Os Contos Do Prisioneiro Cego
8 Capitulo 7
Notas iniciais
Muito tempo sem novos caps... Mas agr vou postar com bem mais frequência.
Capitulo 7:
As roupas deixadas em cima da mesa eram feitas por fios finos. Eram leves e versáteis. Constituíam uma camiseta de manga longa, larga e branca. E uma calça, também larga e branca. Eu procurei por uns 5 minutos por sapatos ou sandalhas, mas essas eu não encontrei. Ao sair da sala vejo um corredor de uns 100 metros, feito de pedra e sustentado por vigas cravadas na parede. Do lado direito do corredor se encontrava a parede com vigas, e, do outro, uma série de janelas. O que dava a impressão de que, a parede esquerda, era formada por arcos e colunas. Apoio minhas mãos em uma dessas janelas, e vejo a cidade inteira. As construções tinham característica geminada. Sendo que, todas as construções de uma quadra eram interligadas entre si. Essas eram feitas de uma pedra clara, metal e madeira. Não existiam construções extremamente altas, sendo que, a impressão que dava, era que eu estava no lugar mais alto da cidade. Haviam veículos que se locomoviam em solo, e outros menores, voando sobre a cidade em grande velocidade. Devido a minha distancia que eu me encontrava dos terrestres, e a grande velocidade dos aéreos, não consegui distinguir muitas características de ambos. No céu azul, com poucas nuvens, e as que se encontravam eram muito ralas, brilhavam dois sois amarelos. Sendo um, somente, um pouco maior que o outro. Sinto um leve tapa nas costas, e ouço uma gargalhado vindo do meu lado, bem próxima a mim. O ser que fizera essas duas ações se vestia de maneira elegante. Vestindo uma túnica branca que cobria todo seu corpo. Por cima da túnica, ele vestia um sobre-tudo verde com ornamentos dourados que ia até seus pés com sandalhas, e uma faixa larga da mesma cor na cintura. O sobre-tudo era de uma seda mais pesada do que a seda das minhas roupas. E seus olhos não brilhavam como os olhos do nº51. Esse fala:– Até que enfim te encontrei! Você deve ser o nº134. Você é o recém chegado não?– Sim... Sou eu, e...– Ah! Ótimo! Tive medo de ter me enganado novamente. Fiquei o dia todo procurando por você. Embora tivesse sido um erro meu de me perder nos corredores da prefeitura. De qualquer forma, meu nome é Set-Tun, eu serei seu instrutor por um tempo. Vou fazer um tour na cidade com você, e vou te ensinar o básico do básico na nossa cultura e costumes. Para, se eu achar que você está pronto, eu te entregar para seu guia social oficial. Em outras palavras: eu vou te dar a base, e seu guia vai construir, nessa base, um novo cidadão. Entendeu? – Bem, sim mas...– Excelente! Excelente. Agora venha comigo. A medida que andamos pelo corredor de arcos ele realiza algumas observações que, diz ele, serem importantes. Ele é uma pessoa animada e cheia de energia. E ignora o fato de sermos de espécies diferentes. Ele comenta:– Não se engane com nossa arquitetura rústica e escolha de mateiras rudimentares. Aqui em Escaldrum a tecnologia reina soberana. Claro, ainda não conseguimos realizar viagens espaciais freqüentemente, mas isso é prioridade dês de quando vocês chegaram aqui a 5 anos... Deixo de prestar atenção quando ouço "5 anos". Eu me lembro de deixar Mhaltus a poucos dias... A minha forma sem hospedeiro deve perceber o tempo de maneira totalmente diferente. No final do corredor nos deparamos com, o que parecia, uma porta de elevador. Do lado da porta, havia uma placa de metal, cravada na parede de pedra. Set-Tun coloca a mão na placa e a porta se abre. Ele era uma caixa metálica prateada. No seu teto havia as luzes e, em sua parede esquerda, havia um painel azul. Não tinha números ou qualquer simbologia. Era apenas azul brilhante. Nós entramos no local e Set-Tun coloca sua mão no painel azul. Este se divide em hexágonos e, logo depois, volta ao normal. Set-Tun retira sua mão. Ele fala:– Esses leitores estão em elevadores, navios, carros, planadores... Enfim, quase todo meio de transporte. Eles lêem suas terminações nervosas e obedecem seus comandos. Por mais incrível que pareça, foi mais difícil adaptar os leitores nos elevadores do que em meios de transporte em si. Pois, no elevador, o leitor deve obedecer seu comando, porém, deve possuir um processador próprio para