Notas iniciais
Matem Kamus, eu deixo Rrrs
Boa leitura!!

— Passe algo para me ajudar a dormir. — O loiro pediu manhoso. Agora com sete meses a vantajosa barriga não lhe permitia dormir bem. Nenhuma posição ajudava, e isso contribuía para que tivesse somente sonos leves.

Não é mito quando dizem que uma gestação transforma tudo em uma pessoa, mesmo sendo uma masculina. A sua pele, não tão bronzeada como antes, estava mais viçosa e macia, seus olhos detinham um brilho desigual... Até seus cabelos dourados irradiavam um brilho que fazia o sol ficar com inveja.

— Não senhor. — O ruivo ditou firme.

Ao avançar dos meses não era somente a relação médico e paciente que fluía. Aléxis havia ser tornando chave mestra para o sustento de Milo. O médico dava ao loiro todo suporte emocional, ou físico que ele carecia, sem cobrar nada em troca, apenas ansiando ver seu sorriso iluminado.

Não que o escorpião tivesse esquecido seu amor eterno, não tinha como, nem que tentasse, sendo que levava dentro de si três elos que o ligaria para sempre a Kamus, porém o carinho dos amigos, e o apoio de Aléxis foram às bases fundamentais para que Milo se erguesse das cinzas, mesmo não sendo a fênix.

— Chato! — O loiro murmurou fazendo um adorável bico.

Os dois achavam-se na oitava casa. Aléxis havia recebido pleno aval de Atena para frequentar o santuário, claro dentro dos limites permitidos. Com isso, o ruivo sempre ia visitar o loiro, desde que fossem assuntos da gestação ou amizade.

Aléxis sempre se dispunha a mimar o Milo, levando frutas, doces, presentes para os pequenos bebes, ou literatura que falasse de gestação ou criação de filho, tudo para Milo.

Era neste cenário que se encontravam. O relógio marcava mais das nove horas da noite, os dois estavam na sala assistindo um filme de ação, com o gravidinho se empanturrando de brigadeiro de panela, feito por Aléxis, e reclamando por não poder dormi.

— Que menino mais mimado... — Aléxis disse rindo alto, sendo acompanhado pelo escorpião.

— Ai... — Porém quando Milo gemeu fazendo certa careta, o ruivo parou, indo em sentido a ele preocupado.

— O que foi? Sente algo? Dor? Disse para parar de comer besteira, mais não ouve seu medico! — Aléxis estava quase pronto para pegar o material de médico para revisar Milo quando o mesmo deu um largo sorriso puxando sua mão e levando na túrgida barriga.

— Se mexeram, sente... Eles não param... Parece até que estão lutando aqui dentro... — Disse eufórico. Sim! A gravidez dera a sua vida um novo sentido.

Hector emocionou-se quando sentiu os pequenos moverem sob a pele lisa do ventre de Milo, não tinha como deixar de se emocionar com o milagre da vida.

— São sapecas como o pai... Ou seria mãe?? Nem sei... — O ruivo ditou retribuindo o sorriso do escorpião.

— Quando poderei ver o sexo? Poxa! Você disse no quinto mês, e até agora nada. — Resmungou fazendo um bico com os lábios. Parecia que seus filhos se escondiam de si, pois toda vez que ia fazer a ultrassom para ver, eles se mexiam e não dava para visualizar nada.

— Breve... — Estava ansioso como ele para ver.

Continuaram conversando até que foram interrompidos por uma terceira voz.

— Milo? Trouxe... — Mas Hyoga parou de falar quando viu o médico. Claro que depois da atitude de Kamus ficara totalmente devoto ao escorpião, não que houvessem se tornando inseparáveis amigos, mas o cisne queria suprir a ausência, em partes que o ex-mestre fazia, e no fundo não deixava de tomar as dores de Kamus por ver o Héctor tão perto de Milo.

Sabia que o apoio de Hector Aléxis fazia bem ao loiro grego, e que Milo tinha o direito de ficar com quem quisesse, dado que fora Kamus que o abandonara, mas era instintivo.

