Os Dez Mandamentos: E Se?
6 Capitulo 6
Notas iniciais
Yunet, acorda! — Henutmire balançou a mão na frente do rosto de sua dama de companhia, preocupada. Yunet estava a alguns minutos parada como uma estátua. Parecia estar num transe. E não acordava de jeito nenhum. Então, de repente a mãe de Nefertari acordou atordoada. Olhou em volta e engoliu em seco ao perceber que a Princesa Henutmire estava viva e bem na sua frente. Ela não havia morrido. Havia sido tudo um sonho. Maldição. Como ela queria que aquela tola tivesse morrido de verdade. Mas ultimamente os Deuses não estavam lhe favorecendo mais.
— Ah, Yunet. Você tá bem! — Exclamou Henutmire, a abraçando carinhosamente, coisa que Yunet detestou. — Estava começando a ficar preocupada, já que você não acordava de maneira alguma. O que houve? — Indagou.
— Não faço a mínima ideia senhora. Foi tudo muito estranho. Vou ir falar com Paser. Talvez meu marido saiba o que fazer. — Falou, sorrindo falsamente.
— Vá sim, minha querida. Você está precisando descansar. — Henutmire falou.
— Com licença. — A vilã se retirou, deixando Maya e Henutmire sozinhas conversando sobre os preparativos do casamento Real.
....
Safira e Anippe gritavam desesperadas para que alguém destrancasse a porta do quarto, mas infelizmente ninguém conseguia ouvir os apelos das duas.
— O que faremos agora, senhora? — Perguntou Anippe, eufórica.
— Não sei, Anippe, não sei. — Safira falou, balançando a cabeça.
Mas Karoma se arrependeu do que havia feito e, mesmo sabendo que estaria desobedecendo sua senhora se libertasse Safira, fez o que a sua consciência mandou e abriu a porta. Felizes, Safira e Anippe abraçaram Karoma, agradecendo pela moça te-las salvado. Suspirando, Karoma percebeu que havia feito a escolha certa.
...
O beijo continuou, até Miriã se levantar bruscamente e dar um forte tapa na cara de Hur. Ao ver o espanto do joalheiro a moça se arrependeu.
— Desculpa, Hur. Sei que não deveria ter lhe dado um tapa mas isso tudo é errado. Nem somos noivos de verdade. — Explicou-se ela.
Hur deu um meio-sorriso. Eles não eram noivos de verdade ainda, mas poderiam vir a ser. A verdade era que o joalheiro precisava esquecer Henutmire de uma vez por todas, já que o amor deles era impossível, coisa do passado. E quem melhor para ajuda-lo nisso do que Miriã, uma jovem linda e encantadora que estava começando a despertar sentimentos fortes nele?
Hur pegou a mão da jovem e depositou um beijo nela, fazendo-a corar.
— Não somos noivos de verdade ainda, mas podemos vir a ser. — Ele sorriu. — Miriã, quer casar-se comigo, desta vez de verdade? — Perguntou, ansioso.
Miriã não podia acreditar no que estava ouvindo. A irmã de Moisés era apaixonada por Hur já a algum tempo, e isso havia influenciado sua escolha em fingir ser a noiva egípcia dele. Mas Miriã tinha consciência de que Hur nunca olharia com outros olhos para ela. Ou assim ela pensava. Ela pareceu refletir por alguns instantes e respirou fundo:
— Não, não posso aceitar me casar com você. Me desculpa! — Falou ela, surpreendendo Hur, que estava certo de que ela aceitaria o pedido. — Somos de crenças religiosas diferentes, Hur, e também eu não quero viver no Palácio fingindo ser alguém que eu não sou. Não consigo. Vai contra todos os meus princípios. Por mais que eu goste de você eu.. — Foi interrompida por Hur, que se levantou e colocou o dedo na sua boca, a calando.
— Você gosta de mim? Eu ouvi direito? — Perguntou, eufórico.
Miriã apenas acenou afirmativamente com a cabeça. Contente, Hur voltou a beija-la, e dessa vez a jovem não o rejeitou. Mas, durante o beijo a filha de Joquebede imaginou estar beijando Ramsés, ao invés de Hur. Isso fez a jovem ficar atordoada e se afastar. Não, ela não poderia estar gostando de Ramsés, era pior do que gostar de Hur. Afinal, ele era o futuro Rei do Egito. Precisava dar um jeito de tira-lo da cabeça. Por isso, Miriã respirou fundo e tomou uma decisão.
