Os Elos do Nosso Amor
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Boa leitura, e curtam o capítulo!
O dia amanheceu claro, o sol reinava imponente entre as nuvens. Já havia se passado três longos meses desde que Akane sequestrara as meninas e a rotina era sempre a mesma, para cavaleiros, amazonas e aprendizes. Levantar cedo e se ocupar de suas obrigações, primeiro o treinamento e depois a manutenção da ordem.
Mas aquele dia em especial guardava uma atividade extra impar. Era o dia do casamento de Kamus e Milo. Todos estavam em polvorosa, eram enfeites, flores e roupas que andavam de um lado para outro. E Afrodite de peixes era o responsável pela organização da cerimônia.
Eles tinham motivos de sobra para comemorar. Akane estava morta e agora não perturbaria mais a paz de Milo e Kamus e nem das trigêmeas.
Depois de tê-las quase matado, as meninas agora viviam mais atentas e treinavam constantemente com Kanon, nada muito pesado, mas o gêmeo de Saga procurava ensiná-las a se defender e a desenvolver melhor seus cosmos.
O santuário estava uma loucura, desde cedo que tudo era colocado em ordem. As trigêmeas estavam felizes e tentavam ajudar no que podia. Afrodite fez de tudo para ocupá-las.
Até Alexis ajudava em tudo. Sua esposa havia conhecido Milo e estava ajudando-o nos preparativos. Ele e Kamus viajariam após isso, mas as meninas ficariam com o médico.
Kamus estava em sua biblioteca, estava nervoso com aquilo, mas sentia-se feliz e realizado. Milo seria seu, finalmente seu. Tomava um vinho pensando na vida quando sentiu um cosmo se aproximar, sorriu de canto e levantou indo até a porta de sua biblioteca e abrindo-a.
— O que faz aqui?! Como conseguiu fugir de Afrodite? — O ruivo perguntou divertido e até surpreso. Sorriu e puxou-o para dentro.
Milo fez um bico e olhou pra ele emburrado. — Não aguento mais, estava com saudade e ninguém me deixa descansar.
Não deixava de ser verdade, todos estavam ao seu redor e não o deixavam falar nada, a festa era dele, mas ele quase não era ouvido. Estava cansado, o bebê vinha exigindo um pouco mais de si. Nem mesmo as meninas o deixavam tão cansado.
O ruivo o olhou carinhoso e o abraçou, o levou até uma poltrona e o fez sentar em seu colo. Sabia que aquele lugar o faria se acalmar, tinha o mudado e preparado pra ele e sua família.
— Estou aqui ange, e vou cuidar de você e do nosso filho. — Falou levando a mão a barriga dele e alisando com carinho.
Milo nada ditou, mas ficar ali nos braços dele, recebendo aquele carinho e atenção era bom. Sentia o corpo acalmar e um pouco até de sono.
— Kamy... — Milo o chamou suave e olhou para ele. – Obrigado! Por ter as trazido de volta, por estar aqui...
Kamus sorriu de canto.
— Non ange... Sou eu que agradeço, por me aceitar de volta, por me dar um voto de confiança... Sabe que o tempo que passei longe de você e não queria falar contigo, era por saber que se olhasse pra você esqueceria qualquer coisa pra te ter comigo! Perdoa-me amor...
O ruivo confessou e depois do pedido de perdão, ele tocou o queixo de Milo e o fez olhar pra si.
— Je t’aime mon petit! — Declarou-se rouco e cheio de desejo, beijou-o e sua língua morna buscava a dele, quando se encontraram, se entrelaçaram uma na outra e não queriam soltar-se.
O francês era mesmo sedutor, aquela voz, aquele sotaque carregado e acima de tudo os toques e beijos na hora certa. Kamus sentia-se feliz, pleno. Milo seria dele, não que já não fosse, mas se tornaria oficial.
Podia parecer estranho, mas queria mostrar ao escorpião que o amava e que era capaz de assumir o que sentia para todos. O tempo que passara longe dele foi dolorido e frio. Nada o alegrava realmente. Somente quando Mia chegou foi que algo mudou dentro de si.