Voltou-se para o ruivo e ditou firme:

— Não é tarde para visitar um paciente não?! — Inquiriu Hyoga fuzilando o médico que achou graça daquela atitude. Aquela altura dos acontecimentos ele já sabia, quem ele era e por que sempre o tratava com certa hostilidade.

— Boa noite Hyoga! — Respondeu o Alexis com educação. — Eu não estou aqui na qualidade de médico, mas na de amigo... Portanto, se tem algo a dar a Milo esteja a vontade!

Milo não havia gostado daquela atitude do loirinho, mas já tinha se acostumado aquilo, toda vez que via Alexis ali era a mesma coisa.

— Hector está aqui por que é meu amigo assim como você e ou outros cavaleiros. — Disse Milo um pouco impaciente.

— Amigo? — Indagou com escamo. — Só se você for cego ou louco, por que todo mundo já percebeu que ele gosta de você!

Milo ficou estático, claro que sabia que Alexis sentia algo por ele, mas não queria machucá-lo por sentir que ainda tinha sentimento pelo ruivo francês. Viu o médico abaixar a cabeça e não conseguir encará-lo.

— Hyoga o que era mesmo que você queria? — Perguntou Milo tentando por fim aquela situação.

— Nada! Eu já vou, outra hora eu converso com você. — O cavaleiro de cisne disse e saiu em seguida.

O escorpião voltou-se para o ruivo que já pegava suas coisas para sair dali, Milo mordeu o lábio inferior e mil coisas passaram por sua cabeça. Mas o que mais o deixava perturbado era não ter coragem de dizer nada. Quando Alexis já estava pra sair o loiro pareceu acordar e ditou fraco.

— Fica... Por favor, Hector!

Seu coração estava aflito, não sabia se era a decisão certa, mas não queria deixa-lo ir assim. Hector sentiu o coração doer, queria que ele tivesse pedindo aquilo por sentir algo por si, não por pena ou gratidão.

— Não Milo... — Replicou tentando parecer seguro. Afinal sempre demonstrou interesse no loiro grávido, mas ele nunca disse nada, como também nunca correspondeu — Não é o momento... Não ainda.

Alexis saiu dali e não voltou, foram dias que para Milo foram dolorosos e vazios. Tinha os amigos era verdade, mas não tinha o médico ali, perto de si, fazendo carinho e brincando. Precisava dele, era fato para si.

Agora se aproximava dos oito meses e havia ido tomar um banho, estava sentindo-se mais cansado que nos outros dias. Foi até o banheiro e sentiu dor, seu corpo já havia mudado tanto, a deusa havia preparado tudo para que na hora do parto desse tudo certo. Porém aquela dor era diferente... Ligou o chuveiro no quente e deixou-se relaxar dentro d’água. A dor foi amenizando e ele pensou que era cansaço. Depois do banho recebeu Afrodite e Mask e conversaram, durante todo o tempo que os dois estiveram ali, Milo sentiu dor, mas não era fraco e não era de ficar reclamando.

Quando os amigos se foram, Milo foi deitar e durante toda a noite a dor voltou, mas cada vez mais intensa.

Não conseguiu dormir bem, então decidiu ligar para seu médico, quando ouviu a voz de Alexis sentiu-se mais seguro.

— Milo?! O que houve? — Perguntou preocupado. Hector Alexis recriminou-se por colocar o sentimento acima da profissão, Milo estava frágil e ele havia se afastado do loiro.

— Dor... Eu to com dor... — Milo ditou com a respiração ofegante.

— Dor? Milo desde quando está sentindo dor? — Alexis estava mesmo preocupado, era normal que uma gravidez de gêmeos não chegasse aos nove meses, afinal era muito difícil carregar duas e no caso do grego, três crianças até os nove meses.

— É... Ontem à tarde... Achei que não fosse nada... Mas... Estou com medo, não quero perde meus filhos... Me ajuda... — Pela sua voz estava claro que as lágrimas já começavam a banhar sua face, e um medo e um desespero imenso tomava conta de si.

— Calma... Está sozinho? De quando em quando vem ás dores? Passe a controlá-las, chame alguém e vai para o hospital estou indo para lá. — Hector ditou com calma, afinal alguém precisava mantê-la, e naquele momento vestiu a faceta de médico.

