Os Dez Mandamentos: E Se?
4 Capitulo 4
Notas iniciais
Moisés se afastou bruscamente, surpreendido com o beijo de Nefertari. Mal conhecia ela e a moça já o beijava assim de repente? Ela deveria estar carente pela rejeição do príncipe Ramsés, então não poderia culpa-la. E ele havia gostado do beijo, mas se sentia meio que traindo Safira, mesmo que não tivesse acontecido nada entre eles e a própria estivesse noiva. Olhou para Nefertari. A jovem parecia magoada e confusa com o afastamento dele.
— Des, desculpa. — Pediu ele, atrapalhado.
— Não, me desculpe você, eu não deveria ter te beijado, foi um impulso. Será melhor se esquecermos o que aconteceu aqui. — Nefertari falou, parecendo envergonhada.
— Sim, tem razão. Mas podemos ser amigos não? — Moisés falou, no fundo esperançoso de que a resposta fosse sim.
Nefertari sorriu.
— Claro que sim. Amigos. Agora é melhor voltarmos para dentro, se não podem desconfiar da nossa ausência. — Ela falou.
Eles sorriram um para o outro e seguiram para dentro do Palácio.
.......
— Digam. Para onde minha irmã foi? — Arão exigiu saber.
Joquebede e Eliseba se entreolharam, nervosas.
— Meu amor, Miriã foi pro Palácio. — Eliseba sussurrou, ponderando que mentir para o marido seria pior do que lhe dizer toda a verdade.
Arão ficou nervoso e aflito ao pensar que algo grave poderia ter acontecido com Miriã para ir até o Palácio.
— Porquê Miriã foi pro Palácio? Me expliquem tudo. — Exigiu o escravo, nervoso.
— Bom, sua irmã ir pro Palácio foi ideia minha meu filho. Miriã foi para lá fingindo ser noiva de Hur. Fiz isso para que pelo menos alguém de nossa família fique perto de Moisés, e também para ver se sua irmã se casa de uma vez. — Explicou Joquebede.
— Mas vocês ficaram completamente loucas? — Arão Vociferou. — Já basta Moisés ter ido pro Palácio e não dar noticias agora Miriã também? Você sabe o que pode acontecer com ela e Hur se descobrirem essa farsa não sabe? Então se ela morrer nunca irei lhe perdoar minha mãe. — Arão falou, saindo porta a fora.
Joquebede e Eliseba se olharam preocupadas. Arão era muito temperamental, e elas tinham medo de que ele acabasse fazendo uma besteira.
......
O ritual de noivado de Maya e Ramsés, e Safira e Joel foi feito por Paser sobre o olhar de todos. Ramsés e Maya aparentemente haviam se encantado um pelo outro, o que agradou Seti. Joel também havia se encantado por Safira, mas a moça já estava apaixonada por Moisés. Ela aceitou o noivado para não ter problemas, mas depois acharia algum jeito de romper o compromisso, porquê como ela mesmo dizia que não iria se casar por amor, e ela obviamente não amava seu noivo.
A festa acabou e cada um se dispersou para descansar. Ficaram apenas Seti, Tuya, Henutmire, Ramsés e Moisés na sala do trono. Ate que Hut entrou acompanhado de uma linda jovem, que atraiu os olhares de todos, inclusive Ramsés.
— Soberano, sei que a festa não é dedicada a mim, e sim ao seu filho e sua neta, mas queria oficialmente anunciar meu noivado com esta jovem Sati. Ela é do Alto Egito, e quero sua permissão para que ela fique no Palácio comigo ate nossa união se concretizar. — Pediu o joalheiro, olhando de relance para Miriã, que tentou desviar seu olhar do de Moisés, mas já era tarde, mesmo vestida como egípcia ele reconheceria sua irmã de longe.
— Não sabia que tinha uma noiva Hur, mas fico alegre por você. O considero como sendo da família e quero apenas sua felicidade e seu bem-estar. Sati é bela e formosa, é claro que ela pode ficar no Palácio, e será muito bem-vinda. — Seti anunciou.
— Obrigado meu soberano. — Hur agradeceu, e olhou de relance para Henutmire, que não parecia estar muito feliz, ou seria apenas impressão?
— Realmente Hur, nunca te vi tão encantado por uma moça como parece estar por sua noiva, acho que fez uma excelente escolha. Parabéns! — Exclamou Henutmire, parecendo ríspida.
— Bom, eu acompanharei Sati ate o harém e lhe mostrarei suas acomodações. — Tuya se ofereceu, simpática.
— Se me permite alteza, gostaria de acompanhar a moça. — Moisés interrompeu, olhando discretamente para Miria.
Todos desconfiaram da atitude do hebreu, mas autorizaram mesmo assim.
.....
— Eu já te expliquei meu irmão, isso tudo foi ideia da nossa mãe para que eu ficasse mais perto de você. — Miriã sussurrou.
