Os Contos Do Prisioneiro Cego
7 Capítulo 6
Notas iniciais
Capitulo 6:
- Hã? Onde estou? — Acordo desorientado em uma sala feita de pedra e vigas de metal. Estou sentado em uma cadeira metálica e forrada, diante de um ser magro diante de mim, devido a minha visão turva não consigo indentifica-lo com clareza. Ele fala:
- Bem-Vindo nº 134
- O que? Quem é você? Onde estou? O que aconteceu com meu corpo?
- Eu sou o nº 51. Você está em uma sala de ativamento no planeta Escaldrum. Você não se lembra? Nosso planeta morreu.
- O que?! Quan... — Sinto uma forte fisgada na nuca do corpo que eu acabara de conhecer. A língua que eu falo, eu nunca ouvira em minha vida. E, mesmo assim, consigo entende-la e reproduzi-la.
As memórias são turvas. Mas esses fragmentos colocaram minha mente em ordem. Me lembro do meu planeta natal. Do fogo... Continuo a falar com a criatura que se diz ser meu semelhante:
- Agora eu consigo lembrar vagamente... Mhaltos... Realmente morreu?
- A explosão de super-nova da nossa estrela transformou todo nosso sistema estelar em poeira cósmica. Você, assim como eu, e todos nossos semelhantes que estão nesse planeta novo, fomos salvos pelo projeto A.L.M.A.
- Projeto A.L.M.A... Foi um sucesso?
- Sim 134... Um sucesso total. Transformar nossos corpos e mentes em seres, praticamente, inorgânicos nos deu a chance de evacuar Mhaltos antes da explosão.
- Entendo... Mas, que corpo é esse? E, por que eu estou entendendo uma língua que nunca entrei em contato?
- O corpo que sua mente está habitando agora é de um nativo voluntário. Devido a religião, os nativos desse planeta não viram problema algum em ceder seus corpos. Embora destruirmos as mentes dos nossos hospedeiros. Nossos verdadeiros corpos estão alojados aqui.
Ele toca minha nuca com o dedo. Agora posso vê-lo com mais clareza, ele não tinha nariz, apenas narinas. Seus olhos eram negros, com a única parte colorida sendo a íris vermelha brilhante. Possuía orelhas pequenas e não muito complexas. Tinha completa ausência de pelos deixando visível a pele vermelha clara, lisa e seca. Ele vestia uma túnica branca larga que ia até seus joelhos, e calças brancas, também largas. Tanto seus pés, como suas mãos, possuíam quatro dedos. Ele continua:
- Apesar de nos aceitarem aqui, temos que provar que somos dignos de andar como iguais. Em cima da mesa tem roupas para você, use o espelho para se habituar melhor com o corpo, quando você sair, um nativo estará te esperando para te levar até seu guia social.
O nº 51 se levanta e sai da sala. Respiro aliviado, me deitando em minha cadeira. Me viro, e meu reflexo no espelho me chama atenção. Me ponho em pé e me vejo melhor, sou, basicamente, igual ao nº 51, mas com algumas diferenças. Como em Mhaltos, temos a mesma forma, mas com características individuais que nos diferenciam. Uma coisa que me chamou atenção, e que não havia como eu notar no nº 51, pois ele estava de roupa, é o fato de meu órgão sexual ser parecido com o dos répteis. Ah... Apenas detalhes.
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