Os Dez Mandamentos: E Se?
5 Capitulo 5
Notas iniciais
O beijo entre Henutmire e Hur continuou, até que a Princesa se afastou desnorteada. Olhou para o amor da juventude, amor esse que nunca havia saído de seus pensamentos. Hur não se atreveu a olha-la nos olhos, profundamente envergonhado com o que havia feito. Então Henutmire acabou se lembrando de um episódio de muitos anos atrás.
Flashback On
Henutmire e Hur se beijaram fervorosamente as escondidas no quarto de Ramsés, que estava no jardim com Nefertari. O casal vinha nutrindo um amor proibido durante muito tempo. Hur havia chegado ao Palácio há um ano, como assistente do joalheiro do Rei, e desde que ele e Henutmire puseram os olhos um no outro, um amor se instalou no coração de ambos. Eles haviam tentado fugir do que sentiam, mas não haviam conseguido. E por isso mantinham um relacionamento sem que ninguém soubesse.
Hur continuava beijando a amada fervorosamente, até que ela se afastou, fazendo o hebreu ficar confuso.
— O que foi, meu amor? Algum problema? — Indagou o homem, preocupado ao ver o rosto tenso da Princesa.
— Hur, eu não sei como dizer isso, mas nossa relação tem que acabar. — Sussurrou Henutmire, desviando o olhar do de Hur. — Eu te amo muito, e fui muito feliz com você, mas infelizmente amanhã terei que me casar com Disebek, o homem para o qual fui prometida, e por isso acho melhor darmos um fim nisso tudo antes que soframos ainda mais do que já estamos sofrendo. Nossa relação é proibida, e por mais que eu não queira me casar com aquele homem terei que acatar a decisão de meu pai, para o bem maior de todos. Te amo muito Hur, nunca se esqueça disso. — Disse Henutmire, com lágrimas caindo. A Princesa se aproximou e deu um último beijo no amor de sua vida antes de sair do local.
Hur ficou completamente paralisado. Lágrimas caiam de seus olhos mesmo eles não querendo que isso acontecesse. Ele queria ir atrás de Henutmire e lhe declarar todo seu amor, e pedir que ela nunca lhe deixasse. Mas era covarde demais para fazer isso.
Flashback Off
Henutmire controlou as lágrimas que queriam cair ao se lembrar desse momento. Querendo ou não Hur e ela haviam feito sua escolha há muitos anos atrás, e não havia como mudar isso. Ela estava casada com Disebek, mesmo que ele a estivesse traindo com Yunet, e Hur iria se casar com Sati, que era bem mais bela e formosa que ela. Ela só tinha que fazer com que seu coração entendesse e aceitasse esse fato.
— Henutmire, eu. — Hur começou, mas foi interrompido por ela.
— Não diga nada Hur. Melhor será esquecermos o que aconteceu no nosso passado e aqui. Desejo que seja muito feliz com Sati. Agora preciso ir. — Henutmire proferiu, saindo.
Hur quis ir atrás dela, mas mais uma vez fora covarde demais para fazer isso.
...
Miriã estava na beira do Rio Nilo, orando silenciosamente para Deus. A jovem não estava gostando nada da situação em que se encontrava, mas algo lhe dizia que ela precisava continuar ali no Palácio, então ela estava pedindo que Ele lhe protegesse a ela e a sua família. Ramsés estava passando pelo local e se deparou com a jovem.
— Pelos deuses. Como é linda a noiva de Hur. — Proferiu o príncipe, em um tom de voz que apenas ele ouviu. Ele sabia que não devia fazer isso, mas queria se aproximar da jovem, e isso fez.
— Apreciando a vista do Nilo? — Indagou Ramsés, pondo a mão no ombro da jovem, ato que fez Miriã estremecer e dar um pulo.
— Ah, príncipe. Me assustou. — Disse ela, nervosa.
— Não me chame de príncipe. Chame-me apenas de Ramsés. — Pediu ele, sorrindo docemente para ela, e Miriã não conseguiu evitar sorrir de volta.
— Tá bem. Então só Ramsés. — Ela disse, rindo, e o jovem sorriu também.
— Quando estou triste sempre venho ver o Nilo. Isso sempre levanta meu ânimo. — Ramsés explicou.
Miriã deu uma olhada discreta para ele.
— Sim, realmente a vista é muito bonita. Miriã disse.
— Sei de outra vista que é linda. — Acrescentou Ramsés, se aproximando ainda mais dela. Miriã ficou subitamente nervosa com essa proximidade.
— E que vista seria? — Perguntou, tentando desconversar.