— Sim, eu sei mas e muito arriscado. Se descobrirem sua farsa não sei o que te pode acontecer. — Ponderou Moisés, preocupado.
— Eu sei, mas prometo tomar cuidado. — A filha de Joquebede falou.
Moisés abraçou a irmã.
— Mesmo não concordando com toda esta loucura farei tudo para te proteger minha irmã. — Ele prometeu. — Agora volte pro harém antes que desconfiem de sua ausência. — Aconselhou.
Eles se abraçaram uma ultima vez e se despediram.
......
Maya andava por um dos inúmeros corredores do Palácio. A jovem estava encantada com o noivo e com o Palácio. Parecia que estava vivendo um conto de fadas, e que Ramsés era seu príncipe encantado. A jovem foi surpreendida por alguém lhe arrastando para um dos inúmeros quartos. Tentou gritar, mas sua boca estava tampada.
Bakenmut trancou a porta do aposento e sorriu maliciosamente para Maya.
— Enfim estamos sós. — Disse, se aproximando devagar dela.
Maya olhou para o soldado apreensiva.
— O que quer de mim? — Perguntou ela nervosa.
— Quero você. — Ele exclamou, antes de beija-la a força.
.....
— Bezalel vai embora comigo Uri, não tem discussão. — Falou Leila, firme.
Uri e ela estavam tendo essa discussão a horas. A hebreia queria que seu filho voltasse com ela para a vila, já Uri acreditava que o menino seria ficar ali, onde teria uma condição de vida muito melhor.
— Já disse, acho que Bezalel ficará muito melhor no Palácio do que na vila. Ou quer que ele viva no meio de escravos? — Disse Uri, irritado.
— Esses escravos são meu povo Uri, e o seu também. Ou já se esqueceu? — Rebateu Leila, furiosa.
Uri suspirou. Não seria tão fácil convencer a mulher. Quando Leila punha uma coisa na cabeça ninguém lhe convencia do contrário, e agora ela estava decidida a levar o filho de volta pra vila. Ate que o filho de Hur teve uma ideia.
— Fazemos assim. Você fica no Palácio comigo e com Bezalel por alguns dias, como um teste. Se se adaptar ficam, senão podem ir embora. — Se não faz isso por mim faça por nosso filho. — Uri sugeriu, tocando o rosto da moça.
Leila ficou arrepiada com o toque dele. Ela e Uri estavam separados pelas crenças religiosas diferentes que cultivavam, e quando se encontravam sempre acabavam brigando. Mas Leila não poderia negar que ainda existia um sentimento muito forte que os unia. Ela pensou na proposta dele e resolveu aceitar, afinal queria ver seu filho feliz.
— Está bem Uri, eu aceito. — Anunciou ela. — Mas será apenas um teste, não e nada definitivo. — Acrescentou, ao ver um sorriso brotar no rosto do marido.
— Não vai se arrepender Leila, prometo. — Uri disse, contente.
Não se contendo, Uri acabou por beijar Leila.
.........
— O que quer Yunet? — Perguntou Disebek, ao chegar chegar no santuário após receber um chamado da mulher.
O general ainda estava muito irritado com a amante por se fazer de vítima e fingir que ele a seduziu. Por culpa dela Henutmire não queria mais vê-lo, e isso poderia prejudica-lo muito.
Yunet achou graça da irritação dele e riu, se aproximando e acariciando seu peito.
— Calma querido. Pelo menos a princesa não mandou te matar. — Ela debochou.
Disebek se afastou bruscamente e bufou.
— Fala logo o que você quer. — Disse, sem paciência.
— Quero ajudar Nefertari. Percebe-se que ela está triste com o noivado de Ramsés, ela o ama muito. O destino de nossa filha e ser a Rainha do Egito, somente ela e não aquela sem sal da Maya. Quero tirar ela do caminho de Nefertari, mas mesmo que ela desapareça o faraó sempre vai arrumar outra noiva para Ramsés, por isso e melhor unirmos o útil ao agradável. Quero Seti e Maya mortos, e você vai me ajudar! — Anunciou a vilã.
— Você é completamente louca Yunet. Nunca irei fazer nada para matar ninguém, isso pode abalar o Reino e ter consequências muito graves. Não conte comigo para essa seu plano ridículo. — Respondeu ele, se virando para ir embora, mas sendo parada por Yunet, que agarrou seu braço.
— Você vai sim me ajudar. Ou quer que conte nosso outro segredinho pra princesa? Você sabe muito bem que eu sei distorcer as coisas, e isso faria Henutmire te odiar ainda mais. Então, o que decide? — Ameaçou Yunet.
Disebek ficou pálido e pareceu ficar pensativo.
— Está bem Yunet, qual é seu plano? — Indagou o general, cedendo a chantagem.
....
