Os Dez Mandamentos: E Se?
3 Capitulo 3
Notas iniciais
Safira se levantou antes que o beijo acontecesse. A princesa queria muito beijar o hebreu e sentir seus lábios nos dele, mas não estava preparada para esse momento, e também não queria admitir pra si mesma que estava gostando dele. Se levantou e preparou-se para ir embora, mas a voz dele a deteve:
— Espere, eu nem sei o nome da princesa. — Ele falou, sorrindo.
Safira se virou e sorriu.
— Nem eu sei o do hebreu. — Ela respondeu, divertida.
Moisés estendeu sua mão para a moça.
— Prazer, me chamo Moisés. — Falou, em um tom brincalhão.
Safira sorriu e apertou a mão de Moisés, aceitando a brincadeira. No momento em que as mãos de ambos se encontraram um intenso calor e tremor percorreu o corpo de ambos.
— Prazer Moises. Me chamo Safira. — Falou.
— Um nome lindo digno de uma moça linda. — Ele elogiou, e ela corou.
— Obrigada. — Sorriu. — Sabe que sempre tive curiosidade de saber como e a vida na vila dos hebreus? — Ela confessou, baixando o tom de voz.
Moisés ficou surpreso com o que ela disse, mas sorriu. Estava com saudades de sua família e do seu povo.
— A vida na vila e muito sofrida. Trabalhamos muito, às vezes somos brutalmente castigados pelos feitores sem razão alguma, e em dias que não temos sequer o que comer. — Explicou Moisés, penalizado om a situação que seu povo estava enfrentando. — Mas o que nos move e a fé em nosso Deus e saber que um dia ele vai nos poupar de todo esse sofrimento. — Ele continuou, agora em um tom de voz mais esperançoso.
Safira ficou chateada ao ouvir as confissões de Moisés. A filha de Henutmire nunca havia se importado om o sofrimento dos hebreus. Mas isso acontecia porque ninguém nunca lhe contava nada sobre o assunto. Ouvir Moisés falar sobre o sofrimento daquele povo era completamente diferente. Mesmo sendo egípcia a princesa ficou indignada com a situação, e queria poder ajudar.
— Me leva na vila, por favor? — Pediu ela, as palavras escaparam da sua boca antes que ela pudesse as conter. Ela tampou a boca, ligeiramente envergonhada.
Moisés ficou surpreso com o pedido dela. Será que ele havia mesmo escutado certo? Não, não podia ser verdade. Uma moça egípcia como Safira nunca iria querer pisar na vila dos escravos e saber como era a vida deles. Mas a princesa estava o surpreendendo cada vez mais, e de um jeito bom. O filho de Joquebede sorriu. Estava ficando cada vez mais encantado com a moça, e sentia que um amor proibido poderia estar pra nascer entre eles.
— O que disse? Não ouvi direito? — Perguntou ele, a testando.
— Pedi para que me levasse até a vila dos escravos. Sempre tive curiosidade de saber como as coisas são por lá. Mas quem sabe não seja uma boa ideia. — Safira disse, ressentida.
— Como não é uma boa ideia? A moça não gosta de aventura? Ir até a vila certamente será uma. — Moisés disse, tentando a persuadir.
Safira pareceu refletir sobre o assunto por alguns instantes, até que sorriu.
— Esta bem, eu aceito. Será nosso segredinho. — Ela riu apertando a mão de Moisés.
— Sim, será nosso segredo. — Disse Moisés, apertando a mão dela e retribuindo o carinho. Os dois se olharam, cada vez mais encantados um pelo outro.
.........
Henutmire foi até o sacerdote Paser em busca de ajuda. A princesa havia tirado um cochilo naquela tarde e tido um sonho estranho, e pedia ao sacerdote para interpreta-lo.
— No meu sonho eu estava me banhando nas águas do Nilo juntamente com Safira e Yunet, mas de repente minha filha se afogava e eu não conseguia mais encontra-la. Fiquei desesperada a procurando por todos os lados, mas não a encontrava. Até que achei um cestinho boiando no rio, e nele havia um lindo bebezinho, um menino, que estava vivo e chorava muito. O peguei no colo e o sonho terminou. — Henutmire explicou, tensa.
