Notas iniciais
Esperamos que gostem, e peguem seus lenços de papel... Pões iriam se emocionar, e querer nos matar, mas espero que gostem.
Boa leitura!!

Não diria que ele havia saído no mar de mágoa e tristeza, mas lutava para sobressair a isso. Agora tinha um motivo maior para viver, colocando o pequeno ser que se desenvolvia dentro de si como o centro de sua existência. Milo buscava valorizar a dádiva que lhe fora oferecida. Ainda era estranho pensar que dentro de si algo tão frágil e milagroso crescia.

Com isso os dias foram se passado, se tornando semanas e meses... E na certa os primeiros foram os piores. Os enjoou constante estava retirando sua sanidade. Nada parava em seu estômago, diria que até água lhe embrulhava. Sua salvação era Shaka. Nunca pensou que iria gostar das comidas naturais dele, mas se não fosse elas iria sumir de desnutrição.

Seu humor. Ah! Realmente havia ser tornado bipolar. As mudanças constantes de humor atingiam todos no santuário que tinha contanto direto consigo. Uma hora era sorriso e ficavam horas conversando e rindo com seus amigos, mas do nada uma angústia e tristeza assolava, e o motivo menor que fosse o fazia chorar em demasia, isso quando não se irritava que até mesmo o santo de virgem ou Áries os mais calmos não o suportava.

Saori, assim como os demais eram sempre presentes e cuidavam para que nada atormentasse, prejudicasse ou fizesse Milo entra no mundo da depressão novamente.

Os cavaleiros sempre se resevavam para está ao lado dele, e cada um tinha uma responsabilidade. Shaka cuidava da alimentação balanceada, rica em nutrientes, além e claro de obrigar o escorpião a fazer meditação, justificando que isso ajudaria equilibra seu cosmo, e canaliza as energias para uma boa gestação.

Já Marin e Shina o auxiliavam nas atividades físicas. Não poderia mais treinar com um cavaleiro, mas por orientação médica fazia exercícios leves regularmente.

Outros cuidavam para ajudar na arrumação da casa, ou simplesmente lhe fazer companhia, ainda tinham alguns, como os mais perto de sua casa, que eram obrigados a levantarem de madrugada para atender aos desejos estranhos que Milo costumava ter.

Certa vez Milo acordou três e pouco da madrugada com imenso desejo de comer morango regado de chocolate. Além de passas com maioneses, acabou acordando Dohko e Aioria, e os dois tiveram que descabelar aquele horário para achar o desejo do grego loiro. Algo que não foi fácil, para no final Milo dizer que não queria mais aquilo, e sim, panquecas com mel e coco ralada. Como diria Aioria, cada doido com sua mania.

E assim todos sem exceção estavam dando um pouco de si para ajudar o loiro. A fase dos enjoos e desejos começava a passar, e o cavaleiro de escorpião agora se sentia um pouco mais seguro, mas forte. Seu bebê estava chegando aos três meses de gestação e logo saberia como ele estava, era certo que era acompanhado pelo médico da fundação, mas um obstetra fora contratado especialmente para acompanhá-lo e em dois dias teria a primeira consulta com o mesmo.

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O dia da consulta havia chegado e o escorpião estava nervoso, infelizmente aquele dia não tinha amanhecido com o melhor dos humores, mesmo por que odiava acordar cedo e o médico iria vê-lo às 8 da manhã. A própria deusa decidiu que iria com ele, Atena sentia a ansiedade e o medo do seu cavaleiro e sabia que só ela poderia contê-lo se ficasse mais agitado. Então Saori acompanhada e Dohko foram ao consultório e levaram o loiro para os exames.

O Doutor Alexis já esperava por eles, tinha sido avisado pelo Dr. Palites que era um caso especial e que merecia toda atenção e cuidado. Hector Alexis era jovem ainda, contava com à idade de 28 anos e na sua especialidade era o melhor.

Ao chegarem ao consultório Saori, Dohko e Milo procuraram pelo doutor, e a sua recepcionista avisou que ele já os esperava. Levou-os até a porta da sala do médico e abriu devagar anunciando os pacientes.

Os três entraram e Milo sentiu os olhos marejarem, o seu médico era ruivo, não tanto quanto Kamus, mas ruivo e muito bonito. Ele os recebeu com um sorriso, apresentou-se e convidando-os a sentar, ouviu toda a história de Milo no que dizia respeito à gravidez.