A pequena loirinha tinha os traços de Milo e sua personalidade, e com isso fora impossível a aquário esquecer aquele amor. E agora tendo ele ali em seus braços, não queria mais deixá-lo ou machucá-lo.
Milo por sua vez sentia-se protegido e amado, ainda mais eu antes. Kamus mostrava-se atento a cada detalhe, e tão paciente com sua mudança de humor... Como aquela.
O loiro podia sentir a mão fria do mago do gelo em seu corpo, e sua pele arrepiava-se a cada toque, mas não era frio que sentia muito pelo contrário, seu corpo parecia incendiar quando estava assim nos braços dele.
Passou seus braços pelo pescoço do amado e suas pernas pela cintura dele. Com isso suas nádegas esfregavam-se no falo de Kamus. Sentia necessidade dele, de tê-lo em si.
— Hnnn... Ange... Como anda fogoso esse gravidinho... — O ruivo disse divertido, mas rouco de desejo.
Kamus elevava o quadril a fim de sentir mais aquele toque. Milo trajava apenas uma túnica e isso facilitava as coisas, sua barriga já se pronunciava sutilmente, e naquele dia em especial tudo o incomodava.
O francês levou as mãos às nádegas durinhas e redondinhas do loiro. Apertou-as e aquilo fez Milo ofegar e gemer.
— Aaahhh... Kamy... Hnnn... — Gemia rouco e manhoso.
Kamus cheirou o pescoço dele e passava a ponta do nariz pela pele macia de escorpião, sentia o cheiro dele e fazia ele se arrepiar com seus toques.
— Venha ange... Vou te fazer relaxar... — Ditou rouco de desejo.
Kamus tomou os lábios dele nos seus novamente e levantou saindo dali carregando Milo para o quarto. O depositou na cama e mordeu os lábios enquanto o observava.
— Tão lindo... Tão perfeito!
Subiu na cama e deitou-se ao lado dele. Trouxe-o para seus braços e o fez colocar a cabeça em seu peito. — Mon cher... Mi... Estou com saudades de ficar assim com você... — Ele falou e o abraçou.
Milo por sua vez podia sentir o calor daquele corpo, claro que sentia sua libido nas alturas, mas também sentia falta, só estar ali, sem sexo, apenas amor, carinho e atenção.
Ambos estavam com vontade um do outro, e apesar das incertezas, ao menos sabiam que agora eram um do outro e que tinham seus filhos para criar, uma família, uma vida juntos. Kamus queria apenas fazer o loiro relaxar e te ele consigo já era maravilhoso.
Ficaram quietos e abraçados, trocavam beijos e carícias, mas nada além, Kamus conseguiu fazer Milo adormecer e dormiu com ele.
Fora dali as trigêmeas estavam com as ouras crianças e ajudavam a arrumar o salão. Percy entrou no local e tinha as mãos para trás. Ser aproximou de Danita e a chamou baixinho.
— Dan... — Quando a pequena olhou, ele estendeu uma rosa para ela, que o próprio Afrodite havia lhe dado. Percy tinha o rosto corado e seus orbes verdes como o do pai mostravam sua insegurança. — Para você!
A menina sentiu o peito aquecer, apesar de viver brigando com ele, gostava dele sim, chegava a sentir ciúmes quando ele estava conversando com outras meninas, mas ela era tão parecida com Kamus, que nada demonstrava.
Danita sorriu e de canto, um tanto imperceptível, mas pegou o mimo e levou ao nariz e a cheirou.
— Obrigada! — Ela disse e deu um beijo no rosto dele. — Agora vamos! Tem muita coisa pra fazer e você fica dando uma de jardineiro!
Pegou na mão dele e o puxou indo ajudar na decoração. O cavaleiro de peixes sorriu canto e tomou um susto quando ouviu uma voz firme por trás de si, era Kanon que havia visto aquilo.
— Afrodite! Eles ainda são crianças! — O cavaleiro de gêmeos falou emburrado.
O defensor da décima segunda casa sorriu apenas e revirou os olhos.
— O amor Kanon... Não tem idade querido! — Disse passando a mão no rosto do grego e piscando para ele com ar apaixonado.