— Bom princesa, a mensagem que os Deuses querem lhe passar através desse sonho é que a senhora perderá algo que lhe é muito importante, mas ao mesmo tempo ganhará um presente muito especial para alegrar sua vida. — Disse Paser, decifrando o papiro a sua frente.
Henutmire ficou tensa. O que ela perderia de tão importante?
........
Nefertari foi ate Ramsés, que a esperava numa tenda na beira do Rio Nilo, e o beijou, mas ele se afastou bruscamente, a deixando confusa.
— O que foi Ramsés? Aconteceu alguma coisa? — Ela perguntou, preocupada.
Ramsés abaixou o olhar, não conseguindo olhar para a amada.
— Nefertari, me dói muito ter que te dizer isso assim, mas precisamos terminar, não podemos mais seguir com nosso relacionamento. — O príncipe explicou, penalizado.
Desesperada, a filha de Yunet correu até o namorado e o agarrou.
— Porque Ramsés? Porquê isso? Terminar uma relação de anos assim de repente? Não me ama mais, é isso? — Choramingou ela, com lágrimas caindo dos seus olhos. Ela não conseguia suportar a ideia de perder o namorado.
Ramsés se afastou e se virou, para que Nefertari não visse que ele também estava chorando. A verdade era que a amava demais. Planejava se casar com ela, ter filhos e torna-la Rainha do Egito, mas ele teria que terminar com ela para protege-la, pois mal podia imaginar qual seria a reação de seu pai se o enfrentasse. Ele poderia até mesmo o deserdar, e isso Ramsés não queria, por isso resolveu abrir mão de ser feliz ao lado de seu grande amor.
— Eu te amo muito Nefertari. Mais do que você pode imaginar. Mas preciso abrir mão desse amor para bem do nosso Reino. Tente entender meu amor. Meu pai tá furioso comigo, cismou de arrumar uma noiva pra mim e um noivo pra minha sobrinha Safira. Tentei argumentar com ele, mas o velho não quis saber de conversa. Ameaçou até mesmo me deserdar se não me casasse com Maya. Se não o obedecer ele será capaz de tudo. — Ramsés tentou explicar, e aproximou-se de Nerfertari, mas recebeu um tapa na cara.
— Canalha! Se realmente me amasse de verdade faria de tudo para lutar por esse amor, enfrentaria até seu próprio pai se preciso fosse. Mas agora vejo que não me ama tanto quanto dizia. Confesse Ramsés, você só queria se divertir comigo, e agora que apareceu essa noiva me descarta como se fosse lixo. Pois muito bem Ramsés, Divirta-se com sua "noivinha". Mas está avisado. Isso não vai ficar assim. — A moça apontou o dedo pra ele o ameaçando e saiu dali em lágrimas. Ela não estava brincando. Nefertari realmente estava disposta a se vingar de Ramsés, e para isso faria de tudo.
..........
A noite caia no harém do Palácio, e enquanto muitas mulheres se preparavam para dormir, Safira estava numa conversa entrosada com Moisés num canto afastado. O assunto dos hebreus não saia da cabeça da jovem de jeito nenhum, por isso ela pediu que Moisés lhe contasse mais sobre seu povo, e ela ouvia encantada as histórias que ele lhe contava. Será que esse Deus dos hebreus realmente existia e era tão milagroso assim?
Quem estava incomodada com o entrosamento dos dois era Yunet. A mulher odiava Safira por ela ser filha de Henutmire, e odiava Moisés pelo simples fato dele ser hebreu. Com certeza a dama de companhia da Princesa não perderia essa chance de alfinetar os dois. Por isso ela foi se aproximando devagar e interrompeu a conversa.
— Já está tarde para ficar de conversas não acha Safira? Ainda mais com esse hebreu imundo. Não sei onde o faraó estava com a cabeça quando permitiu que esse estúpido viesse morar aqui no Palácio, e ainda por cima virasse arquiteto oficial do Rei. Seti deve estar ficando louco, isso sim. Os hebreus são uma raça imunda, suja. Se pegarmos uma epidemia de doenças graves aqui no Palácio por causa desse hebreu depois não digam que eu não avisei. — Ela provocou, venenosa. O que Yunet mais amava era causar intriga e infelicidade nas pessoas, principalmente aquelas que ela odiava.
Safira e Moisés se entreolharam. Os dois ficaram com muita raiva pelo que Yunet havia dito, e Safira preparou-se para defender Moisés, mas foi interrompida por Henutmire.