— Eu, Miriã, e não Sati, aceito me casar com você Hur! — Exclamou ela, sorrindo.
Os dois se abraçaram, não percebendo a presença de Ramsés.
...
Yunet estava se maquiando tranquilamente no harém, quando de repente Ikeni e Bakenmut chegaram no local, a agarraram pelo braço bruscamente e arrastaram-na até a Sala do Trono. Assim que chegou lá e os guardas a soltaram Yunet bufou.
— Que significa isso? Eu sou uma nobre, não podem me tratar desta maneira. — Esbravejou, mas calou-se ao ver quem estava no local. Eram Henutmire, Disebek, Tuya, Seti, Ramsés, Nefertari e uma família hebreia.. Que ela conhecia muito bem.
— Eu que pergunto, Yunet. O que significa isto? — Indagou Henutmire, olhando para sua dama com frieza.
— Eu não sei a que se refere, senhora. O que esta família hebreia faz aqui? — Perguntou, tentando disfarçar sua tensão.
— Foi ela! — Gritou a hebreia mais velha chamada Raquel, apontando para Yunet. — Foi essa víbora que trocou nossas filhas no dia do nascimento delas, Princesa! — Disse.
Yunet ficou pálida. Isso não podia estar acontecendo.
— Pelos Deuses! Como esta pestilenta ousa inventar blasfêmias sobre mim? — Esbravejou Yunet nervosamente. — Claro que eu não troquei bebês nenhuns. Nunca faria algo assim com a Princesa! — Mentiu, fingindo chorar de revolta.
— Cale-se, sua ordinária. — Bradou o faraó, assustando a todos.
— Não adianta disfarçar. Sua farsa acabou Yunet! A Sara, filha adotiva desta família hebreia, é idêntica a mim quando tinha a idade dela, e você sabe muito bem disso. Esta mais que óbvio que ela é minha filha biológica, o que não entendo é porquê fez uma coisa dessas comigo? Pensei que fôssemos amigas, Yunet. — Falou Henutmire, ressentida. A princesa estava prestes a chorar.
Yunet poderia ter sido descoberta, mas não iria desistir assim tão facilmente. Seu plano não tinha acabado. Ainda tinha muita coisa pela frente até que sua filha se tornasse a Soberana do Egito. Henutmire sempre fora uma tola, e acreditara cegamente nela. Agora não seria diferente.
— Me perdoa, Princesa. Eu juro que nunca quis cometer uma atrocidade dessas, mas Disebek me obrigou. — Mentiu Yunet, falsamente.
— Mentira. — Falou Saulo, o marido de Raquel. — Foi esta víbora que fez tudo isso sim. Eu a conhecia da Casa de Senet. Paguei por seus serviços muitas vezes. Eu gostava de ficar com ela, mesmo sabendo do caso que ela e o general mantinham. Quando ela veio para o Palácio nunca mais a vi. Mas, no dia do nascimento de minha filha, ela bateu na minha porta. Me seduziu novamente, e me convenceu a trocar as meninas sem que minha esposa soubesse. Ela queria se vingar da Princesa e do General. Sara é sua filha biológica, Henutmire. E Safira é a nossa. — Saulo terminou sua explicação com a voz embargada, e abaixou a cabeça, envergonhado.
Vendo que não tinha mais como negar a verdade, Yunet resolveu mudar de estratégia e mostra sua verdadeira face. A vilã começou a rir de maneira histérica.
— Quer saber a verdade? Eu troquei as bebês sim! E não me arrependo. Você tinha que sofrer, afinal você me tirou Disebek, o homem que eu amava, e que me amava também. Ele me tirou daquela vida por amor. Eu estava grávida de Nefertari. Iríamos nos casar e eu seria uma nobre. Mas aí chegou quem? A Princesinha estúpida e estragou tudo. Você me tirou tudo, era justo eu te tirar tudo também. No começo pensei em dizer que sua filha havia morrido, mas pensei melhor e decidi trocar sua linda filhinha por uma pestilenta. Você é uma tola Henutmire. Sempre foi. Acreditava cegamente que eu era sua amiga. Mas afinal quem seria amiga de uma imprestável como você? Nem mesmo Disebek te amou. O casamento de vocês foi por puro interesse. Todas as noites enquanto ele estava na cama com você era em mim que ele pensava, somente em mim. — Yunet terminou seu discurso e riu mais uma vez.
