Os Contos Do Prisioneiro Cego
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Capitulo 5:
Estou deitado na minha cela. Meu recinto, agora, está mais cuidado. Agora, pelo menos, tenho um colchão e uma coberta. O frio da noite não é um problema tão grande agora. Já faz dois dias dês do incidente na enfermaria. Meus ferimentos já estão quase fechados. E, segundo eles, já estou "bom" o suficiente para responder perguntas.
Esmeralda entra na cela com dois homens, um deles acho que é Matheus, e o outro eu desconheço. Os três se sentam. Sinto seus olhares sobre mim. O homem que eu desconhecia fala com uma voz velha e cansada:
- Então... Qual o seu nome?
- Você não tem nada melhor para perguntar?
- Insolente! — É... O outro homem era Matheus. — Ele bate em minha perna com a coronha do seu rifle. O homem velho fala:
- Matheus. Nos espere fora da cela.
- Mas avô...
- Matheus.
- ... Está bem. Desculpe.
Assim que Matheus sai da cela o homem volta a falar comigo.
- E ai? Seu nome filho.
- Por que você quer saber meu nome?
- Vamos ter que confiar em você. Quero, pelo menos, saber seu nome.
- Observador. Me chamo Observador.
- Irônico. Julgando o fato de você não ter olhos. Agora, outra pergunta: A quanto tempo você está na Terra?
- 15 anos.
- Então você não presenciou a "batalha final"a 20 anos.
- Não. Para falar a verdade, nunca ouvi falar. Poderia me dar a honra?
- Claro. Essa batalha, era para ser a batalha decisiva. A batalha que proclamaria o vencedor, aquele que teria o direito de habitar a Terra. Nós tínhamos juntado, ao longo de 15 anos, todos os grupos de humanos rebeldes da Terra. Eu tinha 30 anos na época e era um dos líderes da resistência. Minha esposa, uma alma, acreditava que tínhamos o direito de termos o planeta nosso. Graças as almas ao nosso lado, achamos que tínhamos o conhecimento necessário para ganhar. Nos enganos terrivelmente. A batalha... Não durou um mês. 3 milhões de homens e mulheres corajosos foram perdidos. Fomos completamente aniquilados e humilhados. E, agora, na beira da extinção. Eu fugi para o Brasil com um grupo de sobreviventes depois que as almas que nos ajudaram foram banidas para os planetas mais longínquos. Você é a única esperança da humanidade Observador. Eu conto com você.
- Essas almas eram burras.
- O que?
- As almas que ajudaram vocês. Eram jovens e burras. Não deviam ter idéia do poder bélico das almas. As almas já foram o fator determinante na guerra de dois planetas super-avançados. Eu sei como foi a guerra. Eu participei. Nosso conhecimento em batalha é insuperável. Com todo o respeito. Foi burrice um confronto direto.
- Então... O que você sugere?
- Um acordo diplomático é a única alternativa que os humanos tem de escapar da extinção. Vocês tem que aceitar que esse planeta não é mais só de vocês. Esse planeta pode ser dividido. Assim como é em todos os outros planetas habitados pelas almas. Ou é isso ou a extinção.
Um minuto de silêncio é ouvido. Creio ter sido direto demais com o senhor de idade à minha frente. Ele era uma pessoa vivida, com muitas histórias e com muita experiência para compartilhar. Assim como eu.
- Mas... Como iríamos conviver com as almas? Como coexistir com algo que nos causou tanta dor? — Pergunta Esmeralda indignada.
- Sinto muito. Mas foram vocês que causaram dor a vocês mesmos... Enquanto a convivência. Eu estive em todos os planetas habitados pelas almas. Tenho inúmeros exemplos de convivência pacífica. Se vocês tiverem paciência... Garanto que é melhor do que a extinção.
- Quantos anos você tem Observador? Quando conheci minha mulher ela tinha 10 mil anos... — Pergunta o senhor de idade.
- Ela era uma jovem. Uma adolescente. Eu sou um velho de 1 milhão de anos. A última alma da minha geração.
- Bem. Acho que vocês crianças encontraram um novo velhote que adora contar histórias. Bem, eu vou me retirar. A idade pesa em meu peito e em minhas pálpebras.
- Espere! O senhor não me disse seu nome.
- Ah! Que grosseria a minha. Me chamo Ian O'Shea. Foi um prazer te conhecer Observador.
- Igualmente.
Ian sai da cela e fala alguma coisa para Matheus. Ele entra e se senta ao lado de Esmeralda. Ele pergunta:
- E então Observador? Qual foi o primeiro povo que as almas conheceram?
- Bem... Foi a 1 milhão de anos, em um planeta três vezes maior que a Terra e de clima completamente desértico chamado pelos habitantes por o nome de Escaldrum...
Fale com o autor