Não seria algo fácil era verdade, mas o médico aceitou cuidar de Milo e prometeu que faria o melhor. Levantou-se e pegando na mão do loiro o guiou até a maca e pediu aos outros dois que saíssem que se fosse preciso ele os chamaria, pois daquele momento em diante tudo que faria seria entre ele e seu paciente.

Ele fez todos os exames que a condição de Milo concedia e outros que exigiam, sempre muito gentil Alexis conseguirá fazer Milo sorrir e deixar-se ser cuidado.

— Bem Sr. Milo ago... — Parou o que dizia ao ser interrompido pelo paciente.

— Me chame de Milo... — Disse o loiro com um sorriso, triste, mas ainda assim um sorriso. — O senhor me faz sentir um velho...

O médico não pode deixar de sorrir. Não podia negar que o rapaz era extremamente belo e encantador. Não conseguia desviar a atenção dele, mas não gostou daquele sorriso triste. Levou a mão ao queixo do loiro e o fez olhar para si e ditou com carinho.

— Você é lindo e forte... Nem de longe parece um velho! Mas me diga, por que esse olhar tão triste?

Milo sentiu-se estremecer com aquele toque e por estar tão sensível, deixou que lágrimas quentes molhassem seu rosto.

— Vo-você não tem ideia do que estou passando... Eu fui abandonado e eu sou... Eu sou um homem e eu estou... — O escorpião queria, mas não conseguia falar. Contudo ao sentir os braços quentes do doutor lhe envolverem, sentiu-se um pouco mais seguro.

— Escute Milo... Eu vou estar com você... Eu prometo! — Disse suave ao ouvido do loiro. — O que precisar, seja a hora que for é só ligar e eu dou um jeito de te ajudar... Está bem? — Fora a pergunta acompanhada de um belo sorriso.

Milo nada ditou, mas moveu positivamente a cabeça. Então retornando a falar o doutor Héctor Alexis proferiu com certa alegria.

— Muito bem Milo... Vamos ouvir então o coração do seu bebê!

O médico preparou tudo e ao começar a ouvir ambos se olharam assustados. E para não ficarem com dúvidas tornaram a ouvir o coração da criança e antes que o doutor pudesse dizer qualquer coisa Milo perguntou com o coração aos pulos:

— Quantos corações têm meu filho?

— Vamos ter calma... Vou fazer um ultra-som e poderemos ter certeza se você terá apenas um bebê.

A pulsação era rápida, como sabem o coração de um feto bate mais rápido que uma pessoa adulta. O som era audível e transbordava vida por todo o local. Foi impossível conter as lágrimas, e naquele momento o cavaleiro de escorpião tomou a grandeza daquilo que acontecia consigo, o significado de ter dentro de si outro ser.

— Eu... – Não era especialista, mas aqueles sons não deixavam dúvida.

— Parabéns Milo. Acho que será “mamãe” de três lindos bebês... Trigêmeos... Realmente um milagre da vida se mostrando. – O médico Alexis ditou não contendo igualmente a emoção daquele momento. Se uma gravidez masculina era coisa de ficção, de três ainda era uma ação divina, não havia outra explicação.

As lágrimas correram livremente pela face de Milo, seu coração se apertava de tão emocionado, mas pela primeira vez depois daqueles meses as lágrimas que vertiam sua face não era de tristeza e sim de uma alegria imensurável, que somente ele que carregava em si aquelas vidas poderiam sentir.

— Três? — Indagou como se buscasse comprovar a realidade dos fatos. Suas mãos foram em sentindo sua boca como se desejasse esconde o soluço do chorar.

Se a vida havia sido dura consigo, se ele mesmo não pudera antes saber o significado de uma família, se era acostumado a campos de batalhas, e se seu coração havia sido quebrado em pedaços por ter sido abandonado por seu grande amor, naquele momento toda dor era postar de lado para dar vazão a algo sublime e sem explicação. Ali estavam três pequenas criaturinhas que ser tornavam sua razão de existir e viver... Seu milagre.

— Sim... Parabéns! Veja, não dar para vê-los perfeitamente, mas com olhos clínicos estão se desenvolvendo bem... Na certa serão crianças perfeitas e belas como você. – O médico disse amavelmente.

