Os Contos Do Prisioneiro Cego
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Capitulo 4:
Acho que passei um ou dois dias naquela maca. Imagino que a discussão do que eles vão fazer comigo está sendo grande. Não posso ficar aqui e esperar que eles dêem minha sentença. Devo intervir. Mas, para isso, tenho que sair desta maca primeiro.
O mais sábio a se fazer é tentar utilizar um truque que aprendi no planeta utópico de Aiur. Os habitantes do planeta possuem poderes psiônicos gigantescos, podendo, em casos extremos, alterar a estrutura de átomos utilizando nada mais que a mente. Devido aos seus grandes poderes mentais, as almas dividiam o corpo com as mentes dos hospedeiros.
Meu hospedeiro tinha me ensinado que todo ser consciente possui habilidades psiônicas. Que a mente sapiente tinha o poder de mudar o ambiente a sua volta. Ele me ensinou a usar o poder total da minha. Poder esse que posso usar para me livrar dessas correntes.
Com esse corpo, não posso fazer nada mais que destrancar um trava ou entortar uma colher. Somente movimentos simples me são permitidos. A própria fisionomia do cérebro me impede de atos mais grandiosos. Mas, movimentos simples é tudo de que eu preciso.
Deixo meus braços paralelos ao corpo. A concentração é algo crucial. Minha mente tem que viajar para dentro da tranca, para, depois que eu entender como o mecanismo funciona, poder controla-lo. Não sei dizer se se passaram horas ou segundos (provavelmente foram horas... Muitas horas), mas agora eu tinha o controle das algemas de ferro que me prendiam a maca.
Um movimento para a direita, dois para a esquerda, outra para a direita. Forço o mecanismo para cima e giro. Pronto. Um estalo é ouvido, e meu braço direito está livre. Não posso perder o foco. Agora a outra algema. Sua tranca era igual a da primeira, portanto demorou apenas alguns segundos para libertar meu outro braço.
Ao me levantar da maca sinto o sangue escorrendo do meu nariz. Ativar as habilidades psiônicas desse corpo deve ter sido algo violento. Apesar da espécie humana ter uma propensão a desenvolver habilidades mentais.
Me apoio em uma mesa. As paredes da sala eram completamente lisas e tão rígidas quanto o metal. Ouço uma voz masculina gritando vindo de trás da porta:
- Não podemos mais arriscar tê-lo na base! — A porta é aberta violentamente. Ele continua. — Ele é muito perigoso Esmeralda! Vou acabar com isso agora!
- Não atire Matheus! — Grita uma mulher.
Ele atira, a bala passa de raspão. Um clima de tenção é gerado. Levanto os braços e digo de maneira concisa:
- Não atire novamente! Eu irei cooperar! Não posso ferir ninguém. — Mentira.
- Como podemos acreditar em qualquer coisa que você diga?! Me dê um bom motivo para eu não te dar um tiro bem no meio da testa?!
— Por que, se vocês não acreditarem em mim, todos vocês morrem. Vocês acham que nós não sabemos aonde são seus esconderijos? Acham que somos tão burros que não sabemos onde ficam os últimos focos de resistência? Estamos apenas esperando. Ou para que vocês aceitem um acordo de paz, ou sua completa extinção. E, pelo o que eu vi até agora, vocês querem muito serem extintos.
- Mas você ainda não respondeu por que confiaríamos em você? Você pode muito bem estar blefando! Me de motivos para acreditar em você!
- Você não tem motivos. Agora, cabe a você decidir se vale a pena, ou não, arriscar.
Após alguns instantes de silêncio, que parecem se tornar eternidades, tomarem conta conta da sala. O homem, que creio ser o que chamaram de Matheus, se manifesta:
- Merda! Acho que não temos outra escolha, a não ser ouvi-lo.
- Ótimo. — A voz da mina carcerária se manifesta.
- E você Esmeralda. Foi você que o defendeu. Você que vai se responsabilizar pelas atitudes dele. Me entendeu?
- Sim. — Após esse dialogo, suponho que o nome da minha guarda é Esmeralda.
- Agora, bote ele em sua cela novamente!
- Pode me ajudar a levantar? — Digo para Matheus.
- Não dá... Você quebrou meu braço!
Éh... Eu acho que ele não foi com a minha cara...
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