— Você! — Ramsés falou, colando seu rosto ao dela.
Miriã não estava crendo no que estava acontecendo. Ramsés iria mesmo beija-lá? Não, isso não poderia acontecer! Ágil, a jovem se levantou rapidamente, quebrando o clima.
— Tenho que ir. Meu noivo me espera. A conversa foi muito agradável. — Miriã sorriu, e fez menção de se retirar, mas foi detida por Ramsés, que agarrou seu braço.
— Espere. — Sussurrou ele, seu rosto de novo próximo ao dela. Miriã estava com a respiração ofegante, nervosa com o que poderia acontecer. Ramsés se aproximou ainda mais, fazendo menção de beija-lá, mas se afastando bruscamente, deixando a jovem confusa.
Ao ver a cara dela Ramsés riu.
— Agora preciso mesmo ir. — Falou ela, ríspida.
Assim que ela saiu Ramsés sorriu.
— Sati ainda será minha. — Disse.
....
— Eu não posso fazer isso com Safira, senhora. E se me descobrirem? — Argumentou Karoma, assustada. — Além do mais acho que a senhora não devia se aproximar de Moisés. Pode ser muito perigoso. — Acrescentou.
Nefertari bufou ao ouvir o discurso da dama de honra.
— Não tenha medo Karoma. Nada de mal acontecerá comigo e nem com você. Estou sim interessada em Moisés, e agora que Ramsés se casará com Maya farei de tudo para conquista-lo. Você apenas tem que me ajudar prendendo Safira em seu quarto para que ela não consiga ir ao encontro com ele. — Declarou Nefertari.
— Está bem, farei isso não por ser sua dama de honra, mas por ser sua amiga e me importar com a senhora. — Karoma falou, sorrindo.
Nefartari e ela se abraçaram.
— Obrigada Karoma. Que os Deuses lhe favoreçam por tudo que está fazendo por mim. — A filha de Yunet desejou.
....
Você vai até a vila dos hebreus com Moisés. Ouvi certo? — Henutmire indagou, espantada.
— Ouviu sim, minha mãe. Vou sair com Moisés. Sempre tive curiosidade de conhecer a vila, e já que Moisés vai até lá visitar sua família decidi que irei junto com ele. — Argumentou Safira.
— Mas isso é um ultraje. Você não pode sair do Palácio a noite sem a proteção dos Deuses. Imagina se acontece algo de ruim com você, ou se até mesmo seu avô descobrir? Sabe-se lá o que ele poderá fazer. — Henutmire Bradou, inconformada com a decisão da filha.
— Não me interessa mãe. Eu vou até a vila sim. Já tá decidido. Não desapontarei Moisés desta maneira. — Gritou Safira, também ficando irritada.
— Você não vai sair deste Palácio, Safira. Eu estou mandando! — Exclamou a Princesa.
— Sempre foi assim não é. Desde criança. A senhora e o papai mandando e eu tendo que obedecer. Me privaram de descobrir novos mundos, e ainda privam. Tudo isso por causa do maldito equilíbrio cósmico e o seu egoísmo. Sim, porquê a senhora é egoísta mãe, pensa apenas no que e bom para si. Não se importa com o que os outros pensam ou sentem. Estou farta de ficar presa neste Palácio. De ter que acatar decisões dos outros de cabeça baixa. Estou farta do meu noivo. Estou farta de tudo, até mesmo da senhora. Preferia ter nascido hebreia e escrava, do que ser sua filha. — Safira soltou tudo o que estava sentindo, com lágrimas nos olhos. A moça estava com muita raiva.
Movida pela fúria que estava sentindo ao ouvir as palavras da filha Henutmire acabou por desferir um tapa no rosto de Safira, que olhou a mãe, assustada.
Ao perceber o que tinha feito Henutmire chorou, e tentou se aproximar da jovem, que a empurrou.
— SAIA DAQUI AGORA. VOCÊ NÃO E MINHA MÃE. — Esbravejou a jovem princesa, também chorando. — SAIA!
— Safira, filha, eu juro que não quis. — Tentou a filha de Tuya, mas foi interrompida.
— SAIA! — Pediu Safira.
Mesmo abalada Henutmire atendeu ao pedido da filha.
Safira chorou de raiva. Não podia acreditar que a sua própria mãe tinha lhe agredido. E tudo por causa de Moisés. Ela tinha razão. Henutmire era egoísta, e o que ela fizera havia incitado ainda mais ela a sair com ele. Iria sim na vila dos hebreus, e ninguém iria impedir.