— Obrigado. – Agradeceu pelas palavras. Mesmo que todos seus amigos se mostrassem ao seu lado dando apoio, era a primeira vez que palavras de conforto lhe faziam tão bem, naquele desconhecido, que dali em diante acompanharia sua peculiar gravidez encontrou certo amparo que mais precisava naquele momento.

Alexis terminou a ultra-som guardando os equipamentos enquanto Milo se vestia apropriadamente. O escorpião ainda estava nas nuvens e nada parecia real. Por instinto quando se viu em pé e perto do obstetra não resistiu acabou contornando a cintura dele e afundando sua face no tórax do mesmo. Precisava tanto daquele abraço, dividi sua alegria que deixou a boa educação ou conduta e sem medo abraçou o doutor Hector Alexis.

— Milo? – Doutor Alexis de primeira se assustou, mas no final retribuiu o abraço. Aquele jovem parecia tão abatido quando entrara ali, mas agora com comprovação que dentro de si havia outro ser, ou melhor três seres, poder ver o quanto ele era pura emoção, e ver o sorriso mais lindo que pusera seus olhos.

Ao apartar o abraço Milo sentiu-se preso no olhar intenso do doutor. Aqueles olhos castanhos o faziam sentir-se vivo novamente. O loiro corou ao notar sendo olhado, mas não queria que aquilo parasse.

Ambos seguiram para fora da sala do médico e ao sair encontraram Dohko e Saori a sua espera, e ao verem Milo sorrir, eles se olharam desconfiados sem nada dizer.

— Bem... O Milo precisará de cuidados redobrados, fiz todos os exames e ele está bem, assim como os bebês. — Proferiu com calma o doutor.

— COMO? — Gritaram Dohko e Saori ao mesmo tempo. Milo sorriu com a atitude dos dois, afinal não fora só ele que se surpreendera.

— Sim, Milo está esperando trigêmeos. — Após confirmar o doutor sentou com os três e ditara suas ordens médicas, sobre alimentação, vitaminas e as vezes que ele devia voltar ao seu consultório. Porém deu a Milo um cartão e o autorizou a ligar a qualquer hora do dia ou da noite.

Milo ficou com um enorme sorriso quando eles voltaram para o santuário. Não foi preciso dizer que houve uma tremenda festa aquele dia. Todo o dourados, e alguns bronzes e pratas se moveram para realizar a comemoração, afinal não era todo dia que uma vida ainda mais três.

A festa se deu na casa de Aioros, por que o sagitário justificou que Milo não poderia fazer esforço, fato que gerou uma discussão, pois Milo ditou que não era nenhum velho, e nem que gravidez era doença, mas no final tudo ser tornou risos.

Afrodite quis escolher os nomes das sobrinhas como ele declarava, mas Aioria dizia que seriam sobrinhos, e que ele seria o padrinho, e lá ia mais uma árdua briga. Ignorando pelo escorpião que deixou claro que ele escolheria o nome de seus filhos, e para e não importava se seria meninas ou meninos, pois seriam amadas do mesmo jeito.

Logo, eles se dividiram na diversão. Mascara, Shura, Aioria e Kanon estavam jogando porker, e com toda certeza apostando. As mais diversas bebidas eram presentes.

Shun disputava uma partida de xadrez com Shaka, ao que Mu acompanhava tudo sentado bem perto de virgem para todos estava claro que algo acontecia entre eles.

Alguns jogavam conversa fora, outros ouviam as histórias de Aldebaran que contava sobre sua terra natal.

Já Milo conversava com Afrodite, Saga e Saori, nada demais, quem sobressaia era mais o cavaleiro de peixe com seu jeito espalhafatoso.

Quem não ser entrosava com ninguém e via tudo distante era Hyoga. Ainda não conseguia lidar com o fato que todos ignoravam o fato que Kamus deveria saber. Se antes deveria saber que teria um filho, ainda mais agora que sabia que eram três.

— Qual o problema pato? Está assim desde que soube que o venenoso ta grávido de seu mestre? — Ikki proferiu quando se sentou ao lado do cavaleiro de cisme.

— Largue de ser intrometido. — Arranhou fazendo uma expressão de desgosto, mas que fora posta de lado depois.