Henutmire estava aos prantos. Como poderia ter sido tão ingênua? Como não percebeu a cobra que tinha ao seu lado. Safira e Nefertari eram outras que não conseguiam parar de chorar. Elas nunca foram muito amigas, mas agora que compartilhavam da mesma dor se abraçaram, tentando buscar conforto uma na outra.
— Apodreça no Mundo dos Mortos, Yunet! — Henutmire exclamou.
E então, todas as mulheres ali presentes pegaram os panos de linho com agua e deram uma boa surra em Yunet. Uma que ela não esqueceria tão rapidamente.
— Prendam esta mulher! — Ordenou Seti, com fúria. — E os dois hebreus também! Todos serão condenados a morte por enforcamento. — Anunciou.
— Não! — Exclamaram Nefertari e Sara ao mesmo tempo. As duas se entreolharam, envergonhadas.
— Fale uma de cada vez. — Sussurrou Tuya, tentando apaziguar a situação. — Diga o que deseja, Sara. — A Rainha sorriu para a nova neta.
— Por favor, eu lhe imploro Soberano. Perdoe a minha mãe. Raquel tem um bom coração, é honesta e inocente. Ela não tem culpa de nada. — Soluçou ela, lágrimas caindo de seu rosto.
Seti pareceu ficar pensativo por alguns instantes.
— Tudo bem. Minha neta Sara tem razão. Raquel será perdoada e poderá viver aqui conosco no Palácio. Ela será a nova dama de companhia de minha filha Henutmire. — Decretou.
Raquel e Sara se abraçaram, emocionadas.
Nefertari se ajoelhou diante do faraó.
— Meu soberano. Lhe suplico que não mate a minha mãe. Não estou concordando ou justificando as atrocidades cometidas por ela, mas seria muito doloroso para mim se minha mãe morresse. Por favor, soberano. — Nefertari, suplicou, chorando.
— Levante-se. — Bradou Seti. — Esta mulher perturbou o bem estar do equilíbrio cósmico. Yunet será morta, e não se fala mais nisso. Quanto a Disebek, sua punição será o exílio. Nunca mais poderá por os pés no Egito. — Decretou, dando a conversa por encerrada.
.....
Arão e Eliseba estavam tristes pela morte precoce da amiga deles Amália. Ela era uma mulher de bom coração e de muita fé, que sempre ajudou a família de Joquebede. Infelizmente ela não veria seu lindo filho Oseias crescer. Mas Deus sabia o que fazia. Pelo menos agora ela iria para junto do Senhor e do seu marido Num. Amália seria feliz. E eles iriam cuidar de Oseias como se fosse o próprio filho deles.
......
— Mandou me chamar, mãe. — Safira falou, ríspida.
Haviam se passado alguns dias da sentença de Yunet, e desde então Henutmire só ficava próxima de Sara, o que irritava muito Safira, que achava que seria rejeitada por não ser a filha legitima. Percebendo o estado emocional da jovem, Henutmire havia decidido ter uma conversa franca com a filha.
— Chamei sim, Safira. — Disse, pegando na mão da jovem. — Minha filha, quero que saiba que só porquê Sara agora mora junto a mim não quer dizer que você não seja amada. Você pode até não ter saído de meu ventre, mas será sempre minha primogênita. Sempre irei te amar filha, e isso nunca mudará. — Declarou Henutmire, emocionada.
— Ah, mãe. Também te amo muito. — Safira falou.
E as duas se abraçaram fortemente e choraram juntas, selando sua reconciliação.
.......
— Vá embora daqui e não volte nunca mais. De preferência para bem longe do Egito, para que não te peguem. — Falou Nefertari, enquanto abria a cela de Yunet.
— Ah, minha filha. Eu sabia que não me abandonaria. — Exclamou Yunet, eufórica indo abraçar a filha, que se afastou.
— Não tenho mãe e você tampouco tem filha. Vá logo, antes que me arrependa. — Falou Nefertari, ríspida sem olhar para a vilã.