Só por falar com o médico um pouco de paciência o acobertou. Tentando respirar suavemente, ainda que difícil elevou seu cosmo o que fez os cavaleiros em peso aparecerem em sua casa, mas antes mesmo de fazer tal proeza alguns já dirigiam para lá.

Ao chegarem fora um Auê total, parecia que todos eram pais, pois mostravam-se ansiosos, Afrodite mesmo quase pegou o loiro no colo e o levou na velocidade da luz para o hospital, como se fosse ele a dar a luz tamanha aflição.

Quando a bolsa do grego estourou uns três caíram desmaiando.

Enfim, entre lamurias e transtornos não demorou em que chegassem a maternidade, que fora prontamente invadida por belos homens, acompanhados pela deusa, e herdeira da fundação Kido.

Claro que muitos no hospital estranharam ver um homem com uma exuberante barriga, mas a equipe do doutor Hector Alexis que já encontrava formada havia providenciando tudo, e imediatamente levou o grego ao um dos quartos aonde ele esperaria o momento certo do parto.

Milo estava agoniado. Achava que só era chegar e já ia para a sala de cirurgia, mas as coisas não se mostraram assim.

Deitado na cama, e com as dores mais freqüentes, e mesmo sendo um cavaleiro diante daquela dor, não podia aguentar. Sentia como se uma faca estivesse lhe rasgando pro dentro, e juntando a preocupação de que seus filhos ficariam bem, seu estado emocional ia ao extremo.

— Vou ligar para ele novamente. — Disse a enfermeira saindo. Por sorte Atenas adentro no quarto, e com seu cosmo pode amenizar a agonia do escorpião. O fato era certo, homens eram sempre mais fracos para dor, não importava se eram cavaleiros fortes e poderosos.

Alguns minutos depois quando Milo estava quase colocando o hospital abaixo uma cabeleira ruiva adentrou com um belo sorriso vestindo um jaleco branco.

— Milo... Pronto para dar a luz seus filhos? — Alexis parecia por igual ansioso dar pode ajudar vim ao mundo àquelas vidas.

Quando este chegou perto da cama do loiro, este puxou o medico pela gola do jaleco e disse com careta de dor entre os dentes.

— Seu filho da mãe por que demorou? Faça o favor de tirá-los de dentro de mim... Aaiia... Agora... — Suas ameaças eram entrecortadas.

— Anjo... Tudo tem momento certo... Seja forte, como foi até agora. — Falou ignorando os palavrões dele ao que acariciou a terna face.

—Mas... Dói... Ahah...

— Dr. Alexis? — Saori aflita o chamou. Não desejava que nada de mal acontecesse com seu cavaleiro e os frutos que ele carregava dentro de si.

— Vou cuidar de você agora. — Dito isso Alexis ordenou para que Milo fosse levado para a sala de cirurgia aonde aconteceria sua cesária. E assim que ele fora anestesiado, e a mesma fizera efeito à equipe começou a trabalha para trazer aquelas três pessoinhas ao mundo.

O doutor então começou a cirurgia, foi lentamente cortando a pele abaixo da barriga do loiro, devagar foi abrindo caminho para dar passagem aos bebes. Ao chegar ao ponto certo ele puxou a criança para fora.

A primeira criança quase não chorou, o médico precisou bater em seu bumbum para que ela chorasse, o que o fez, mas não muito. O médico com olhos brilhando falou sorrindo, você é geniosa não?!

Uma enfermeira a pegou nos braços, envolvendo-a com um lençol e levando-a até o pai e depositando-a no braço direito do loiro, ditou com um sorriso calmo.

— É uma menina!

Milo sentiu as lágrimas descerem por seu rosto, e com um sorriso olhava a pequena.

— Estou aqui minha princesa... Eu te esperei tanto... Seu nome é Danita. Por que você é o presente que eu recebi dos deuses.

Enquanto Milo se ocupava da pequena, o doutor Alexis já havia retirado a segunda criança, sorriu ao perceber que era mais uma menina, seus olhos eram diferentes dos da primeira que tinha olhos azuis, ela tinha olhos verdes.