— Ainda preocupado pelo fato de seu mestre ser o único a não saber que terá três filhos agora? — Ikki deixara o lado de zoação, e tomara uma faceta séria.

A festa foi até tarde, mas Milo não pode ficar até o fim, o cansaço tomava seu corpo e ele precisava descansar. O loiro saiu dali acompanhado por Aldebaran e rumou para seu templo. Ao chegar tomou um banho quente e ao deitar lembrou-se do doutor, de seu carinho e desejou que fosse Kamus ali, ao seu lado.

Deixou-se levar pelas lágrimas e adormeceu rápido. Nos dias seguintes, tudo fora seguido conforme as recomendações médicas e Milo iam ao consultório do doutor Alexis uma vez por semana. Agora o escorpião já estava com quase cinco meses, logo poderia saber se seus bebês eram meninos ou meninas.

Faltavam duas semanas para completar cinco meses e sua barriga insistia em não crescer muito, vivia vigiado, para não escapar da dieta, mas alguns cavaleiros como Afrodite ou mesmo Ikki faziam questão de burlar as regaras e fazer os gostos do loiro. O doutor Alexis com certa frequência se fazia presente no oitavo templo, embora entre ele e Milo houvesse apenas amizade, não podia negar que o loiro era tentador, e que sua pessoa atraía e muito a atenção e o carinho do doutor.

Em um dia claro de sol Milo tinha consulta marcada com o médico ruivo, porém não amanhecera muito disposto e ligou para o mesmo pedindo que ele fosse até lá para vê-lo. O doutor disse que estaria ocupado pela manha, mas que iria a tarde portanto, ela podia esperá-lo, mas antes de desligar o médico perguntou se ele estava com a tabela de vitaminas, pois ele queria ver quais ele iria tomar, desse momento em diante. Milo assentiu e desligou o aparelho.

Próximo da hora do médico chegar, o loiro lembrou que a tabela estava com Shion e decidiu ele mesmo ir buscá-la. Subiu as escadas devagar, os templos estavam vazios, afinal seus donos estavam trabalhando àquela hora. Ao chegar ao templo do grande mestre, procurou por Shion e este pediu que ele esperasse um pouco, pois estava resolvendo umas coisas.

O escorpião não se opôs, mas ao se escorar em uma mesa, alguns papéis foram ao chão. Milo olhou para os lados e como não havia ninguém o loiro abaixou-se e começou a recolher os papéis, foi colocando-os em pilha, porém quando já estava acabando, viu um documento com a letra de Kamus e não pode evitar de olhar novamente para aquela escrita impecável do ruivo francês.

Sentiu seu coração apertar ao ler o que estava escrito ali. Já havia uma semana que Kamus estava na Grécia, hospedado em um hotel luxuoso não muito longe dali. Colocou os papéis na mesa e procurou por papel e caneta, ao achar o que queria anotou as informações que precisava e colocou tudo no lugar.

— Algum problema Milo? — Era Shion acabava de chegar e por pouco não o viu pegar aquelas informações.

— Bem... — Começou o loiro tentando disfarçar o nervosismo e ansiedade que o tomava naquele momento. — O do- doutor Alexis pediu a tabela de vitaminas e ela ficou com você...

— Ah claro Milo! Ele havia dito que precisaria e eu esqueci. — Falou Shion sorrindo e abrindo uma gaveta e pegando um papel, entregou-o a Milo e o viu sair sem dizer muita coisa. Shion estranhou aquela atitude, o loiro não era tão evasivo... Mas não se deteve nesses pensamentos estava muito ocupado e pensou que seria apenas coisa da gravidez.

Sua mente estava totalmente desorientada. Todo esforço que fizera até ali para superar a ausência do aquariano fora posta de lado com a novidade. Sua descida pela escadaria as doze casas fora lenta. Sua mão acariciava seu ventre túrgido sutilmente. Nada muito perceptivo, ao que sua mente duelava até que ao chegar no meio da casa de Libra começou um dialogo sem respostar diretas.

— O que acha? O pai de vocês está na cidade... Devo ir contar para ele? Afinal, ele tem o direto de saber? – Milo indagava para os três pequenos seres que estavam dentro, como se eles fossem responder.