O gêmeo de Saga ficou de boca aberta e saiu atrás do loiro. Fahir e Mia estavam arrumando os doces numa mesa e vezou outra roubavam um.
— Eu estou tão feliz Mia! Finalmente nossos pais vão ficar juntos! Eu estou adorando! Será que vai ser menina de novo? Ah, não sei eu quero um irmãozinho!
Mia sorriu:
— Claro que to feliz! Meus pais são de verdade! Eu achava que era adotada né... Que meus pais não me quiseram, mas não, foi tudo maldade!
A menina disse um tanto tristonha, mas nem por isso se deixou abater. — Mas agora não, a gente ta aqui e vamos muito ser felizes!
Elas assentiram e se abraçaram sorrindo. E logo voltaram a arrumar os doces.
A noite se aproximou e a hora de se arrumarem. Cavaleiros, amazonas, servos e as crianças, todos sem exceção, foram se arrumar. Atenas protegia aquele lugar com sua magia a fim de que todos pudessem se alegrar com a felicidade de Aquário e de escorpião.
As meninas foram com Alexis e a esposa para a casa de escorpião, porém ao chegar lá não encontraram Milo. Procuraram em todos os lugares ali e não acharam.
Danita revirou os olhos e saiu dali batendo o pé. Subiu as escadas e seguiu até aquário. Uma vez lá a pequena foi ate o quarto e bateu na porta.
— Papai... Papai... Vamos?! Está na hora de se arrumar!
A loirinha parecia uma adulta falando, mas mostrava-se impaciente.
— Papai Milo... Sei que está ai! Por favor!
Dentro do quarto os dois cavaleiros sorriam com aquele chamado.
— Não quero ir... Estava tão bom! – Milo falou com um bico.
— Ange... Teremos mais disso essa noite, e a seguinte e a próxima... Vamos! Nada de mau humor! Está na hora de ir! — Levantou e o fez se erguer, o ruivo abriu a porta e deu passagem ao loiro com cara de sono.
Milo seguiu com ela para sua casa e quando chegou Afrodite estava emburrado batendo o pé em frente à porta do templo dele.
— Então o mocinho queria fugir?! É seu casamento Mi, com o homem que ama! Vamos! — O fez entrar e com a ajuda do santo de peixes e seguiu para um banho.
Kamus em seu templo sentou-se a beira da cama e pensava em tudo aquilo, quando sentiu um cosmo diferente, desconhecido, mas não perigoso. Sentia-se impelido a ajoelhar-se e o fez quando seus olhos caíram sobra àquela bela mulher.
— Como vai Kamus? Fico feliz que esteja se empenhando em recuperar o que perdeu! Lembra-se de mim?! — Ela perguntou altiva.
O ruivo negou. Não se lembrava dela. — Perdão, mas não consigo me lembrar! — O brilho e a força que emanava dela lhe fazia sentir-se bem, em paz e cheio de vida.
Ela olhou para ele e sorriu de canto. — Talvez se lembre de mim agora... — Após falar uma luz muito forte tomou conta de tudo e então diante de seus olhos Kamus viu aquela humilde senhora que lhe entregara Mia.
Ela estendeu a mão sobre a cabeça dele e falou altiva.
— Hera! A deusa da fertilidade! É por minha vontade que são pais de três lindas meninas e desse pequeno ser que cresce dentro do escorpião.
O francês a olhou perplexo. — Obrigado por essa benção! Per ter protegido meu Milo e cuidar deles... — Falou agradecido e submisso.
A Deusa sorriu satisfeita.
— Vim apenas dizer que me agrada o fato de ter mudado, e mais ainda de ter lutado para alcançar o perdão dele e merecê-lo novamente! Vim para dizer que estarei sempre zelando pelo seu casamento, fez por merecê-lo!
O francês recebeu a benção e quando levantou o rosto a fim de agradecê-la, se viu sozinho no quarto. Levantou e foi tomar um banho e em seguida pegou sua roupa.
Kamus trajava um terno branco que contrastava com seus fios ruivos e lisos. Olhava-se vaidoso no espelho e mostrava-se feliz, altivo, aquele traje, aquela elegância era sinônima de que estava por vir. Casaria com o homem que amava e assumiria sua família, suas filhas e o bebê que estava para chegar.