Entregou a menina à enfermeira que repetiu o procedimento feito com a mais velha e entregou-a ao papai.

— É outra menina senhor... De belos olhos verdes!

Ao vê-la Milo chorou ainda mais, pois ela era muito parecida com Kamus, pelo menos os olhos dela eram iguais ao do ruivo.

— Oi meu amor... – Falava para a filha entre lágrimas. — Eu te amo... Você se chamará Fahir, por que você é minha responsabilidade e sei que do jeito que se enrosca em mim. — Disse vendo-a encolhida eu seu braço. — Será amorosa.

Distraído que estava, quase se surpreendeu com a chegada da enfermeira com mais uma criança. Ela o olhou divertido.

— Parabéns senhor Milo! O senhor é pai de três lindas meninas!

Após parabenizá-lo a enfermeira colocou a criança sobre seu peito e ele encostou seu rosto na cabecinha dela e sem conseguir conter suas emoções ditou entre soluços.

— Eu... Me sinto completo agora meu anjo... Minha! Você é minha, e esse é sei nome Mia.

Alexis aproximou-se de Milo e para surpresa do médico, o loiro o chamou com carinho e quando o ruivo abaixou-se se colocando mais perto dele, o escorpião sapecou-lhe um selinho.

— Obrigado! — Os olhos de Milo brilhavam enquanto o coração do ruivo sacudia dentro do peito.

Todo tempo Saori esteve ali, mas permitiu que Milo pudesse viver aquele momento sem sua intromissão. Viu as meninas e emocionou-se com aquelas três crianças. Aproximou-se do loiro e ditou com carinho.

— Milo... Está na hora delas irem meu querido. — E sentiu o peito apertar ao ver os olhos do loiro pedirem em silêncio que não as levassem. Porém sabia que era necessário. — Elas precisam de um banho e logo serão levadas para se alimentar, e você as terá novamente em seus braços.

Mesmo com essas palavras, Milo demorou a permitir que suas filhas fossem afastadas de si. Mas quando Alexis fez carinho em seus cabelos e ele próprio sentiu o sono chegar, entregou-as as enfermeiras ali e então aos poucos o cansaço pelas dores e o sono o fizeram dormir.

Alexis por sua vez voltou ao seu lugar e fez toda a limpeza necessária depois da retirada dos bebês depois daquele tipo de cirurgia, em seguida começou a costurar o loiro. Estava muito preocupado, Milo era um homem não sabia como seu corpo reagiria a tudo aquilo.

Ao terminar ordenou que Milo fosse levado para o quarto.

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Apesar da felicidade que envolvia todos que ali estavam afinal, todos os cavaleiros que conheciam a situação de Milo, estavam ali felizes, pelas sobrinhas que ganharam, pois Saori já os havia avisado.

Porém apesar dessa felicidade, alguém estava muito infeliz e irritada com aquela situação, Akane também estava no hospital, disfarçada de enfermeira, queria saber sobre o loiro e fazê-lo sofrer por não a ter escolhido e ter se tornado aquela aberração.

— Você vai pagar caro Milo! — Afirmou entre dentes. — Você nunca mais verá seu filho... Vou te fazer sofrer, como você está fazendo comigo.

A moça não tinha conhecimento de que Milo havia tido trigêmeas. E desde que fora expulsa do santuário, decidiu que se vingaria do escorpião por tê-la preterido. Entrou sorrateiramente no berçário onde se encontravam as crianças, os bebês de Milo estavam lá e ela surpreendeu-se quando percebeu que eram três e não somente um. A coisa havia se complicado, não conseguiria sair dali com as três só poderia levar apenas uma criança.

Olhou-as uma a uma e ao ver a menorzinha a que mais lhe lembrou Milo, não teve duvidas, tomou-a nos braços e ditou próximo ao rosto do anjinho que dormia.

— Nunca mais sua aberração, você vai ver nenhum dos seus pais! Eu vou colocar você em um cesto e te levar para morrer, vou te vender.