Não podia negar que a ideia de que Kamus estava tão perto de si fazia com que uma centelha de esperança surgisse dentro de si, com a pequena possibilidade que ao explicar as coisas para o ruivo, ele desse uma chance para a família deles.

Claro que um medo avassalava em si. Sabia como Kamus era, como poderia ser difícil de lidar, e duvidava que inicialmente ele poderia não acreditar em si, porém a prova esta ali, mesmo por que a barriga já se mostrava bem saliente

Com tal pensamento, o escorpião desceu o mais rápido que seu estado permitia, mas desta vez pelo caminho segredo das sagradas casas. Não queria encontrar com ninguém, para que não ousassem querer impedi-lo.

Como do santuário a cidade era longe, foi até a vila de pescadores mais próxima, e lá conseguiu um táxi que pudesse o levar ao centro. Em todo trajeto uma agonia o corroia, depois de cinco meses finalmente veria novamente o amado. Se recriminou pois por causa de sua euforia em vê-lo, não se arrumou melhor, visto que trajava unicamente uma bata branca estilo indiano que escondia bem sua barriga, e uma calça marrom simples.

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O imponente e luxuoso edifico Airotel Parthenon, que se localizava não muito longe do santuário e próximo a grandes monumentos gregos. Ali na suíte 5401, Kamus estava à janela olhando as ruas, seu olho frio pareciam vazios e tristes.

Tão perdido estava em seus pensamentos que se assustou ao ouvir a campainha e respirando fundo, caminhou até a porta e ao atendê-la deparou-se com Hyoga seu ex-pupilo. Seus olhos tornaram-se um pouco amáveis, dado o carinho que sentia pelo rapaz.

— Entre Hyoga! — Ordenou Kamus sem delongas. E logo foi obedecido pelo loiro. -Fique a vontade... Trouxe os papéis que pedi?

— Sim, mestre Kamus! Está tudo aqui. — Respondeu o cavaleiro de cisne com respeito.

— Não sou mais seu mestre Hyoga! — Ditou frio o ruivo francês.

— Sempre será meu mestre senhor! — Disse o mais novo. — Senhor... Po-posso lhe fazer uma pergunta? — Hyoga falou e esperou para ver o que ele diria. Kamus nada ditou, apenas assentiu em afirmação. Então o loiro continuou. — Senhor... Mestre... Por que foi embora sem dizer nada?! Estão acontecendo tantas coisas e o Mi... — Parou de falar ao ver o olhar furioso do ruivo para si.

— Você veio aqui a trabalho Hyoga, e não para falar de minha vida pessoal ou do meu passado! — Ditou o ruivo frio e cortante.

— Mas senhor é de seu interesse! Se me deixar explicar... Milo está... — Hyoga insistiu ainda, sabia que Kamus era cabeça dura às vezes, mas se ele insistisse talvez lhe escutasse.

— Milo para mim está morto e eu não quero saber nada a respeito dele, NADA! — Kamus fora enfático. Hyoga vira que não devia insistir, mas não pode se conter.

— O que ele lhe fez? Qual foi o mal que ele te causou? — Questionou o loiro mesmo sabendo que poderia ser punido ou até morto pela sua audácia. — Nem ao menos foi capaz de conversar com ele e se despedir ou acabar tudo? O deixou sozinho em um momento tão difícil como este?

O coração do ruivo apertou, sabia que tinha sido covarde, mas não queria ver o loiro ou talvez passasse por cima de tudo e o perdoasse e isso ele não faria. Ficou preocupado com as palavras de Hyoga... O que Milo estava passando a ponto de Hyoga que nunca havia gostado do loiro o defendesse?

— Momento difícil? — Ainda perguntou de forma impassível como se ponderasse o significado daquelas palavras, mas estava decidido a não ceder. Seu coração pedia por aquilo, pelo corpo, pelo cheiro, pelo sabor do corpo moreno, dos beijos, de tudo que tinha com o loiro grego, mas a razão e o orgulho insistiam em gritar “MILO O TRAÍRA E AINDA ENGRAVIDARA UMA JOVEM” não podia ceder, não era um fraco que era movido por sentimentos.

E assim pensando ditou colocando um fim naquela conversa. — Seja lá o que for... EU não quero saber, não me interessa, não é da minha conta o que o cavaleiro de escorpião faz da vida dele.