Assim que Yunet saiu triunfante Nefertari começou a chorar compulsivamente.
.....
Era o dia do casamento de Ramsés e Maya, e todos no Palácio estavam animados. Bem, quase todos. Nefertari havia percebido que nunca havia deixado de amar Ramsés, e que Moisés era apenas um passatempo. Mas a jovem havia perdido Ramsés para Maya, e teria que se conformar com isso.
Miriã apreciava a vista do Nilo pensando em Ramsés e Hur, e debatendo se havia feito a escolha certa ao aceitar se casar com o joalheiro.
— Apreciando a vista do Nilo Sati? Ou devo dizer Miriã? — Sussurrou Ramsés no ouvido da jovem, a assustando.
— Co, como sabe meu verdadeiro nome? — Perguntou ela, nervosa.
Sempre que Ramsés se aproximava dela ela ficava nervosa.
— Não interessa como descobri que é hebreia. O que interessa é que não contarei nada a ninguém, isso se você me beijar agora mesmo, claro. — Sussurrou o príncipe, dando um sorriso sarcástico.
— Você ficou louco? Só pode. Eu nunca te beijaria. Primeiro por que você será o futuro Rei do Egito. Segundo por que seu casamento é hoje, e terceiro porque nunca beijaria alguém tão convencido como você! — Declarou a morena, nervosa.
Ramsés riu e puxou Miriã para mais perto de si.
— Para que tentar disfarçar. Eu sei muito bem que sente vontade de me beijar tanto quanto eu sinto de te beijar. — Falou Ramsés, capturando a boca de Miriã contra a sua e iniciando um beijo que a moça acabou por corresponder.
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Me solte! — Safira gritava e se debatia enquanto um soldado do exército, que estava completamente embriagado lhe beijava todo o corpo e rasgava suas roupas. A jovem chorava e sentia nojo ao sentir que iria ser abusada por aquele homem que era muito mais forte que ela. Mas logo chegou alguém no corredor
— SOLTE-A IMEDIATAMENTE! — Bradou Moisés, olhando para o soldado com fúria.
— Ou o que? — Riu o egípcio, debochando do hebreu.
Moisés sentiu tanta fúria e ódio ao ver aquele homem tentando abusar da mulher que amava que, não medindo as consequências de seus atos, cravou uma faça no peito do egípcio, o matando logo em seguida.
Safira e Moisés se entreolharam estáticos por alguns minutos, então a moça se levantou e abraçou Moisés fortemente, chorando.
— Você me salvou, Moisés, me salvou. — Falava, emocionada.
— Salvei, mas por causa disso terei que fugir daqui o mais rápido possível. — Refletiu, olhando para o corpo do soldado morto. — Não demorará muito para que descubram o corpo, e mesmo que não encontrem provas que me incriminem o faraó me irá me acusar de qualquer jeito. Ele me odeia. — Falou Moisés, triste.
— Se você fugir irei com você. — Safira anunciou, decidida.
Moisés suspirou. Amava Safira e adoraria que a jovem fugisse com ele, mas sabia que seria pior ainda se isso acontecesse. Além do mais, por mais que a amasse profundamente não tinha o direito de estragar a vida da moça.
— Não, Safira. Seu lugar é aqui no Palácio com sua mãe. — Tentou convence-la enquanto acariciava seu rosto e sentia lágrimas brotando nos seus olhos,
Safira também estava chorando.
— Não, Moisés. Meu lugar é onde você estiver. Você é o amor da minha vida. Não quero te perder. Eu irei com você sim. — Falou ela, firme.
Moisés não sabia se ficava feliz por saber que Safira o amava também, ou triste pela despedida ser inevitável. Até que então o hebreu tomou coragem para fazer algo que já queria fazer a muito tempo. Ela se aproximou de Safira e a beijou!
Foi um beijo doce mas cheio de amor e paixão, que expressava tudo o que um sentia pelo outro. Se deixaram levar pelo momento mágico para depois de alguns minutos Moisés se afastar.
— Eu também te amo, Safira. Demais. Nunca se esqueça disso. — Declarou-se o hebreu, voltando a beija-la antes de sair do Palácio para nunca mais voltar. Mas Deus ainda reservaria muitas surpresas para aqueles dois.
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