— Isso é coisa que se fale Yunet? Destratando um nobre do Rei, onde já se viu uma coisa dessas. Moisés pode ser um hebreu, mas agora é o arquiteto oficial do Palácio, e merece ser tratado com respeito. Aliás, todos os hebreus merecem ser tratados com respeito, pois acima de tudo eles são seres humanos. Não quero mais ver você tratando Moisés, ou qualquer um neste Palácio mal. Agora peça desculpas a Moisés e Safira e vamos embora. — Henutmire ordenou, de maneira firme.
Se corroendo de raiva por dentro, Yunet pediu desculpas falsamente a Moisés, que fingiu acreditar. O hebreu agradeceu a Princesa, comovido por ela o ter defendido, e foi para seus aposentos dormir. Moisés nunca tinha dormido num lugar tão confortável como aquele, e lhe doía muito saber que ele estava ali enquanto sua família continuava no sofrimento de sempre, e sem noticias dele. Mas, infelizmente ele não poderia fazer nada. Pelo menos não por enquanto. Naquela noite, Moisés e Safira sonharam um com o outro.
.....
DOIS DIAS DEPOIS.
Dois dias haviam se passado, e durante esse tempo, Moisés e Safira haviam adquirido uma amizade, apesar de os dois quererem bem mais do que isso. Os dois estavam completamente apaixonados um pelo outro, mas claro que nunca confessariam, pois o amor que sentiam era proibido. Hoje também o dia em que Maya e Joel, os noivos de Ramsés e Safira chegariam no Palácio, e o faraó iria dar uma grande festa. Moisés e Safira combinaram de durante a festa, num momento em que todos estivessem distraídos, de fugirem e irem até a vila dos hebreus. Será que conseguiriam? Nefertari tentava de todo jeito evitar encontrar Ramsés. A moça ainda estava muito magoada, e não havia desistido de sua vingança. Apenas não sabia como concretiza-la. Haviam se passado dois dias, e Henutmire ainda estava preocupada que aquele sonho que teve se tornasse realidade, o que quer que fosse.
A Princesa foi ate o santuário do Palácio rezar para os Deuses, e se surpreendeu ao ver Disebek aos beijos com Yunet. Lágrimas brotaram dos seus olhos. Sempre desconfiara que o marido a traía, isso era mais que evidente. Mas ela não imaginava que fosse com Yunet, sua dama de companhia e aquela que considerava uma amiga.
— O QUE ESTA ACONTECENDO AQUI? — Esbravejou, assustando os dois amantes, que ficaram completamente pálidos ao vê-la.
Yunet rapidamente se afastou de Disebek e foi para o lado de sua senhora.
— Ele me seduziu senhora. Eu juro que não queria. Eu nunca sequer pensei em trai-la, a amo como se fosse minha própria irmã. Mas esse canalha vem me seduzindo faz meses princesa. Ele até me obrigou a me deitar com ele, me desonrou. Ajude-me senhora. Só não conte a ninguém, não quero que meu marido fique sabendo. — Yunet fez seu teatro. Falsas lágrimas caíram de seus olhos.
Disebek ficou indignado com a falsidade dela.
— Henutmire meu amor, não acredite numa palavra sequer que esta louca tá dizendo. Isso e blasfêmia. Eu nunca te trairia meu amor, é óbvio que ela tá mentindo. — O general tentou explicar, desesperado.
Henutmire olhou de um para outra e pareceu refletir por alguns instantes. Disebek já havia dado provas de sua infidelidade inúmeras vezes, já Yunet sempre fora uma amiga perfeita, sempre a ajudou em tudo. Ela pensou e olhou para Yunet.
— Não se preocupe Yunet, acredito em você. Sei que valoriza nossa amizade tanto quanto eu e nunca me trairia. Você foi tão vitima desse canalha quanto eu. Obrigado. – Henutmire abraçou Yunet, emocionada.
— Obrigada senhora. Me alegra saber que confia em mim. — A dama respondeu, falsa. E as duas saíram sem olhar pra Disebek, que bufou. Yunet havia conseguido o que queria. Colocar Henutmire contra ele.
......