Antes que Hyoga pudesse se pronunciar o telefone do quarto tocou, e estava no viva-voz. Kamus havia pedido esse luxo, pois às vezes estava lendo e não precisaria colocar o aparelho no ouvido.

— Senhor Kamus... Desculpe, mas está aqui um jovem a sua procura. — A mulher ditava devagar, pois sabia que aquele hóspede era exigente demais. Porém, antes que Kamus perguntasse de quem se tratava, seu coração apertou ao ouvir aquela voz novamente.

— Kamus, sou eu, Milo... Preciso falar com você! — Milo falava um tanto esganiçado e desesperado.

O ruivo olhou para Hyoga com o olhar questionador e o viu dizer que ele não disse nada, não era sua culpa se aquele louco estava lá.

— Eu não conheço ninguém que atenda por esse nome... Mande-o embora. — Ordenou Kamus sem pestanejar, embora seus olhos ardessem mostrando que as lágrimas logo cairiam.

— Senhor, ele insiste em dizer que é muito importante e de seu interesse... — A moça insistiu a pedido de Milo. Ela havia se compadecido do loiro e do desespero com que ele pedia para falar com o francês.

— Eu já disse que não conheço ninguém com esse nome! Pode mandá-lo embora. — Falou o ruivo e desligou o telefone, porém não sabia ele que quando disse tais palavras. Milo havia puxado o telefone das mãos da recepcionista e fora ele mesmo que ouvia as palavras duras, da boca de seu amado. Com as lágrimas banhando seu rosto o escorpião entregou o telefone à mulher e saiu dali, magoado, machucado e sentindo-se perdido.

Kamus ao desligar voltou-se para Hyoga que o olhava incrédulo. O loiro pegou a pasta que estava em suas mãos e colocando-a em cima mesa, dirigiu-se em direção a porta, abriu-a, mas antes de sair ditou frio, quase tanto quanto Kamus.

— Você tem razão, o senhor não é meu mestre... Pois meu mestre não é um canalha covarde! — Hyoga ditou e fechou a porta ao sair, esperava encontrar o loiro, mas ele já não estava ali quando ele chegou à recepção.

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Agora se amaldiçoava por ter tido a esperança, de quem sabe ao menos ser ouvido pelo ruivo. Claro! Ansiava voltar aos braços deles, precisava tanto dele naquele momento tão difícil, mas se Kamus não pudesse ficar com ele, que ao menos seus filhos tivessem pai. Contudo, o antigo cavaleiro de Aquário se mostrou um canalha, incapaz ao menos de lhe ouvir. Kamus devia isso a si, nem que fosse uma conversa que não mudaria nada entre eles, mas devia.

Fora idiota por achar que os anos que doara a ele, pelo amor, compreensão e aceitação de muitas vezes ter negligenciado seu dever por ele, rendesse ao menos a misera atenção do Francês. No final, nem uma despedida decente tinha direto pelos critérios do frio Kamus.

Se em todas aquelas antes que fora posto de lado, como segundo plano pelo seu amado, ser a dor que sentira em ser deixando, abandonado fora ignorada, agora finalmente Milo quebrava-se totalmente. Kamus com sua dura e cruel frieza, desprezo tornara pó estrela o cavaleiro escorpião.

Com torrentes lágrimas que banhava sua bela face de pele bronzeada, com o coração pisado e sangrando, o loiro andava sem destino certo. Deixou ser guiado por sua total agonia. Não queria voltar para o santuário, não queria a piedade de seus amigos, mesmo que fosse sincero, não suportava mais isso.

Indagava-se onde estava o forte e imponente cavaleiro da constelação de Escorpião. Será que tinha dado tudo de si para Kamus, e no final não sobrara nada?

Apoiava suas mãos em seu túrgido ventre, como se ali fosse seu pequeno elo de sanidade que o impedia de cometer uma loucura. Mentalmente conversava com os preciosos filhos, seu único alento.

Andou o que pareciam horas, até que seus pés doessem, que sua cabeça latejasse e seu corpo finalmente cedesse* ao cansaço físico e mental.

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Aléxis sabia que como patamar médico devia manter a postura doutor e paciente. Que a forma que estava tratando Milo ia bem mais além que uma simples faceta profissional. Porém o ruivo não conseguia evitar. Não era só pelo fato daquela gravidez ser incomum e mais especial de todas que já lidara... Ou do loiro ser a personificação perfeita de um deus... Em beleza e formosura... Havia algo mais que o impulsionava em sentido a Milo.

