bia, ele no carro conversando com Jimmy e junto a sua mãe na recepção. Arley arrancou as fotos e saiu correndo para ver como sua mãe estava bem. Chegando viu Rita conversando com um medico, ela estava bastante abalada e perguntou:
– Doutor como ele está? Arley.
– Estava falando para sua mãe que seu pai teve muitos ferimentos, bateu a cabeça muito forte e acabou tento um traumatismo craniano, ele não está com risco algum, mas tem que ficar em observação até amanhã, eu recomendo que vocês vão pra casa e descansem, amanhã ele estará acordado. Doutor.
– Muito obrigado doutor, vamos mãe? Não me sinto muito bem aqui. Arley.
– Sim, já é tarde e eu preciso pegar o Pedro. Rita.
– Okay, vamos. Arley.
Arley e sua mãe saíram do hospital e ligaram para um amigo da família que é taxista. Na espera para o amigo chegar, eles se sentaram em dois bancos num ponto de ônibus em frente do hospital Rita sentada à direita e Arley à esquerda. Sua mãe com cabeça abaixada pensando em seu marido e Arley reparou no outro lado da rua mais para o lado esquerdo uma figura encapuzada, uma roupa toda preta, as mesmas botas que havia no quinto Box do banheiro. Arley era um jovem que não tinha medo de enfrentar ninguém, mas naquele momento ele estava sem reação alguma, só arregalou os olhos e disse em um tom muito baixo:
– Perseguidor X.
Como uma cena de filme de terror, um caminhão passou na frente do Perseguidor e ele desaparece diante dos olhos de Arley. O amigo taxista chegou e eles entraram no carro:
– Alex, por favor, vamos pra casa. Rita.
Saíram com o carro e Arley olhando para trás esperando ver o Perseguidor novamente, mas não o encontra. Quando chegarem em casa, eles pagaram Alex, como sempre o taxista recusa o dinheiro diz é apenas um favor pela amizade de anos e Rita vai buscar Pedro Henrique enquanto Arley entrava em casa. Para sua surpresa Alef seu irmão mais velho não estava em casa, Joicy já dormia em seu quarto.
Rita voltou com a criança dormindo em seu colo e comenta com Arley:
– Arley, a nossa vizinha disse que um amigo seu veio aqui mais cedo e perguntou se você não estava em casa. Rita.
– Um amigo meu?
– É ela disse que esse amigo perguntou de você e como você não estava em casa ela disse que você estava no hospital. Seu amigo também brincou um pouquinho com o Pedro. Rita.
Arley ficou em silêncio, pois todos os amigos que ele conhecia estavam fazendo algo naquela noite.
– Sabe qual era esse amigo? Rita.
– Vou perguntar para eles. Arley.
– Ah, ela disse que o seu amigo usava botas pretas. Rita.
Aquela característica fez com que ele se lembrasse do Perseguidor X, Arley subiu as escadas logo, pegou seu celular na bolsa e foi no aplicativo com grupo de amigos e digitou:
“Perseguidor X esteve aqui com o meu irmão Pedro e também o encontrei no hospital.”
“Com seu irmão? No hospital? Arley explica direito.”
“O meu pai teve um acidente de carro ou sei lá, foi proposital eu não sei, mas eu estava saindo do hospital e eu vi do outro lado da rua o Perseguidor X, e agora eu cheguei em casa e soube que alguém veio aqui na casa da minha vizinha perguntou de mim e brincou com o meu irmão.”
“Você acha que pode ser o Perseguidor?”
“Com certeza, os dois tinham botas pretas.”
“Arley pelo amor toma cuidado com ele. Primeiro o seu pai e agora isso com seu irmão e ele ainda tem o Jimmy.”
“Isso precisa acabar, estou ficando louco.”
“Dorme um pouco, descansa.”
“Farei isso.”
Arley tomou um banho bem quente, se arrumou e deitou para dormir, mas antes ele foi gurdar um livro que estava fora da estante, ele pegou o livro e dele caiu uma foto, era de Pedro Henrique junto a botas pretas. Mais um motivo para Arley não ter uma boa noite de sono. No dia seguinte acordou tarde e nem se preocupou em ir para a escola ou trabalhar. Mais tarde se encontrou com seus amigos a casa de Camila para conversar sobre ele ter visto o Perseguidor X. Camila, Giovanni e Amanda ficaram com medo do que o perseguidor pudesse fazer.
– E o Jimmy? Camila.
– Não sei, ele não quer falar comigo, não atende as minhas ligações, nem sei se ele está bem. Arley.
– Será que algo aconteceu? Camila.
– Eu prefiro pensar que não. Arley.
– Arley você precisa encontrar o Jimmy. Amanda.
– Eu vou a casa dele agora e esperar até ele chegar do trabalho, quem sabe assim podemos conversar melhor. Arley.
– Você não está pensando em conta tudo né? Giovanni.
– Não eu tentei contar e o meu pai quase morreu. Arley.
– O que vamos fazer? O Jimmy é bem cabeça dura né? Camila.
– Demais, eu preciso dar um jeito o Perseguidor está mais perto do que nunca. Arley.
– Nós precisamos dar um jeito. Amanda.
Amanda segurou a mão de Arley para que ele se sinta bem melhor e saiba que todos estavam do lado dele e que nada iria acontecer. Pelo menos os amigos queriam estar despreocupados. A campainha da casa de Camila é tocada.
– Você está esperando alguém Ca? Amanda.
– Não a Rafa, foi para a vó dela hoje, quem será? Camila.
Camila foi até o interfone e perguntou quem era e ninguém respondeu, a garota então abriu a porta e atravessou o quintal da casa dela até o portão de ferro que estava sendo pintado, pegou uma caixa que estava jogada no chão e abriu. Havia um DVD dentro, um DVD cuja capa era o desenho de um X, ela não se impressionou, fechou os olhos e respirou. Voltou, mostrou para os amigos.
– O que será que tem ai? Amanda.
– Só vamos saber se virmos. Giovanni.
Giovanni pega o DVD indo colocar para rodar.
– Espera e se tiver, sei lá, e se for algo com o Jimmy? Camila.
– Tipo o que? Arley.
– Tortura, sei lá. Camila.
– Para Camila não pensa assim. Vamos ver logo. Arley.
Giovanni então colocou o DVD para rodar. Nele havia uma gravação antiga da câmera do lado esquerdo superior da casa de Giovanni, nela mostrava Giovanni e Arley chagando na noite do assassinato com o carro do Xerife e pegando as pás pra enterrar o corpo.
– Giovanni tem câmeras na sua casa? Arley.
– Tem, mas achei que não funcionassem nessa época. Giovanni.
– Ai meu Deus isso quer dizer que... Amanda.
Amanda olhou para Arley.
– Que o perseguidor tem provas contra nós. Arley.
Uma nova mensagem chegou no celular dos envolvidos.
“Não acreditam nas palavras? Então lhes mostro as provas. ASSASSINOS. – X”.
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