A morena de cabelos cacheados e olhos cor da noite saíram dali e seguiu direto para a porta, venderia sim aquela criança e sabia muito bem a quem entregar. Porém, quando já se encontrava a certa distância, uma bela mulher a fez parar, não soube explicar por que, mas teve medo dela.

— Aonde pensa que vai Akane! —Ditou a mulher que parecia conhecê-la.

— Qu-Quem é você? — Akane perguntou tremendo. — Deixe-me em paz!

— Você ficará em paz fazendo mal a esse anjo? — A mulher perguntou segura e imperiosa.

— Isso não é um anjo... É UMA ABERRAÇÃO! — Ela gritou enraivecida.

— Dê-me o bebê! — A mulher ditou furiosa.

Ainda que contra a vontade Akane viu-se entregando a criança aquela mulher, sem saber como.

— No momento certo serás punida. — Disse a mulher e saiu levando consigo sua protegida.

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Um homem muito bem vestido e de ar elegante, saía de um restaurante. Sua postura era imponente e sequer olhava para os lados, a noite estava fria e ele preferia que naquele momento não estivesse só. Naquele dia era seu aniversário e já tinha tido tantas lembranças do passado que seu coração chegou a doer. Estava envolto em pensamentos quando ouviu alguém chamá-lo.

— Boa noite meu senhor! — Uma senhora, parecendo muito cansada e doente o chamava. Seu rosto marcado pelo tempo e pelas dores estava molhado de lágrimas.

O homem não pode fingir que não via, mesmo por que sentia que era seu dever ajudar aqueles que precisavam. Ao olhar para a senhora sentiu o peito apertar, ela parecia estar sofrendo muito.

— O que houve? — Perguntou polido. — Em que posso lhe ser útil?

— Ah, meu senhor... Eu estou desesperada! — Ela ditava chorando. — Minha filha acabou de morrer no parto e minha neta não tem, mas mãe...

Ele ficou sem ação, aquela criança já nascera sendo separada daquela que a gerou. Respirou fundo e continuou olhando para a mulher até que ditou.

— E o pai dessa criança? Onde ele está? — Indagou embora fosse óbvio, o safado devia ter abandonado a jovem, não compreendia como um homem podia agir daquela maneira em relação aos próprios filhos.

— Ele se foi... Se deixou levar por mentiras e nem sequer conversou com minha menina, apenas sumiu. — A senhora disse tristemente.

— Eu sinto muito. — Fora tudo que aquele homem conseguira ditar. — Do que precisa?

— Senhor... — A senhora começou a falar com calma. — Eu estou muito doente e o médico me deu apenas alguns meses de vida. Eu sei que vou ter que deixá-la em um orfanato. Mas eu não queria que ela ficasse lá entende? Queria muito que ela tivesse uma família... — Ela recomeçou a chorar e olhando para ele pediu entre lágrimas — Por favor, senhor, fique com ela? — E sem que ele espera-se ela esticou os braços num pedido mudo para que ele segurasse a criança.

Ele a olhou e sem conseguir se conter, tomou o bebê em seus braços e quando o fez e olhou no rostinho dela sentiu algo que não soube explicar, seu coração acelerou e seus olhos sempre tão frios marejaram. Sentia que ela era sua, só sua.

— Ela já tem nome? — Ele perguntou sentindo-se aquecer por dentro, apenas por tê-la em seus braços.

— Mia! O nome dela é Mia. — Ela respondeu com os olhos brilhando.

— Mia... — Ele sussurrou e a bebê pareceu entendê-lo, e ressonou tranquila, como se reconhecesse nele segurança, proteção e amor.

Estava distraído e nem se deu conta que a senhora já não estava ali, quando levantou a cabeça surpreendeu-se com aquilo, mas até entendia, talvez fosse doloroso demais para ela despedir-se da neta.

— Vamos minha Mia... — Ele ditou para a criança. — Vou cuidar de você! Nunca vou te abandonar... – Falava ele com carinho levantou a cabeça e olhando para os céus agradeceu. — Obrigado minha deusa, obrigado por ouvir minhas orações e acabar com minha solidão.