Saiu dali e ao chegar ao décimo terceiro templo onde seria a cerimonia, ficou encantado com a decoração. Falou com alguns poucos presentes. Logo outros cavaleiros e amazonas chegavam e sentavam-se ocupando as mesas.
Afrodite havia colocado tudo em vermelho e branco, concluíra que aquelas cores representavam os noivos, afinal o branco que lembrava o gelo e a frieza de Kamus e o vermelho representando toda a paixão e vida de Milo.
Logo todos estavam ali, ou quase todos. Faltava o Milo e suas filhas. O barulho tomava conta do lugar, os presentes teciam muitos comentários a respeito do mago do gelo e aquele tão diferente casamento.
Não demorou a que o santo de peixes colocou ordem em tudo e avisou que o noivo loiro chegaria.
O ruivo estava ansioso por ver o amado e ali, e quando todos realmente silenciaram puderam ouvir passos na entrada do templo. E virou-se para ver o noivo.
Milo estava à porta com suas filhas. As meninas trajavam vestidos floridos e cada uma tinha a mão cestas com pétalas de rosas e espalhariam pelo local, e Percy que trazia uma almofada com as alianças.
Os olhos de Milo brilharam quando viram o local, estava tudo lindo. Tudo em vermelho e branco, com malhas e véus e doces e rosas. Milo sorriu e respirando fundo, começou a andar. As meninas espalhavam as rosas, e assim os cinco seguiram até o altar.
Milo parou de frente a Kamus e logo os gêmeos colocaram nos dois um colar de flores, algo tradicional no casamento grego. Milo também estava de branco, porém havia detalhes vermelhos em sua roupa.
As crianças sentaram-se perto deles, tudo começar realmente. Saori se colocou a frente do altar e assim a cerimônia teve início. Tudo transcorria bem e tranquilo. Chegou o momento em que fariam seu juramento de fidelidade, e Kamus parou tudo e ficando de joelhos, seus orbes verdes mostravam certo brilho, e ele começou a falar.
— Milo de escorpião, antes de qualquer coisa quero dizer umas palavras. Quando eu te vi pela primeira vez, aqui nesse santuário, eu me encantei, e nunca julguei que fossemos ter nada. O que você poderia ver num garoto frio e sem graça como eu? Deixei o tempo passar e morri. Te deixei, perdi a chance de te ter, de te tocar... Quando tivemos nossa nova chance, decidi que não poderia mais deixar passar e me declarei... E confesso que estava pronto a receber um não, e me surpreendi quando você disse que namoraria comigo.
O ruivo olhava para Milo e sentia certa dificuldade em falar, mas por que odiava se expor assim, sentimento era algo particular e não algo para se gritar pelos muros, mas sabia que aquilo deixaria Milo feliz e depois de tudo que havia acontecido, ele queria deixar claro a todos o quanto amava o loiro.
— Infelizmente não soube valorizar seu amor e te perdi! Eu te amo Milo, e não quero te perder nunca mais! Obrigado por nossas filhas, por nosso bebê! Obrigado por me amar!
O loiro ficou emocionado, era a primeira vez que ele assumia que o amava assim, na frente de todos. Sorriu abertamente e jogou-se nos braços dele e o beijou e quando apartaram o beijo, trocaram as alianças.
— Eu te amo Kamus, desde a primeira vez que o vi, e olha que era um pirralho de seis anos... Milo disse fazendo todos rirem, e alguns, até relembrarem do fato. — Sei que daquela época a atualmente, meus sentimentos por você amadureceram... Fora de inocente a eufórico, devastador a sofrido... Mais hoje, quando olho para tudo que passamos, sei que crescemos, e mesmo diante de toda dor, nosso amor foi mais forte... E tem seus frutos. — Completou olhando para as filhas e depois acariciou seu túrgido ventre.
Kamus inclinou-se para o loiro e tomou seus lábios docemente. Um beijo lento, porém com muito significados. Suas respirações ficaram pesadas e o calor tomou seus corpos. O ruivo se afastou, mas em seus lábios detinham um belo sorriso.