— Não sei como aceitei essa loucura de minha mãe. Devo estar ficando maluca também. — Falou Miriã, enquanto estava se vestindo como egípcia com a ajuda de Hur. O plano de Joquebede era que a filha fingisse ser egípcia e noiva do joalheiro do Rei para ficar mais perto de Moisés. Miriã achou a ideia completamente maluca, mas acabou concordando depois de tanta insistência da mãe. Hur a estava agora preparando para ser apresentada como Sati, a noiva dele do Alto Egito. Além de estar desconfortável com essas roupas e peruca, a moça ainda teria que mentir seu nome para não dar nas vistas que era hebreia.
— Não se preocupe Miriã, sua mãe está apenas preocupado com seu irmão, e tenho certeza de que tudo dará certo. — Hur a tentou tranquilizar.
— Sim, mesmo assim isso é uma loucura. E se descobrirem que não sou egípcia e estive mentindo? Com certeza irei ser castigada, e você será também. — Miriã falou, preocupada.
— Não se preocupe com nada disso. Tudo dará certo. — Hur a tranquilizou. — Você tá linda. — Ele elogiou, espantado com a beleza dela.
— Obrigada. — Miriã corou.
— Pai, desculpa interromper, mas Leila esta no Palácio, e exige ver Bezalel. — Explicou Uri, tenso.
......
Será que foi uma boa ideia você ter mandado Miriã pro Palácio? — Eliseba ponderou para Joquebede, enquanto as duas costuravam.
— É claro que eu fico preocupada, mas tudo dará certo. Hur irá protege-la. Além disso espero que ela acabe se apaixonando de uma vez por ele e se case de uma vez. — Riu Joquebede, e Eliseba riu também.
— Mas Arão não pode saber de forma alguma. Ele já esta chateado ao saber que Moisés foi pro Palácio, imagina se souber que Miriã também foi. — Comentou Eliseba.
— Onde Miriã foi? — Perguntou Arão, surpreendendo as duas mulheres.
......
Tudo estava pronto para a chegada do sacerdote de Waset com seus filhos Maya e Joel. Seria uma grande festa, e todos os nobres se encontravam na sala do trono esperando, inclusive Moisés. O filho de Joquebede estava triste ao saber que Safira iria focar noiva, mas não poderia fazer nada. Nefertari estava morrendo de vontade de conhecer Maya, e torcia pra ela fosse horrorosa. A filha de Yunet também deu umas olhadas discretas para Moisés. Não havia percebido o quão bonito ele era.
— Seti I, senhor das duas coroas. Anuncio a chegada do Siamon com seus dois filhos Maya e Joel. — Anunciou Paser.
Logo as portas se abriram e entraram Maya, Joel e Siamon. A moça e Ramsés imediatamente se olharam, e sorriram, encantados um pelo outro. Isso irritou profundamente Nefertari. Joel se encantou por Safira e sorriu pra ela, que, mesmo contrariada retribuiu o sorriso. Moisés viu a cena e foi mais um a ficar irritado.
— Bem vindo Siamon, é um prazer ter você e seus filhos aqui no Palácio. Maya é divina, e Joel também é muito elegante. Esse é meu filho Ramsés e minha neta Safira que serão noivos de seus filhos. — Disse Seti.
Ramsés pegou a mão de Maya e a beijou, encantado. Joel fez o mesmo com Safira. Nefertari e Moisés estavam com muita raiva ao ver a cena, e como não estava aguentando ver a cena, o hebreu saiu de fininho. A filha de Yunet viu e decidiu segui-lo.
— Você gosta de Safira não é? — Disse Nefertari, assustando Moisés.
— Claro que não. Safira e apenas uma amiga. — Mentiu Moisés, nervoso.
— Mente muito mal sabia hebreu? — Provocou ela, chegando muito perto dele.
— E você gosta do príncipe, ou estou errado? — Moisés perguntou, entrando no jogo.
— Eu amo Ramsés. Mas ele se encantou por Maya, e preciso esquece-lo. Talvez você possa me ajudar com isso. — Ela falou.
— Eu? — Perguntou, confuso.
Surpreendendo-o, Nefertari agarrou Moisés e o beijou!
......
No próximo capitulo
— Henutmire mostra ciúmes ao ver Hur como Sati/Miriã.
— Joel tenta beijar Safira.
— Leila aceita viver no Palácio para ficar perto do filho.
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