SÉCULO IX

“Por mil anos depois da queda do Império Romano do Ocidente, o Império Bizantino se manteve fortalecido. Antigo e poderoso, logo se tornou conhecido como um labirinto de intrigas e segredos. Como os bizantinos sabiam que um governante impopular sempre podia ser substituído, uma série de imperadores morreram de assassinatos violentos.” — Natasha Romanzoti

O Imperador Cristóvão da Cazária II corria em disparada ao altar da catedral de Santa Sofia. Não se tinha muito tempo, podia ouvir os passos dos assassinos se aproximando. Em súbita rapidez, refugiou-se atrás da grande mesa de mármore e olha ao redor em busca de algo afiado para se defender de seus adversários. Ao considerar sua retaguarda avista uma enorme cruz que está ao centro e a alcança, cambaleando um pouco por causa de seu peso.

Lembrara dos tempos que era comandante e chefe das forças do Império do antigo imperador: Miguel I. Por não agradar nada o exército, os homens – a mando do próprio Cazária e de Tibério, o segundo comando e seu grande amigo – arquitetaram um plano para sua derrocada: como detinham sua confiança, passaram com facilidade pelos guardas e adentraram em seu quarto – o matando enquanto dormia. Em seguida, as forças armadas estavam proclamando Cazária II como novo imperador de Constantinopla. Mas isso já foi há muito tempo: não se lembrava de nenhuma aula de defesa onde utilizava uma enorme cruz para defesa.

— Ali está ele! – um de seus assassinos o avistara e chamava os outros, logo a catedral se encontrava cheia por seus inimigos.

Todos se encontravam vestidos de monges e com espadas nas mãos, além do mais, foi assim que tudo começou: aquele dia seria a reunião que ele deteria com os novos monges, vindos das cidades vizinhas. Não havia necessidade de guardas acompanha-lo até o encontro, pois, bem... monges eram inofensivos. Não possuíam conhecimento da arte da guerra. Contudo, não passara de uma armadilha para atraí-lo para sua morte. A questão é: quem faria isso e por quê?

— Fiquem longe de mim! – o imperador gritou, apontando a cruz para os homens.

De nada adiantou e Cazária I sabia disso. Os homens correram com suas afiadas espadas até seu encontro, iniciando uma luta sangrenta.

Não durou muito tempo. O imperador estava sozinho diante aqueles oito homens. Ele ainda conseguira derrubar um, mas o restante conseguiu imobilizá-lo. Tudo terminou com um de seus braços arrancado, uma grande ferida na perna, uma espada enfiada em seu peito e sem um dos olhos.

Por fim, jogaram seu corpo em um curral de porcos que se localizava ao lado.

Cristóvão da Cazária II não imaginava, mas de longe uma alma espreitava, avistando todo o acontecido com um sorriso nos lábios. Tibério seria o próximo imperador de Constantinopla.

Notas finais
REFERÊNCIA: KEROUZIAN, Yessai Ohannes. O papel dos armênios na história de Bizâncio. Revista de História: Abril-Junho,1972, p. 321-356. ROMANZOTI, Natasha. 10 segredos obscuros do Império Bizantino. Hypescience: 2016. Disponível em: https://hypescience.com/10-segredos-obscuros-do-imperio-bizantino/.Acesso em: 04 de maio de 2019. Baseado na história do Imperador Leão IV, o Armênio.