Os Doze
1 Quem sou eu? Onde estou?
O quarto estava escuro, não era exatamente um quarto, era uma prisão. Não havia nada ali, não tinha uma porta, as paredes eram de um cimento acinzentado. As únicas coisas nas paredes eram uma entrada de ar e uma escada de ferro que dava a lugar nenhum. Havia algo mais ali, havia uma mulher, no máximo vinte e cinco anos. Estava largada no chão, como tivesse sido jogada por alguém de qualquer jeito.
O silêncio tomava conta daquele lugar, mas uma sirene toca. De onde ela vem, impossível de identificar, parecia vim de todos os lados. Silêncio novamente. Agora se ouvia gemidos, vinha da mulher que estava no chão. De repente ela acorda assustada, sentada, ela olha pros lados. Não conseguia identificar onde estava, não lembrava de como fora parar ali. Na verdade, não lembrava de nada, nem mesmo seu nome.- Hora de acordar! – uma voz rouca diz. A voz também vinha de todos os lados como a sirene. Era uma voz assustadora, não parecia humana. Provavelmente modificada por algum programa de computador, ou algo assim. Grito. A única coisa que a mulher sem nome soube fazer naquele momento, gritar. Mas seu grito é abafado aos poucos quando ela ver uma abertura no canto do teto, que não existia a poucos segundos atrás. Sua primeira reação foi se encolher no canto oposto, mas quando percebeu que nada entraria ali, ela chegou mais próximo, quando tocou na parede, na mesma direção da abertura, sentiu algo, era uma escada. Então logo a subiu, empurrou o local onde era visível a abertura, que fora erguida facilmente. Agora estava na superfície.Seus olhos começaram a ficar irritados por causa da luz do sol, não conseguia ver direito o que havia ali do lado de fora. Mas aos poucos viu onde estava, era uma mata e ouvia um som familiar, logo percebeu que era o som do mar. Mas algo a assustou, um barulho que vinha atrás dela. Ela se virou devagar e viu o que estava ali, era o que ela imaginava. Uma pessoa.- Quem é vo-vo-cê? – gaguejou uma outra mulher. — Eu não sei – sussurrou. — A abertura do teto que você saiu, tem um nome, provavelmente o seu. Ela se abaixa para olhar e em uma pequena placa de metal está escrito algo, um nome. Ellen Dias. — Ellen Dias – sussurra para si mesmo. – Ellen Dias – agora fala em voz alta. Ellen logo descobre que a outra mulher, cujo o nome é Mariana Coin, também não lembrava de nada e tinha a mesma história que a sua. Acordara em um lugar estranho e uma sirene a despertou, seguida de uma voz dizendo “Hora de acordar!”. De repente as duas são interrompidas por um som de passos se aproximando cada segundo mais, deviam ser duas ou três pessoas. Ellen pega um galho grosso para se defender, que estava no chão, próximo aos seus pés. No meio da mata surge quatro pessoas, não duas, não três, eram quatro. Ellen só pensava que naquele momento, poderia ser o seu último. Ela se preparou para atacar a qualquer momento, quando de repente Mariana os cumprimenta. Mariana a explica sobre os quatro. Mesma história. Todos sem memória. - Oi! – cumprimentou o homem loiro e de olhos azuis. – Este são Lucas, Américo e Barbara. Meu nome é Gabriel, prazer. – encerrou sua fala com um sorriso torto.- Oi. Ellen, prazer.- Por que ainda está segurando esse galho? – perguntou Lucas. - Não confio em vocês. – responde Ellen.- Eu também não confiaria. — diz ele com um olhar frio.Barbara corta o clima tenso chamando-os para voltar ao acampamento. - Vem conosco? – Mariana pergunta a Ellen.Ela responde que sim com um aceno de cabeça. Eles adentram a mata, caminham por uns oito minutos, até que chegam em um acampamento improvisado. Havia cinco camas feitas de folhas, de uma espécie desconhecida por eles e uma fogueira cercada de tocos de árvore que provavelmente serviam de acento para eles e num canto havia um monte de frutas. Quando Ellen viu aquela cena perguntou:- Há quanto tempo estão aqui? - Eu e o Américo a uns cinco dias. – respondeu Barbara.- Dois dias. – disse Gabriel. - Três. – disse Mariana.Algumas horas depois, já era noite. A escuridão tomava conta do local, as únicas luzes presentes era a da lua e da fogueira que estava quase se apagando. Eles estavam deitados em suas camas de folhas, mas faltava alguém ali. Um barulho acorda Ellen, ela logo procura o galho que estava com ela antes, que guardara por precaução.Ela se levanta sem perceber que faltava alguém ali e caminha lentamente até o local da origem do barulho que ouvira. E lá ela encontra um homem sentado à beira de uma lagoa que ela desconhecia. Agora sabia de onde vinha a água que bebeu durante o dia. Aproximou se e reconhecera quem era, Américo. - O que você está fazendo aí?O homem enxuga as lágrimas antes de virar-se para reponde-la, mas ela percebe seu rosto inchado e triste. - O que foi? – pergunta ela preocupada.- Eu tento esconder quando estou com vocês, toda noite venho aqui. Tenho vergonha. Sabe, estou com medo, mas não quero que saibam, não quero parecer fraco. – reponde ele olhando para o nada.- Você não é. – sussurra e abraça-o.Ela não o conhecia, não sabia se devia confiar nele, mas sua única reação fora abraça-lo. Ela não sabia quem ela era antes, mas tinha certeza que era uma boa pessoa, que se importa com o seu próximo.
- Droga!- O que foi? – pergunta ela assustada.- O galho que está com você... Ele não fora quebrado, fora cortado com uma faca ou algo do tipo. E nenhum de nós tem algo que possa cortar desta maneira. - Tem mais alguém aqui. – conclui Ellen.
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