Safira e Joel estavam passeando pelo Nilo. O jovem havia ficado encantado pela noiva e decidiu convida-la para dar um passeio. A verdade era que Joel queria ter um momento a sós com Safira. Não estava conseguindo aguentar, e acabaria por sucumbir ao desejo que sentia pela jovem.
— Você é muito linda Safira. Sua beleza rivaliza com a beleza da própria Isis. — Elogiou Joel, nervoso. Ele acariciou a face de Safira. Queria beija-lá, mas tinha medo de sua reação.
Safira precisou respirar fundo para não tirar a mão de Joel do seu rosto e lhe dizer que não iria se casar com ele nunca. A moça já estava farta das investidas do rapaz. Olhou para o rosto de Joel e por um momento imaginou Moisés na sua frente e sorriu. Joel aproximou seu rosto do dela. A filha de Henutmire sabia que ele a iria beijar, mas não conseguia se mover, parecia que os Deuses haviam tirado todas as suas forças.
O beijo iria acontecer, se não fosse uma voz masculina já bem conhecida por Safira interromper o momento.
— Atrapalho? — Falou Moisés, ríspidamente. O hebreu havia ficado muito enciumado ao ver o quase beijo de Joel e Safira. Ele sabia que isso era inevitável, mas não podia evitar de se sentir mal.
Safira sorriu. Graças aos Deuses Moisés havia aparecido. Nada poderia lhe dar mais repulsa do que receber um beijo de Joel.
— Moisés, estava te procurando. — Exclamou, sorrindo.
— Estava mesmo? Pois não parecia. Quando cheguei aqui parecia estar muito ocupada. — Revidou ele, irritado.
Era impressão dela ou ele estava com ciúmes?
— Sim, estava querendo conversar sobre aquele assunto. Joel, nos vemos depois. — Falou, dispensando o noivo que fuzilou Moisés com o olhar antes de sair.
— Não precisava ter dispensado seu noivo por causa de mim. — Falou ele, ainda irritado.
Safira sorriu. Não era impressão dela. Ele estava mesmo com ciúmes.
Isso queria dizer que ele também gostava dela, certo.
— Ainda vai me levar na vila? — Perguntou ela, mudando de assunto propositalmente.
— Se quiser. — Ele respondeu, agora mais calmo.
— Quero sim, e quero que seja hoje a noite. Hoje haverá uma festa pra mim e pra Maya no harém por nosso noivado. Mas as atenções estarão mais voltadas a ela já que será a futura Rainha do Egito. Poderíamos escapar e ir durante a festa. — Sugeriu ela, animada.
— Eu ia mesmo tentar visitar minha família hoje a noite, mas seria muito arriscado se me acompanhasse. — Ponderou Moisés.
— Eu vou sim, e não se fala mais nisso. — Afirmou Safira, decidida.
Moisés sorriu. Não sabia como ela conseguia, mas Safira o estava deixando cada vez mais apaixonado.
— Está bem. Iremos hoje a noite. — Moisés sorriu.
O que nenhum dos dois sabia era que Nefertari havia escutado toda a conversa!
....
Hur estava tão concentrado em confecionar novas joias para Safira e Maya que não percebeu que a princesa Henutmire havia chegado antes de ouvir sua voz.
— Belas joias Hur. Cada uma que você faz fica mais bonita do que a outra. — A Princesa elogiou, impressionada.
— Princesa. Em que posso ajuda-la? — Indagou ele.
— Pode me ajudar respondendo uma pergunta. Ama sua noiva de verdade? — Perguntou Henutmire, parecendo envergonhada.
— Sim, claro. Amo muito Sati. Ela me faz muito feliz. — Respondeu Hut, sem ter coragem de olhar nos olhos da Princesa.
— Ela te faz tão feliz quanto eu fazia quando éramos jovens? — Indagou Henutmire, parecendo ansiosa pela resposta.
Hur se surpreendeu. Levantou o rosto e olhou nos olhos da amada. Nunca imaginara que ela iria levantar o passado dos dois assim de repente.
— O que tivemos foi muito lindo Henutmire. Nunca vou me esquecer dos nossos momentos. Mas você preferiu o general Disebek a mim. — Respondeu ele, ressentido.
— O que queria que eu fizesse Hur? Nossa relação era proibida. Naquela época você era um simples hebreu, um assistente do joalheiro. Meu pai ainda não te considerava digno de ser alguém nobre. Ele nunca aceitaria se tivéssemos assumido nossa relação. — Bradou a Princesa, se exaltando. — Agora não aja como se eu fosse eu fosse a única culpada, mas você também foi covarde demais para admitir que me amava de verdade. — Gritou Henutmire, lágrimas se formando nos seus olhos ao lembrar do passado com Hur.
Hur ficou irritado e com muita raiva. Henutmire já o chamara de covarde uma vez. Não aceitaria que houvesse uma segunda vez. Movido pela raiva e pelo desejo que estava sentindo o joalheiro agarrou Henutmire e a beijou com vontade!
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