— Assim, em nome do amor e sabedoria, os declaram casados. E que sejam felizes desde já! — Saori declarou.
Após suas palavras veio uma salva de palmas. Todos os presentes realmente desejavam a felicidade para aquela família. Os amigos que acompanharam desde o começo tudo que eles passaram sabiam como era preciosa a felicidade.
Saga abraçou Kanon por trás, Aioria beijou a mão de Marim e Shun deu rápido beijo na bochecha de Hyoga, e Afrodite deu seus gritinhos abraçando seu marido, Matteu. Eram alguns dos casais presentes, existiam aqueles mais reservados, como Shaka e Mu. Cavaleiros estes, que igualmente, após muita lutar e guerra, podiam usufruir da felicidade.
Kamus e Milo voltaram a ser beijarem, e então saíram do templo onde aconteceu a cerimônia, por um corredor de pessoas, e claro, com suas filhotas juntas. Os dois receberam os cumprimentos dos convidados, enquanto estes dirigiram para o salão que aconteceria a festa. Este foi igualmente decorado por Afrodite.
Aldebaran ficou cuidando do som, e não demorou que a música invadisse o ambiente. Garçons serviam as bebidas, além dos aperitivos nas mesas, antes do jantar. Alguns casais arriscavam dar passos de dança no local reservado, fora as crianças que corriam alegremente. Todos carregavam sorrisos genuínos em seus lábios.
Kamus e Milo passeavam pelo salão cumprimentando a todos, agradecendo a presença, e claro, recebendo felicitações. Todavia, teve um momento que Milo fechou os olhos com força, e segurou no braço de Kamus.
— Mi?
— Acho que preciso sentar. Tudo parece está girando, e dói um pouco. — Falou com a voz sofrida.
Prontamente Kamus o guiou para uma das mesas, mais afastada do barulho, e o ajudou sentar na cadeira. Acenou pedindo o garçom para trazer um copo de agua fresca, e deu um aceno para Alexis se aproximar.
— Shii! Tudo ficará bem. Tome a água. — Kamus entregou o copo para Milo. Ele encontrava-se agachado diante do loiro.
Assim que Alexis aproximou puxou uma cadeira e sentou ao lado de Milo, e pegou sua maleta das mãos do serviçal do santuário, que tinha pedido para ir busca-la. — O que está sentindo?
— Estou bem gente, é apenas cansaço! — Milo disse fazendo menção de levantar, mas as gentis mãos de Kamus o obrigaram ficar sentado. — Kamus...
— Precisa descansar! Está grávido e o dia foi bem cansativo para você. Não custa deixar Alexis te verificar.
— Ok!
O médico prontamente aferiu a pressão e temperatura de Milo, e depois verificou seu coração e ventre. A expressão que Alexis fez deixou os dois papais realmente preocupados.
— Alexis?
— Tudo bem? — Saori perguntou aproximando. Ela viu a situação, pediu Afrodite para entreter os convidados, e Kanon para garantir que as trigêmeas não percebessem.
— Sentiu-se tonto! — Kamus respondeu sem retirar seus olhos do esposo.
— Falei que não é nada... — Parou de falar fazendo uma careta. — Merda!
— O que foi mon ange? — Kamus indagou pronto a ter um ataque. Aquele era para ser um dia feliz, marcado de alegrias e momentos preciosos, de maneira alguma poderia ocorrer um desastre. Não iria permitir perde Milo.
Alexis, Kamus e Saori olharam assustados para Milo. Não queria que nada de mal acontecesse, ainda mais naquele dia tão especial.
— Acho que mijei! — Milo falou corando ao que indicou para suas pernas. Sua calça encontrava molhada.
— Não é isso meu amigo, mas sua placenta rompeu! Precisamos trazer esse campeão ao mundo! — Alexis disse colocando-se em pé e começando a ditar ordens. Por sorte, o Santuário possuía uma clínica bem equipada, e nos últimos meses, Saori providenciou tudo para o parto de Milo.