Finalmente tinha terminado seu expediente, e como combinado iria ao santuário, que além de ver o estado de seu paciente preferido, ia pode vê-lo e conversar. Um prazer que estava adorando.

Mas enquanto o ruivo saiu de seu consultório, estando na garagem já desarmando o alarme de seu carro, seu celular tocou. Estranhou, querendo ignorar ansiando para que não fosse do consultório, não queria voltar, ansiava ver o loiro. Porém seu dever gritava mais alto.

Porém ao olhar para o visor reconheceu de imediato o número, e ao atender pode ouvir a voz chorosa, e um manto de preocupação e medo o acobertou.

Milo chorava e nada ditava, até que ouviu a voz preocupada do médico, lhe falar.

— Milo onde você está? – Indagou suavemente e com preocupação.

— E-eu... No píer... Na... Vila... Aqui do santua... – Não terminou seus soluços já não permitia que ditasse nada mais.

— Fique onde está que eu estou indo... – Disse o médico e sem demora, entrou em seu carro e deu partida indo a toda velocidade ao encontro daquele que havia-lhe se tornado tão especial.

Alexis correu o máximo que pode para socorrer o loiro. Ao chegar a Villa deixou o carro para em um ponto próximo do cais e saiu correndo ao encontro de Milo. Quando chegou a píer, seu coração apertou, o viu ali sentado na beira do píer, com as pernas penduradas, seus ombros estavam caídos e seu corpo sacudia em soluços, era possível ouvi-los mesmo aquela distância, o santo de escorpião parecia acabado.

O ruivo aproximou-se lentamente, não quis tocá-lo para que não se assustasse. Então com a voz suave apenas chamou por ele.

— Milo... Estou aqui!

Milo olhou para trás, seus olhos azuis estavam nublados pelas lágrimas, seu rosto vermelho e inchado pelo choro e seus cachos loiros voando ao vento, faziam aquela visão ser dolorosa demais para o doutor.

Sentou-se rapidamente ao lado do loiro e o abraçou, Milo escorou a cabeça em seu peito e chorou ainda mais. Alexis apenas deixou que ele chorasse. — Não fique assim coisa linda, me conta o que houve Milo... Por que está assim? – O médico ruivo perguntou, sabia que não tinha esse direito, mas não podia negar que havia sentimento pelo loiro e vê-lo sofrer daquela forma, só o fazia desejar protegê-lo.

— Fo... – Milo tentava aflar em meio aos soluços. — Ele esta aqui... Ele nem quis me ver... Ele disse... Disse que... – Por mais que quisesse o loiro não conseguia explicar, a dor que sentia era tanta que não sabia como ainda estava ali.

— Tudo bem... – Alexis ditou com carinho, Sabia que Milo vinha bem na gravidez, então só podia supor que se tratava do ex-amante do loiro, e apesar de saber que não tinha esse direito, não pode deixar de sentir ciúmes. — Fica calmo... E me conta devagar...

E foi o que Milo fez, contou tudo, desde como começaram a namorar até o dia em que estavam. Sua dor pareceu aliviar um pouco depois de ter falado. Seus soluços diminuam aos poucos e ruivo afagou os ternos fios dourados e disse calmo.

— É uma pena que ele pense assim... Você é um homem lindo, inteligente e muito forte... Talvez se fosse eu em seu lugar não suportasse carregar três filhos assim... Além disso, é ele minha quimera que está perdendo, perdeu você e essas três lindas crianças que logo chegarão.

E mesmo sem saber explicar por que Alexis deu um selinho nos lábios carnudos e tentadores do grego. Ao se aperceber do que fizera, abriu a boca para se desculpar, mas sentiu os dedos de Milo sobre seus lábios.

— Só me tira daqui... Não quero voltar ao santuário, não quero ficar só... – Disse essa última frase, que saiu, mas como uma súplica.

Alexis levantou, ajudou Milo a fazê-lo e o tomou nos braços e com esforço, já que carregava quatro pessoas ali, levou-o até o carro e ajudando-o a entrar o levou a sua própria casa.

Continua...