Os Envolvidos

6 Arley Parte 4 - Remorso


Ninguém podia imaginar o que estava diante de seus olhos, ali a prova de que Arley, Camila, Amanda e Giovanni sabem o que aconteceu com o Xerife na noite em que ele desapareceu, se essa gravação chegar a policia está tudo perdido, portanto ou eles seguiam as regras do Perseguidor ou seriam presos e seus familiares mortos.

– Alguém, por favor, tira esse DVD antes que eu o quebre todinho. Camila.

Giovanni tirou o DVD, o colocou na capa de volta e se sentou com uma olhar de que estava tudo perdido. Camila se levantou bem abatida, se encostou à janela e começou chorar. Amanda como não suportava ver a amiga daquele jeito foi dar um abraço na amiga.

– Calma Ca, vamos dar um jeito. Amanda.

– Não tem como dar um jeito, 12 anos que eu sou apaixonada pelo Nelson, ano passado ele se interessou por mim e eu matei no pai dele. Imagina se ele descobre isso? Camila. – Toda vez que ele fala do pai e o quanto eles se davam bem e de como ele era um herói pro Nelson, eu tenho vontade de voltar no tempo e em vez de dar cinco tiros no Senhor eu deveria dar em mim.

– Agora, pode ser meio ridículo dizer isso da minha parte, mas... Eu preferia ter chamado a policia. Arley.

– Agora? Eu não consigo ir dormir sem pensar no que fizemos isso há um ano. Camila.

– Senti falta do meu pai agora. Giovanni.

– Eu vou para o hospital. Arley.

– Mas você não ia no Jimmy? Giovanni.

– Eu vou quando ele chegar. Arley. Não ficarei o dia todo esperando por ele.

– Okay, vai lá, melhoras pro seu pai. Giovanni.

Arley saiu e foi o mais rápido possível para o hospital, com o coração apertado por causa de Jimmy e de seu pai. Todos estavam em perigo e a culpa não saia de suas costas, ele pensava na sensação de alivio e de paz, a sensação a qual não sentia muito tempo desde quando ele pegou aquela pedra e atingiu a cabeça do Xerife Murs.

Depois de alguns minutos a pé ele chegou ao hospital, passou pelas portas de vidro automáticas e logo à frente o balcão da recepção. Ele entra no elevador, sobe até o quinto andar, vai até o quarto 359 onde encontra seu pai ainda não acordado, porém não desmaiado, mas sim descansando. Arley se encostou à maca onde seu pai estava deitado e ficou ali olhando, sem pensar em nada, só olhando seu pai que não o amava. Thiago acorda e fica olhando Arley também, o homem então resolve conversar com o filho:

– Arley?

– Oi? Arley.

– Tudo bem? Thiago

– Mais ou menos. E o senhor? Arley

– Mais ou menos, o que há? Thiago

– Nada de mais, só um pouco de tristeza. Arley

– Entendo. Thiago

Por alguns segundos ambos ficaram em silencio sem assunto algum. Mas Thiago para a surpresa de Arley resolveu conversar.

– Arley me perdoa? Thiago

Arley olhou para o seu pai surpresa, muito surpreso, essa era a frase que ele nunca esperava ouvir de seu pai, depois de todo o tratamento que ele tinha, acho que iria morrer, mas não ouviria isso.

– Pai... Eu... Eu... Arley.

– Não precisa me perdoar se quiser, mas pelo menos me escute. Nós nunca nos demos bem um com o outro e eu até peguei muito no seu pé e fiz coisas horríveis, mas é porque você sempre me deixou admirado, é batalhador, sempre correu atrás do que queria nunca se importou com o que os outros diziam e isso era tudo que eu não fui e que não sou eu daria tudo meu filho, tudo mesmo para ter a coragem e a sabedoria que você tem, orgulho-me de você Arley, me orgulho muito. Sinceramente me arrependo de tudo que fiz e prometo que quando eu sair daqui vai ser tudo diferente, será tudo melhor e você poderá contar comigo meu filho. Eu te Amo. Thiago.

Arley ficou ali parado olhando para o seu pai, no inicio ele pensou em dizer foda-se e sair da sala nem olhar mais na cara de seu pai, mas ele pensou, ele queria que um dia pelo menos sua família fosse o modelo de família feliz que ele assistia na televisão e que ele nunca teve.

– Eu te perdoo-o pai, eu também te amo. Arley.

Ele abaixou e abraçou Thiago com muita força, pois o abraço de seu pai, Arley não sentirá a anos. Seu pai reclamou de dores.

– Tudo bem pai? Arley.

– São apenas dores dos ferimentos só isso. Thiago.

Ambos deram risadas e Arley se sentou num sofá perto, ele havia se reconciliado com o pai e aquele era o momento certo para perguntar.

– Pai, o que aconteceu para que o carro capotasse? Arley.

– Então, eu não me lembro muito bem, mas o que eu me recordo é de ter perdido o controlo do carro depois que eu pneu estourou. Thiago.

– Algum problema? Arley.

– Não sei, mas eu troquei aqueles pneus recentemente não teria como estoura-los assim. Thiago.

– Poderia ter algo cortante no caminho. Aley

– Pode ser, mas ainda é muito estranho. Thiago

– Você não se lembra de mais nada? Arley.

– Não, a não ser de uma pessoa com um capuz preto, mas isso não tem nada haver com o que aconteceu. Thiago

Arley já sabia que o acidente teria sido causado pelo Perseguidor X, mas agora ele teve certeza.

– Deixaram flores aqui? Arley.

– Ah sim, mas não pude ler o cartão, pode ler ele pra mim? Eu já sei que foi da sua mãe, mas eu quero ouvir. Thiago.

– Claro. Arley.

Arley pegou as flores na mão e as leu.

“Acidentes acontecem até nas melhores famílias. KKK – X”.

Arley se irritou com aquele cartão, então se despediu de seu pai e saiu do quarto onde estava seu pai com os olhos cheios de sangue, ele estava com muita raiva do perseguidor e ele iria fazê-lo pagar por tudo que estava fazendo em sua vida.

Ele saiu do hospital e voltou direto para a casa de Camila. Assim que chegou teve a sorte de encontrar com seus amigos ainda lá.

– Preciso que vocês vão comigo na casa do Jimmy. Arley.

– Pra que? Camila.

– Vou contar ao Jimmy tudo o que está acontecendo e dane-se o Perseguidor X. Arley

– Você tem certeza disso? Giovanni.

– Mais do que tudo, preciso que vocês vão comigo, todos juntos o Jimmy vai acreditar e se ficarmos juntos vai ser mais difícil para o Perseguidor nós pegar. Arley.

– Então vamos. Giovanni.

Já era noite quando todos saíram para contar toda a verdade a Jimmy, a casa dele era próxima a casa de Arley e naquela hora ele já havia chegado em casa depois do trabalho, todos estavam bastante nervosos com o que iam contar para Jimmy. Assim que chegaram a casa do garoto, Arley o chamou pelo nome, mas quem sai é a mãe de Jimmy.

– Ele não está Arley. Marta.

– Não está? Mas já era pra ele ter chegado. Arley.

– Sim ele chegou, mas veio uma pessoa aqui e ele saiu junto com ela. Marta.

– Quem era essa pessoa? Arley.

– Eu não vi direito ela ficou lá fora, mas eu reparei que ela usava uma roupa toda preta e botas também pretas. Marta.

– Botas pretas? Arley.

– Sim, botas pretas. Marta.