sobrepor os "interesses" dos vários usuários simultâneos do elevador. Para, assim, tomar a decisão que poupa mais tempo. Nós descemos até o primeiro andar. A porta do elevador se abre e saímos em uma praça a céu aberto. A praça era circular, tendo em seus limites uma série de arcos e colunas. O raio da praça devia ter uns 300 metros e, em seu centro, havia uma fonte feita de um metal avermelhado fosco. A fonte constituía uma lamina d'água e, em seu centro, um pilar, incrivelmente detalhado com formas rocambolescas, imitando a vegetação abundante na praça, que escorria água de seu topo. Os nativos vestiam roupas coloridas, com cores vivas e detalhes dourados ou prateados. Os meus semelhantes, facilmente distinguidos pelos olhos brilhantes, vestiam a mesma roupa, a camisa e calças largas e brancas. Outra coisa que percebi, era que meus semelhantes não usavam sandalhas. Característica que todo nativo compartilha, exceto as crianças. Eu e Set-Tun vamos até um carro. Ele pairava sobre o chão, não se mantendo a mais de que alguns centímetros de distância do solo. Esse veículo era formado por uma cabine, aonde poderiam se situar um motorista e um passageiro. Da cabine saiam dois braços que ficavam paralelos ao solo. Tendo esses braços os propulsores de anti-matéria, que desprendiam o veiculo da gravidade do planeta.
Ao entrarmos no carro, Set-Tun coloca suas mãos no painel azul, que se situava na frente do assento do motorista. Esse painel se divide em hexágonos e assim se mantém. Nós nos movemos e andamos pelas ruas da cidade. Vemos as praças e as grandes feiras feitas em ruas interditadas. Os nativos conviviam conosco como semelhantes, mas não como iguais, e, em troca de sua hospitalidade, oferecemos grandes avanços científicos. Queríamos ensinar a eles métodos de organização social, mas a sociedade em Escaldrum era semi-utópica. Sendo que, os conflitos eram quase exclusivos das noções bélicas. Em outras palavras, não havia muito o que melhorar. Pergunto aonde íamos. E ele responde que iria me mostrar onde ficava o Museu de Artes da cidade. O museu era como um cemitério para eles. Como não são apegados a carne, eles cremam os corpos de seus finados e jogam, as cinzas no deserto. O que eles preservavam era a essência do ente querido. Essência essa, que era transmitida através de uma escultura, uma pintura, um poema... Qualquer forma de arte. Eles acreditavam que o indivíduo era sua alma, e não sua aparência. E pensavam que, a melhor maneira de chegar a aparência da alma, é pela arte. Sua religião fazia com que eles lidassem de maneira madura com relação a morte. Com as próprias palavras, ensinadas a mim por Set-Tun, que eles recitam como uma oração: "Nada morre, e nada é destruído. Todos que se foram e todos que vão ir, estão ao lado dos primogênitos do Universo. E esses, quando quiserem, podem voltar, e nascer novamente como um de nós. Mas isso apenas conforta o peito apertado, daquele que sofre da, tão egoísta, saudade incurável". Ao chegar no museu. Sua entrada já me deixa estupefato. Um arco feito de pedra e bronze, chagando a ser 10 vezes maior que um nativo, repleto de voltas e contravoltas. Detalhes que imitavam a vegetação cheia de folhas e flores que circulava a enorme cúpula de cristal que era o museu. Seu interior era repleto de praças com estatuas. Salões com obras de pintura. E teatros aonde peças eram interpretadas, e poesias, lidas. O prazer que esse povo tinha com a arte era enorme. Sendo tão grande quanto seu prazer pela ciência. Uma estátua específica me chama a atenção. Ela era de uma mulher, com túnicas simples e roupas não muito espalhafatosas. Ele se encontrava apontando para o céu. A estátua era feita do mesmo metal vermelho fosco que a fonte na prefeitura. Mas era possível ver a maciez das dobras de sua túnica, era possível sentir a textura de sua pele, ver suas veias saltadas e seus músculos contraídos, somente com o olhar de tão bela escultura. Sua feição de felicidade ao apontar para o céu, deixaria o coração mais duro e frio, mole e quente como o de uma criança. E, sem perceber, deixo escorrer uma lágrima dos meus olhos. Me maravilhando, com a beleza de uma cultura inteiramente nova, que se apresentava na minha frente.
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