Se arrumou com a ajuda de sua dama de companhia Annipe. Olhou-se no espelho. Estava linda. Moisés iria adorar.
Anippe foi tentar abrir a porta, mas não conseguiu.
— A porta se encontra trancada, senhora. — Avisou a moça, confusa.
Safira foi até a porta e constatou que era verdade.
— Pelos Deuses! — Exclamou. — Só pode ter sido Henutmire. — Acrescentou, com raiva.
Mal sabia ela que havia sido Karoma a trancar a porta a pedido de Nefertari.
......
— Não aguento mais mentir Hur. Não importa quantas vezes eu treine para me parecer com uma egípcia não consigo me acostumar com a vida que os nobres levam aqui. E tudo tão diferente da vida que eu sempre levei. — Reclamou Miriã.
Sensibilizando-se com a situação da amiga Hur a abraçou carinhosamente.
— Calma, Miriã. Tudo vai se resolver. Deus estará com você sempre. — Ele falou.
Eles se afastaram, ainda com os rostos muito próximos um do outro. Miriã era muito linda, pensou Hur. E ele precisava fazer algo para esquecer Henutmire. Talvez Miriã fosse a solução. Pensando assim o hebreu joalheiro se aproximou e beijou a irmã de Moisés.
....
Moisés esperava impacientemente por Safira no harém. Ela já estava atrasada? Será que a jovem havia desistido de ir até a vila com ele? Será que estava se divertindo com Joel? Esse pensamento fez Moisés se corroer de ciúme. Não podia evitar. Ele estava perdidamente apaixonado por Safira, e pensar que outro homem poderia estar tão perto dela não o agradava nenhum pouco. Então viu Nefertari se aproximando e sorriu. Apesar de tudo gostava da moça e aquele beijo entre eles nunca havia saído de sua memória.
— Moisés, Safira me mandou avisar que não poderá vir. Parece que ela ficou um pouco ocupada. Disse algo sobre um passeio romântico com Joel. Parece que ela tá se entendendo com seu noivo. Mas, se quiser posso acompanha-lo até a vila dos hebreus. — Sussurrou Nefertari, acariciando o corpo de Moisés.
Moisés estremeceu com o toque dela e ficou surpreso com sua proposta.
— A senhorita fala sério? Quer mesmo ir até a vila? — Indagou, abismado.
Nefartari sorriu e aproximou-se ainda mais de Moisés.
— Eu nunca brinco. Com você iria para qualquer lugar que quisesse. — Declarou.
Lisonjeado com o que acabara de ouvir, e talvez movido pelo ciúme que estava sentindo de Safira, Moisés puxou a filha de Yunet para mais perto de si e a beijou.
....
— Trouxe bebida para a senhora. Acredito que fez uma viagem muito longa e uma refresco talvez lhe ajude a descansar. Além do mais os refrescos de Gahiji são divinos! — Exclamou Yunet, sorrindo falsamente para Maya.
A mãe de Nefertari estava começando a colocar seu plano em pratica. Ela havia colocado um veneno na bebida de ervas que havia mandado Gahiji preparar. Veneno esse que poderia matar a noiva de Ramsés, que era exatamente o resultado que Yunet queria.
— Ah, obrigada Yunet. Não precisava ter se incomodado. Realmente estou muito cansada, mas não aprecio um refresco neste momento, estou meio indisposta. Preciso mesmo tirar um cochilo. — Maya disse. — Ah, e não me chame de senhora. Apesar de que irei ser a Rainha prefiro que deixe as formalidades para depois. — Acrescentou a jovem, sorrindo.
Yunet se preparava para convencer Maya a beber o refresco quando Henutmire adentrou no local.
— Ora, se Maya não quer a bebida, a quero eu. Estou precisando mesmo me acalmar depois da briga que tive com minha filha agora há pouco. Me passe a taça, Yunet, por favor. — Pediu a Princesa.
Isso não era o que eu pretendia, mas talvez possa me livrar de uma vez por todas dessa Princesa estúpida e ficar com Disebek, pensou Yunet.
— Sim, senhora. — Disse ela, passando a taça para a Princesa.
— Obrigada. — Disse Henutmire.
A filha de Tuya bebeu o liquido rapidamente, sem saber que estava cometendo um erro. Yunet sorriu, triunfante.
— Como estava a bebida? — Quis saber Maya, sorrindo.
— Pelos deuses. A bebida estava ótima, mas estou começando a me sentir mal. — Reclamou Henutmire.
A Princesa do Egito começou a tremer em poucos segundos foi ao chão, inerte.
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