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A expressão que Saori Kido carregava, mais precisamente a reencarnação de deusa Atena era dura, séria, para não dizer abatida. Encontrava-se a frente da porta branca.

Aquilo era sua missão mais difícil, pois fazia seu coração dilacerar. Havia feito o que era possível, praticamente todos os cavaleiros foram postos naquela missão de encontrá-la, mas tudo indicava não estavam tendo muito êxito, levado por isso tomara uma decisão que julgara a melhor opção.

Respirando fundo, Atena adentrou no quarto, e seus olhos logo caíram sobre seu corajoso cavaleiro que estava ditado na cama. Os olhos fechados davam a entender que ele dormia.

Pode sentir como o cosmo dele ainda oscilava, afinal, ele passara por um momento incomum.

Seguiu até Milo, tocando a face terna, e tal coisa fez com que ele abrisse os olhos. Havia ali um brilho todo especial, apesar de cansado, o escorpião tinha agora um novo sentindo na vida, três preciosidades na vida.

— Ei... Como se sente? — Saori indagou ternamente, muitas vezes ter a responsabilidade que possuía pesava em seus ombros.

— Hunm... Dolorido... Onde elas estão? Disseram que as trairiam, mas até agora nada... — Exclamou, não via a hora de tê-las em seus braços, e nunca permitiria que saíssem.

— Logo trarão... Precisamos conversar. — Saori disse seriamente.

— Sério? O que aconteceu? Elas estão bem não... Eu tive elas nos braços, estão bem... Me diz Atenas... — Ouvir as palavras de Saori fez surgir uma agonia dentro de Milo, um premonição, como se algo tivesse fora do contexto.

— Calma... Precisa ser forte... — Aquela demora em dizer só cedia o momento mais agonia.

— Fale Atenas? Minhas filhas... Preciso ver elas... — Milo disse ignorando seu estado e moveu para levantar da cama. Seu corpo curvou de dor, porém seu desejo de tê-las em seus braços era maior que qualquer estado físico.

— Não! Milo por favor, não pode. — A mulher desesperou, foi ate o grego loiro tentando fazer retorna para a cama.

— Minhas filhas.... O que houve com minhas filhas? — Mesmo sem saber ao certo o ocorrido às lágrimas já vinham.

— Sinto muito... Mas mia não resistiu e faleceu... Sinto muito. — Saori disse de uma vez, e suas falas foram às causadoras do desmoronamento do escorpião, que deixou o corpo cair no chão.

O olhar tornara-se vago, e seu coração sangrava de dor e lástima. As grossas lágrimas brotavam de seus olhos, em sua mente e sua alma, não queria acreditar.

— Minha... Minha menina... Nã... Eu quero ver, ela está bem... — Os soluços tornavam audíveis.

— Meu querido... Não tem como... Isso só aumentaria sua dor. As outras estão bem... Tem que ficar bem por elas... — Saori falou o abraçando, mas Milo tentava afasta-la insistindo em levantar.

— Não.... Mia... Mia... — Milo começou a grita chamando pela filha, como se ela fosse responder. Seu cosmo acabou alterando, e no berçário as outras começaram a chorar, como se soubesse o que acontecia e sentisse a dor do pai/mãe.

— Pense que ela está no paraíso, sendo muito bem cuidada. — Atenas pronunciou, mas de nada adiantava.

Foi quando doutor Hector entrou no quarto, e ao ver o estado de Milo se agoniou. O mesmo foi até o loiro, e manuseando uma seringa injetou no braço dele, o vendo aos poucos amolecer.

Abraçou o corpo dele, e com cuidado o pegou no colo levando-o para a cama.

— Meu anjo... Estou aqui... Vou cuidar de você... Vocês. — Alexis dizia ao que detinha o loiro em seus braços, acariciava os cabelos dele sutilmente regado a amor. Levado pelo efeito do remédio e pelo carinho, o loiro foi se acalmando, até que dormiu. O ruivo o colocou deitado na cama, reparando que seus pontos tinham aberto. Hector pediu que Saori saísse, e assim pudesse cuidar do escorpião.

Continua...