Tão logo tudo estava pronto, Kamus tomou seu loiro nos braços, e rumou para a clínica. Aioria foi procurar as trigêmeas, e as levou para o mesmo local. O ruivo sabia que as filhas queriam estar presentes, e jamais negaria isso a elas. Acabou que os amigos mais próximos foram para a clínica, todos estavam na torcida por aquele momento.
Alexis se preparou para fazer o parto, que seria cesárea. A equipe que o auxiliaria, incluindo sua esposa que era enfermeira, estava pronto assim como a sala. Kamus deixou claro que estaria com Milo, e assim, teve que se vestir propriamente e esterilizar.
Milo sentia-se estranho naquela mesa de metal, nu e com várias pessoas ao redor, por sorte tinha um lençol o tampando.
Alexis aplicou anestesia parcial, o que permitiu que Milo ficasse acordado. Kamus se colocou ao lado dele e segurou sua mão. — Shii... Tudo ficará bem! Estou orgulhoso de você, foi muito bem até agora. — Kamus disse inclinando-se sobre o loiro e beijando seus lábios.
— Estou com um pouquinho de medo e ansioso. — Milo disse sentido as lágrimas nublarem seus olhos.
— Seremos felizes Milo, tudo dará certo! — Kamus disse sempre tocando e dizendo doces palavras a Milo, o que ajudou em muito a acalmá-lo.
A cirurgia não foi demorada. Alexis agiu rápido, e em alguns minutos, um estridente choro cortou o silêncio das máquinas. Tanto Kamus quanto Milo sentiram as lágrimas cortarem suas faces e uma felicidade única tocar em seus corações.
— Oh! Aqui está um menino! — Alexis disse. Fez todos os procedimentos iniciais para saúde do bebê, e entregou para Milo. Este o colocou contra seu peito. Tanto ele quanto Kamus ficaram maravilhados com aquele pequeno serzinho perfeito que os olhavam curioso.
— Ele é lindo... Obrigado meu amor! — Kamus disse beijando o topo da cabeça de Milo e acariciou levemente com a ponta dos dedos, a cabecinha de seu filho.
— Eu te amo Kamus... Você meu deu mais um presente! — Milo disse rindo radiante.
Enquanto os dois papais curtiam o filho, Alexis tratou de terminar a cirurgia de Milo, para que ele logo fosse liberado para o quarto, onde poderia se recuperar.
— Qual o nome o daremos? Nunca discutimos isso! — Milo disse. Eles sempre falaram que somente escolheriam o nome depois que olhassem para o pequeno.
— Uh... Heros... — Kamus disse dando uma piscadela para a figura no fundo da sala.
— É lindo. Homenagem à deusa que nos deu os presentes... Nossos filhos! — Milo disse entendendo a ideia de Kamus.
Logo a enfermeira veio pegar o pequeno Heros, pois precisava limpá-lo e vestir propriamente. Alexis terminou com Milo, e este acabou dormindo por causa do efeito do estresse e anestesia.
Quando Kamus saiu da ala cirúrgica e seguiu para a sala de espera, foi prontamente recebido pelas filhas que correram para ele. Os demais igualmente encontravam-se eufóricos, querendo saber da novidade.
— Como papai Milo está? — Danita indagou.
— E nosso irmãozinho? — Mia não ficou para trás. Na verdade as três estavam afobadas.
— Os dois estão bem! Sendo cuidados e logo poderam vê-los. Seu pai Milo saiu muito bem, e seu irmão Heros, está saudável e é tão belo como as três. — Kamus disse dando um beijo em cada filha.
— Heros? Gostei, e lindo. — Fahir.
Os demais presentes sorriram aliviados. Claro, deram os parabéns Kamus, e pediu notícias. Sabiam que aquele momento era da família, e que depois poderiam ir conhecer o novo integrante do santuário.
— Podemos vê-los? — Mia pediu com os olhos brilhando.
— Claro! — Kamus encaminhou as três filhas para irem conhecer o irmãozinho, e depois ver Milo.
Depois de tudo que passaram... A felicidade brilhava no coração daquela família. O fruto de tanto dor e provas estava ali, os quatros filhos, tão queridos e amados. Apesar de tudo, Milo e Kamus, jamais fariam diferentes, nunca abriram mãos da família deles.
Continua...
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