Os Doze

2 Desaparecida


– Já faz dez dias que estamos aqui. – reclama uma mulher.

– Mayara, vamos dar um jeito de sair daqui. – um homem tenta acalma-la.

Um barulho deixa os dois calados por um momento. Eram vozes, de duas mulheres, o casal não sabia o que fazer. Talvez correr dali, ou ir ver e descobrir de quem são. Alexandre sem hesitar caminha em direção de onde vinha as vozes, mas Mayara o interrompe.

– Você está maluco? Não sabemos quem são, podem ser perigosas!

Alexandre põe o dedo sobre os lábios pedindo silêncio e continua caminhando, e ela o segue. Eles param atrás de uma moita, uma distância boa para não serem vistos e poderem ouvir a conversa. Mas agora chegaram mais gente, além das duas mulheres, chegou mais três homens e uma outra mulher. Em pouco tempo o grupo de pessoas saem dali, os dois então os segue.

– O que você pretende fazer? – pergunta Mayara.

– Silêncio! Vamos descobrir quem são e veremos se são perigosos ou não.

A escuridão da noite começa a tomar conta do local, o grupo que eles vigiavam agora estão em volta de uma fogueira. Aos poucos cada um vai indo se deitar em suas camas improvisadas. No meio da madrugada um homem se levanta e desaparece na mata e logo depois uma mulher vai na mesma direção que ele.

– Vamos atrás deles. – sussurra Alexandre.

Em menos de três minutos eles chegam lá, o casal está à beira de um lago. O homem parece que estava chorando, mas eles estavam longe demais para ouvir algo. Não havia lugar para se esconderem mais próximo ao lago. A mulher agora abraça o homem.

– Eles estão falando algo sobre o galho que está com a mulher, acho que Ellen, o nome dela. – sussurra Alexandre.

Ele estava tão fixado no casal que não percebera que não havia mais ninguém ao seu lado para te responder. Ele então se vira para falar com a mulher que estava contigo.

– Mayara. – sussurra. – Mayara!

Alguém grita a uns poucos metros dali, era a voz dela, ele a conhecia. Era um grito de desespero. Agora gritava pedindo ajuda, gritava pelo nome dele. Ele então corre em direção dos pedidos de socorro. Mas agora fazia-se silêncio, estava tudo escuro. Era quase impossível encontrá-la. Então ele ouve passos vindo ao seu encontro, der repente aparece um grupo de pessoas em sua frente, eram as pessoas que ele vigiava.

– Quem é você? – pergunta Lucas.

– Ale-ale-xandre. – gagueja.

– Ouvimos gritos. – diz Gabriel.

– A mulher que estava comigo, Mayara, ela estava do meu lado e segundos depois ela não estava mais lá e só ouvi seus gritos.

Alexandre sabia que podia confiar neles, mas não conta que os vigiava. Ellen convence o resto do grupo a ajuda-lo. A escuridão tomava conta da densa mata, a única fonte de luz era a lua. Se fossem procurar a mulher agora seria como procurar uma agulha no palheiro, então eles chegam no acordo de ir a busca quando o sol nascer.

Poucas horas depois o grupo acorda, come algumas frutas e se dividem em duas duplas e um trio para procurarem a Mayara.

– Antes de anoitecer todos devem estar aqui. – ordena Americo e todos concordam.

Barbara e Lucas caminham em direção ao sul.

– Por que estamos procurando essa garota? Nem sabemos quem ela é. Podíamos estar procurando mais alimentos, melhorando nosso acampamento, ou construindo uma jangada, sei lá. – reclama Barbara.

– Silêncio!

– Que foi, Lucas? Não concorda?

– Cala a boca! Ouvi algo.

Os dois se deparam com alguém saindo de uma abertura no chão, como todos eles saíram. Era um homem, os dois então resolvem se aproximar. Mas eles não haviam visto, ele estava armado. O homem quando os avista mira a arma neles.

– Merda! – diz Barbara assustada.

Enquanto isso Ellen e Mariana seguiam caminho ao norte.

– Então vocês acham que tem ainda mais gente aqui? – pergunta Mariana.

– Sim.

Enquanto as duas caminhavam um galho arranha a testa de Mariana, Ellen percebe que um pouco de sangue começar a sair do ferimento.

– Espere.

– O que? – pergunta Mariana.

– Um corte na sua testa e está sangrado, mas não é nada demais.

Mariana passa a mão sobre a testa na tentativa de limpar o sangue, mas a única coisa que fez foi sujar ainda mais sua testa e seus dedos. Ellen então se aproxima e ela limpa com cuidado, um sorriso então surge no seu rosto.

– O que foi?

– Nada, você é bonita. – responde Ellen.

– Obrigada, você também é. Posso te chamar de Elli?

– Claro. Elli... gostei. – responde e dar outro sorriso.

As duas trocam olhares por poucos segundos, mas são interrompidas por um grito. O mesmo grito que ouviram à noite, era o mesmo grito da Mayara, elas tinham quase certeza. Elas correm em direção de onde vinha os gritos e encontram uma mulher.

– Mayara? – pergunta Ellen.

– Me ajudem! – sussurra a mulher.

– Ai meus Deus! O que fizeram com ela? – pergunta Mariana assustada.